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Ritmo das mudanças no mercado exige RH Visionário

Comportamento e Carreira, Gestão, Gestão Estratégica 2 de março de 2016

Estratégia permite às empresas conduzir práticas inovadoras, que antecipem tendências e possam prepará-las para diferentes cenários

Por: Altair Santos

O RH Estratégico, que se alinha aos objetivos da corporação, já não consegue acompanhar a velocidade das mudanças nas relações entre corporações e colaboradores. Surge, então, o RH Visionário, mais receptivo às alterações de hábitos das novas gerações, aos avanços tecnológicos e às variações comportamentais. Esse novo conceito não ignora, por exemplo, o peso que as redes sociais passaram a ter nos negócios e o quanto elas conseguem influenciar no sucesso ou não de um negócio. Ter o RH Visionário – entendem os especialistas – é uma questão estratégica para as empresas. Através dele, é possível conduzir práticas inovadoras, que antecipem tendências e estejam preparados para diferentes cenários. É o que a consultoria de treinamento corporativo, Graziela Moreno, explica na entrevista a seguir. Confira:

Graziela Moreno: qualquer empresa está adequada para implantar o RH Visionário se estiver aberta às mudanças

Graziela Moreno: qualquer empresa está adequada para implantar o RH Visionário se estiver aberta às mudanças

Quais conceitos norteiam o RH Visionário?
As megatendências mundiais norteiam o RH Visionário e surgem como importantes indicadores para os profissionais da área, já que mostram que é necessário que desenvolvam competências para que tenham uma visão macro do mercado e da organização. Os profissionais de RH estão sendo mais exigidos e os CEOs têm esperado cada vez mais dos CRHOs. Exemplo disso é a pesquisa global feita pela consultoria Deloitte que mostra que só 5% dos CEOs consideram excelente o desempenho do líder de gestão de pessoas de suas organizações. O resultado disso é a alta rotatividade desses profissionais que, nos Estados Unidos, chega a 40% entre as 100 maiores corporações, segundo a lista anual da revista Fortune. E pesquisas dão conta de que 4 em cada 10 vagas desses profissionais são preenchidas por pessoas de fora da área de RH. Isso confirma que a expectativa em relação ao papel do RH hoje é muito diferente do que foi há alguns anos. A necessidade hoje é que eles conduzam a empresa a práticas inovadoras, que antecipem tendências e estejam preparados para diferentes cenários. São profissionais criativos, corajosos, flexíveis a pessoas e ambientes, que assumem riscos e tomam decisões. O RH Visionário é isso: mostrar que as megatendências globais precisam estar no dia a dia, na prática dos profissionais de recursos humanos, para que eles possam apoiar a empresa de maneira relevante, que extrapole o RH Estratégico.

Onde surgiu essa versão moderna de RH?
A visão moderna de RH não surgiu, simplesmente. Ela gritou! Vendo como os RHs ainda tropeçam na tentativa de sair do operacional e se tornarem mais relevantes para suas organizações, eu comecei a me questionar sobre quais eram suas maiores dificuldades. E, a partir de um estudo mais aprofundado sobre as megatendências globais, percebi que a discussão era muito mais profunda. Não se tratava apenas de penar para virar um RH Estratégico, reter talentos, implantar processos de avaliação de desempenho ou reformular as políticas de recompensa. Para mim, tudo isso só faria sentido se os RHs parassem de olhar para seus mundos particulares e para modelos encaixotados e olhassem para o futuro, para as tendências.

Qual o perfil que a empresa deve ter para que ponha em prática o RH Visionário?
A empresa deve estar aberta às inovações, uma vez que criatividade é um fator importante para que o RH possa ser eficaz. Afinal, é preciso jogo de cintura para lidar com pessoas de diferentes gerações, culturas, cenários econômicos e políticos adversos. A empresa como um todo deve abraçar a ideia de que, principalmente em tempos de crise como a que vivemos, é preciso pensar fora da caixa, é preciso inovar e criar soluções alternativas para lidar com as pedras no caminho. E é exatamente isso que o RH Visionário propõe.

