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Publicado por: Cimento Itambé em 17 de fevereiro de 2010

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Jogos corporativos: como, quando e onde aplicar?

Estimular o trabalho em equipe, a estratégia e a agilidade nas decisões são alguns objetivos deste tipo de treinamento

Desde 2004, empresas brasileiras recorrem aos jogos corporativos para corrigir falhas de execução, ajustar departamentos ou, simplesmente, treinar os colaboradores para a implantação de novos sistemas. A meta é difundir, de forma lúdica, conceitos como trabalho em equipe, estratégia e agilidade nas decisões.

Normalmente customizados, os jogos corporativos são adaptados à cara de cada cliente por empresas especializadas. Os maiores clientes são indústrias, serviços e bancos. Na indústria, normalmente os jogos envolvem a compreensão da cadeia de suprimentos e dos balanços. Nos serviços, incluem noções sobre gestão de materiais e capacitação das equipes. Já os bancos usam para simular a interação entre a instituição, os clientes e o mercado financeiro.

Hilário Trigo

Ainda abrangendo uma parte pequena da cadeia produtiva do país – cerca de 8% -, os jogos corporativos têm a expectativa de decolar neste ano. Na opinião do especialista em Coaching & Desenvolvimento Organizacional, Hilário Trigo, a busca por competitividade das empresas, para concorrer no mercado externo, tende a valorizar esse tipo de treinamento. Confira a entrevista:

Como surgiram os jogos corporativos e com qual finalidade?
Os jogos corporativos surgiram basicamente com o intuito de criar simulações de cenários para testar pessoas em situações, mostrar suas atitudes em interações, pressão, conflitos e demais desafios do dia a dia. Têm como finalidade criar um ambiente seguro e simulado, onde experiências possam ser analisadas e então decisões possam ser tomadas, implementadas e testadas sobre tal cenário. Os jogos possuem uma analogia com o ambiente de trabalho real, geralmente são específicos e customizados para a organização.

Os jogos corporativos podem ser feitos no ambiente de trabalho ou eles funcionam melhor se houver deslocamento dos funcionários para hotéis e spas?
Quando os jogos trabalham questões técnicas, existe uma tendência de se fazer dentro da empresa, pois muitas vezes variáveis do trabalho real são utilizadas como referência. Ao contratar jogos para o desenvolvimento de pessoas e questões comportamentais, geralmente, os mesmos são realizados fora do ambiente, em hotéis e demais espaços preparados para as dinâmicas desenvolvidas. Particularmente, sou a favor de sempre realizar os processos de desenvolvimento fora da organização, levando o colaborador a um novo contexto, a um novo ambiente, propício para que o mesmo olhe para si e busque as respostas necessárias para seu autoconhecimento e transformação.

Quem aplica os jogos corporativos deve ter que tipo de treinamento?
Nos jogos apresentam-se questões comportamentais. Levamos o colaborador a olhar para experiências pessoais, as quais sempre possuem raízes psicológicas. Quando falamos em comportamentos, é importante entender que por trás de um comportamento existem emoções e, por trás de emoções, existem crenças. Essa é uma estrutura mental, e um psicólogo e um coach, e os demais profissionais que atuam com dinâmicas de grupo, devem estar preparados e habilitados para conduzi-las, sabendo o que fazer quando uma dificuldade se apresenta.

Quais tipos de jogos corporativos existem e, complementando, há algum que tenha se tornado ícone entre as empresas?
Existem vários jogos, específicos e segmentados por verticais de mercado. Há, por exemplo, o Software Tangram, o qual é amplamente utilizado nos cursos de Administração de Empresas. Dá para considerar também o Desafio SEBRAE como um dos mais importantes jogos corporativos em desenvolvimento no Brasil. O jogo é voltado para estudantes que estejam cursando o ensino superior e oferece uma oportunidade para que jovens, independentemente do curso de graduação que estejam fazendo, tenham contato com o ambiente e a dinâmica empreendedora através de um software exclusivo.
Saiba mais acessando: http://www.desafio.sebrae.com.br

Qual a diferença entre jogos corporativos e jogos cooperativos?
Nos jogos corporativos temos vencedores. Nos jogos cooperativos temos colaboradores. Quando o objetivo for desenvolver a cooperação, trabalhar coletivamente, fundamentar valores tais como responsabilidade, confiança, humildade, diálogo e ética, utiliza-se os jogos cooperativos. O propósito maior é o grupo ganhar.

