Nos últimos sete anos o consumo de cimento no Brasil caiu 38% em relação ao consumo mundial
No período de 1998 a 2000 o Brasil era o sexto colocado na produção e consumo de cimento no mundo. Daí em diante, tanto o consumo como a produção caíram, chegando à 13a posição em 2004. A queda foi contínua e ocorreu ano a ano. Assim, em 2001 ficou em 8º, em 2002 foi o 10º, em 2003 o 12º e, finalmente o 13º em 2004. Em 2005 as posições melhoraram, sendo o 9º no consumo e o 12º na produção.
O PIB brasileiro em 2005 foi de R$ 1,9 trilhão e representou um aumento de 2,3% em relação a 2004, enquanto na construção civil o aumento deste índice foi de 1,3%. Já na América latina o aumento do PIB foi de 4,4%.
Em 98, do total de cimento consumido no mundo, o Brasil participava com 2,6%. Em 2005 caiu para 1,6%, decrescendo linearmente (gráfico abaixo).
* estimativa
De 1998 a 2004 a produção mundial de cimento cresceu 38%, passando de 1,54 bilhões de toneladas em 98 para 2,12 bilhões em 2004. O consumo também cresceu 38%, passando de 1,54 bilhões em 98 para 2,13 bilhões de toneladas em 2004. Neste mesmo período, no Brasil a produção caiu 14% e o consumo 15%.
Na comparação do chamado bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) de países em desenvolvimento, grande extensão territorial e acentuado contingente populacional, percebe-se a grande diferença da evolução do consumo brasileiro.
Para se ter uma idéia desta evolução, neste mesmo período (1998 a 2004), a China passou de uma produção de 528,3 milhões de toneladas para 932,7 milhões, isto é, em seis anos o volume cresceu 404,4 milhões, o que equivale em média a 67,4 milhões por ano, ou seja, apenas o crescimento deste país é quase o dobro do volume anual brasileiro.
Em relação ao Consumo Per Capita (kg/hab), o Brasil vem nos últimos anos caindo proporcionalmente. Em 1998 o consumo por habitante era de 241 kg, enquanto a média mundial ficava em 261 kg. Já em 2004 o consumo brasileiro passou para 188 kg/hab – queda de 18% – e a média mundial saltou para 329 kg com crescimento de 26%, quase o dobro do Brasil.
Na América Latina o panorama no período também apresentou queda no consumo total (-3%) e consumo per capita (-12%). A produção teve pequeno aumento (2%), ocasionado pelo desempenho do México que cresceu 17%. Da mesma forma o país contribuiu para minimizar os resultados no consumo total com crescimento de 21% e no consumo per capita com 9%. Portanto, sem o México o resultado teria sido bem pior.
Estudo recente da Confederação Nacional da Indústria – CNI, revela que o cimento continua sendo um bom indicador da economia. Entre 1996 e 2005 o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 22,4%, enquanto o mundo aumentou 45,6%, ou seja, em dez anos consecutivos o crescimento brasileiro ficou bem abaixo da média mundial. Outro dado importante revelado neste estudo é o que aponta o empobrecimento da população. Nos últimos dez anos a renda per capita aumentou 0,7% ao ano, enquanto a média mundial ficou em 2,6%. Neste ritmo, o Brasil levará 100 anos para dobrar sua renda e chegar a atual renda per capita de países como a Coréia do Sul ou Portugal.
O estudo da CNI conclui que a falta de investimentos é um dos fatores do baixo desempenho brasileiro. Compara o volume de investimentos frente ao PIB no período de 1995 a 2004. No Brasil foi de 19,3%, enquanto nos países emergentes da Ásia, por exemplo, foi de 32,6%. O estudo cita ainda como causas o avanço das reformas estruturais, o excesso de burocracia e o rigor da legislação trabalhista.
(Fonte: Cembureau, SNIC, JP Morgan, Associação dos países, IBGE e CNI)
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