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Itambé Itambé - Cimento para toda obra

Publicado por: Cimento Itambé em 19 de janeiro de 2010

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Norma amplifica responsabilidade na engenharia

Profissionais da construção civil nunca estiveram tão atentos à responsabilidade legal das obras.

Cresce no setor construtivo a importância de conscientizar os profissionais sobre a responsabilidade na construção civil. Em 2009, publicações e palestras sobre o tema foram alguns dos mais procurados por engenheiros, arquitetos, projetistas e construtores em geral, além de fabricantes de materiais.

O objetivo dos interessados era conhecer as restrições, as limitações e as responsabilidades importantes a serem respeitadas e seguidas, quando da atividade de construir, para minimizar os riscos de desagradáveis ações judiciais.

Rone Antônio de Azevedo

Rone Antônio de Azevedo

Autor do livro Responsabilidade dos Engenheiros e Arquitetos, Rone Antônio de Azevedo é um dos palestrantes mais requisitados no Brasil para falar do assunto. Engenheiro civil e especialista em avaliações e perícia da engenharia, entre outras formações, Rone trata, em sua obra, de forma didática das principais dúvidas do setor.

Nela, ele examina as atividades de avaliação de imóveis, a perícia de edificações, a inspeção predial, as principais ações no Direito de construir, a crescente importância da Engenharia Legal e sua relação com o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor, além das normas técnicas correlatas e resoluções do sistema Confea/Crea.

Na entrevista concedida, Rone Antônio Azevedo pincela trechos relevantes de seu livro e mostra o quão importante é que os profissionais do setor estejam atentos às normas de construção civil, sobretudo a partir de maio deste ano, quando entra em vigor a norma técnica NBR 15575/08 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho, da ABNT. Confira:

Qual a diferença entre as responsabilidades de meio e de resultado para o exercício profissional dos engenheiros e arquitetos?

A diferença está na forma de atuação dos engenheiros e arquitetos. Enquanto profissionais liberais, eles possuem responsabilidade de meio. Quando exercem a atividade técnico-econômica da construção há responsabilidade de resultado.

A responsabilidade de meio obriga aos engenheiros e arquitetos a empregarem seus conhecimentos para alcançarem o resultado final, conforme a boa técnica e a ética profissional. Mas não são obrigados a assegurar o “zero defeito” ou total ausência de falhas. Eles lidam com a incerteza das teorias, dos modelos de cálculo, das técnicas de construção, do comportamento dos materiais, das ações humanas e da natureza. Os profissionais minimizam os riscos seguindo as orientações das normas técnicas e adotando boas práticas de projeto, execução e manutenção.

Exemplificando, nenhum projetista de barragens, por mais competente que seja, pode garantir com 100% de confiabilidade a segurança contra rompimento por enchentes. Geralmente, para grandes obras, trabalha-se com a probabilidade de ocorrer uma grande cheia a cada dez mil anos – período de retorno decamilenar.

Outro exemplo: a estrutura mista aço-concreto das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, foi calculada para resistir à colisão de aeronaves do porte do modelo Boeing 707. No entanto, as torres desabaram em 11 de setembro de 2001 quando houve o impacto da aeronave Boeing 767, cerca de 20% maior do que o Boeing 707. Richard M. Kielar, porta-voz da Tishman Realty & Construction Co., gerente de construção do projeto original afirmou que “nenhuma estrutura poderia ter suportado esse tipo de ataque”. Esse trágico acontecimento revela que sempre haverá incerteza nos projetos, por melhor elaborados que sejam.

Na responsabilidade de resultado, engenheiros e arquitetos desenvolvem atividade técnico-econômica de construção ou incorporação com resultados e garantias legais. Estão obrigados a executarem e entregarem obras sem vícios construtivos e defeitos, sendo o último prejudicial à solidez e segurança da edificação. O Código de Defesa do Consumidor veda ao construtor ou incorporador colocar no mercado apartamentos e casas nessas condições, por exemplo.

A responsabilidade de meio é subjetiva, devendo ser provada a negligência, imprudência ou imperícia do engenheiro ou arquiteto. A responsabilidade de resultado é objetiva, ou seja, independe de prova, sendo suficiente a relação direta entre o dano e as potenciais causas. O ônus da prova é invertido no último caso, suportado pela sociedade ou firma estabelecida pelos engenheiros e arquitetos para a atividade de construção.

Confira, ao final da entrevista, mais informações sobre as responsabilidades que envolvem a construção civil.

A norma técnica NBR 15575/08, da ABNT, que trata do desempenho das edificações habitacionais de 5 pavimentos, entrará em vigor em maio de 2010. Ela altera algo na responsabilidade civil na construção civil?

A norma técnica NBR 15575/2008 estabelece critérios de desempenho e qualidade para os diferentes sistemas construtivos para edificações habitacionais com até cinco pavimentos. É a primeira norma brasileira de desempenho, com ênfase à sustentabilidade, manutenção periódica e rastreabilidade dos componentes das edificações. Sua adoção será compulsória a partir de 12 de maio de 2010.

De acordo com essa norma, os projetos devem ser elaborados prevendo explicitamente a vida útil mínima para cada sistema da construção. A durabilidade mínima para a estrutura e revestimentos externos será de 40 anos; para instalações hidrossanitárias e revestimentos internos, a duração deve ser igual ou superior a 20 anos. Esses valores da durabilidade dos componentes das edificações são apenas referência para o projeto e não valem como prazos de garantia.

O Anexo D da NBR 15575/2008 informa os prazos de garantia, fixados entre 1 a 5 anos conforme cada sistema, iniciando-se sua contagem a partir da data de expedição do habite-se. Por exemplo, as instalações hidrossanitárias e de gás devem ser estanques, sem vazamentos, durante o prazo de 5 anos após a entrega da edificação; a pintura possui garantia de 2 anos contra alteração de cor ou deterioração de acabamento.

Esses prazos não existiam na legislação em vigor e orientarão a realização de inspeções prediais, perícias e demandas judiciais. Vale lembrar que até a entrada em vigor da NBR 15575/2008, existia a garantia obrigatória de cinco anos para defeitos e vícios ocultos, assegurada pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo Código Civil.

No prazo de garantia, a responsabilidade da construtora é objetiva, basta comprovar a existência do fato. Findo o prazo de garantia, a responsabilidade será subjetiva, necessitando comprovação por perícia. No caso de defeitos que afetam a solidez e segurança das edificações – conforme Súmula 194 do STJ – prescreve em 20 anos o tempo para ação visando a obter indenização do construtor.

O construtor deverá disponibilizar o manual do proprietário com instruções claras e precisas para o correto uso e manutenções periódicas. O usuário, por sua vez, deverá fazer a manutenção nos prazos de previstos no manual. As manutenções devem ser realizadas por profissionais habilitados, registradas para efeito de comprovação, conforme a norma NBR 5674/1999 – Manutenção de Edificações. A realização das perícias e demandas judiciais levará em consideração esses critérios. Caso o comprador não efetue as manutenções nos prazos estipulados, haverá perda da garantia.

Vale ressaltar que a NBR 15575/2008 não será aplicável aos seguintes casos: obras em andamento quando entrar em vigor; edificações concluídas até 12/05/2010; projetos protocolados até 12/11/2010 (seis meses após a entrada em vigor da norma); obras de reforma e “retrofit”.

A NBR 15575/2008 trará benefícios socioeconômicos e ambientais, aumentando a durabilidade das edificações. A cadeia produtiva da Construção Civil será aperfeiçoada, desde a elaboração do projeto, rastreabilidade de componentes, e inspeção predial. Considerando o grande número de prédios de porte a serem construídos nos próximos anos, especialmente para a baixa renda. A norma poderá ser aplicada a edificações com mais de 5 pavimentos.

Na Engenharia Legal quais precauções devem ser tomadas antes do início da construção?

São necessários vários cuidados antes do início da construção. Além do planejamento e da análise de viabilidade técnica-econômica dos empreendimentos, é preciso avaliar as condições do terreno e da incorporação imobiliária.

Devem ser contratados estudos geotécnicos e ambientais para avaliação dos impactos decorrentes do empreendimento. Várias construtoras adotam a vistoria cautelar dos imóveis na vizinhança do empreendimento para solução de problemas e redução de eventuais demandas judiciais referentes a danos físicos surgidos após o início da construção.

Toda construção pressupõe a realização de diversos serviços técnicos especializados, executados por profissionais qualificados. É imprescindível contratar engenheiros e arquitetos com experiência em projetos e execução de obras.

O seguro de Responsabilidade Civil é outra alternativa bastante utilizada no exterior, disponível para profissionais e construtoras no Brasil, cobrindo vários tipos de danos. Os agentes financiadores do empreendimento normalmente exigem que as construtoras contratem seguros contra danos físicos.

Planejar ações para proteção da saúde e segurança dos trabalhadores, respeitando a legislação e as normas aplicáveis, especialmente a Norma Regulamentadora NR-18 do Ministério do Trabalho e Emprego. O número de acidentes na Construção Civil é bastante preocupante e requer mais empenho do setor, maior compromisso dos profissionais, atuação dos sindicatos e fiscalização do governo. 