Jogos corporativos podem ser feito via computador ou o ideal é que ele promova uma interação mais real entre os participantes?
São feitos das duas formas, dependendo sempre das necessidades da organização. Como exemplo, na Harvard Businnes Review de 05/2008, foi publicado um artigo sobre os laboratórios virtuais de liderança, onde empresas, como a IBM, estavam à frente do projeto. Nesses laboratórios, líderes buscavam se desenvolver através de jogos de computador, World of Warcraft, Eve Online, EverQuest, Lineage, Star Wars Galaxies e outros. Em depoimento, a IBM disse: Quase metade dos gerentes da IBM com experiência em jogos online para vários participantes disse que atuar como líder no jogo havia melhorado seu poder de liderar na vida real. Os jogos citados nesse artigo não são especificamente utilizados como jogos corporativos, no entanto, servem para ilustrar a capacidade de criatividade, inovação e flexibilidade do pessoal de recursos humanos da IBM.
Leia mais em: http://www.revistaharvard.com.br//index.php?option=com_content&task=view&id=247

Os jogos corporativos funcionam para qualquer tipo de empresas ou ele traz mais resultados apenas para as corporações com uma filosofia de RH bem consolidada?
Uma filosofia de RH não precisa estar consolidada para que a empresa se desenvolva com o uso de jogos corporativos. Perceba que o objetivo é a capacitação, seleção, treinamento. Vejo os jogos mais com uma ferramenta adicional para todo o processo, o que sim, pode vir a somar na consolidação de uma filosofia. Quanto melhor for a estrutura de RH de uma empresa, melhores serão suas pessoas e, consequentemente, melhores serão os resultados do negócio.

Os jogos corporativos não podem causar um efeito inverso, ou seja, despertar nos colaboradores um sentimento de competição acirrada dentro da corporação?
Com certeza, se forem conduzidos de forma errada. Sempre o propósito maior deve ser apresentado aos colaboradores, de forma que os mesmos sintam-se seguros e engajados em participar. Um alinhamento organizacional é necessário, enfatizando visão, missão e valores. Quando isso ocorre, a base é forte e dificilmente efeitos inversos acontecerão. Ao término de todo processo, um fechamento com aprendizados e insights é fundamental para a real absorção e consolidação dos aprendizados, de forma que o colaborador possa seguir adiante, em seu processo de evolução, com autonomia.
 
Entrevistado:
Hilário Trigo, especialista em Coaching & Desenvolvimento Organizacional:
htrigo@hilariotrigo.com.br
Site: www.hilariotrigo.com.br

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Publicado por: Cimento Itambé em 17 de fevereiro de 2010

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Brasil mede o grau de inovação de sua indústria

Com incentivo governamental, construção civil se mobiliza para atingir o nível dos principais setores inovadores do país

Sete em cada dez reais investidos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil vêm do caixa das empresas privadas. No entanto, ainda se investe pouco em inovação no País. Os recursos equivalem a 1% do Produto Nacional Bruto (PNB), ante 3,17% no Japão e 2,61% nos Estados Unidos. Para aumentar esses investimentos e possibilitar maior competitividade internacional ao produto brasileiro é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como o com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), retomou a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec).

Fernanda Vilhena, coordenadora da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec)

O levantamento engloba as empresas brasileiras com mais de 500 empregados. O resultado será divulgado em julho de 2010. A economista Fernanda Vilhena, responsável pela Pintec, destaca a importância da pesquisa no auxílio da elaboração de políticas públicas para o setor da inovação. “O governo utiliza a Pintec como uma referência para os indicadores de inovação e de P&D para elaborar políticas específicas”, disse. Ela lembrou, também, que a Pintec é fonte de vários trabalhos acadêmicos que pesquisam o fenômeno da inovação.

Estão sendo entrevistadas 16,3 mil empresas em todo o país, dos setores industrial, de telecomunicações, de informática e de P&D.  Foram selecionadas aquelas que participam com mais de 1% do Valor da Transformação Industrial (VTI). Como a primeira pesquisa foi realizada em 2000, seguida de outras duas em 2003 e 2005, o levantamento atual pegará dados de 2006, 2007 e 2008.  Na Pintec 2005, o Paraná possuía 10,4% das empresas industriais inovadoras do Brasil, com a segunda maior taxa de inovação (40,5) e representando 4,5% do total de gastos em P&D no país.

Ainda de acordo com a última Pintec, a taxa de inovação nas indústrias brasileiras se mantém estável em torno de 33,4%. A pesquisa investiga se as empresas lançaram produtos novos no mercado (com uma tecnologia inovadora) ou se utilizaram processos novos na produção. As questões incluem também os gastos efetuados no esforço inovador, pessoal ocupado em P&D, impactos da inovação, além de fontes de financiamento público ou privado; formas de proteção, como registro de patentes; cooperação e parceria; e obstáculos enfrentados no processo inovador.

