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Plano Estadual de Logística e Transporte do Paraná 2020

Finanças, Gestão, Gestão de Obras, Inovação, Obras Inovadoras, Responsabilidade Social e Ambiental, Sustentabilidade 22 de setembro de 2010

O futuro do estado a partir de uma malha viária eficiente

Michel Mello

O Plano Estadual de Logística e Transporte do Paraná (PELT) é fruto de uma parceria entre o Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sicepot-PR), o Conselho Regional de Engenharia do Paraná (Crea-PR), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Essas entidades tiveram a ousadia de pensar, planejar e formular o PELT 2020 para os próximos dez anos no estado e para além das legendas e partidos políticos. Existem PELT´s em vários outros estados da união, o Paraná agora começa a pensar sobre o futuro.

Após uma lacuna de 30 anos sem grandes investimentos em infraestrutura de transportes no estado, o Paraná sofre com o sucateamento das rodovias e, principalmente, com a falta de um planejamento de políticas públicas neste setor. Com isso, existe um enorme déficit e uma necessidade urgente por obras que possam garantir o crescimento econômico do estado e acompanhar o ritmo do desenvolvimento do país.

De acordo com o presidente do Crea-PR, Álvaro Cabrini Júnior, “para que o Brasil se torne a 5ª economia do mundo, é preciso que o Paraná se torne mais competitivo, planeje sua infraestrutura para o futuro e reveja a logística dos transportes no estado. O Paraná está parado, enquanto o Brasil é um canteiro de obras”, ressalta Álvaro.

Situação atual

O Paraná possui uma posição geoeconômica privilegiada no país: está na área de maior potencial econômico do Mercosul. É uma importante ligação entre Argentina, Brasil e Paraguai. Sendo o Porto de Paranaguá o escoadouro das safras de Mato Grosso do Sul e do próprio estado. Juntos, esses estados são a primeira e segunda maior colheita do país em termos de grãos.

O PELT 2020 está dividido em quatro modais: rodoviário, ferroviário, hidroviário e aeroviário. No plano, cada uma das subdivisões surge da identificação de gargalos e da necessidade de obras em cada uma dessas áreas, sempre pensando em um aspecto do desenvolvimento macroeconômico para o estado.

Vocação

Sérgio Picinelli: “Essa proposta de uma nova rodovia representa uma redução de 100 km no atual trajeto até o Porto de Paranaguá”

A vocação do Paraná é a agricultura. O estado é o maior produtor de grãos, com duas safras anuais. Isso responde por 25% de toda a produção brasileira. Sérgio Picinelli, presidente do Sicepot-PR, foi o responsável pela elaboração modal rodoviário do PELT 2020. Ele destaca que: “considerando a logística de transportes é fundamental que exista uma malha viária eficiente. Pois o acesso a outros meios de transportes sejam eles: ferroviário, hidroviário ou aéreo só se dá através das estradas”, completa Sérgio.

Sucata

Foram mais de 20 mil quilômetros rodados, realizados durante quatro meses de reconhecimento em campo, para que o engenheiro Sérgio Picinelli tivesse a noção exata dos problemas rodoviários e pudesse sugerir ações para esse plano intermodal. “A falta de um planejamento para o estado, se transforma em prejuízo econômico e financeiro. Nossas estradas estão sucateadas e nunca houve um planejamento viário feito no estado”, ressalta Sérgio Picinelli.

O PELT 2020 tem esse nome, pois as ações pensadas hoje e tão necessárias ao desenvolvimento macroeconômico do  estado ainda precisaram de pelo menos dez anos, entre a fase de projeto, licenciamento e execução. “Se isso não for feito agora, passaremos mais vinte anos com um terrível gargalo que é o acesso feito ao Porto de Paranaguá por apenas uma estrada a BR-277. E isso representa um retrocesso econômico, que é o estrangulamento viário”.

Intervenções necessárias

Sugestão do PELT 2020 é a criação de uma rodovia que ligue diretamente o porto com São Paulo e Santa Catarina.

O plano prevê como saída a esse estrangulamento viário a construção de uma nova rodovia. “O Paraná é o único estado a não possuir em seu território um trecho da BR-101. Isso acontece porque a ligação a leste feita a partir de São Paulo passa por Curitiba. Não há uma ligação direta com o Porto de Paranaguá. Do mesmo modo que não existe essa ligação com o sul, através do estado de Santa Catarina”, enfatiza Sérgio Picinelli.

Nas chamadas intervenções necessárias, o plano prevê a ampliação e o asfaltamento de um trecho já existente de rodovias. O presidente do Sicepot reitera, “dessa maneira o Paraná ganharia três acessos ao Porto de Paranaguá ao invés desse único que temos hoje”. A proposta seria pavimentar um trecho de 23 km entre Garuva e Cubatão, trazendo acesso ao Porto e a cidade de Pontal do Sul. E ligar a região de Alpino, na BR-116, com o município de Antonina, passando por Cachoeira de Cima, em um trecho de 24 km.

“Hoje o atraso do Paraná está nesses 50 km e na falta de vontade política de se construir um estado que seja economicamente competitivo e viariamente ligado, para além dos interesses políticos e dos governos. E desse modo beneficiar o estado e o povo do Paraná”, conclui Sérgio.

As ligações viárias do Paraná são ainda tributo do período colonial e têm origem nos antigos caminhos de tropas que afirmaram as cidades-pólo como centros urbanos centralizadores. Por isso, as ligações rodoviárias passam por Curitiba ou Ponta Grossa. Essa ligação hoje se faz desnecessária e representa o maior entrave a falta de ligações entre os eixos norte-sul e nordeste-leste.

Algumas das reduções apresentadas por Sérgio e sua equipe representam reduções de mais de 100 km em trechos de vital importância para a integração e comunicação. “Isso representa a diminuição do custo inicial do transporte e ajudaria a baratear os custos tornando os produtos brasileiros econômica e competitivamente viáveis para o mercado consumidor externo”, ressalta o engenheiro.

Entrevistado
Sérgio Picinelli
Currículo
– Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
– Chefe do laboratório da Seção de Geologia, Solos e Fundações do Departamento Estradas de Rodagem DER/PR.
– Membro do Fórum das Entidades de Engenharia do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
– Membro do Conselho Temático de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).
– Coordenador da Comissão de Parcerias Público-Privadas da FIEP.
– Membro do Grupo de Trabalho Relações Institucionais com a Área Empresarial do Crea-PR.
– Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado do Paraná (Sicepot-PR).
Contato: presidência@sicepot-pr.com.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content


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