Cada vez será mais necessário o acompanhamento pós-venda, tanto para verificar as manutenções obrigatórias quanto para melhorar a qualidade dos imóveis. O atendimento e aplicação das normas NBR 15575/2008 e NBR 5674/1999 resultará na oferta de serviços de manutenção aos usuários finais, nicho mercadológico com benefícios para todos.

É preciso cuidar para que os serviços e produtos estejam dentro dos parâmetros de qualidade, segurança e economia. Dessa forma, engenheiros e arquitetos estarão resguardados de futura responsabilização. O profissional tem por obrigação esclarecer o consumidor sobre as características intrínsecas do serviço, os riscos e os custos da relação contratual.

A responsabilidade civil sobre a construção acaba com o fim do prazo de garantia da obra?

De forma alguma, apesar de alguns entendimentos nessa direção. A Súmula n.º 194 do Superior Tribunal de Justiça (SJT) orienta que o comprador terá 20 anos de prazo para propor ação indenizatória contra a construtora por defeitos que afetam a solidez e segurança da edificação, considerando sua constatação no período de garantia de 5 anos. Entretanto, encerrado o prazo de garantia, a culpa do construtor deverá ser provada através de perícia técnica, responsabilidade subjetiva.

O art. N.º 618 do Código Civil determina que o prazo de garantia para defeitos que afetem a solidez e segurança da edificação é de cinco anos a partir da entrega da edificação. Devem ser reclamados, no máximo, seis meses após a data de seu aparecimento, sob pena de decadência. Até 5 anos a partir da entrega da construção, presume-se a culpa da construtora, caracterizada por responsabilidade objetiva do Código de Defesa do Consumidor.

O art. n.º 205 do Código Civil estabelece o prazo de garantia genérico de 10 anos para falhas construtivas não previstas nos demais artigos. Alguns doutrinadores entendem ser esse o maior prazo de garantia aplicável às construções, contado a partir da data da sua entrega – expedição do habite-se. A Súmula n.º 194 do STJ não seria aplicável para essas falhas.

A estatística de problemas na construção civil se relaciona mais a projetos ou à execução das obras?

Há grande diversidade de ocorrência, complexidade das causas e indisponibilidade de pesquisas sobre problemas na Construção Civil no Brasil. A abordagem requer muita investigação e organização de banco de dados por associações de profissionais, construtoras e centros de pesquisa. No entanto, alguns estudiosos podem ser mencionados, a título de referência.

Jean Blevot realizou estudo emblemático muito detalhado das causas de quase 3 mil sinistros das estruturas de concreto armado, ocorridos entre 1948 e 1974, nos arquivos empresa seguradora francesa Bureau Securitas e Socotex. Ele constatou que as deficiências de projeto foram responsáveis, direta e indiretamente, por 77,9% dos sinistros, sendo 12,0% por erros de cálculo e 55,9% por falha na previsão do comportamento real dos materiais; defeitos de execução respondem por 16,5% dos acidentes; outras falhas representam 5,6%.

Lamentavelmente, no Brasil, ainda há a cultura de resolver as lacunas do projeto no canteiro de obras. Projetos mal detalhados, memoriais descritivos com especificações genéricas atrasam a evolução da obra, permitindo maior incidência de problemas na execução. Nos países desenvolvidos, o raciocínio é inverso.

Muitas vezes, o engenheiro ou arquiteto assumem a responsabilidade técnica pela execução de várias obras simultaneamente. Naturalmente sobrecarregados, eles não tem tempo para interagir com os projetistas e fornecedores, propondo melhorias com ganho de qualidade.

As empresas com maior estrutura gerencial implementaram programas de Qualidade Total para redução das não conformidades, baseados na implementação das normas ABNT de Sistemas de Gestão da Qualidade, e de Gestão Ambiental, séries ISO NBR 9000 e ISO NBR 14000. Esses sistemas serão cada vez mais importantes para rastreabilidade, melhoria contínua e correção de falhas na Construção Civil.

É preciso investir em projetos bem elaborados com detalhamento suficiente para execução, memoriais descritivos com especificações precisas, procedimentos de execução, manuais bem elaborados para os usuários.

O conhecimento especializado dos engenheiros e arquitetos precisa ser valorizado como diferencial de qualidade e produtividade. A atuação dos profissionais é essencial durante em todas as etapas da construção, desde o planejamento até a manutenção.

Saiba mais sobre as responsabilidades que envolvem a construção civil:

Responsabilidade por obrigação de meio: cumprir uma obrigação de meio é empregar todas as técnicas, recursos e esforços que estiverem ao alcance do profissional, no sentido de alcançar o resultado contratado. Só há que se falar em descumprimento de uma obrigação de meio se o resultado não for alcançado no prazo e no modo contratados. Isso decorre do fato de o contratado não ter empregado todas as técnicas, recursos ou esforços ao seu alcance. Assim, se o exato resultado contratado for alcançado, não há que se falar em inexecução da obrigação de meio.

Responsabilidade por obrigação de resultado: significa entregar ao contratante o resultado esperado e não menos que isso, independentemente das técnicas, métodos e esforços empregados na tentativa de alcançar o resultado esperado.

Responsabilidade técnica: advém dos profissionais que executam atividades específicas dentro das categorias tecnológicas, sendo responsáveis por todo trabalho técnico que realizam. Tanto o arquiteto, que elabora o projeto, quanto o engenheiro civil, que executa, são igualmente responsáveis técnicos.

Responsabilidade contratual: decorre do contrato firmado entre as partes para a execução de uma determinada obra.

Responsabilidade pela solidez e segurança: o profissional responde pela solidez e segurança da obra por um prazo de cinco anos, nos termos do Código Civil. Neste caso, a data do término da obra deve ser documentada oficialmente. Se uma perícia constatar que o profissional é responsável por problemas de solidez e segurança, ele responderá civilmente independentemente do prazo transcorrido, de  acordo com a jurisprudência existente.

Responsabilidade pelos materiais: se o material não estiver de acordo com as especificações, o profissional deve rejeitá-lo, sob pena de responder por danos futuros.

Responsabilidade por danos causados a terceiros: cabe ao profissional tomar as providências necessárias para a preservação da saúde, segurança e sossego de terceiros, em caso de vibração de estaqueamentos, fundações e quedas de materiais. Neste caso, os prejuízos são de responsabilidade solidária do profissional do proprietário da obra ou construtora.

Responsabilidade penal ou criminal: decorre de desabamentos, desmoronamentos, incêndio por sobrecarga elétrica, intoxicação e contaminação, havendo ou não lesão corporal ou dano material, desde que caracterize risco à vida e á propriedade.

Responsabilidade administrativa: imposta por organismos públicos, através de código de obras, de águas e esgoto, de normas técnicas, regulamentações profissionais e planos diretores. Cabe ao profissional seguir as leis, sob pena de suspensão do exercício profissional.

Responsabilidade objetiva: resulta das relações de consumo ditadas pelo Código de Defesa do Consumidor.

Responsabilidade ética: resulta de faltas que contrariem a conduta moral na atividade profissional, pelo sistema CREA/CONFEA.

Entrevistado:
Rone Antônio de Azevedo, engenheiro civil e especialista em avaliações e perícia da engenharia: suporte@aspeago.com
Site: www.aspeago.com

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Nova Norma Técnica de Desempenho de Edificações entrará em vigor

O mérito maior desta Norma é a questão de entendimentos entre o produtor, o consumidor e o meio técnico, afirma a Presidente do Ibape, Vera Lúcia

Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj

Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj

Itambé Empresarial – Para que serve essa Norma Técnica de Desempenho de Edifícios Habitacionais?

Vera Lúcia – O Brasil é a terra dos contrastes. É difícil pensar em uma norma de desempenho enquanto se tem esgoto a céu aberto e tanta deficiência em obras de saneamento.

Porém, como técnicos que somos, necessitamos evoluir e pleitear uma forma de incidir em menos erros, propiciando a ausência ou pelo menos a não constância de sinistros, queda de estruturas, incêndios e colapsos com riscos ao nosso bem maior, A VIDA.

Nossa cultura sempre se voltou ao corretivo, até porque, nossos prédios eram novos. Com o passar do tempo, os investidores começam a se preocupar com o tempo de vida, com as garantias e o padrão de nossas construções.

O mérito maior desta Norma é a questão de entendimentos entre o produtor, o consumidor e o meio técnico.

A Norma estabelece critérios e métodos de avaliação de desempenho para os principais sistemas que compõem um edifício. Sua publicação terá um impacto em todo o processo construtivo e até mesmo no pós-venda.

I.E – Qual é o principal foco da Norma?

Vera Lúcia – Seu objetivo inicial é estabelecer uma sistemática de avaliação de tecnologias e sistemas construtivos de habitações, com base em requisitos e critérios de desempenho expressos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Ou seja, focar o desempenho do ponto de vista do uso, independente do material construtivo e do produto.

I.E – Quais os benefícios que ela pode trazer? Alguém pode sair prejudicado?