Um panorama da inovação na construção civil

Segundo a Pintec 2005, os setores brasileiros com as maiores taxas de inovação no período foram o automobilístico, o de equipamentos de informática, o de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos e o de equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios.

A construção civil aparece discretamente no levantamento. Há um consenso de que, até então, a inovação não era uma prática comum na construção civil brasileira. Especialistas são categóricos ao afirmar que, apesar de responder por uma fatia significativa do Produto Interno Brasileiro (PIB), cerca de 16%, o setor ainda não se industrializou por completo, não deu um salto tecnológico significativo. “A inovação na construção civil começou a ser significativa a partir do final dos anos 1990, mas ainda está aquém do que de fato precisaria ser para melhorar os patamares de produtividade, reduzir custos, avançar na qualidade, segurança e impacto ambiental”, explica a engenheira civil, mestre e doutora em engenharia, Maria Angélica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria e Desenvolvimento.

Construção Civil: setor corre atrás de outros segmentos da indústria para se equipar em processos inovadores

Mas o setor começa a mudar esse perfil, sobretudo por causa do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-Habitat), que envolve toda a cadeia produtiva da construção civil e conta com o apoio do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CTECH).  Criado formalmente em 1998, o PBQP-H investe em ações para qualificação de construtoras e de projetistas, melhoria da qualidade de materiais, formação e requalificação de mão de obra, normalização técnica, capacitação de laboratórios, aprovação técnica de tecnologias inovadoras, comunicação e troca de informações. A meta é o aumento da competitividade no setor, a melhoria da qualidade de produtos e serviços, a redução de custos e a otimização do uso dos recursos públicos.

A inovação tecnológica na construção civil também começa a ganhar incentivo do governo federal. Além de estimular a participação das empresas do setor no PBQP-H, o Ministério das Cidades criou, em 2007, o Sistema Nacional de Avaliação Técnica (Sinat), que nasceu para avaliar as novas tecnologias a serem utilizadas no processo de construção. Com o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, também foi instituído o Sistema de Qualificação de Materiais Componentes e Sistemas Construtivos (SiMaC), no âmbito do PBQP-H.  A função do SiMaC é avaliar e monitorar a fabricação de materiais e componentes para a construção civil, para elevar a qualidade, atendendo às políticas do Sistema Nacional de Metrologia (Sinmetro), em harmonia com o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC). De acordo com a coordenadora geral do PBQP-H, Maria Salette de Carvalho Weber, o SiMaC permitirá que o BNDES e a Caixa Econômica Federal tenham mais eficácia em cadastros para linhas de financiamento.

Mas no entender do Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa (UNIEMP), o governo poderia criar um organismo similar à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para a construção civil. “Em trinta anos de funcionamento, e atuando em várias frentes, a Embrapa foi responsável pela criação de novas tecnologias que proporcionaram um aumento expressivo da produtividade agrícola no Brasil. Se tivesse sido criada uma Embrapa da construção civil, certamente este setor também teria gerado e agregado progressos tecnológicos expressivos”, avalia o conselheiro do UNIEMP, Walter Cirillo. Para ele, a alternativa salutar, além das medidas já tomadas, seria a reunião de diferentes competências – empresas, universidades, institutos de pesquisa e entidades do setor -, visando à promoção de ações inovadoras na construção civil brasileira.

Entrevistados:
Fernanda Vilhena, coordenadora da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec): paulo.encarnacao@ibge.gov.br (Assessor de imprensa Paulo Encarnação, da Coordenação de Comunicação Social – IBGE)

Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa (UNIEMP):  info@uniemp.org.br

Maria Salette de Carvalho Weber, coordenadora geral do PBQP-H: snh@cidades.gov.br

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Publicado por: Cimento Itambé em 19 de janeiro de 2010

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Minha Casa, Minha Vida, da teoria à prática

Especialistas tiram dúvidas sobre contratos para aquisição da casa própria, dentro do novo programa habitacional do governo

O programa Minha Casa, Minha Vida encerrou 2009 com 247.950 mil contratos fechados. A expectativa era que pelo menos 400 mil fossem contratados, de um total de um milhão de moradias previstas pelo programa. Um dos motivos da demanda ter ficado abaixo da expectativa é que, da teoria à prática, o programa ainda gera muitas dúvidas, sobretudo nos seguintes quesitos: formas de financiamento, desoneração de tributos e despesas cartoriais e bancárias.

