Mão de obra feminina se adapta ao canteiro de obras

Mão de obra feminina se adapta ao canteiro de obras

Mão de obra feminina se adapta ao canteiro de obras 150 150 Cimento Itambé

Mais especializadas, mulheres convencem empregadores que podem desempenhar funções na construção civil e agora começam a chefiar obras

Por: Altair Santos

Presente em todos os setores profissionais, as mulheres veem na construção civil o mais novo eldorado de oportunidades. Segundo os dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego , a mão de obra feminina nos canteiros de obras já representa 12% do total em atividade no Brasil. Além disso, desde 2010 as construtoras – principalmente as voltadas para o segmento habitacional – têm destinado, em média, 40% das vagas abertas para as mulheres .

Nilvea Alcalai, superintendente do SindusCon-PR: setor não tem preconceito contra mão de obra feminina

Apesar de a produtividade em relação aos homens ser menor, as mulheres são contratadas pela construção civil por terem um trabalho final melhor que a mão de obra masculina. “As mulheres são mais detalhistas e cuidadosas. Enquanto os homens agem mais pela rapidez,  elas priorizam o capricho. Acho que isso tem ajudado a incrementar a participação da mulher no setor”, avalia Nilvea Alcalai, superintendente do SindusCon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná).

Como tem sido comum a quase todas as entidades de classe ligadas à construção civil, o SindusCon-PR, desde 2010, promove cursos de qualificação da mão de obra feminina para o setor, em parceria com o Sesi/Senai. “Trabalhamos em um projeto que chama Mulheres Inventando Moda. Todas recebem um conhecimento inicial, para depois desenvolver uma função específica. Boa parte delas se destaca na parte de acabamento, na parte de revestimento, de pintura e eletricidade”, comenta Nilvea Alcalai.

O programa incentivado pelo SindusCon-PR  também faz o acompanhamento das mulheres no mercado. A expectativa é que, em breve, algumas delas já comecem a galgar postos de chefia dentro do canteiro de obras. “Com o aperfeiçoamento profissional destas mulheres que já estão atuando no setor, com certeza vamos ter muito em breve mestres de obras mulheres no Paraná”, estima a superintendente do SindusCon-PR.

O curso Mulheres Inventando Moda tem uma carga de 160 horas. Gratuito, ele é voltado também para mulheres que queiram mudar de profissão e que buscam novas oportunidades. Nilvea Alcalai lembra que muitas ex-alunas continuam em busca de aperfeiçoamento, matriculando-se no curso técnico de edificações. A superintendente do SindusCon-PR ressalta ainda que a mão de obra feminina tem optado pela construção civil também pela questão financeira. “Existe piso salarial no setor e as mulheres ganham igual ao homem que desempenha a mesma função”, revela.

Em todo o Brasil

Projeto Mulher Inventando Moda: sucesso em 2011, ele atrai mais mulheres em 2012

Estima-se que atualmente a mão de obra feminina na construção civil brasileira abranja um universo de aproximadamente 360 mil mulheres. Esse número tende a aumentar com o surgimento de vários programas que qualificam a mulher na construção civil. Um dos pioneiros no país é o Mão na Massa, criado pela Federação de Instituições Beneficentes (FIB), com o apoio da Petrobras, da Eletrobras e da Fundação Interamericana (IAF). O projeto existe desde 2007 e só no Rio de Janeiro já qualificou 370 operárias. Em 2012, o plano será estendido para Bahia, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.

O programa, idealizado pela engenheira civil Deise Gravina, atende mulheres de 18 e 45 anos e os cursos duram seis meses. Nesse período, é oferecida uma bolsa-auxílio de R$ 200 mensais às alunas. Ao final da capacitação, as recém-formadas recebem um kit de ferramentas para facilitar o acesso ao trabalho. Todas as alunas são cadastradas em um banco de empregos do projeto para quando uma obra ou um contrato se encerrar elas possam ser remanejadas para outras empresas clientes.
 

Entrevistada
Nilvea Alcalai, superintendente do SindusCon-PR
Currículo

– Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), com especialização em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e qualidade total pela Fundação Cristiano Otoni
– Atuou no setor de consumo de 1985 a 2010 nas áreas administrativa, financeira e controladoria
– Desde 2011, atua como superintendente do Sinduscon-PR e é membro do Fórum de Ação Social da CBIC
Contato:  nilvea@sindusconpr.com.br

Créditos foto: Divulgação/Sinduscon-PR/Rogério Theodorovy/Agência Fiep

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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