Vera Lúcia – Não se pretende prescrever os procedimentos de execução de obra, referindo-se principalmente a durabilidade dela.

Será descrito da mesma forma a integridade do sistema de cobertura ao longo de sua vida dentro dos critérios de riscos ou as condições de salubridade de ambientes internos em itens como segurança contra incêndio e risco de inflamação.

O custo-benefício fica transparente. A previsão de níveis (mínimo, intermediário e superior) propiciará ao consumidor um prazo de garantia e vida útil diferente e a incorporadora/construtora poderá investir em tecnologias de conformidade com o valor proporcional do imóvel.

O outro lado da moeda é o aspecto de preparação, reconhecimento e remuneração adequados ao profissional – principalmente projetista, que terá seu trabalho dobrado em carga/hora trabalhada nos projetos para atender a Norma.

I.E – A Norma se aplica para quais situações? Por que funciona apenas para os Edifícios de até cinco pavimentos?

Vera Lúcia – O objeto da Norma ficou essencialmente concebido para ser aplicado aos sistemas que compõem uma edificação de até cinco pavimentos, podendo ser usada para outras quantidades de pavimentos, sempre que tecnicamente justificáveis.

Isto foi adotado por que a grande maioria das habitações brasileiras está neste rol. São os principais modelos de habitações de interesse social construído com recursos públicos.

I.E – Quais são os itens existentes na Norma?

Vera Lúcia – O texto base da norma abrange fundações, estruturas, paredes internas, fachadas, coberturas, divisórias internas, pisos internos, sistemas hidráulico-sanitários, elétricos, gás, telecomunicações, condicionamento ambiental, transporte, segurança e proteção.

I.E – No que essa Norma se difere das outras já existentes?

Vera Lúcia – O interessante dessa Norma é seu conceito.

É diferente da maioria das Normas Brasileiras, pois não se trata da entrada de como o produto deve ser empregado na obra e sim de saída, regulamentando a forma como a edificação deve se portar depois da entrega ou “pós-venda”.

I.E – Por que entrará em vigor apenas em 2009?

Vera Lúcia – Porque existe um período de carência de dois anos após a publicação para que haja uma adaptação em toda a gama produtiva.

I.E – De quem foi a iniciativa de criar essa Nova Norma?

Vera Lúcia – Historicamente, teve seu início no antigo Banco Nacional da Habitação (BNH) (que depois virou Caixa), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Sinduscon e IBAPEs. Enfim, pela comunidade técnica.

Todos deram e ainda dão a suas contribuições junto ao Comitê Brasileiro, responsável pela elaboração de normas técnicas de componentes, elementos, produtos e serviços na Construção Civil, abrangendo seus aspectos referentes ao planejamento, projeto, execução, método de ensaio, armazenamento, transporte, operação, uso e manutenção.

O Comitê Brasileiro de Construção Civil (Cobracon) elabora, divulga e difunde as normas técnicas para o setor da construção civil.

I.E – Essa norma técnica é formada por cinco pilares, que são: Requisitos gerais; Requisitos para os sistemas estruturais; Requisitos para os sistemas internos; Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas; e Requisitos para os sistemas de coberturas. Para que serve e o que significa cada um deles?

Vera Lúcia – Cada um desses itens traz requisitos de desempenho com critérios e métodos para se fazer as avaliações, com seus parâmetros pré-estabelecidos.

A forma de estabelecimento do desempenho é comum e internacionalmente pensada por meio de definição de critérios qualitativos e métodos avaliatórios, permitindo fazer com facilidade sua mensuração. Estas premissas não substituem as normas prescritivas, são complementares.

Pode-se encontrar suas características individuais no site http://www.cobracon.org.br.

I.E – Ela pode ser utilizada como um procedimento de avaliação do desempenho de sistemas construtivos por qualquer pessoa que tenha interesse?

Vera Lúcia – A Norma de desempenho vem com este objetivo – atendimento as exigências da ISO, aos critérios quantificáveis e mensuráveis por meios de métodos de ensaio, de avaliações e da classificação em níveis.

Para mim, essa Norma é a configuração da responsabilidade profissional, a exclusão do jeitinho impregnado em nosso ser e a necessidade de capacitação do profissional já habilitado para tal mister.

Ficará o desempenho vinculado ao ponto de vista do uso, independente do material e ao produto empregado.

I.E – O mérito maior dessa Norma é a questão de entendimentos entre o produtor, o consumidor e o meio técnico. Por quê?

Vera Lúcia – Por que muito se ganhará. Será a composição de novas metodologias de projeto e de pesquisas de materiais. O combate à informalidade, a melhoria da imagem da construção civil e uma questão até de marketing.

I.E – Por que seu objetivo inicial é estabelecer uma sistemática de avaliação de tecnologias e sistemas construtivos de habitações?

Vera Lúcia – O que se pretende é realmente uma nova conceituação e adequação para uma vida útil com qualidade.

Pela norma, construtor, incorporador e projetista responsabilizam-se indiscutivelmente pelo prazo de garantia oferecido, indicando ainda, o tempo de vida útil para cada elemento, caso o programa de manutenção seja seguido.

I.E – Qual a diferença entre garantia e vida útil?

Vera Lúcia – Hoje, há uma confusão muito grande entre vida útil e garantia. E a norma faz esta distinção.

VIDA ÚTIL se define na fase de concepção do empreendimento pelos arquitetos em conjunto com os contratantes e usuários, cuja finalidade é nortear todos os sistemas, elementos e componentes que serão especificados no projeto e PRAZO DE GARANTIA.

PRAZO DE GARANTIA é o tempo em que a probabilidade é grande de que eventuais defeitos embutidos no produto em estado novo venham a se manifestar (falhas de fabricação, de montagem ou instalação), que por conseqüência representam um desempenho inferior àquele previsto.

Ao ser concluído, prevê-se que diminuirão os litígios, pois o usuário e o construtor terão documentos legais definidos se alguma patologia está ou não dentro do prazo oferecido pela construtora. Haverá parâmetros técnicos.

Vera Lúcia de Campos Corrêa Shebalj – Presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape). Arquiteta e urbanista. Perita e engenheira de segurança no trabalho.
Contato: E-mail: proojekt@creapr.org.br; Celular: (41) 9993-8163

Referência:
Créditos: Caroline Veiga

Publicado por: Itambé Empresarial em 16 de maio de 2007

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Qualidade

Sistema de Controle de Qualidade do Cimento Portland

As determinações de qualidade e da quantidade das matérias-primas que vão constituir os diversos tipos de Cimento Portland não podem ser feitas atendendo simplesmente o produto. Hoje, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prepara e divulga normas técnicas que são usadas no mercado como padrão de referência, as quais definem não somente as características e propriedades mínimas que os cimentos Portland devem apresentar, como também os métodos de ensaios empregados para verificar se esses cimentos atendem às exigências das respectivas normas.

As normas técnicas são elaboradas pela ABNT e a qualidade é aferida pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e nos princípios do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade industrial (INMETRO).

Quando um saco de cimento apresenta um selo de Qualidade ABCP, isto significa que o produto nele contido está de acordo com as normas técnicas brasileiras, sendo produzido em conformidade com as exigências vigentes. Observe nossa embalagem.

Atualmente a Cimento Itambé produz 5 tipos de cimento, os quais são submetidos a rigoroso controle de qualidade, englobando desde o recebimento das matérias-primas até o produto final. Dentro do Departamento de Produção, o Setor do Laboratório é responsável pela “Garantia da Qualidade”, realizando para isso uma série de ensaios físicos e químicos.

Dentro destes ensaios podemos citar:

- Espectrometria de Raios X: equipamento de alta tecnologia utilizado para determinação química dos elementos presentes no cimento, bem como em qualquer matéria-prima. Visando precisão dos resultados, este equipamento passa por calibração periódica, através de padrões internacionais.

- Câmara úmida: equipamento utilizado para manter os corpos de prova em ambiente climatizado segundo norma, 95% de umidade relativa, durante as primeiras 24 horas.

- Prensa Hidráulica Eletrônica: através deste equipamento são verificadas as resistências à compressão da amostra diária dos cimentos expedidos.

- Peneirador Aerodinâmico: utilizado para controle da granulometria do cimento, bem como das demais matérias-primas.

- Permeabilímetro de Blaine: equipamento utilizado em indústria cimenteira para determinação da superfície específica do cimento.

- Titulador automático: utilizado para determinação via úmida dos compostos químicos do cimento e matéria-prima.

- Aparelho de Vicat: equipamento utilizado exclusivamente em indústria cimenteira para determinação do tempo de início e fim de pega.

- Microscópio Óptico: utilizado para ensaio de microscopia de clínquer, com objetivo de acompanhar e avaliar todo processo produtivo.

- Calorímetro: equipamento utilizado para determinação do poder calorífico dos combustíveis.

- Agulha de Lê Chatelier: utilizado para determinação da expansibilidade dos diversos tipos de cimento.

Além destes ensaios, existem muitos outros de acompanhamento do processo, os quais compõem a rotina do Laboratório.