Para ajudar a esclarecer alguns pontos polêmicos, e que suscitaram vários emails ao Itambé Empresarial, foram entrevistados dois especialistas. Um deles é Mário Pazutti Mezzari, uma das maiores autoridades do país em direito registral imobiliário. O outro é Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo). As perguntas foram baseadas nas dúvidas dos internautas. Confira:

O governo federal, ao anunciar o programa Minha Casa, Minha Vida, disse que haveria desoneração na compra de imóveis, principalmente de taxas cartoriais, como registro e escrituração. Na prática, isso já acontece?

Mario Pazutti Mezzari

Mario Pazutti Mezzari

Mário Pazutti Mezzari - Os únicos parceiros do programa Minha Casa, Minha Vida que estão dando contribuição gratuita são os cartórios de registro de imóveis. Dentro do programa, a compra e o registro da garantia relativa ao financiamento concedido para a primeira aquisição de imóvel residencial é totalmente gratuita para as pessoas com renda familiar até três salários mínimos. Para as demais faixas de renda familiar, existem descontos que vão de 75% até 90%. Os cartórios estão cumprindo com a lei, apesar do absurdo de serem os únicos penalizados com a gratuidade ou com enormes reduções nos emolumentos.

Flávio Prando – Essa desoneração está prevista no programa, mas só será percebida no momento de entrega das unidades. Deve-se lembrar que o produto imobiliário é de longa maturação, ou seja, entre a aprovação do projeto até a entrega das chaves são necessários, no mínimo, dois anos.

E impostos como ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) e laudêmio (imposto cobrado de obras construídas em áreas litorâneas pertencentes à Marinha) sofreram redução?

Mário Pazutti Mezzari – A Caixa (Econômica Federal), como agente coordenador do programa, tem conseguido em diversas prefeituras a liberação do imposto de transmissão. No entanto, liberar ou não é ato de vontade do poder público municipal, e não depende apenas do prefeito. É necessário que seja editada lei municipal. Então, reduções ou gratuidades no ITBI dependem de iniciativa da Caixa de negociar com cada município. Quanto ao laudêmio, trata-se da mesma situação quando ele é devido ao poder público e depende também de negociação.

Flavio Prando

Flávio Prando

Flávio Prando – O ITBI é um imposto municipal, calculado de forma diferente de cidade para cidade e sobre o qual o programa Minha Casa, Minha Vida não alterou nada. Quanto ao laudêmio, as cidades litorâneas são as mais atingidas por esse imposto e o programa também não o afetou. 
 
Em qual tipo de compra mais incidem tributos: na de um imóvel novo ou na de um imóvel usado?

Mário Pazutti Mezzari – Há dois tipos de tributos na transmissão de imóveis por compra e venda: o ITBI (imposto de transmissão devido ao município) e o laudêmio (devido ao senhorio direto). A tributação é igual, tanto para imóveis novos quanto para imóveis já usados. No entanto, há que considerar que o Minha Casa, Minha Vida só financia o que ele denomina de imóveis novos. Entenda-se por novos os imóveis que nunca foram habitados, e cujas construções ocorreram após março de 2009.

Flávio Prando – Praticamente as despesas do comprador, tanto de imóveis novos quanto de imóveis usados, são iguais. São as taxas da prefeitura e as custas cartoriais.

A adaptação à legislação do Minha Casa, Minha Vida varia de município para município e de estado para estado. Como o governo federal vai regular isso?

Mário Pazutti Mezzari - O governo federal não pode modificar legislação municipal ou estadual. O princípio federativo desautoriza tal intromissão. A competência para legislar está estabelecida na Constituição Federal e nenhum dos entes da administração direta – União, Estados, Municípios e Distrito Federal – podem adentrar na esfera de competência do outro.

Flávio Prando – Quanto às regras do programa, não há distinção legal por município, pois o programa segue as normas da Caixa. Assim, o que as empresas têm de cumprir são regras de aprovação impostas pelo agente financeiro. As diferenças consistem na disponibilidade de terrenos dos municípios para a construção de empreendimentos voltados para famílias com renda de até três salários mínimos. Aí sim devem ser seguidas as normas das prefeituras.

Se na compra de um imóvel dentro do programa Minha Casa, Minha Vida o consumidor não obtiver os descontos prometidos, para quem ele deve recorrer?

Mário Pazutti Mezzari – A Caixa é gestor do programa e, portanto, é quem melhor pode orientar o consumidor.

Flávio Prando – Não existe essa possibilidade, porque  todo o financiamento e concessão de subsídio se darão por intermédio da Caixa Econômica Federal. O programa é muito sério.

Para quem tem um terreno, e decide construir um imóvel dentro da faixa do Minha Casa, Minha Vida (até R$ 130 mil), ele também tem direito a reivindicar descontos?

