O espaço conquistado pela alvenaria estrutural

O espaço conquistado pela alvenaria estrutural

O espaço conquistado pela alvenaria estrutural 150 150 Cimento Itambé

O que parecia ser o foco de construções habitacionais populares hoje é mais reconhecido em prédios altos

Por: Vanessa Bordin

A estrutura consiste numa base muito bem elaborada com fundação e estrutura em pilares e vigas apenas até o pavimento térreo

Seguindo a série de reportagens sobre sistemas construtivos no país, o Massa Cinzenta aborda agora, outro tema: alvenaria estrutural. Ela se destaca como um sistema construtivo racionalizado, no qual os elementos que desempenham a função estrutural são de alvenaria, ou seja, os próprios blocos de concreto.

Esse sistema tem conquistado, recentemente, mais espaço nas construções do Brasil, apesar de ser a forma mais antiga usada pela humanidade, como na construção da Muralha da China, entre os anos de 1300 e 1600. A volta da classe C ao mercado consumidor de imóveis e o empenho da engenharia nacional em se fortalecer no mercado são alguns dos motivos que estão alavancando essa tecnologia no país.

A alvenaria estrutural vem sendo utilizada pelo meio técnico brasileiro, atraída pela redução de custos proporcionada pelo sistema. A possibilidade de construir edifícios altos tem enterrado alguns velhos preconceitos, como o de usar a alvenaria somente em construções baixas. E as obras que envolvem prédios, sejam residenciais ou comerciais, se tornaram apenas um dos exemplos em que esse sistema pode ser empregado com sucesso.

A Vanderli Gai e Cia Ltda é uma empresa paranaense, com sede em Curitiba, e que produz bloco vazado de concreto há mais de dez anos. Segundo o proprietário, Jorge Tadeu Gai, a alvenaria estrutural é um dos sistemas construtivos que mais emprega o bloco de concreto. Recentemente, a empresa participou da construção de uma grande obra em Santa Catarina, na qual utilizou esse sistema. A obra, feita de alvenaria e blocos estruturais, levou vantagem em alguns requisitos como tempo e custo. “A construção em alvenaria estrutural é mais rápida porque os blocos são montados prontos. Assim você ganha dos dois lados: na entrega do prazo e no custo do empreendimento por utilizar esse tipo de material que é mais simples e mais barato no mercado”, destaca.

Especificações técnicas

Há dois tipos de alvenaria estrutural: a simples e a armada. A alvenaria estrutural simples é composta apenas de blocos de alvenaria e argamassa. Os reforços metálicos, nesses casos, apenas se limitam em cintas, vergas, na amarração entre paredes e nas juntas horizontais com o objetivo de evitar fissuras localizadas.

Já a alvenaria estrutural armada se caracteriza por ter alguns vazados verticais dos blocos, preenchidos com graute, ou seja, micro-concreto de grande fluidez, envolvendo barras e fios de aço, funcionando como armadura convencional.

Segundo Jorge Gai a alvenaria armada é o sistema mais usado hoje em dia. “Você consegue aumentar a resistência do projeto e isso traz mais benefício para a obra. É, portanto, uma grande tendência no Brasil e acredito que a alvenaria estrutural tome o espaço da convencional e em pouco tempo”, ressalta Gai.

Vantagens

As vantagens mais imediatas da alvenaria estrutural são: a redução de custo e o menor prazo de execução. Estes fatores são muito positivos no atual cenário do mercado imobiliário, que está cada vez mais aquecido. É nesse contexto que aparecem as vantagens da alvenaria estrutural, por ser uma maneira simples, rápida e barata de se construir.

Roberto Dalledone Machado

Utilizar blocos com diferentes resistências numa construção de alvenaria também é um diferencial, mas os maiores ganhos do sistema estão relacionados com a racionalização oferecida ao construtor. É o que destaca o engenheiro civil e mestre em Estruturas da UFPR, Roberto Dalledone Machado. Segundo ele, grandes projetos podem ser elaborados em alvenaria estrutural visando à agilidade dos serviços na obra.

Se a construção empregar, por exemplo, pré-moldados de concreto (lajes, escadas e vergas) em composição com a alvenaria, a madeira e os carpinteiros podem ser dispensados do canteiro. Como os blocos vazados permitem a passagem das tubulações elétricas e hidráulicas, também não há necessidade de quebrar paredes. Portanto, a somatória dessas vantagens resulta em redução de desperdício de materiais e economia no uso de concreto.

Desvantagens

Uma das desvantagens é que as paredes não poderão ser removidas futuramente. De acordo com o engenheiro da UFPR, essa é uma das principais limitações. “Se o projeto não for elaborado especificamente para alvenaria, deixa de ser compensador, porque a alvenaria pressupõe padronização”, avalia Dalledone.

Onde pode ser usada

Hoje a alvenaria estrutural pode ser utilizada numa ampla gama de obras como:

– imóveis residenciais; pode ser usada tanto para fazer casas em projetos únicos, como para conjuntos habitacionais de sobrados e para prédios de três a 20 pavimentos, com ou sem subsolos.

– imóveis comerciais; prédios de escritório pequenos e médios, consultórios, escolas, hospitais de até 20 andares, contando ainda com salões comerciais e industriais de pequeno e médio porte e de prédios públicos como igrejas e auditórios.

Curiosidade

A alvenaria estrutural é uma das formas mais antigas de construção empregadas pelo homem. Ao longo dos séculos obras importantes utilizaram esse sistema construtivo. Entre elas estão os blocos de pedra da Catedral de Notre Dame (Paris – 1250), o Parthenon construído entre 480 a. C e 323 a.C (na Grécia), a Muralha da China, construída entre 1368 e 1644. Já em 1950, surgiram as primeiras normas com procedimento de cálculos na Europa e América do Norte, acarretando um crescimento forte da alvenaria estrutural em todo mundo.

No Brasil, os primeiros prédios em alvenaria estrutural foram construídos, em 1966, com quatro pavimentos em alvenaria armada em blocos de concreto, no conjunto habitacional Central Parque da Lapa, em São Paulo.

Entrevistados
Roberto Dalledone Machado
– Engenheiro civil graduado pela Universidade de Brasília (UnB)
– Mestre em Estruturas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
– Doutor em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Email: rdm@ufpr.br

Jorge Tadeu Gai
– Proprietário da Vanderli Gai e Cia Ltda/Curitiba
Email: gai@onda.com.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
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