O RH Visionário é uma forma de as empresas conseguirem se adequar à geração Y?
A questão geracional é apenas um viés do RH Visionário. Assim como é necessário estarem atentos às questões de diversidade cultural, política, econômica, individualismo e envelhecimento da população, pois tudo isso vai impactar nas estratégias e resultados das organizações. É preciso que os RHs interpretem as diferenças geracionais. Não é uma questão de adequação à geração Y especificamente, mas sim de um olhar atento à diversidade de gerações presentes nas empresas. O profissional de RH tem que ter jogo de cintura e não apenas respeitar, mas, de fato, compreender e aceitar as diferenças e, com isso, enxergar as limitações de cada funcionário. Entendendo isso, e organizando ações e políticas internas que se adequem a esta realidade, as empresas poderão ter maiores e melhores resultados de produtividade, clima organizacional e retenção de talentos.

Por outro lado, em breve a geração Z começa a chegar ao mercado de trabalho. Quando isso ocorrer, que tipo de RH terá de surgir?
O papel do RH é exatamente saber como lidar com essa geração do “futuro”. Com a geração Z chegando ao mercado, a visão estratégica terá de ser a mesma. O RH Visionário precisa saber enxergar as necessidades e ir atrás de informação para resolver as adversidades da melhor forma possível. O RH Visionário deve sempre olhar para o futuro e para as tendências. Sendo assim, ele não deve sair de moda nunca. Uma evolução possível é um RH Visionário com o pé cada vez mais pesado no acelerador, porque a relação com o tempo será cada vez mais estreita e a rapidez com o que as coisas irão acontecer será mais curta, até o momento em que será instantânea.

Empresas tradicionais estão adequadas para implantar RH Visionário?
Qualquer empresa está adequada para implantar o RH Visionário se estiver aberta às mudanças que ele pode realizar na organização. Mudanças positivas e necessárias. O primeiro passo é a transformação das competências do atual RH e a busca por tendências, começando a conectar tudo isso à realidade de suas organizações. Não importa o tamanho da empresa, nem o ramo de atividade: olhar para o futuro cabe em qualquer espaço. A diferença é como grandes, médias, pequenas e microempresas irão implantar processos, ações e mudanças com base nesse olhar para frente.

Que formação os profissionais que atuam no RH devem ter para gerir um RH Visionário?
Li uma pesquisa realizada pela revista Fortune recentemente em que eles apontam que apenas 4 de cada 10 posições em aberto foram preenchidas por executivos de fora do RH. Ou seja, a formação não conta se você tem visão de negócio, se você é bom com pessoas, se você é criativo e está disposto a correr riscos e a vestir a camisa da empresa. Saber sobre economia, sustentabilidade, tecnologia e gestão, estão lado a lado de competências como ser cuidador do capital humano, liderar mudanças e cultura, além de saber administrar recompensas. Enfim, não existe uma formação. Existem formações e, acima de tudo, a grande capacidade de ler o mundo e saber contextualizar tudo isso para que a organização tome as melhores decisões não só a respeito de pessoas.

Engenheiros teriam espaço em um RH Visionário?
Com certeza. Como vimos, o RH está se renovando, agregando profissionais de outras áreas e especialidades. A diversidade de conhecimentos e áreas está agregando muito ao RH e pode haver uma troca muito rica entre profissionais formados em recursos humanos e engenheiros para se chegar mais perto do RH Visionário.

Empresas ligadas à construção civil têm perfil para RH Visionário?
Sim. Qualquer empresa tem perfil para olhar para o mundo lá fora e entender como as principais tendências globais irão impactar nos negócios e nas pessoas de suas empresas.

O RH Estratégico fracassou?
O RH Estratégico ainda não está totalmente de pé no Brasil, mas de forma alguma ele fracassou. O RH Visionário veio para somar ao Estratégico. O mundo ideal é aquele onde a soma das competências do RH Estratégico e do Visionário resultam no RH que é exigido e esperado pelo mercado e pelos CEOs hoje.

Entrevistada
Graziela Moreno, graduada em administração e pós-graduada em marketing, e CEO da Academia da Estratégia (ACAD)
Contato: graziela.moreno@academiadaestrategia.com.br

Crédito Foto: Divulgação/ACAD

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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