Mário Pazutti Mezzari – O Programa Minha Casa Minha Vida compreende o financiamento para a construção de imóvel residencial (para quem já tem terreno) ou para financiar a compra do imóvel. Porém, somente os contratos celebrados via Caixa é que estão enquadrados no programa e gozam dos descontos ou gratuidades da Lei nº 11.977, de 2009.

Flávio Prando – Não. Os benefícios do programa são exclusivos para os compradores de imóveis novos, produzidos formalmente por empresários da construção civil e do setor imobiliário.

Para quem compra imóveis na planta, as chances de obter os descontos prometidos pelo programa são maiores?

Mário Pazutti Mezzari – Como já foi dito acima,  não é questão de chance, mas de o negócio ser realizado via Caixa, com recursos do Minha Casa, Minha Vida. A compra de imóveis na planta pode ocorrer em várias modalidades, mas somente quando esta compra for financiada pelo programa é que ela gozará de gratuidade ou descontos.

Flávio Prando – O Minha Casa, Minha Vida é voltado para a compra de imóveis novos e na planta. Se o contrato de construção do imóvel estiver atrelado ao programa os descontos serão concedidos. Caso contrário, não existe a possibilidade de usufruir dos benefícios.

Se um comprador obtém um financiamento através do programa Minha Casa, Minha Vida, mas depois percebe que não tem dinheiro para pagar os tributos, ele fica sujeito a multas ou simplesmente pode desistir do negócio?

Mário Pazutti Mezzari – Para quem tem renda de até três salários mínimos a incidência de emolumentos é tão ínfima que dificilmente servirá de pretexto para desistir do negócio. Agora, se depois de registrado o contrato o comprador se vir impedido de continuar pagando as prestações, poderá procurar a Caixa e entregar o imóvel (no que se chama de dação em pagamento), liberando-se da dívida.

Flávio Prando – A intenção do governo com esse programa é sanar o déficit habitacional do país. O Minha Casa, Minha Vida consiste no primeiro passo para isso, pois prevê a construção de um milhão de moradias e o déficit habitacional do Brasil é superior a oito milhões de unidades. O programa foi desenhado de maneira a dar condições amplas de aquisição de imóveis para famílias com renda de até 10 salários mínimos, portanto, não há a intenção de dificultar a obtenção do imóvel, muito pelo contrário. Há a concessão de subsídios para as famílias, isenção de custas cartoriais para famílias com renda de até três salários mínimos, com redução dos valores para as demais faixas de renda. Foi criado o Fundo Garantidor prevendo possível inadimplência e também auxiliar as famílias em apuros, ou seja, aquelas que possam sofrer com o desemprego no decorrer do caminho. Para essas famílias existe a possibilidade de deixarem de pagar seis parcelas, até que se restabeleçam. Enfim, as condições de financiamento são bastante favoráveis de maneira a evitar a desistência e a cobrança de multa.

A nova lei do inquilinato pode ter algum tipo de influência no Minha Casa, Minha Vida, no sentido de que a tendência é que cresça a oferta de imóveis para locação?

Mário Pazutti Mezzari – Não gostaria de fazer projeções de mercado.

Flávio Prando – Não há correlação entre a legislação do inquilinato e o programa Minha Casa, Minha Vida. É bom esclarecer que os adquirentes de imóveis pelo programa não podem utilizar de má fé, ao adquirirem um imóvel em condições altamente favoráveis, e depois oferecê-lo para locação. Deve-se lembrar, sempre, que o objetivo do programa é combater e solucionar o déficit habitacional do país.

Com relação ao construtor, o Minha Casa, Minha Vida também previa desconto, como redução da alíquota do RET (Regime Especial de Tributação da Construção Civil). Na prática isso já ocorre?

Mário Pazutti Mezzari – Neste caso, o construtor deve procurar a Receita Federal e fazer o devido enquadramento para ter direito aos descontos ou tributação unificada.

Flávio Prando – Sim, para as empresas que tiveram projetos aprovados pela Caixa Econômica Federal. Algumas prefeituras, inclusive, estão criando benefícios especiais para as empresas que produzirem dentro do  Minha Casa, Minha Vida, em especial na faixa até três salários mínimos, quais sejam: redução ou isenção do ISS durante a obra; isenção ou redução do IPTU do terreno durante a obra; remissão de IPTU de terrenos/imóveis com dívidas anteriores; flexibilização de coeficientes urbanísticos potencializando a ocupação do terreno e análise agilizada dos respectivos projetos. Entretanto, ainda permanece, em especial nas maiores cidades, lentidão nas aprovações e nos cartórios, especialmente quando envolve organismos ambientais e de trânsito.

