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Itambé - Cimento para toda obraPublicado por: Itambé Empresarial em 5 de outubro de 2005
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Em entrevista exclusiva, Max Gehringer fala sobre a atitude de empresários brasileiros frente às oscilações do mercado e à necessidade de mudanças.

Itambé Empresarial – Globalização, concorrência, novas tecnologias, diferenciais… Na sua opinião como a empresa deve lidar com as mudanças, já que elas são inevitáveis?
Max Gehringer - O mundo nunca muda de um dia para outro. Existem episódios que podem causar aceleração ou desaceleração da Economia por um período de tempo, mas, de modo geral, as mudanças são previsíveis. ’Globalização’, por exemplo, é uma palavra que vem sendo usada há quase 40 anos. Os países asiáticos se beneficiaram dela, porque foram os primeiros a entender as conseqüências de um mercado global. E os países mais prejudicados foram aqueles que tentaram encontrar mecanismos internos de proteção para impedir a invasão da globalização.
IE – A construção civil é uma das áreas que mais “sente” as oscilações do mercado. Como lidar com essa situação?
MG - Nunca, na história da Economia mundial, existiu um setor que quebrou inteiro. Quando há uma crise em um determinado setor, muitas empresas desaparecem, mas muitas se tornam mais fortes. E as que sobrevivem melhor são aquelas que se prepararam melhor. Ou seja, o problema nunca é da situação econômica. É da atuação dos administradores das próprias empresas. As maiores empresas do setor de aviação no Brasil entraram em crise porque não souberam se preparar para a chegada da concorrência. Já o setor bancário brasileiro soube se preparar, e se tornou mais forte do que era antes.
IE – Como verificar se a empresa está necessitando uma mudança geral ou quando apenas algumas adaptações dão conta?
MG - Mudanças devem ocorrer gradativamente, continuamente, e sem traumas. Quando uma empresa começa a desconfiar que precisa mudar, é porque ela já deveria ter mudado. Uma empresa que hoje esteja operando da mesma maneira que operava há 5 ou 10 anos, corre o sério risco de estar sendo ultrapassada pela concorrência, mesmo que seus indicadores financeiros ainda não mostrem isso.
IE – Se for constatada a necessidade de uma mudança, por onde começar?
MG - Por uma consultoria externa. Ela trará uma visão imparcial da situação e das novas necessidades. É mais fácil enxergar de fora do que de dentro.
IE – Para lidar com o mercado externo é preciso olhar primeiro para dentro da empresa?
MG - Não necessariamente. Mas o mercado externo sempre foi visto pelas empresas brasileiras, com raras exceções, como uma solução de emergência. Do tipo “As coisas estão meio paradas, então vamos pensar em exportar”. Essa ação de curto prazo raramente dá certo. Partir para o mercado externo é uma questão de longo prazo. Exige planejamento, muita pesquisa prévia, adaptação do produto, e contratação de profissionais que realmente entendam do assunto. E isso leva anos, e não meses.
IE – Mesmo com o mercado extremamente dinâmico, é possível desenvolver estratégias em longo prazo e com resultados duradouros?
MG - Sim. Mas é preciso haver uma coisa chamada “foco”. Muitas empresas mudam o foco do negócio toda vez que se vêem diante de um desafio. E aí perdem o rumo.
IE – Em uma entrevista o senhor fala que no Brasil ano típico é o “atípico”, ou seja, que sempre será um ano difícil. Com essa perspectiva, como é possível fazer um planejamento coerente com o futuro do país e da empresa?
MG - No Brasil, nós usamos as oscilações da Economia como uma desculpa, e não como uma oportunidade. Eu passei por empresas que tinham uma visão de curtíssimo prazo, e por isso estavam sempre atribuindo seus resultados aos fatores externos, ao invés de atribuí-los à própria incapacidade de lidar com eles. Recentemente, quando o dólar bateu em R$ 4, muitas empresas fizeram festa. E agora, culpam o câmbio baixo pela queda de lucratividade. Que o dólar teria que cair, não havia dúvidas. Mas, quando ele caiu, a Economia foi apontada como a causa do desastre. A verdadeira causa foi a falta de preparação para um cenário perfeitamente possível.
IE – Quais os principais motivos que levam os planos estratégicos implantados pelas empresas não darem o retorno esperado?
MG - Os planos estratégicos apontam para um lugar onde as empresas querem chegar, mas isso não significa que o caminho até lá pode ser perfeitamente previsto. Por isso, os planos devem ser periodicamente revisados e alterados. O ponto de chegada não muda, mas a velocidade sim. E caminhos alternativos devem ser previstos na estratégia, porque fatores novos irão surgir e não podem pegar a empresa de surpresa.
IE – Em uma outra entrevista o senhor cita que “O segredo de uma mudança bem-sucedida é convencer todos os funcionários dos benefícios que eles terão com ela”. Isso reafirma a idéia de que a mudança deve começar pelos “líderes” da empresa?
MG - A implantação de uma mudança depende do trabalho dos funcionários. Se eles não forem convencidos de que a mudança trará benefícios também para eles, não se motivarão para implantá-la. Isso vale para as empresas de hoje como valia para os exércitos do Império Romano.
IE – O que é preciso para se diferenciar no mercado e ser melhor que a concorrência?
MG - Agir antes. Muitas empresas vivem falando mal da concorrência, e criticando os métodos dela, ao invés de aprender com ela. A empresa líder é sempre proativa. A empresa reativa dificilmente se torna líder.
IE – Hoje em dia fala-se muito em personalizar serviços, produtos e atendimento? Qual a sua opinião sobre isso, levando em conta que esse tipo de ação tende a aumentar os custos da empresa?
MG - O que as empresas estão tentando fazer é usar a informática para dar ao cliente a impressão de que ele é único. É o caso do CRM, que permite ao cliente acessar dados e conseguir informações, sem ter que ficar pendurado num telefone, aguardando que alguém possa atendê-lo. Uma grande empresa jamais conseguirá personalizar seus serviços. Mas poderá dar a impressão de que está fazendo isso. Os bancos on-line são um exemplo perfeito dessa estratégia.
Referência: Acesse o site e ouça os comentários de Max Gehringer veiculados na rádio CBN.
Créditos: Caroline Veiga
Esse post foi publicado de quarta-feira, 5 de outubro de 2005 às 18:00, e arquivado em Construção Civil, Gestão, Matérias Anteriores, Tecnologia e Inovação. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.
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