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Nova política de desenvolvimento prioriza inovação

Inovação, Tendências construtivas 10 de maio de 2011

Plano ainda está em fase de elaboração pelo governo federal, mas especialistas avaliam que investimento em infraestrutura e logística não pode ser esquecidos

Por: Altair Santos

O governo federal tem a expectativa de lançar ainda neste semestre a nova versão da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que substituirá a que prevaleceu de 2008 a 2010. O plano é que a PDP2, como está sendo chamada, norteie a indústria nacional até 2014 e corrija equívocos decorrentes da PDP. A expectativa é de que o foco da nova política, que está em fase de elaboração na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) – vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – valorize cadeias produtivas mais intensivas em tecnologia e inovação, para gerar produtos de maior valor agregado para o país. Para isso, o governo estaria disposto a investir R$ 37 bilhões em três anos.

Gérson Schmitt, presidente da ABES: PDP2 deve estar focado em investimentos de obras de grande porte, infraestrutura, fomento e inovação.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a ideia é que a presidente Dilma Rousseff lance a nova Política de Desenvolvimento Produtivo entre o final de maio e começo de junho de 2011. Apesar de o governo dar poucos detalhes sobre o que virá no conteúdo da PDP2, especialistas sinalizam que a carta n.º 461 do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), publicada em abril, traz um escopo do projeto. Um dos trechos aborda a questão da sustentabilidade, que também deve ser uma das prioridades da PDP2, principalmente ao que se refere à indústria da construção civil.

Diz trecho da carta n.º 461: “Sabe-se que as sociedades estão cada vez mais exigentes com relação a um crescimento sustentável e que fronteiras de investimento estão aparecendo de forma exponencial nessa área. Caberia à PDP identificar setores promissores voltados para a produção de bens e tecnologias “verdes” e contemplá-los em sua política. Um estudo ainda inédito do IEDI sobre as experiências de diversos países nessa área mostrou que estão se desenvolvendo grandes oportunidades de negócios em setores ligados à chamada economia verde.”

Mas para o presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), Gerson Schimitt, que vem acompanhando o desenvolvimento da nova versão da Política de Desenvolvimento Produtivo, não é apenas por causa da sustentabilidade que o setor da construção civil será estratégico se a PDP2 quiser mesmo enfrentar os gargalos que impedem o Brasil de ter uma indústria mais competitiva. “A principal prioridade do plano deve ser desenvolvimento. Ele deve estar muito focado em investimentos de obras de grande porte, infraestrutura, fomento e inovação”, avalia.

Gerson Schimitt acha que no item inovação, o governo deve privilegiar investimentos na área de Tecnologia da Informação. “O Brasil precisa gerar conhecimentos replicáveis que possam ser levados a mercados, que gerem patentes, que gerem propriedade intelectual para que o país forme um arcabouço de ofertas cada vez melhor, mais sofisticado, tanto para o mercado interno como para reverter a nossa balança comercial que é negativa no setor”, completa.

É consenso entre quem acompanha com expectativa o lançamento da PDP2, que o pré-sal, pelo tamanho que ele representa em termos econômicos, deve dominar boa parte da nova política. Mas, de acordo com Gerson Schimitt, pode ser um erro se ela der prioridade máxima à descoberta de petróleo em alto mar. “O pré-sal pode ser uma grande fonte de recursos, mas sua exploração não será eterna. Acho que as questões estruturais do país, na parte agrícola, na infraestrutura de logística e na questão de tecnologia de ponta devem ser prudentemente tratadas, por que senão, em longo prazo, o preço será alto”, analisa o presidente da ABES.

A opinião coincide com outras sugestões dadas na carta n.º 461 do IEDI, que são:

1) Caberia valorizar mais as cadeias produtivas que agregam maior valor, que são mais intensivas em tecnologia e difusoras de inovação. A perspectiva de maior crescimento de longo prazo da economia autoriza que venhamos a conceber programas mais ousados de atração de inversões internas e internacionais para os setores de tecnologia.

2) Uma política mais ambiciosa de formação de recursos humanos também merece maior atenção da política industrial, o que poderia ser estimulado pela aproximação do Ministério de Educação, das instituições já existentes de fomento à pesquisa e aperfeiçoamento de pessoas e das demandas das empresas.

3) Um ponto crucial será reforçar e ampliar as medidas para área de exportação de manufaturas. Além de avançar na desoneração tributária das exportações, é preciso centrar esforços para conciliar, com mais eficácia, as restrições impostas por acordos e negociações internacionais e os objetivos da política industrial. Deve-se reconhecer também que a diplomacia brasileira pode atuar como uma grande aliada da PDP. Reforçar nosso setor exportador passa também por medidas que visam a aumentar a internacionalização das empresas brasileiras e dotá-las de maior capacidade inovadora.

4) No campo de sua coordenação e gestão a PDP deveria merecer uma reflexão em profundidade. A estrutura de governança da PDP é bem formulada. No entanto, é imprescindível que sua execução prime pela celeridade e não fique comprometida por falta de decisão e coordenação das iniciativas ou pela divisão de poderes. Nesse aspecto, a PDP poderia talvez se inspirar no que foi feito no PAC, que tinha no titular da Casa Civil uma liderança com autoridade para articular instrumentos, coordenar ações e cobrar resultados.

Entrevistados
Gérson Schmitt, presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)
IEDI (Instituto de Estudos para o desenvolvimento Industrial)

Currículo

– Gérson Maurício Schmitt é mestre em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP)
– Possui 25 anos de experiência no mercado de TI (Tecnologia de Informação), é sócio da Paradigma Tecnologia de Negócios S/A e anteriormente atuou como presidente do Grupo Battistella.
– Desde 2010 é presidente da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)
Contatos: administrativo@abes.org.br / diretoria@abes.org.br / instituto@iedi.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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