  
Entrevistados:
Mário Pazutti Mezzari, especialista em direito registral imobiliário: maramezzari@gmail.com
Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Secovi-SP: Assessoria de imprensa: shirley@secovi.com.br

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Publicado por: Cimento Itambé em 19 de janeiro de 2010

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FNE estimula jovens a aderir à engenharia

Federação Nacional dos Engenheiros lança campanha nas escolas de ensino médio e chama a atenção para déficit profissional no Brasil

A fim de atrair estudantes do ensino médio para a carreira de Engenharia, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) enviará para escolas públicas e privadas de todo o país um vídeo de 18 minutos a respeito das vantagens da profissão. A distribuição será feita a partir do início do ano letivo, em fevereiro. A ideia é estimular os estudantes a optarem pelo curso, que tem grande variedade de opções e especializações.

Segundo Murilo Pinheiro, presidente da FNE, é preciso fazer com que os jovens enxerguem a engenharia como a profissão do momento e do futuro. “O desenvolvimento contínuo do País tem de servir de estímulo para o ingresso na carreira”, afirma.

Segundo números da FNE, que constam do estudo “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, apenas para dar conta do setor petrolífero serão necessários cerca de 170 mil profissionais nos próximos anos. Os 2.032 cursos oferecidos no País formam cerca de 40 mil profissionais por ano, número que precisaria ser dobrado para 80 mil em um prazo de seis a dez anos, nas contas de Pinheiro.

O maior problema, diz ele, é que a taxa de abandono dos cursos de engenharia é altíssima. Apenas 30% dos 140 mil estudantes que ingressam nas faculdades se formam. A desistência se concentra nos dois primeiros anos. Ele atribui o alto índice de abandono a vários fatores, como a incapacidade de as faculdades reterem os alunos. “A forte carga teórica inicial assusta os alunos, que muitas vezes entram despreparados na faculdade”, diz.

O salário é outra questão. O piso nacional da carreira é de nove salários mínimos (R$ 4.590), mas na prática o valor é bem menor, apesar da demanda crescente por esse tipo de profissional.

Fonte: FNE

Publicado por: Cimento Itambé em 19 de janeiro de 2010

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Como lidar com objeções

Saiba como encarar as objeções e sair vitorioso em uma negociação

Silvia Campos

Silvia Campos

Objeções são contestações ou retrucações feitas a partir de uma afirmação. Quando a circunstância envolve a comercialização de um bem ou serviço, aí a objeção torna-se praticamente um sinônimo de negociação.

Para a especialista em negociação, Silvia Campos, diretora-executiva e sócia da Editora Quantum, as objeções representam sempre uma oportunidade. “A pessoa, ao fazer uma objeção, está deixando claro que está em dúvida”.  O pior cenário, segundo ela, é quando o cliente não se manifesta. Neste caso, o vendedor fica sem ter como reagir e argumentar.

Silvia não recomenda esquivar-se de objeções. Ela garante que é fundamental compreender os desejos e dúvidas do cliente. “O vendedor deve sempre querer saber o porquê da contestação. Se a dúvida é em relação ao preço, à forma de pagamento, ao produto, ao serviço, à entrega”. A partir destas indagações, o profissional deve direcionar os argumentos para que a objeção do cliente torne-se uma oportunidade de venda.
  
Entre as objeções mais comuns, as que se referem ao preço ganham em disparada. Para a especialista em negociação, esse tipo de contestação é absolutamente normal. “Por isso, inclusive, os vendedores costumam ter sempre uma carta na manga”. Ela alerta, porém, que não é válido entregar tudo no primeiro “choro” do cliente. “Vá cedendo aos poucos”, sugere.

Como objeções fazem parte de toda e qualquer negociação, é preciso estar preparado e com o argumento na ponta da língua. Para isso, Silvia indica estudar as objeções mais frequentes e a maneira de lidar com cada uma delas. Quando a objeção é inesperada, o vendedor deve ser ágil para localizar a informação que irá sanar a dúvida do cliente. Por exemplo, se uma pessoa está realizando uma compra em São Paulo e questiona sobre a possível incidência de um imposto para transportar o produto para outro local, o vendedor dificilmente terá essa informação. Porém, dependendo do caso, uma breve ligação pode resolver o problema e dar a segurança que o cliente necessita para fechar a compra.

De acordo com Silvia, nem sempre é possível dar exatamente o que o cliente quer. Mas, na maior parte dos casos, é viável oferecer outro benefício que seja vantajoso a ele.
Dicas para enfrentar as objeções:

· Nunca discuta, nem leve uma objeção para o lado pessoal.

· Escute, preste atenção. Questione. Saiba do quê o cliente está falando.

· Não perca a paciência. Explique com calma quantas vezes forem necessárias.

· Não perca a compostura, mesmo se o cliente perder a dele.

