Conheça os benefícios que este sistema pode trazer às empresas da construção civil

Anderson Benite - Engenheiro Civil
Dando continuidade à matéria sobre o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, abordada na última edição, o engenheiro civil Anderson Benite, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), respondeu mais algumas questões ao Itambé Empresarial.
Confira abaixo outros benefícios da implantação do SGSST em empresas da construção civil.
Itambé Empresarial – Quais são os problemas enfrentados pelas empresas construtoras que poderiam ser minimizados ou até mesmo eliminados com a implantação de um SGSST?
Anderson Benite – Todos os problemas decorrentes de condições de trabalho inadequadas e da falta de uma estrutura eficiente na gestão da SST na empresa, entre eles podemos citar:
- Prejuízos morais e financeiros decorrentes dos acidentes e doenças
- Imagem inadequada da empresa frente aos clientes, trabalhadores e sociedade
- Problemas com a fiscalização e sindicatos
- Quantidade excessiva de ações trabalhistas
- Dificuldade em se avaliar o real desempenho da empresa em SST
- Relação custo-benefício ruim na área de SST
IE – Durante algum tempo, a construção – sobretudo de edificações, ficou caracterizada por más condições de trabalho e por indicadores sociais negativos, como os elevados índices de acidentes e os baixos padrões salariais. Como o sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho pode contribuir para reverter esse quadro?
Anderson Benite - Os SGSSTs poderiam contribuir de maneira significativa para o desempenho do setor da construção civil. Porém, para que isto aconteça, deveriam existir mecanismos para sua promoção ou incentivo, permitindo uma aplicação em larga escala no setor, como já ocorre em outros países.
Temos em nosso país um exemplo bem interessante de desenvolvimento do setor da construção civil, o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H), que promoveu um grande crescimento do número de empresas construtoras com Sistemas de Gestão da Qualidade, tornando-se uma referência mundial. Esse modelo poderia ser utilizado para a promoção do SGSST.
IE – Mesmo com as Normas Regulamentadoras e com a modernização tecnológica, ainda há muito a ser feito em relação aos acidentes de trabalho? O que as empresas do setor podem e devem fazer?
Anderson Benite - Primeiramente, as empresas devem realizar uma avaliação real de seu desempenho em saúde e segurança, não considerando apenas o indicador de número de acidentes, mas também incluindo aqueles que são ocultos ou indiretos, como: passivos trabalhistas, perdas materiais, nível de motivação e saúde da equipe, histórico de impactos dos acidentes ou doenças na imagem da empresa, entre outros.
Com base nesta avaliação, as empresas devem traçar um plano de atividades e recursos para melhorar seu desempenho, definindo metas em nível estratégico para a presidência, diretorias e gerências.
IE – Como as empresas obtêm o nível de Melhoria Contínua em Segurança e Saúde no Trabalho?
Anderson Benite - Com o estabelecimento de uma cultura de segurança na organização aliada a um SGSST consistente.
O modo como cada empresa introduz seu SGSST pode, ou não, criar as condições favoráveis para que a melhoria de desempenho ocorra. Se não houver uma adequação às suas necessidades e, principalmente, não existir a efetiva vontade de se mudar a cultura organizacional por parte da presidência, diretorias, o SGSST por si só pode não trazer os resultados desejados.
A implementação do SGSST, de forma isolada, não faz a organização abandonar conceitos equivocados, como por exemplo, o de que os acidentes são exclusivamente conseqüências de atos inseguros, se esses forem seus valores.
O estabelecimento de uma cultura de segurança efetiva requer não só um tratamento pontual das questões de SST, mas uma ação continuada da empresa na busca do equilíbrio entre a gestão da produção e o homem. Assim, é necessário buscar o equilíbrio entre a perspectiva econômica (assegurando sua competitividade), a conformidade legal (cumprindo as exigências legais), a atuação ética (assegurando a realização do que é correto), a postura política e socialmente responsável (buscando a legitimidade de suas ações junto às partes interessadas).
IE – Por que alguns profissionais da área de SST criticam os SGSSTs de maneira incisiva?
Anderson Benite - Eu acredito que as criticas são baseadas em dois fatores: o primeiro é a evidência de que algumas empresas que possuem a certificação não apresentam grande desempenho (muitos acidentes, multas, embargos, etc.) e o segundo, é o fato de tirar muitos profissionais de uma zona de conforto, onde os seus conhecimentos e competências eram suficientes para atuar na área.
Quanto ao primeiro motivo, devemos ter claro que existem empresas que implementaram SGSSTs de maneira não focada em desempenho, resultando em sistemas fracos e que conseguiram obter a certificação por esforços de última hora. O SGSST é uma excelente ferramenta gerencial, porém ela só traz resultados quando acompanhada do estabelecimento de uma cultura de segurança.
Quanto ao segundo fator, acredito que o perfil do profissional da área de SST está mudando, e que não podemos ficar para trás, não podemos ser apenas técnicos e inspetores, mas devemos desenvolver uma capacitação gerencial, ter uma visão abrangente da organização, devemos conhecer todos os processos da empresa e como se relacionam (da venda à entrega), devemos entender de gestão de pessoas e relacionamentos, e por fim entender como podemos utilizar a ferramenta – SGSSTs para melhorar nossos resultados.
Referência:
Créditos: Caroline Veiga
Leia Também
As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade do autor, não exprimindo, necessariamente, a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Podcast