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Obras de infraestrutura vão puxar economia em 2014

Gestão, Infraestrutura, Mercado da Construção 7 de novembro de 2013

Ao analisar riscos e tendências para a construção civil, economista Fernando Sampaio projeta que eleições farão grandes obras saírem do papel

Por: Altair Santos

Qual será o carro-chefe da economia brasileira em 2014? No entender do economista Fernando Sampaio, diretor da LCA Consultoria, o investimento em obras de infraestrutura irá puxar o país no ano que vem. O especialista, que recentemente palestrou no Enece 2013 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) afirma haver sinais claros de que megaempreendimentos começarão a sair do papel nos próximos meses.

Fernando Sampaio: 23 dos 26 estados, mais o Distrito Federal, já captaram dinheiro para investir em infraestrutura

Um dos indícios é a quantidade de recursos já liberados pelo governo federal; o outro, é a proximidade das eleições, que em 2014 irão abranger cargos como presidência da República e governadores. “Dos 26 estados da União, mais o Distrito Federal, 23 já tomaram dinheiro para investir em infraestrutura. São obras de saneamento básico, mobilidade urbana e trechos rodoviários, que, finalmente, tendem a sair do papel. Além disso, crescem os incentivos às PPPs (Parcerias Público-Privadas) e o programa de concessões do governo Dilma, mesmo que atabalhoado, acabará gerando mais obras em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, avalia Sampaio.

O economista também aposta que o governo federal deverá dar mais injeção ao programa Minha Casa Minha Vida, principalmente para obras destinadas à faixa 1 (até 3 salários mínimos). “Tratam-se de imóveis de baixo padrão, que exigem mais músculo do que tecnologia e, portanto, geram mais emprego à mão de obra com baixa qualificação. Para o governo, o que interessa é que o setor crie cada vez mais vagas formais e o Minha Casa Minha Vida tem sido um bom instrumento para isso. Além disso, o programa estimula o financiamento imobiliário, haja vista que no ano passado o crédito habitacional cresceu 35% e este ano (2013) deve se manter neste patamar”, projeta.

Para a cadeia da construção civil, Fernando Sampaio calcula que 2014 tende a ser de crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto), mas estima que, a partir de 2015, possa ocorrer uma “freada” no setor. “Começo de governo, independentemente de quem ganhar, é sempre de ajustes. Por isso, as obras ligadas a gastos públicos deverão ser mais contidas”, afirma o economista, para quem o PIB brasileiro poderá crescer 4% em 2014 e talvez ter uma queda em 2015 – ficar em 3% -, para voltar a crescer em 2016. “Daqui a três anos, a expectativa é de que a crise internacional dê um alívio. Mas não veremos mais a euforia de antes de 2009. O mundo seguirá com aversão ao risco e o Brasil terá que ter projetos sólidos para atrair o capital estrangeiro. Por isso, confio que as obras de infraestrutura deverão liderar esse movimento”, completa.

Fernando Sampaio finaliza apontando que se o Brasil quiser ter parceiros internacionais fortes deve mirar a China e os Estados Unidos. O primeiro, porque, segundo o economista, “salvou” o mundo de 2009 a 2012, e seguirá calibrando a economia mundial; o segundo, porque dá sinais de recuperação. “Os Estados Unidos demonstram retomada da economia, e isso é bom para os exportadores brasileiros, inclusive os fabricantes da cadeia produtiva da construção civil. Na minha avaliação, apenas a zona do euro vai demorar mais para crescer, provavelmente só após 2016″, conclui.

Entrevistado
Economista Fernando Sampaio, graduado pela USP e pós-graduado pela Unicamp e diretor da LCA Consultoria
Contatos
contato@lcaconsultores.com.br
www.lcaconsultores.com.br

Crédito foto: Divulgação/Abece

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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