· Diferencie as objeções reais, que merecem uma atenção especial, daquelas que não passam de um simples desabafo do cliente, pois no fundo ele já está convencido da compra.

· Evite fazer perguntas abertas, como “Qual seria a melhor forma de pagamento para você?”. O ideal neste caso é apresentar de forma clara as opções reais de formas de pagamento.

· Quando o vendedor torna-se muito inflexível, pode parecer que está com má vontade ou que não tem interesse em realizar a venda. Conheça as flexibilidades de negociação disponíveis e não deixe de apresentá-las ao cliente.

· Esteja disposto a mudar, sempre. Não se acomode se as vendas vão bem e não terceirize a culpa se as vendas vão mal. Busque sempre o melhor para você, para a empresa e para o cliente. 

· Seja confiante, porém tome cuidado para não ser arrogante.

· Mesmo com a recusa após uma longa negociação, seja paciente. Reveja todas as argumentações com o cliente e se mostre disponível para futuros negócios. Não feche portas.

· O cliente muitas vezes blefa. Ele pode dar uma informação fictícia para tentar influenciar a negociação a seu favor. Se o vendedor não estiver bem preparado, pode perder uma grande oportunidade de venda.

· Fale a verdade e apenas o que está ao seu alcance. Não faça promessas que não poderá cumprir.

· Lembre-se que a sua postura e a sua maneira de falar serão decisivas. Muitas vezes, mais importante do que o que está sendo dito, é a forma como está sendo dito.

· As objeções ajudam o profissional a crescer, aprender e adquirir experiência. Elas também são bem-vindas para o negócio, que pode evoluir através de melhorias nos seus produtos, processos e serviços.

 

Entrevistada
Silvia Campos é pós-graduada pela FGV – MBA em gestão empresarial, professora de negociação no Centro Europeu e autora do kit de negociação VendaMais. Foi, durante dez anos, diretora-financeira e se tornou uma especialista e estudiosa na área de negociação. É diretora-executiva e sócia da Editora Quantum.

E-mail
Contato: silvia@vendamais.com.br

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Publicado por: Cimento Itambé em 21 de dezembro de 2009

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Planejar é fazer a escolha correta

Entrevista com a presidente da ABRH-PR traz roteiro para quem quer ganhar um novo impulso profissional em 2010

Sônia Gurgel, presidente da ABRH-PR

Sônia Gurgel, presidente da ABRH-PR

O futuro de uma pessoa pode ser determinado pelas escolhas que ela faz, tanto na vida pessoal quanto na profissional. No âmbito corporativo, isso tem sido comprovado no dia-a-dia, pois se tornou comum os colaboradores direcionarem determinadas ações e investimentos para mostrarem-se competitivos e garantir a empregabilidade.

Diante deste novo cenário, a melhor ferramenta é o planejamento de carreira. É o que explica a consultora Sônia Gurgel, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Paraná (ABRH-PR). Confira a entrevista:

Qual deve ser o objetivo estratégico de um planejamento de carreira?
A vida é um planejamento. Planeja-se se é melhor casar ou ficar solteiro, se vale a pena fazer este ou aquele curso na faculdade. Enfim, planejar é da vida. Mas o que faz a diferença são as escolhas corretas. Isso engloba a carreira profissional. E aí, a pergunta que prevalece é: o que é que vai me fazer feliz? Então, o objetivo estratégico é planejar a felicidade, seja ela pessoal ou profissional. Não adianta planejar que eu quero ser o mentor de uma empresa se eu não gosto de trabalhar com gestão de pessoas, por exemplo. Se for por aí, é preciso mudar o meu planejamento.

Como desenvolver a carreira profissional e ganhar visibilidade?
É preciso se manter dentro do objetivo. Vamos supor que um profissional tem a meta de ser um técnico reconhecido em sua área, seja ela qual for. Ele terá de começar a frequentar os eventos onde apareçam discussões sobre a sua especialidade, terá de desenvolver seu network, preparar-se para participar de grupos de estudos da sua empresa e fora dela, para ganhar visibilidade no mercado. Quanto ele começar a ser convidado para palestras é porque alguém já reconheceu o valor do seu conhecimento e aí ele pode considerar que chegou ao estágio de conquistar visibilidade. A partir daí, o que esse profissional vai precisar é qualificar seu network.

Quais são os requisitos necessários para cumprir um plano de carreira?
Primeiro, ter muito claro o objetivo. Segundo, ter uma boa capacidade de avaliação para saber se o que foi planejado foi alcançado. Aquilo que você se propôs, você realizou? Sim? Não? Por que não? Caso não, procurar se planejar novamente e estar sempre realimentando as metas. É preciso ter em mente que as circunstâncias mudam, as pessoas mudam, as demandas mudam. Então, os objetivos precisam estar conectados com os objetivos da empresa e com as etapas da vida da pessoa.

