Homens do governo se mostraram estupefatos diante dos números revelados pelo Registro Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (RNTRC).
Homens do governo se mostraram estupefatos diante da grandeza do monstro revelado pelos números do Registro Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (RNTRC). O número de empresas de transporte é de 115 mil.
Considerando que o Brasil tem quase seis mil municípios, pode-se dizer que se distribuídas eqüitativamente seriam 20 transportadoras por cidade, rivalizando-se com o número de botequins.
Não há dúvida de que o setor rodoviário ainda é o dono da maioria das cargas, que o País é vastíssimo, mas, também não parece restar dúvidas que é empresa demais para competir – e isso certamente tem como uma das conseqüências a mortandade que se vê nas estradas.
Sem regulamentos mínimos, o motorista de caminhão no Brasil dirige em média 15 horas diárias nas estradas, a grande maioria de péssima qualidade. A conseqüência dessa situação é a tragédia: se nos Estados Unidos há 25 mortes por grupo de 100 mil caminhoneiros, no Brasil a relação é de 281 mortes. Ou seja, estamos 11 vezes à frente nessa triste comparação.
O transporte rodoviário de cargas é uma torre de babel. Não há controle da jornada dos motoristas. O índice é de 8 acidentes em cada 10 mil viagens feitas por caminhão. No transporte rodoviário de passageiros, que é regulado com controle de jornada, em cada 10 mil viagens, a média de acidentes sofridos pelo motorista cai para 0,87, revela levantamento feito pela gerenciadora de riscos Pamcary, com base numa pesquisa de 4,2 mil acidentes de caminhões que a firma atendeu entre julho de 2004 e junho de 2005.
Alguns embarcadores já tomaram consciência do problema e tentam minimizar o problema adotando regras para seus transportadores, como o estabelecimento de determinado número de horas no volante e aceleração dos processos de cargas e descargas para evitar perda de tempo nas pontas – fato que incentiva o profissional a “compensar” com mais tempo no volante.
A Unilever, que implantou projeto de responsabilidade social Transportando com Segurança reduziu a freqüência de acidentes com suas cargas. O programa envolveu uma série de medidas de prevenção de acidentes com ações sobre o estado de saúde dos motoristas e ações para corrigir a postura ao dirigir, melhorar a qualidade do repouso, controlar o estresse, a hipertensão e a diabetes, problemas mais detectados. Alentada por esses resultados, a Braskem, do setor petroquímico, implantou o programa Segurança nas Estradas, também voltado para treinamento e conscientização dos motoristas que realizam 400 viagens diárias com cargas da empresa.
Deve-se mencionar, também, ações das montadoras em programas de treinamento e conscientização com o intuito de baixar o número de acidentes.
Com programas de responsabilidade social envolvendo o transporte, ainda que seja tênue providência diante da vastidão do setor rodoviário de carga, a esperança de que as ações práticas e de conscientização possam trazer uma trégua no campo de batalha em que se transformou a estrada.
Diante deste cenário, a Cia de Cimento Itambé, também como empresa socialmente responsável, implantou há mais de um ano o programa Rode Bem, que visa conscientizar os transportadores e motoristas em relações práticas de segurança.
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