Equipe

A equipe do Laboratório é composta por 10 pessoas sendo: 1 Coordenador, 1 Técnico Químico, 3 Analistas Físicos e 5 Controladores Químicos, trabalhando em regime de 24 horas. O Laboratório da Cia. de Cimento Itambé recebe diariamente 90 amostras, sendo 70 do processo produtivo e 20 do Departamento de Mineração, resultando aproximadamente em 5 mil ensaios mensais, apenas na rotina normal do Laboratório. Dentro desse controle, ainda realizamos trimestralmente amostras de intercâmbio junto à ABCP.

Resultado

Todo esse trabalho assegura que nosso produto atenda às metas internas, as quais são superiores às Normas ABNT vigentes, como por exemplo, os cimentos de classe 32, que apresentam resistências acima de 38 MPa, onde a norma exige no mínimo 32 MPa.

Com isso a Cia. de Cimento Itambé garante aos seus clientes um produto de altíssima qualidade.
Referência:
Créditos: José Sebastião da Silva Junior – Gerente de Produção da Itambé

Publicado por: Itambé Empresarial em 1 de março de 2007

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Acidente do metrô de São Paulo

Laudo final deverá ser divulgado apenas no final de agosto.

Ainda não foi divulgado o laudo final que está sendo feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com os motivos do acidente no túnel do metrô em São Paulo. A previsão é que o resultado só seja divulgado no final de agosto. Um grupo composto por especialistas, entre engenheiros, geólogos e físicos está atuando nas investigações. A suspeita é que vários fatores tenham provocado o acidente.

No dia 12 de janeiro, o teto do túnel da Linha 4 (Amarela) do metrô de São Paulo ruiu e sete pessoas morreram soterradas. Na região do acidente é utilizado o sistema NATM (sigla em inglês para “New Austrian Tunnelling Method”, Novo Método Austríaco de Construção de Túneis), técnica de escavação com o uso de explosivos.
A concessionária Via Amarela, responsável pela construção da Linha 4, confirmou que houve reparos no túnel durante a madrugada de véspera do acidente. De acordo com o consórcio, composto pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e Siemens, a colocação de concreto para reforço é uma medida de rotina, destinada a impedir a infiltração d’água e evitar rachaduras.
A justificativa apresentada pela concessionária é de que as chuvas causaram uma “reação anômala e inesperada no maciço de terra”. Em uma obra deste porte, à medida que avançam as escavações é preciso instalar pequenos drenos, para que a umidade do solo seja escoada. É possível que os técnicos tenham dimensionado o número de drenos para uma situação normal, mas as constantes chuvas no período que antecedeu o acidente devem ter deixado a terra mais pesada e com infiltrações.

Segundo alguns especialistas, equívocos na estimativa de pontos de drenagem dentro dos túneis e de posicionamento do guindaste junto ao poço vertical também podem ter contribuído para o desabamento.
Por ter sido uma área de várzea, o subsolo nas imediações do Rio Pinheiros é composto por uma camada de areia e argila e, logo abaixo, por rochas mais duras, chamadas de gnaisse. Com o passar do tempo, essa massa vai se decompondo e, com isso, torna-se instável.
De acordo com nota divulgada pelo presidente do Sinduscon-SP, a engenharia nacional tem elevado padrão de qualidade, gera milhões de postos de trabalho e responde por boa parcela do desenvolvimento econômico e social do país. Por isso, a apuração sobre as causas do acidente precisa ser feita com toda a seriedade e racionalidade, baseada em análises e pareceres eminentemente isentos e técnicos, e desprovida do emocionalismo que surge em momentos de comoção como este.

Este pensamento também é compartilhado pelo Instituto de Engenharia segundo o qual não pode haver causa certa e nem culpados sem um trabalho técnico conclusivo que aponte as razões do acidente. É preciso serenidade e responsabilidade para o correto conhecimento das causas técnicas, administrativas e gerenciais que motivaram a tragédia, direta e indiretamente, e que devem ser devidamente investigadas.

O Instituto de Engenharia se propôs a acompanhar os trabalhos de apuração das causas do acidente com o objetivo de esclarecer os múltiplos aspectos técnicos que envolvem uma obra desse porte, assim como os administrativos e gerenciais.

Possíveis causas do acidente provocam discussões

Em um artigo, Maçahico Tisaka, engenheiro consultor do CREA-SP e ex-presidente do Instituto de Engenharia, diz que este acidente não é um fato isolado, nem as suas causas devem ser encaradas como uma mera obra da fatalidade. “Ele tem raízes muito mais profundas. Refiro-me ao processo de degradação da indústria da construção ou do serviço de engenharia que está em curso, sorrateiro, devagar, imperceptível aos olhos da população que está levando o sistema de produção de obras públicas ao gradativo sucateamento no país”. (Leia aqui o artigo completo).

O presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), engenheiro Paulo Helene, ressalta o importante trabalho dos engenheiros civis, responsáveis diretos pela infra-estrutura do país ligada a atividades industriais, de saúde, educação, transportes etc. “… A mídia em geral e a população perceberam a importância da engenharia civil pelo caminho mais doloroso. Há anos o setor tem sido relegado a segundo plano” observa.

Helene lembra que, quando a engenharia falha, as conseqüências podem ser gravíssimas: “uma ponte, um edifício, um viaduto, uma estrada, uma barragem, uma galeria de águas pluviais ou de esgotos, uma obra de Metrô, e até uma simples casa, devem ser cuidadosamente projetadas, construídas com materiais resistentes e duráveis, operadas corretamente e submetidas à manutenção preventiva e corretiva ao longo de sua vida útil, assegurando proteção, segurança, conforto, saúde, economia, rapidez, salubridade aos seus usuários”.

No caso do acidente, o presidente do IBRACON sugere que sejam cumpridas três grandes etapas:
1. Formular uma ou mais hipóteses adequadas e consistentes sobre o mecanismo do acidente;
2. Com base nessa(s) hipótese(s), reunir e analisar toda a documentação existente na busca de “demonstrações” ou “provas” da(s) hipótese(s) formulada(s). Em paralelo e também com base nessa(s) hipótese(s) sair a campo com muita astúcia, cuidado e atenção na busca de “indícios evidentes” e “provas experimentais e materiais” que permitam comprovar ou negar a(s) hipótese(s) anteriormente formulada.
3. Formular um DIAGNÓSTICO final, consubstanciado e consistente do ocorrido, onde fique claro e transparente, no mínimo, o seguinte:
- mecanismo de como ocorreu a ruptura;
- agentes causadores;
- origem do problema.

Publicado por: Itambé Empresarial em 14 de agosto de 2006

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Razões para evitar a falta de planejamento

Confira o que o consultor Francisco Higa fala sobre as causas e as conseqüências da falta de planejamento

Não há nada tão simples ou urgente que não deva ser planejado - Francisco Higa

Não há nada tão simples ou urgente que não deva ser planejado - Francisco Higa

Itambé Empresarial – É consenso entre os gestores que um bom planejamento é fundamental. Porém, a falta de planejamento ainda é muito comum em empresas no Brasil. Por que isso acontece e o que essas empresas podem fazer para minimizar essa situação, levando em conta suas dificuldades (de estrutura, tempo, mão-de-obra e dinheiro)?

Francisco Higa - Uma das principais causas da falta de planejamento é o fato das pessoas entenderem que planejar somente seja necessário se estivermos falando de um trabalho muito complexo. Isso é um grande equívoco. As pessoas que realmente se preocupam em fazer acontecer devem entender que qualquer atividade humana, da mais corriqueira a mais trabalhosa, exige planejamento e deve ser precedido por ele.

Principalmente, quando a dificuldade recai nos fatores determinantes para o êxito de um trabalho, tais como, estrutura, tempo, mão-de-obra e dinheiro, o planejamento é fundamental.

Não há outra saída, realizar uma atividade sem um planejamento adequado é o mesmo que ter de improvisar. Todas as vezes que improvisamos alguma atividade a probabilidade de acerto é a mesma do fracasso.

IE – Quais ações dentro da empresa merecem um planejamento? Há casos em que o planejamento é realmente dispensável?

Francisco Higa - Não há nada que possa ser tão urgente ou simples que não deva ser planejado. O que muda é a intensidade do esforço necessário para elaborá-lo, de acordo com o potencial de riscos das coisas não acontecerem.

Caso você tenha muito tempo disponível ou quando não há prazos a cumprir, tenha a seu dispor muito dinheiro e não se importe em perdê-lo, talvez você possa relaxar um pouco… mas não acredito que essa seja a realidade do empresariado brasileiro.

IE – O que compõem um bom planejamento?

Francisco Higa - Para um bom planejamento é importante avaliar algumas questões fundamentais:

a) Entendi claramente o que deverá ser obtido ao final de um projeto? O meu entendimento é o mesmo de quem está solicitando o trabalho (ex.: cliente).
b) Sei exatamente de quanto tempo é necessário para realizar todo o trabalho? Lembre-se de que para essa avaliação, é importante considerar que há fatores que não dependem somente de minha vontade para acontecer…. e nesses casos, tenho um “plano B” para os fatores que estão fora de meu domínio?
c) Sou capaz de realizar todo o trabalho sozinho ou com a equipe que disponho? Será que vou precisar de ajuda externa?
d) Tenho os recursos financeiros necessários para a realização de todo o trabalho? Não somente do material de que precisamos, como também recursos para complementar a capacitação requerida para o trabalho.

