Construção civil impulsiona crescimento econômico do país

Recursos disponíveis para financiar a compra da casa própria podem ultrapassar os R$ 18 bilhões esse ano
O setor da construção civil comemora os resultados positivos, parte deles conquistados devido à expansão do crédito imobiliário. Esse aumento é decorrente de uma série de medidas que estão sendo adotadas em benefício do setor desde 2004, explica o economista José Pereira Gonçalves, Superintendente Técnico da ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
De acordo com Pereira, as condições estão cada vez mais propícias ao aumento da oferta de recursos pelos bancos e há uma maior disposição da população em adquirir financiamentos com juros menores e prazos mais longos. “Com uma estabilidade econômica maior, as pessoas estão mais seguras para assumir um financiamento. Os bancos, por sua vez, estão revisando suas taxas e oferecendo melhores condições e prazos a fim de facilitar o acesso ao crédito disponível” acrescenta.
Somados os bancos públicos e privados, os recursos disponíveis para financiar a compra da casa própria podem ultrapassar os R$ 18 bilhões esse ano.
Nos primeiros seis meses de 2006, as aplicações em habitação feitas pela Caixa Econômica Federal já atingiram o recorde de R$ 6,1 bilhões, o dobro do mesmo período de 2005. A Caixa estuda até um reforço suplementar de verba nas suas linhas do crédito imobiliário.
O economista José Pereira analisa que a quantidade de créditos oferecidos está atendendo a demanda. “Atualmente o crédito está sendo suficiente, ou seja, as pessoas que procuram por um financiamento estão sendo atendidas. É claro que ainda há muitas pessoas que querem possuir a casa própria, mas que não têm condições financeiras de arcar com um financiamento. E esse público, infelizmente, ainda não está sendo atingido da maneira que deveria”.
Hoje o total de crédito imobiliário representa 2% do PIB e, nos próximos anos, a previsão é que esse número aumente de forma expressiva.
“O crédito é fundamental para movimentar as empresas de qualquer setor” afirma Pereira. No caso da construção civil, o crédito é indispensável, pois para a maioria das famílias trata-se da única forma de ter acesso a um bem de valor elevado.
O desempenho do setor e a situação dos empréstimos habitacionais melhoraram com o aumento da segurança jurídica das operações de empréstimo. Em 1997, com a Lei 9.514, o governo federal deu mais atenção à construção civil, criando a alienação fiduciária, o patrimônio de afetação e o mercado de recebíveis imobiliários, fornecendo assim mecanismos jurídicos mais adequados, seguindo o exemplo de países desenvolvidos. Essas medidas beneficiam tanto as instituições financeiras, que têm mais segurança para emprestar recursos para o setor, quanto os compradores finais, que passam a ter a certeza de receber os imóveis adquiridos e encontram financiamentos mais rápidos e a custos menores.
No entanto, mesmo com as alterações jurídicas, a expansão significativa do crédito e dos financiamentos demorou a acontecer. Somente a partir de janeiro de 2006, com a queda real nas taxas de juros, foi possível alavancar o setor propiciando a redução do valor das prestações e facilitando a aquisição do imóvel pelo consumidor final.
Se por um lado a procura por financiamentos por quem sonha com a casa própria vem crescendo, os bancos nunca investiram tanto em financiamentos habitacionais. Ao invés de sair em busca de crédito, agora são os bancos que disputam novos mutuários.
Pereira ressalta que houve uma mudança na política de aplicação dos bancos privados, que se sentem mais seguros para disponibilizar créditos imobiliários. As novas regras, como a alienação fiduciária do imóvel – segundo a qual o bem fica no nome do credor, deram mais garantias aos bancos e vêm permitindo a expansão dos créditos e até mesmo motivando uma disputa entre as instituições para ver quem oferece os juros mais baixos.
Além disso, as regras de aplicação de recursos da poupança em financiamento imobiliários foram alteradas. Isso restringiu as manobras utilizadas pelas instituições financeiras para não investirem na casa própria. O uso de crédito do Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS), por exemplo, está sendo reduzido gradualmente, obrigando as instituições a aplicarem cada vez mais no setor. Se a meta definida pelo BC for descumprida, o dinheiro que deveria ser aplicado fica depositado sem remuneração.
O total de empréstimos dos bancos privados para aquisição de imóveis chegou a R$ 4,7 bilhões, no ano passado, segundo dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). Para esse ano estima-se que os recursos destinados ao financiamento habitacional superem a quantia de R$ 18 bilhões, sendo R$ 10,3 bilhões provenientes da Caixa e R$ 8 bilhões de bancos privados.
Para 2007, a Caixa já está definindo algumas ações para estimular ainda mais o crescimento do setor. Uma delas é a ampliação de crédito a construtoras. Atualmente esse tipo de financiamento absorve 25% dos créditos da Caixa e a meta é aumentar a 40%. Para isso, o banco pretende flexibilizar as exigências para os financiamentos às construtoras.
Outra medida de apoio da Caixa ao setor é a Alocação de Recursos, uma linha de crédito que visa assegurar às empresas do ramo de construção civil que produzem empreendimentos com recursos próprios ou de terceiros, a comercialização das unidades habitacionais, mediante financiamentos diretamente a pessoas físicas.
Esta linha de crédito é importante, pois deverá gerar novos empregos, mas para isso é fundamental que as pessoas disponham de rendas para comprar os imóveis financiados.
Esta matéria foi produzida com base em informações sobre crédito imobiliário divulgadas nos meios de comunicação a partir de março de 2006.
Referência:
Créditos: Caroline Veiga
Leia Também
As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva responsabilidade do autor, não exprimindo, necessariamente, a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
Podcast