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Moradigna vai aonde Minha Casa Minha Vida não chega

Gestão, Infraestrutura, Mercado da Construção 13 de junho de 2017

Startup criada na Universidade Mackenzie se especializou em recuperar moradias insalubres na periferia da cidade de São Paulo

Por: Altair Santos

Vivian Sória, Matheus Cardoso e Rafael Veiga: Moradigna atende famílias renegadas pelo MCMV

Vivian Sória, Matheus Cardoso e Rafael Veiga: Moradigna atende famílias renegadas pelo MCMV

Uma startup criada dentro da Universidade Mackenzie, em 2015, foi o embrião para que o engenheiro civil Matheus Cardoso criasse a Moradigna. Ele juntou sua expertise à da arquiteta Vivian Sória e à do contabilista Rafael Veiga para apontar sua construtora na direção do empreendedorismo social. “Não somos uma ONG (Organização Não-Governamental)”, dizem, afirmando que o objetivo da empresa é reformar casas insalubres.

O campo de ação da Moradigna é a Vila Pantanal, na região leste da cidade de São Paulo. Desde a criação da empresa, 220 famílias já foram atendidas. Atualmente, em média, são realizadas 25 reformas por mês. A maior demanda, explica Vivian Sória, está na recuperação de banheiros. “Eles são construídos sem nenhum revestimento, as paredes escurecem e o mofo costuma tomar conta do ambiente”, afirma. Após as reformas, as famílias beneficiadas dizem ter reduzido o número de doenças respiratórias, como gripe, resfriado, renite, bronquite e asma.

A Moradigna não realiza intervenções nas estruturas das casas, que, em quase sua totalidade, são obras de autoconstrução. O objetivo é seguir a missão da empresa, que é dar dignidade às casas em condições insalubres. “Se tivesse que reformar estruturalmente as residências, seria mais fácil colocá-las abaixo e construir casas novas. O que o Moradigna faz é avaliar se a casa comporta reformas. Existem muitas casas com problemas estruturais, mas em estrutura a gente não mexe”, revelam os sócios da startup.

Imagens mostram o antes e o depois das intervenções do Moradigna

Imagens mostram o antes e o depois das intervenções do Moradigna

Para baratear os custos, a equipe do Moradigna treina a mão de obra local, gerando emprego dentro da própria Vila Pantanal. Assim, cada reforma custa R$ 4 mil, em média. Os moradores podem pagar em 12 vezes, sem acréscimo de juros. A única exigência é que a família comprove ter renda mensal de R$ 1.500,00. Os recursos para o Moradigna vêm de duas fontes: a própria parceria com as famílias ou através do Instituto PHI (Filantropia Inteligente) que subsidia as reformas para famílias das classes D e E que não têm condições de pagar.

Cartão Reforma da Caixa
Existe a expectativa de que o Moradigna passe a receber investimento do programa Inova Capital – Programa de Apoio a Empreendedores Afro-Brasileiros -, e que possui uma linha de crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas isso ainda não ocorreu. Para aumentar o potencial de financiamento de suas reformas, o Moradigna também espera que o Cartão Reforma Caixa possa ser usado pelas famílias nas reformas. “Estamos estudando esta possiblidade, mas por enquanto não temos a opção da Caixa”, comenta Vivian Sória.

Imagens mostram o antes e o depois das intervenções do Moradigna

Vila Pantanal, na zona leste de São Paulo: ações do Moradigna ajudam a minimizar precariedades

Em vigor desde maio de 2017, o Cartão Reforma da Caixa é voltado para famílias de baixa renda que recebem até três salários mínimos – o equivalente a R$ 2,8 mil. Elas têm acesso ao crédito para reforma, ampliação, promoção da acessibilidade ou conclusão de obras. O programa tem orçamento de R$ 1 bilhão e espera beneficiar 100 mil famílias. O limite de crédito para a aquisição do material de construção é de R$ 5 mil.

O fato de boa parte das casas atendidas pelo Moradigna estar em áreas de ocupação e em terrenos irregulares dificulta o acesso a financiamentos oficiais e também a chegada do programa Minha Casa Minha Vida em localidades como a Vila Pantanal. “Por essas questões, o Minha Casa Minha Vida não pode construir lá”, afirmam os idealizadores do Moradigna, que diante deste empecilho só vêem crescer a demanda por reformas em casas insalubres.

 

Entrevistado
Engenheiro civil Matheus Cardoso, arquiteta Vivian Sória e contabilista Rafael Veiga, sócios da Moradigna

Contatos
contato@moradigna.com.br
www.moradigna.com.br

Crédito Fotos: Moradigna

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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