Uma vez que tenho todas as respostas, aí sim, posso iniciar a planejar o “como fazer”, e determinar prazos e responsabilidades.

Vale um alerta, a eficiência no planejamento está relacionada à capacidade do gestor em balancear os fatores: tempo, recursos e capital, com o escopo do que deve ser obtido. Caso alguns desses fatores não possam ser dimensionados como deveriam, o escopo do trabalho deve ser revisto. Caso contrário, você estará se enganando, e o projeto iniciará com alta probabilidade de fracasso.

IE – Quais os principais erros cometidos durante o planejamento?

Francisco Higa - A meu ver, os principais erros são conseqüência de algumas visões equivocadas e de determinadas posturas dos planejadores, tais como:

• confundir o estresse como sinônimo de sucesso, quando é sempre mais vantajoso fazer o que deve ser feito dedicando o esforço necessário;
• confundir o planejamento com a ação de alimentar uma ferramenta de gestão do projeto (software) com uma série padronizada de dados e informações e deixar que o computador defina ou oriente as ações subseqüentes;
• fazer um planejamento apenas para cumprir um “ritual” administrativo e satisfazer a exigência dos escalões superiores;
• usar o planejamento mais como argumento de venda, com o objetivo de convencer não apenas o cliente, mas os próprios superiores, de que o projeto em desenvolvimento será entregue dentro do prazo e das especificações acordadas, sem, no entanto, o embasamento de um estudo consistente de viabilidade;
• enganar a si mesmo, ou seja, fazer um planejamento com prazos, custos e especificações sabidamente inviáveis, com a falsa ilusão de que com um esforço extra, algumas noites em claro, aqueles itens poderão ser cumpridos.

IE – O que é mais difícil: um gestor fazer um bom planejamento ou um gestor mudar de postura?

Francisco Higa - Certamente a postura do gestor. Principalmente daqueles mais experientes, que se deixam influenciar por vícios e muitas vezes costumam negligenciar alguns fatores óbvios… neste caso, vale o dito popular: “o sucesso anterior não garante o êxito futuro”… se isso fosse verdade, empresas que já atingiram a liderança de seu setor não investiriam tanto para manter-se na liderança….

IE – É possível realizar um bom projeto mesmo com a escassez de tempo, dinheiro e recursos?

Francisco Higa - Sim, basta que o escopo (abrangência) do trabalho ou a dimensão do objetivo a alcançar seja readequado para as condições disponíveis… Não há nada de errado buscar a evolução de seus negócios ou de sua condição de vida, escalando degrau a degrau…. Caso você não tenha disponível todos os recursos necessários, redimensione seus objetivos…. uma vez alcançados, certamente você terá condição de reunir mais recursos para subir outro degrau…

IE – Lidar com as pessoas dentro de um projeto é mais difícil do que lidar com a falta de recursos, tempo e dinheiro?

Francisco Higa - Sim, na minha opinião. Porque recursos, tempo e dinheiro são fatores previsíveis (ou você os tem ou não) e, portanto, mais fácil de planejar o que é possível fazer de acordo com a dimensão dos mesmos. Já as pessoas são imprevisíveis! Pois uma mesma pessoa pode ter reações diferentes frente a uma mesma situação dependendo do momento em que está vivendo. Em outras palavras, existe uma série de fatores externos que influenciam o comportamento de uma pessoa, tais como, problemas familiares, crises financeiras, etc…

IE – O sr. pode falar um pouco sobre os mecanismos de atratividade e como eles podem contribuir para a execução de um trabalho?

Francisco Higa - Resumidamente, o mecanismo de atratividade enfoca a análise do equilíbrio da atratividade entre as partes envolvidas em algum tipo de relacionamento na perspectiva do valor percebido e do risco de ruptura da relação. Em outras palavras, é a avaliação do quanto é positiva a relação para ambas as partes e qual o impacto na vida de cada uma delas em caso de ruptura. Esse equilíbrio consiste no sentimento mútuo de que todos os envolvidos ganham com a relação e sentem-se motivados a alcançar qualquer objetivo estabelecido de comum acordo.

IE – O que fazer para que todas as partes saiam com ganhos do projeto?

Francisco Higa - O primeiro passo é saber ouvir e respeitar a individualidade de cada pessoa. Não adianta “bater de frente”, da mesma forma que não basta “mimar” a pessoa. É adotar estratégias para o relacionamento do dia-a-dia, sempre com o objetivo de manter o equilíbrio da atratividade. E nessa questão da atratividade é importante ter a consciência de que ninguém é dono da verdade. É preciso entender os atributos de satisfação e as aspirações de cada pessoa, é perceber o que contribui para a auto-estima individual. Isso não significa descobrir o que apreciam nem mesmo o que temem, e sim o que as atrai profissionalmente e as levariam a cumprir com satisfação determinada tarefa.

Francisco Carlos Higa é sócio-fundador da Turnpo!nt Gestão e Desenvolvimento Organizacional, consultor especialista em gestão e organização, professor universitário, autor de livro. Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie e possui MBA internacional pela USP (Universidade de São Paulo) e OWEN University, nos Estados Unidos. Já trabalhou em várias empresas realizando projetos de reestruturação organizacional. Viaja pelo Brasil e pelo mundo atuando como conferencista em eventos.
Referência:
Créditos: Caroline Veiga

Publicado por: Itambé Empresarial em 25 de abril de 2006

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Gerenciamento e fiscalização de obras

O que compreende a fiscalização e o gerenciamento e como cada um pode beneficiar a execução da obra. As respostas você confere na entrevista realizada com a engenheira civil Andréa Angela Panzeter, uma das coordenadoras do curso de pós-graduação Fiscalização e Controle de Obras de Engenharia da PUC-PR.

Itambé Empresarial – Qual a diferença entre fiscalizar e gerenciar uma obra?

Andréa Panzeter - Fiscalizar tem a ver com executar conforme especificação, projeto, boa técnica, normas e procedimentos. Gerenciar tem a ver com custos e prazos. Gerenciar quer dizer executar de forma mais econômica e que atenda às necessidades de planejamento do cliente.

IE – Qual a importância da fiscalização e o que ela compreende?

Andréa Panzeter - A fiscalização é a garantia da qualidade da execução. Significa que o engenheiro responsável pela fiscalização tem elevado grau de conhecimento técnico, leitura de projeto, interpretação das especificações e conhecimento das normas técnicas e procedimentos de execução recomendados.

IE – Qual a importância do gerenciamento e o que ele compreende?

Andréa Panzeter – O gerenciamento permite uma avaliação correta dos prazos de execução, analisando prazos de entrega, tecnologias e equipamentos empregados, produtividades e, a cada passo, a avaliação do impacto no custo orçado, garantindo que o valor final real esteja abaixo deste.

IE – Quando a empresa deve optar por contratar serviços de fiscalização e quando contratar serviços de gerenciamento?

Andréa Panzeter – Difícil ser determinístico a respeito. Como cada um destes contratos tem a ver com atribuições específicas, o ideal é que ambos estejam presentes. Às vezes, a contratação de um bom engenheiro de obra, que conheça a parte técnica, e preze por ela, e que entenda de controle de custos e planejamento, pode ser suficiente. Mas o que percebemos, é que ainda hoje se vê situações onde um engenheiro é responsável por várias obras, pensando que são pequenas, e estes não podem se dedicar inteiramente a uma só obra. Isto quer dizer que ele tem várias obras a visitar na mesma semana. Às vezes, bem distantes entre si. Este engenheiro passa a ser um mero espectador, correndo atrás de problemas, procurando solvê-los, e não mais um profissional que previne os problemas. E isto também gera custos.

Já em casos de obras grandes, têm-se a consciência de que um engenheiro exclusivo para esta obra é necessário. Mas às vezes seriam necessários mais profissionais, que não são contratados por uma questão de economia. Cabe fazer uma análise de risco. Quanto custa um profissional, e quanto custa um erro, um deslize, um atraso?

IE – Qual a importância de um contrato claro nesses casos?

Andréa Panzeter – Tem de ser específicos. Ou é um, ou é outro, ou, no caso de uma empresa maior, que contenha vários profissionais especializados, podem ser ambos os contratos. Exigem habilidades e conhecimentos distintos. Cabe esclarecer o cliente, que muitas vezes desconhece estes aspectos.

IE – Quando o contrato prevê o gerenciamento, a fiscalização e a administração da obra, o que isso quer dizer? Quais são as responsabilidades do contratado e o que o contratante pode esperar destes serviços?

Andréa Panzeter – Quer dizer que todos estes aspectos deverão ser observados, acompanhados e coordenados. O contratado tem de ter diferentes profissionais à disposição, cada um com habilidades específicas, para cobrir a abrangência dos serviços contratados. Desta forma, o contratado tem de atender às diferentes necessidades estabelecidas nos contratos. Já o contratante, tem de pagar um valor justo por todos estes serviços. Não se pode ter qualidade, se o custo é sacrificado.

