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Colmeia inspira muro de arrimo com blocos de concreto

Área Técnica, Gestão, Mercado da Construção, Sobre Concreto 30 de abril de 2015

Estruturas inventadas na Coreia do Sul lembram casulos, que, encaixados uns nos outros, podem conter barreiras e atender outros tipos de obras

Por: Altair Santos

Blocos de concreto pré-fabricados, inspirados nos favos das colmeias produzidas pelas abelhas, formam um sistema inovador para a construção de muros de arrimo e outras estruturas de contenção. Encaixadas umas nas outras, as peças distribuem o empuxo gerado pela terra na parede construída. O peso exercido reforça as conexões e garante estabilidade à construção. Trazida da Coreia do Sul, a tecnologia foi apresentada ao mercado brasileiro pela Ecounion, durante a Feicon 2015. O tipo de obra dispensa argamassa para assentamento e não requer reforços em aço ou concreto. “Esta talvez seja a maior inovação do sistema. O bloqueio das peças é resultado da forma curvada assumida pelo sólido geométrico. É como se fosse girada uma chave e ela travasse”, resume Mauro S. Igarashi, diretor-executivo da Ecounion. “Por isso, o sistema não utiliza qualquer tipo de argamassa ou concreto”, completa.

Chamados de HexBlocks, peças possuem encaixes que travam e formam estruturas compactas, capazes de conter grandes encostas

Exceto a tecnologia de encaixe das peças, a produção dos blocos de concreto, batizados de HexBlock – por causa de seu formato hexagonal -, não tem nenhum segredo. “O concreto utilizado é o convencional, com resistência entre 20 MPa e 25 MPa. Nossa pesquisa trabalha na direção de utilizar agregados reciclados na confecção destes produtos. A meta é entregar um produto de preço menor, com as mesmas características do concreto convencional. Os resultados obtidos até agora são muito bons”, diz Mauro S. Igarashi. No Brasil, o que a Ecounion chama de obras-protótipos estão localizadas na região da cidade de São Paulo. A princípio, no país, a construção se limita a muros de arrimo de até 12 metros de altura. Na Coreia do Sul, no entanto, os HexBlocks já têm sido usados para recuperação de encostas de rodovias, reforços de leito de rios e barreiras de orla marítima.

Em busca de parcerias
Para produzir os HexBlocks, a EcoUnion tem parceria com fábricas de artefatos de concreto. “Nossa proposta é transferir tecnologia para a fabricação das peças, procurando ganhar margem por oferecer produtos não convencionais que possibilitem a entrega de uma solução ao cliente final. Conhecemos com muita profundidade o mercado dos fabricantes de artefatos de concreto no Brasil. Atualmente, acreditamos que o país tem cerca de 80.000

Blocos de HexBlock são fabricados com concreto convencional, cuja resistência varia entre 20 MPa e 25 MPa

fabricantes, que estão em diferentes níveis tecnológicos. No modelo de negócio intencionado pela EcoUnion, o objetivo é estabelecer sinergia com os pequenos fabricantes, aqueles que têm produtividade mínima de 300 m³ de concreto por mês. A grande maioria de nossas fábricas parceiras possui duas máquinas com produtividade que varia de 700 m³ a 1.150 m³ de concreto por mês”, explica o dirigente da empresa.

Outra preocupação dos detentores da tecnologia no Brasil é com a formação da mão de obra. Eles asseguram que um montador bem treinado consegue erguer um muro de 10 metros de comprimento por 4 metros de altura em um dia de trabalho. Para uma obra deste tamanho são usados 430 blocos. “Mas a solução que entendo que merece maior destaque é a utilização de mão de obra não-qualificada. Após a construção da base, qualquer pessoa pode seguir com a montagem do muro até o seu final”, destaca Mauro S. Igarashi. Isso, segundo o especialista, cria mais um nicho de mercado para o Brasil: a construção de muros residenciais a baixo custo, e do tipo “faça você mesmo”.

 

Estruturas não precisam de argamassa nem de base de concreto para a consolidação no terreno

Entrevistado
Mauro S. Igarashi, diretor-executivo da Ecounion no Brasil e tecnólogo da construção civil, com 30 anos de experiência no setor

Contatos
mauro.igarashi@ecounion.com.br
www.ecounion.com.br

Créditos fotos: Divulgação/Ecounion

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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