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Nordeste, o eldorado da construção civil

Mercado da Construção, Novas Tecnologias, Tendências construtivas 18 de novembro de 2009

Com incentivos governamentais, região se transforma em um canteiro de obras e ultrapassa Sul no PIB da construção

O mercado da construção industrial pós-crise aposta na descentralização dos negócios. Diante deste cenário, todas as atenções se voltam para o Nordeste. Beneficiando-se de incentivos fiscais dados pelos governos da região, indústrias dos mais variados segmentos voltam seus investimentos para estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, sem contar os “carros-chefes” Bahia e Pernambuco. Dados do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior revelam que os projetos privados da construção industrial, já contratados para região, ultrapassam os R$ 2 bilhões.

José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC: Nordeste sofre efeito multiplicador de uma cadeia industrial que move a região

José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC

Existem ainda as obras bancadas pelos próprios governos do Nordeste, que também estimulam os investimentos da construção industrial. São empreendimentos em infraestrutura hídrica, hidrelétrica e rodoviária, que transmitem confiabilidade à região. “O grande problema do Nordeste sempre foi a questão da seca. Com as obras hidroviárias, esse problema será minimizado. Com isso, há toda uma cadeia industrial e comercial que se beneficia, num efeito multiplicador”, avalia o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

Martins também evidencia os investimentos em estradas na região. Entre eles, se destaca a duplicação da BR-101 Nordeste, hoje a maior obra em pavimento de concreto do Brasil. São 335,7 km de duplicação, ligando Natal, no Rio Grande do Norte, a Palmares, em Pernambuco. Três lotes, que correspondem a 145 km, estão sob a responsabilidade do Exército Brasileiro e estão recebendo pavimento em concreto. A Associação Brasileira de Concreto Portland (ABCP) presta assessoria na execução, além de disponibilizar equipamentos de alta performance na execução do pavimento. “É uma obra que vai mudar a cara do Nordeste”, destaca o engenheiro Carlos Roberto Giublin, gerente da regional Sul da ABCP, que ajudou na supervisão da obra.

A duplicação da BR-101 Nordeste será concluída em 2010 e sua construção entra no balanço de obras industriais da região, que vem recebendo estímulos desde 2003. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há seis anos a região participava com 15,1% do PIB da construção, enquanto, no mesmo período, o Sudeste representava 54,8% e o Sul 15,2%. Em 2006 (últimos dados divulgados pelo IBGE para contas regionais), o Nordeste passou a figurar com 16,8% do valor adicionado da construção e o Sudeste registrou participação de 51,5%. No Sul, no mesmo período, a participação foi de 15,5%. Portanto, o Nordeste, entre 2003 e 2006, posicionou-se como a segundo região que mais atrai investimentos da construção, superando o Sul.

Entre 2003 e 2006, o estado nordestino que registrou a maior elevação de sua participação no valor adicionado da construção foi a Paraíba (43%), passando de 0,7 do PIB da construção nacional para 1%. Entretanto, a Bahia segue como o estado da região com o maior volume. Em 2003, representava 5,5% do PIB e em 2006 passou para 6,4% em 2006 – crescimento de 16%. “O Nordeste está crescendo mais do que o resto do País, pois, além dos incentivos, tem boa oferta de mão de obra”, diz José Carlos Martins, da CBIC.

A Datamétrica, consultoria de Pernambuco especializada na economia nordestina, chegou a resultados parecidos com o do IBGE. Percebeu que durante a crise global, deflagrada em setembro de 2008, enquanto as outras regiões do país se retraíram o Nordeste seguiu crescendo. O grupo formado por Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão teve crescimento de 7,3% na arrecadação do ICMS entre o início da crise e julho deste ano. “De certa maneira, o Nordeste bancou a política anticrise de outras regiões brasileiras”, analisa o presidente da Datamétrica, Alexandre Rands Barros.

Os organismos ligados à construção civil acreditam que o Nordeste vai crescer ainda mais até 2014. A região, por exemplo, é a que mais abriga sedes para a Copa do Mundo de 2014. Das 12 cidades indicadas pela Fifa, 4 são capitais nordestinas: Salvador, Recife, Fortaleza e Natal. Além das construções de estádios, haverá a contratação de obras de infraestrutura. Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, a partir de 2010, o Brasil, mas em especial o Nordeste, “virará um canteiro de obras”. Serão quatro anos de obras, e mais obras, que irão transformar a região”, estima.

Mas não é apenas a Copa 2014 que incentiva a construção civil na região. Do um milhão de casas previstas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, em todo o país, 1/3 serão construídas no Nordeste. “Para a região, estão previstas as construções de mais de 343 mil residências dentro do programa, totalizando R$ 1,3 bilhão. Isso vai gerar um grande efeito multiplicador em todos os setores da economia local”, diz o vice-presidente da CBIC, concordando que o Nordeste é novo eldorado da construção civil no Brasil.

Entrevistados:
José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC: comunica@cbic.org.br
Carlos Roberto Giublin, gerente da regional Sul da ABCP: roberto.giublin@abcp.org.br

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