IE – Ainda são raras as empresas que contratam todo o pacote gerencial? Por que na maior parte das vezes elas optam por contratar apenas a fiscalização? É pelo fator financeiro?

Andréa Panzeter - Muito poucas empresas optam pelo pacote completo. Da minha experiência, somente obras industriais, de grandes dimensões, com cronogramas apertados, é que se preocupam em ter um contrato amplo e abrangente. Muitas vezes, em obras menores, o cliente acredita que será capaz de gerenciar sozinho uma obra de engenharia. Ele pensa que é só uma questão de custo e/ou cronograma. É um pouco mais complexo que isto. Mesmo este custo, e cronograma, têm aspectos técnicos, que somente um especialista pode decifrar, entender e gerenciar. Já no contrato de fiscalização, o cliente entende que não pode estar lá, presente o tempo todo, para controlar. Então ele procura alguém para ficar “de olho” para ele. Ainda assim, o cliente não busca o melhor profissional. Em geral, ele busca alguém bom, por um custo razoável. Isto é desmotivador para a engenharia e seus profissionais.

Com certeza, a contratação de bons profissionais tem custo. Mas se analisarmos, o prejuízo gerado por não contar com estes profissionais pode ser ainda maior.

IE – Quais os benefícios que um gerenciamento completo oferece?

Andréa Panzeter - Idealmente, uma obra com fluxo contínuo e tranqüilo. Os percalços sempre ocorrerão – chove demais, preços que sobem inesperadamente, greves, falhas de importação, entre outros. Mas um bom gerenciamento tem a habilidade para minimizar seus impactos negativos.

IE – A professora concorda que o gerenciamento é capaz de evitar futuros problemas, quanto a custos e atrasos, o que não ocorre com a fiscalização?

Andréa Panzeter – Esta é a atribuição do gerenciamento. Os envolvidos têm de ter também diplomacia e usar de conhecimentos de psicologia para lidar com o cliente, que pode muitas vezes ser difícil, para que o mesmo se convença de quais os procedimentos corretos a serem adotados. Não adianta “atropelar” a execução, por estar com pressa. Isto pode custar muito. O gerenciador tem de ter a habilidade de mostrar isto ao cliente. E sem criar crises maiores. A fiscalização não tem por atribuição se preocupar com estes aspectos de prazos e custos, e sim com a execução do ponto de vista técnico.

IE – Quais são os principais problemas encontrados pelos responsáveis pela fiscalização?

Andréa Panzeter - São vários, e todos os ângulos. Fornecedores que não observam normas de qualidade; clientes que não se importam com qualidade, e sim com prazo e custo; empreiteiros que não se preocupam em executar corretamente, estando mais focados com a economia e redução de custos; e por fim fiscais que desconhecem suas atribuições, as normas e procedimentos técnicos. Este é o lado ruim. Não quer dizer que seja generalizado. São sim os principais problemas.

IE – E quais os principais problemas encontrados pelos responsáveis pelo gerenciamento?

Andréa Panzeter - Do meu ponto de vista, o cliente. Este está preocupado em concluir logo a obra, não quer estourar o custo, e quer que mesmo o gerenciamento “atropele” o empreiteiro. O cliente, como leigo na parte técnica de engenharia, só está focado em custos e prazos. E tem razão de estar. Mas se o cliente contrata uma empresa para fazer o gerenciamento, tem de confiar, e apoiar. Muitas vezes, o próprio cliente é responsável por alguns atrasos, pois não libera a verba ou não providencia a matéria prima (materiais) em tempo, promovendo o atraso.

Tanto fiscais como gerentes bons, especialistas, com conhecimento técnico amplo, ainda são raros no mercado. Vale investir nesta carreira, buscando aperfeiçoamento técnico e humano. Já há cursos disponíveis. Cabe, no entanto, que o engenheiro busque o conhecimento e não somente um diploma, um título.
Referência:
Créditos: Caroline Veiga

Publicado por: Itambé Empresarial em 13 de fevereiro de 2006

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Qualidade de Vida no trabalho

Conheça o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho

A valorização do capital humano é uma tendência das organizações para torná-las mais competitivas e lucrativas. Por isso, cada vez mais empresas estão buscando ações e estratégias voltadas à qualidade de vida no trabalho. Além do aspecto ético e responsável deste tipo de ação, muitas pesquisas constataram que empregados saudáveis são sinônimos de maior produtividade. Sem contar na economia de gastos com serviços médicos, tendo em vista que um dos focos dos programas de qualidade de vida é a prevenção.

Porém, antes de implantar qualquer programa ou método de gestão, é necessário saber profundamente quais são as características da situação que se pretende atingir, já que o sucesso do modelo de gestão a ser implantado depende do conhecimento da realidade da empresa.

Boa parte das ferramentas da qualidade disponibilizadas nos últimos anos não se constitui propriamente de inovações conceituais, mas sim do aprimoramento e combinação de conceitos já existentes. Como é o caso do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST).

O engenheiro civil, mestre em tecnologia e gestão da produção pela USP e gerente da unidade de Segurança, Meio Ambiente e Responsabilidade Social do CTE – Centro de Tecnologia Empresarial, Anderson Glauco Benite, acaba de publicar o seu primeiro livro: “Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho” (O Nome da Rosa Editora, 112 páginas). De acordo com Anderson, a publicação aborda os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no trabalho de maneira inovadora, não se tratando apenas de uma simples leitura e tradução dos requisitos das normas OHSAS 18001, BS8800 e ILO OSH, mas sim de uma análise aprofundada de diversos conceitos da área de SST que estão implícitos nas normas e que acabam sendo desconsiderados pelas empresas, resultando em sistemas com baixo desempenho.

Para esclarecer um pouco mais os conceitos do SGSST, Anderson Benite respondeu algumas perguntas feitas pelo Itambé Empresarial, abordando a implantação desse sistema em empresas da construção civil.

Itambé Empresarial – Qual(is) é (são) a diferença entre o SGSST para a gestão tradicional de Segurança e Saúde no Trabalho (SST)?

Anderson Benite – Cada pessoa tem um diferente grau de confiança nas outras pessoas, e usa diferentes princípios e valores para o que é certo ou errado. Para minimizar essas diferenças, a sociedade formaliza as normas de conduta entre as pessoas através das leis.

Tradicionalmente a gestão da segurança (SST) tem como foco o atendimento das leis e a eliminação de eventuais multas e problemas com a fiscalização. Em um SGSST o foco dos trabalhos está nas pessoas e nos perigos aos quais elas estão expostas, ou seja, nas fontes causadoras de acidentes – os acidentes não ocorrem pelo descumprimento de leis, mas pela exposição a perigos sem os devidos controles de segurança.

Outra grande diferença é a abrangência da gestão da segurança na empresa, que tradicionalmente está limitada à área de produção (obra), desconsiderando que muitos acidentes têm sua origem em outras áreas, como por exemplo: quando o depto. de suprimentos adquire um cabo de içamento de carga com resistência inadequada ou quando o depto. de planejamento desconsidera o nível de fadiga física e mental dos trabalhadores nas atividades, e quando os projetos são desenvolvidos sem o estudo de sistemas construtivos mais seguros.

IE – Que benefícios, empresa e trabalhadores podem obter com o SGSST?

Anderson Benite – Posso elencar os principais:

- Redução de acidentes e suas conseqüências

- Melhoria das relações com os trabalhadores, sindicatos e fiscalização

- Melhoria da imagem da empresa frente aos clientes e sociedade

- Melhoria da produtividade decorrente de um ambiente de trabalho seguro e com melhores relacionamentos pessoais

- Redução de passivos trabalhistas

- Possibilidade de se reduzir custos de seguros

- Redução ou eliminação de custos relacionados à insalubridade e periculosidade

- Benefícios financeiros junto a clientes que privilegiam empresas com bom desempenho na área, como o que ocorre nas empresas fornecedoras da Petrobrás.

IE – Os treinamentos estão inclusos neste sistema? Qual a importância de conscientizar os trabalhadores?

Anderson Benite – Nenhum acidente, por mais inadequadas que sejam as condições de trabalho, ocorre sem o concurso do comportamento de alguém que, induzido pela maneira como o trabalho é organizado, por problemas de ordem pessoal ou por quaisquer outros motivos, se expõe a algum perigo.

Os acidentes raramente envolvem violações intencionais ou desejos de causar perdas. Eles geralmente advêm de situações em que as capacidades humanas são inadequadas ou superadas pela necessidade de uma resposta adequada e rápida em uma situação adversa.

Considerando-se o erro humano um dos elementos causadores dos acidentes, pode-se afirmar que, para minimizar a probabilidade de sua ocorrência, deve existir uma sistemática para atuar sobre a forma de pensar e agir das pessoas em todos os níveis hierárquicos da organização.

