Obras de infraestrutura vão puxar economia em 2014

Fernando Sampaio: 23 dos 26 estados, mais o Distrito Federal, já captaram dinheiro para investir em infraestrutura

Obras de infraestrutura vão puxar economia em 2014

Obras de infraestrutura vão puxar economia em 2014 1024 698 Cimento Itambé

Ao analisar riscos e tendências para a construção civil, economista Fernando Sampaio projeta que eleições farão grandes obras saírem do papel

Por: Altair Santos

Qual será o carro-chefe da economia brasileira em 2014? No entender do economista Fernando Sampaio, diretor da LCA Consultoria, o investimento em obras de infraestrutura irá puxar o país no ano que vem. O especialista, que recentemente palestrou no Enece 2013 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) afirma haver sinais claros de que megaempreendimentos começarão a sair do papel nos próximos meses.

Fernando Sampaio: 23 dos 26 estados, mais o Distrito Federal, já captaram dinheiro para investir em infraestrutura

Um dos indícios é a quantidade de recursos já liberados pelo governo federal; o outro, é a proximidade das eleições, que em 2014 irão abranger cargos como presidência da República e governadores. “Dos 26 estados da União, mais o Distrito Federal, 23 já tomaram dinheiro para investir em infraestrutura. São obras de saneamento básico, mobilidade urbana e trechos rodoviários, que, finalmente, tendem a sair do papel. Além disso, crescem os incentivos às PPPs (Parcerias Público-Privadas) e o programa de concessões do governo Dilma, mesmo que atabalhoado, acabará gerando mais obras em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, avalia Sampaio.

O economista também aposta que o governo federal deverá dar mais injeção ao programa Minha Casa Minha Vida, principalmente para obras destinadas à faixa 1 (até 3 salários mínimos). “Tratam-se de imóveis de baixo padrão, que exigem mais músculo do que tecnologia e, portanto, geram mais emprego à mão de obra com baixa qualificação. Para o governo, o que interessa é que o setor crie cada vez mais vagas formais e o Minha Casa Minha Vida tem sido um bom instrumento para isso. Além disso, o programa estimula o financiamento imobiliário, haja vista que no ano passado o crédito habitacional cresceu 35% e este ano (2013) deve se manter neste patamar”, projeta.

Para a cadeia da construção civil, Fernando Sampaio calcula que 2014 tende a ser de crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto), mas estima que, a partir de 2015, possa ocorrer uma “freada” no setor. “Começo de governo, independentemente de quem ganhar, é sempre de ajustes. Por isso, as obras ligadas a gastos públicos deverão ser mais contidas”, afirma o economista, para quem o PIB brasileiro poderá crescer 4% em 2014 e talvez ter uma queda em 2015 – ficar em 3% -, para voltar a crescer em 2016. “Daqui a três anos, a expectativa é de que a crise internacional dê um alívio. Mas não veremos mais a euforia de antes de 2009. O mundo seguirá com aversão ao risco e o Brasil terá que ter projetos sólidos para atrair o capital estrangeiro. Por isso, confio que as obras de infraestrutura deverão liderar esse movimento”, completa.

Fernando Sampaio finaliza apontando que se o Brasil quiser ter parceiros internacionais fortes deve mirar a China e os Estados Unidos. O primeiro, porque, segundo o economista, “salvou” o mundo de 2009 a 2012, e seguirá calibrando a economia mundial; o segundo, porque dá sinais de recuperação. “Os Estados Unidos demonstram retomada da economia, e isso é bom para os exportadores brasileiros, inclusive os fabricantes da cadeia produtiva da construção civil. Na minha avaliação, apenas a zona do euro vai demorar mais para crescer, provavelmente só após 2016″, conclui.

Entrevistado
Economista Fernando Sampaio, graduado pela USP e pós-graduado pela Unicamp e diretor da LCA Consultoria
Contatos
contato@lcaconsultores.com.br
www.lcaconsultores.com.br

Crédito foto: Divulgação/Abece

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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