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México já teve bolsa-concreto para combater doenças

Área Técnica, Gestão, Mercado da Construção, Sobre Concreto 1 de novembro de 2017

Programa “Piso Firme” atendia famílias que viviam em casas de chão batido, distribuindo concreto para construção de contrapisos

Programa Piso Firme ajudou a reduzir número de crianças e adultos infectados por parasitoses

Programa Piso Firme ajudou a reduzir número de crianças e adultos infectados por parasitoses

Em 2000, o estado mexicano de Coahuila lançou um programa para concretar os pisos de chão batido das casas de famílias que viviam na linha da pobreza. Batizado de Piso Firme, o plano atingiu 34 mil lares e, em função do sucesso, em 2005 transformou-se em um programa nacional. O governo federal estendeu o Piso Firme para todo o país. O objetivo era atingir cerca de quatro milhões de famílias carentes, a fim de acabar com as casas de chão batido no México.

A política pública doava o equivalente a 150 dólares de concreto por residência, que era transformado em contrapiso. As betoneiras passavam pelas ruas distribuindo o material, que era colocado em carrinhos de mão e levado para as casas para, em seguida, ser espalhado por uma equipe de operários das prefeituras locais. A razão do programa era o combate à parasitose. Por viverem descalças dentro de casa, muitas crianças e adultos contraíram vermes.

Até 2013, 2,3 milhões de m³ de concreto tinham sido convertidos em contrapiso – o equivalente a pavimentar uma rodovia ligando o México à Argentina. Também se verificou que as doenças causadas por parasitas intestinais reduziram 20% em crianças até seis anos nas regiões alcançadas pelo Piso Firme. Os casos de diarréia caíram 13% e de anemia 20%. Outro dado interessante do programa: os níveis de depressão e de estresse das mães reduziram 12,5% e 10,5%, respectivamente, por causa da “sensação de casa limpa” que os pisos concretados transmitiam. 

Apesar do sucesso do programa, ele foi descontinuado há quatro anos. O motivo: corrupção. Foi descoberto que parte do concreto era desviado das betoneiras. O material acabou abastecendo obras de funcionários do governo ou vendido a preços abaixo de mercado para outras construções. O concreto também foi usado para a compra de votos em períodos eleitorais. Resultado: o Piso Firme não atingiu a meta de zerar as casas com chão batido no México.

Programa pode ser retomado

De acordo com o Instituto Nacional de Geografia do México (INEGI) as casas com pisos de chão batido voltaram a crescer entre 2015 e 2016. O estado de Vera Cruz é onde existe a maior parcela da população morando nestas condições: 14,4%. Em seguida, vêm Chiapas (10,9%), Oaxaca (10,7%), Guerrero (9,1%) e Puebla (7,1%). O organismo também calcula que esses cinco estados concentram 52,5% das casas com chão batido do México. Recentemente, o ministério de desenvolvimento agrário, territorial e urbano do país passou a estudar a retomada do Piso Firme. 

Para a ministra Rosario Robles Berlanga, o México está mais maduro e menos suscetível a escândalos de corrupção como os que atingiram o programa até 2013. “O que aconteceu antes não ocorrerá agora, pois o governo aprimorou a fiscalização. O Piso Firme é um programa bem-sucedido, que tem condições de ser reativado, pois trouxe resultados muito positivos ao México”, discursa Rosario Robles. O governo mexicano, no entanto, não tem prazo para reiniciar o plano.

Entrevistado
Centro de Desenvolvimento Global – ONG voltada para disseminar programas sociais bem-sucedidos em um país para outros países
(via assessoria de imprensa)

Contato: globalhealthpolicy@cgdev.org

CréditoFoto: Piso Firme

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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