Assim, a implementação de um SGSST passa obrigatoriamente pela a criação de uma sistemática para garantir que as pessoas tenham as competências necessárias e estejam adequadamente conscientizadas para realizar suas atividades de modo que não afetem adversamente a SST. Pode-se imaginar os perigos existentes quando uma grua ou um elevador de obra é operado por um trabalhador que não esteja capacitado para tal atividade.

IE – Qual a tendência dos SGSST no mundo? O Brasil está muito longe do que acontece no em outros países?

Anderson Benite – Acredito que ocorrerá um crescimento de empresas com sistemas de gestão da segurança implementados, visto que os dirigentes das empresas estão percebendo que apenas a lucratividade não garante mais a sustentabilidade dos seus negócios, muitas empresas têm fechado suas portas não pela falta de lucro, mas sim pelo fato de sua imagem ter sido destruída por acidentes, impactos ambientais e pela falta de ética nos negócios.

Nos países do primeiro mundo os SGSST estão mais difundidos, em especial por fatores de incentivo, dos quais destaco:

- redução de custos relativos a seguros de obra para empresas com sistemas de gestão

- exigência de investidores que querem uma maior segurança em seus empreendimentos;

- exigência dos grandes contratantes de obras.

No Brasil, as duas primeiras formas de incentivo estão caminhando lentamente e poderiam ser incentivadas por ações do governo e dos grandes agentes financeiros, enquanto a terceira está crescendo em ritmo acelerado, em razão das ações desenvolvidas pela Petrobrás e alguns outros grandes contratantes.

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Créditos: Caroline Veiga

Publicado por: Itambé Empresarial em 9 de fevereiro de 2006

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Concessão de crédito requer atenção especial


Confira neste artigo um breve relato da importância em administrar o crédito dos clientes e dos fatores que levam à inadimplência, bem como os cuidados que devemos adotar para conceder um crédito.

Ricardo Israel - Gerente Financeiro da Itambé

Ricardo Israel - Gerente Financeiro da Itambé

Já é fato que os processos de decisão têm melhoras consideráveis nas empresas com a profissionalização dos envolvidos, melhores softwares de gestão financeira, novas tecnologias para controle da carteira e crédito, novos serviços ofertados pelo mercado, profissionais mais capacitados e envolvidos. Porém, é essencial o comprometimento entre o Comercial e o Financeiro para que ambos possam trabalhar para inibir a inadimplência.

Atividades visando maior integração e parceria entre os departamentos Comercial e Financeiro estão sendo implementadas em nosso grupo. Uma delas é a participação mais efetiva do Financeiro, mantendo um relacionamento mais estreito com clientes, conhecendo “in-loco” suas atividades e particularidades, assim como suas necessidades e dificuldades.

Enfim, estamos atuando de maneira efetiva e participativa, auxiliando nossos parceiros comerciais a alcançarem seus objetivos empresariais.

Muitas empresas se preocupam exclusivamente com as vendas, esquecendo uma regra básica: uma boa venda inicia-se com a análise de crédito* baseada em métodos científicos e também em métodos subjetivos, com base nos dados que compõem toda a documentação cadastral do cliente e no feeling da área comercial e financeira. Empresas que se utilizam destes procedimentos têm visto seus níveis de inadimplência** cada vez menores.

Segundo indicador do Serasa, houve alta de 7,9% na inadimplência da pessoa jurídica em novembro de 2005, em comparação com outubro do mesmo ano. Nos onze primeiros meses de 2005 houve alta de 14,1% no indicador, quando comparado a mesmo período de 2004.

Então, quanto maior forem as vendas a crédito, maiores serão as possibilidades de aumento de inadimplência.

Para evitar isso, a empresa deve dar especial atenção à análise feita para concessão do crédito, assim como considerar algumas variáveis exógenas aos modelos aplicados na análise. São elas:

- sazonalidade do mercado;

- política econômica adotada pelo Governo Federal;

- períodos típicos de inadimplência nos setores do comércio e de serviços:

· dezembro, quando a empresa despende mais caixa para pagar 13º salário, reajustes, impostos, etc;

· janeiro a março, em decorrência das vendas efetuadas em dezembro, acompanhada ainda de uma retração generalizada na atividade econômica em virtude dos períodos de férias e festas.

O que leva os consumidores/clientes à inadimplência?

Abaixo, alguns dos principais fatores responsáveis pelo aumento da inadimplência:

- Permitir que o cliente continue obtendo créditos ilimitadamente até o ponto em que não há mais retorno, devido à dívida ser expressiva para o cliente saldar dentro de um prazo razoável;

- Venda sem lucratividade;

- Perdas empresariais;

- Declínios em liquidez ou no capital de giro;

- Investimentos sem a devida análise de retorno;

- Endividamento da empresa com bancos;

- Má comercialização (estoques excessivos);

- Não recebimento das vendas a crédito (inadimplência);

- Inexistência de planejamento tributário;

- Falta de plano de sucessão, em virtude de falecimento do sócio-proprietário;

- Erros e omissões que podem incluir fraude, perdas e roubo;

- Administração com má qualificação ou administração familiar com discordâncias;

- Sazonalidade do mercado ou política econômica restritiva (política fiscal ou redução de crédito no mercado);

- Falta de controle nos custos/gastos da empresa. Não utilização de peças contábeis: Balanços, DRE, Fluxo de Caixa, Orçamentos;

- Redução da renda/faturamento;

- Utilização excessiva de Permutas absorvendo o capital de giro da empresa;

- Compras para terceiros;

- Cheques sem fundo;

- Retiradas monetárias do sócio para pagamento de despesa particular, ou seja, confundir pessoa física com a pessoa jurídica;

- Concentração em um único cliente ou dependência exclusiva de órgãos governamentais;

- Financiamento do capital de giro: a empresa paga seus compromissos antes de receber as suas vendas, tendo então que buscar no mercado financeiro recursos para suprir seu caixa.

Cliente inadimplente

Uma vez concedido o crédito e o cliente tornado-se inadimplente, não resta outra alternativa senão buscar meios de negociação que garantam o recebimento no menor prazo possível. Devemos ter como premissas algumas ações para auxiliar na redução do risco de inadimplência e também no recebimento destas pendências:

- Política de crédito e cobrança clara, objetiva e aplicável ao negócio;

- Conceder limite de crédito dentro da capacidade financeira do cliente;

- Receber da área comercial um posicionamento do cliente no mercado, descrevendo a empresa e como esta é vista no setor que atua;

- Solicitar para a empresa a apresentação de documentos pessoais/empresas (RG, CPF, Comprovante de endereço, Contrato Social, Alterações Contratuais, Cartão CNPJ, Comprovante de faturamento, balanço, DRE, cadastro, etc);

- Validar os documentos recebidos: confirmar assinaturas, validade dos documentos, tirar referências bancárias e comerciais, consultar Serasa / SCPC / Equifax ou outro sistema de proteção ao crédito e Sintegra;

- Para clientes antigos, manter o cadastro sempre atualizado;

- Contas bancárias recentes podem nos dizer alto índice de inadimplência;

- Trabalhar com cartões de crédito / débito;

- Depósitos antecipados;

- Cobrança administrativa rápida;

- Acompanhamento da evolução do cliente;

- Terceirizar serviços com empresa de cobrança (escolher com critério a empresa);

- Redução de prazos de pagamento para clientes com histórico de atraso;

- Identificar o grau de comprometimento da renda/faturamento do cliente;

- Financiamentos aos clientes através de financeira, terceirizando assim o risco de inadimplência;

- Estar em contato com o cliente para conhecê-lo;

- Visitar os clientes.

Crédito*

Crédito é um instrumento de política comercial financeira adotada por empresas comerciais ou industriais para a venda de seus produtos com prazo de recebimento, com a expectativa de receber o valor negociado após um prazo pré-determinado e acordado antecipadamente com o cliente.

Portanto, todo o cliente que desejar comprar a prazo deverá solicitar e habilitar seu crédito junto ao fornecedor.

Inadimplência**

Quando concedemos crédito ao cliente e ele não cumpre com o prazo acordado, ou seja, não efetua o pagamento na data prevista, denominamos isso de Inadimplência. Então, definimos Inadimplência como a falta de pagamento pelo acordo/contrato firmado entre as partes, ou mesmo pelo cumprimento parcial do acordado. “O artigo 580 do Código de Processo Civil Brasileiro preceitua sobre o inadimplemento, considerando como inadimplente o devedor que não satisfaz espontaneamente o direito reconhecido pela sentença ou a obrigação que a lei atribuir à eficácia de título executivo”.

>topo
Referência:
Créditos: Ricardo Israel – Gerente Financeiro da Itambé

Publicado por: Itambé Empresarial em 9 de fevereiro de 2006

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Como gerenciar contratos com empreiteiros

Falta de planejamento e formalidade na contratação prejudicam o bom andamento da obra

Um caso corriqueiro, que faz parte do dia-a-dia da maioria das construtoras, pode ter muitos desdobramentos indesejáveis, sobretudo pela falta de planejamento e gerenciamento de contratos. Estamos falando da gestão de empreiteiros, ou melhor, da falta de uma boa gestão. Foi analisando esta realidade do mercado que o casal de engenheiros, André e Adriana Choma, resolveu pesquisar mais sobre o assunto, até tornarem-se especialistas na área. A fim de orientar os profissionais que gerenciam obras quanto aos problemas enfrentados, André e Adriana criaram o livro “Como Gerenciar Contratos com Empreiteiros – Manual de Gestão de Empreiteiros na Construção Civil” e o curso de mesmo nome.

A seguir você confere uma entrevista com os autores, que nos dias 17 e 18 de fevereiro estarão ministrando o curso na sede do Sinduscon-PR, em Curitiba.

Itambé Empresarial – Como vocês identificaram o problema? Foi feita alguma pesquisa?

André: O problema foi identificado a partir da nossa experiência no gerenciamento de obras dos mais diversos tipos. Ficou claro que, independente do porte ou do tipo da obra, os problemas com a mão-de-obra terceirizada eram recorrentes. Pesquisando sobre o tema em livros e revistas, percebemos que não havia nenhuma publicação específica sobre o tema, apesar da importância do assunto. Decidimos então elaborar um treinamento sobre gestão de empreiteiros, utilizando uma metodologia de gerenciamento utilizada amplamente em todo o mundo (Gerenciamento de Projetos), pesquisando algumas poucas matérias sobre o tema em revistas técnicas e entrevistando gestores de obras industriais, residenciais e de infra-estrutura. Após a boa procura pelas primeiras turmas do treinamento em Curitiba-PR, Joinville-SC e Cuiabá-MT, ficou claro que existia a demanda para uma publicação sobre o tema. Procuramos então a Editora PINI, em São Paulo, que se interessou pelo material e publicou o livro.

IE – O que vocês constataram? Quais eram, ou são, as principais dificuldades nessa relação com os empreiteiros?

André: Os problemas são vários, que vão desde um fraco (ou inexistente) planejamento das contratações até a falta de formalização das entregas do trabalho. É raro encontrar empresas empreiteiras com equipes treinadas, equipamentos em ordem, documentação em dia e com atestados de capacidade técnica que certifiquem a experiência no trabalho que será executado. Em nome do menor preço, os construtores preferem contratar empreiteiros com funcionários sem registros, sem os EPI´s adequados e sem exigir a documentação necessária.

Adriana: A maioria das empresas empreiteiras de pequeno porte trabalha na informalidade, poucas possuem os requisitos necessários e que garantem ao contratante a segurança no cumprimento dos contratos. O motivo é conhecido por todos: os altos custos da formalidade em nosso país, tanto para o contratante quanto para o empreiteiro. Essa atitude, em um primeiro momento, pode parecer vantajosa, mas os custos com possíveis acidentes e reclamatórias trabalhistas acabam se tornando muito maiores do que a economia obtida em um primeiro momento.

IE – Quais os principais erros cometidos por quem contratou e por quem foi contratado?

André: Os principais erros de quem contrata: não detalhar o escopo do trabalho, aceitar trabalhadores informais, não verificar o recolhimento dos impostos por parte do empreiteiro, não possuir um planejamento que forneça informações suficientes para verificar se o projeto está ou não dentro do prazo. De quem é contratado: aceitar trabalhar por preços achatados, o que força a informalidade, trabalhar com equipe com baixa qualificação, fechar contratos por preço global sem um escopo claro dos serviços, trabalhar sem a devida orientação nas áreas jurídica e contábil.

Adriana: É sempre um grande erro, cometido tanto pelo contratante como pelo contratado, a falta de fiscalização junto aos funcionários buscando a eliminação de atos inseguros e de condições inseguras no ambiente de trabalho. Na ocorrência de um acidente, as duas partes (contratado e contratante) poderão responder pelo fato.

IE – Ao optar por contratar uma empreiteira, qual é o primeiro passo?

André: Verificar a documentação do empreiteiro, conferir se ele está em dia com as obrigações fiscais, se não existem ações trabalhistas em execução contra o empreiteiro e se existem referências de trabalhos anteriores.

Adriana: Além disso, é necessário garantir que a empreiteira possua profissionais registrados e com exames de saúde ocupacional em dia, que os mesmos sejam orientados aos riscos de saúde e segurança e que a empreiteira forneça os EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual) com certificado de aprovação e apropriados aos riscos que os funcionários estarão expostos.

IE – O que é preciso para formular um contrato adequado?

André: Orientação jurídica especializada. Muitos empresários não acreditam que é necessário investir em um acompanhamento específico na área jurídica para evitar problemas futuros. O contrato deve ser adequado à realidade da construtora, da obra e do serviço.

Adriana: Um bom planejamento da obra auxilia na formulação de um contrato adequado, os diversos projetos, cronogramas e fluxos de trabalho devem ser sempre analisados. O contrato deve conter penalidades por descumprimento dos prazos e pela falta de atendimento às normas de segurança do trabalho.

IE – Qual é a maneira de gestão que vocês sugerem no livro?

André: O empresário deve focar na sua empresa o planejamento e o controle dos empreendimentos, sem deixar de lado as normas de qualidade. Com a crise no mercado, as construtoras reduziram ao máximo a sua estrutura, prejudicando, em alguns casos, o planejamento e o controle das obras. Eu já vi casos onde um mesmo engenheiro era o responsável pela execução de 23 residências! Não há como gerenciar adequadamente desta forma.

IE – Quais são os prejuízos de uma má gestão em contratos com empreiteiros?

André: Atrasos nas obras, má qualidade na execução dos serviços, autuações por problemas fiscais dos empreiteiros e ações trabalhistas de ex-funcionários dos empreiteiros contra a construtora.

Adriana: A má gestão em contratos leva ao prejuízo financeiro e pode abalar a imagem da empresa perante o mercado.

IE – Como colocar o contrato em prática?

André: O primeiro passo é formalizar um contrato que possa ser seguido na prática; o segundo é tirar o contrato do fundo da gaveta e torná-lo um instrumento de comunicação e cobrança entre as partes. Um contrato que não é respeitado na prática é muito mais perigoso para a construtora que para o empreiteiro.

IE – Como medir os serviços prestados e verificar o desempenho do empreiteiro?

André: A medição por trabalhos executados (preços unitários) é sempre motivo de discussão e de perda de tempo. Se os projetos já prevêem as quantidades de serviço que serão executadas, por quê contratar por preços unitários, sendo obrigado a realizar uma medição completa (e demorada) a cada mês ou quinzena? Isso tudo acaba em cobranças de serviços adicionais e não estimula o cumprimento dos marcos contratuais planejados. O desempenho do empreiteiro deve ser sempre medido comparando-se o executado ao planejamento. Sem um cronograma detalhado não há como medir o desempenho.

IE – No livro vocês dão vários exemplos de formulários, relatórios, check list, modelo de contrato, etc. Eles são aplicáveis na maioria dos casos?

André: Sim, a montagem desses formulários foi feita pensando na aplicação prática, sendo que muitos já eram utilizados pelos próprios autores antes da criação do curso.

Adriana: Inclusive já recebemos e-mails de leitores comentando sobre a utilização dos formulários do livro no dia-a-dia.

IE – O que é apresentado no curso?

André: O curso apresenta conceitos de planejamento e de gestão de empreendimentos, aborda aspectos como qualidade, documentação, segurança do trabalho e desperdício de materiais. O enfoque é muito prático, para que o aluno possa aplicar os conceitos apresentados no dia seguinte nas suas obras.

Adriana: O curso busca apresentar normas e conceitos aplicados na prática bem como a apresentação de casos reais que levam a uma maior reflexão por parte dos participantes na adoção dos conceitos apresentados.

IE – Quais os resultados que podem ser obtidos utilizando o método de gerenciamento apontado por vocês?

Adriana: A garantia de entrega da obra nos prazos estipulados, com menor desperdício, com profissionais mais satisfeitos, com redução de acidentes de trabalho e de problemas futuros como reclamatórias trabalhistas.

IE – Falar um pouco sobre o sucesso do livro e do curso…

André: O livro e o curso foram elaborados dentro de um conceito bastante prático, com o objetivo de despertar a discussão sobre os problemas enfrentados pelas construtoras e estimular os gestores a agir preventivamente, evitando que os problemas aconteçam. A construção civil ainda está se modernizando a passos lentos e, apesar dos altos valores gastos nas obras, raramente existe um bom planejamento, e o controle, muitas vezes, é insuficiente. O sucesso do curso se deve ao fato de estimular o debate sobre o tema, uma vez que é impossível esgotar o assunto em um encontro de oito horas. E o livro proporciona uma fonte de consulta aos profissionais que lidam com os problemas listados nesta entrevista quase que diariamente. Para difundir os conceitos abordados no livro, estamos procurando parceiros para promover o curso em outros estados do Brasil.

Serviço

Próximo curso agendado: dias 17 e 18 de fevereiro no Sinduscon em Curitiba-PR. Maiores informações pelo site: www.spazioidea.com.br

E-mail de contato dos autores:

andre@gestaodeempreiteiros.com.br

adriana@gestaodeempreiteiros.com.br

Referência: Clique aqui para ter mais informações
Créditos: Caroline Veiga

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