Um plano de carreira deve acompanhar o profissional por toda a vida ou precisa ser constantemente atualizado?
Nos tempos atuais, o profissional precisa ter dois planos de carreira. Um para a carreira e outro para o que se convencionou chamar de aposentadoria. As pessoas passaram a ter uma expectativa de vida muito maior e isso fez do planejamento um processo que não para. Antigamente, as pessoas falavam que iriam chegar aos 60 anos e não iriam fazer mais nada. Hoje, não. Pessoas com 60 anos estão iniciando na carreira de escritor, de músico, de empreendedor. São carreiras diferenciadas daquelas que faziam na vida corporativa e é preciso planejamento para assumi-las. É preciso ter consciência de que o ambiente profissional que ela criou até a idade da aposentadoria ficou para trás, mas novas oportunidades estão se abrindo. Vai aproveitá-las quem planejou. Caso contrário, podem surgir as frustrações e até a depressão. Por isso, enquanto a pessoa estiver viva ela vai estar sempre planejando, entendendo que a carreira não é só o que ela faz na empresa, mas o que faz também como empreendedora ou como uma voluntária da comunidade que a cerca.

Por que algumas pessoas passam um bom tempo na empresa e não conseguem o reconhecimento. Como obter essa evolução?
Muitos profissionais ainda delegam o planejamento de suas carreiras à empresa, ao chefe e até ao colega de trabalho. É uma mentalidade muito paternalista. Isso não existe mais. Ninguém pode achar que o tempo de serviço o levará à supervisão, à gerência ou à direção. O mundo tornou-se dinâmico e a carreira profissional precisa acompanhar esse dinamismo. As empresas hoje são compradas, são vendidas, refundam seus objetivos e os profissionais têm de buscar o seu plano de carreira dentro deste cenário.

O marketing pessoal poderia ajudar neste caso? Como fazê-lo sem parecer pretensioso?
O marketing pessoal está muito ligado à competência de desenvolver network. Mas também é preciso ter o que mostrar. O marketing pessoal não se sustenta se não houver profissionalismo, no sentido de cumprir prazos, colaborar e aceitar colaboração, saber se comunicar, se apresentar, agir eticamente e gerar credibilidade.

O que é uma pessoa bem sucedida?
A definição é de uma pessoa que estabelece uma meta e a realiza. Tem pessoas que se realizam tendo cargos, outras que se realizam tendo dinheiro, outras se realizam tendo projeção social ou familiar. Mas como disse, o sucesso está relacionado à felicidade. Não adianta ter cargo e dinheiro se aquilo não traz felicidade. Uma pessoa bem sucedida é aquela que realiza aquilo que a deixa feliz.

Quais as consequências para a falta de planejamento de carreira?
É estar sempre frustrado e reclamando da situação. Se é empregado, reclama que a empresa não é boa, que o chefe não é bom, que os colegas não são legais. Porém, não consegue tomar nenhuma decisão de mudar aquele curso. Se é um empreendedor, reclama do governo, do mercado, do cliente, dos parceiros. Então, a pessoa que não se preocupa em definir o seu projeto de vida, quer seja profissional ou pessoal, vai viver sempre em constante reclamação e consequentemente infeliz.

O planejamento de carreira deve ser vinculado à empresa que trabalhamos ou deve ser independente?
Obrigatoriamente, ele deve também considerar a empresa em que se trabalha. Mas não pode se restringir à empresa. Tem de ser mais amplo. Senão, o profissional pode cair na armadilha de, se a empresa mudar e ele não acompanhar a mudança, ficar de fora do processo de carreira que havia planejado.

Dentro de uma carreira profissional, existe o fator sorte?
Não se poderia chamar exatamente de sorte. Mas se o profissional se planejou, tem competência para perceber os momentos adequados e enxerga uma situação propícia, ele tem uns 20% de chances a mais de atingir aquela meta do que outro que não se preparou para ter essa percepção. Trata-se da pessoa que trabalhou sua competência para aproveitar o melhor momento.

Existe um roteiro para um bom caminho na carreira profissional?
Sim. É bem simples: estar satisfeito com o que faz, estabelecer metas para que esta satisfação aumente, buscar ferramentas que aprimorem a competência, valorizar o relacionamento interpessoal e adquirir feeling para perceber as oportunidades.

Email da entrevistada: Assessoria de imprensa da ABRH-PR: osnibermudes@brturbo.com.br

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 9 de dezembro de 2009

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Engenharia Natural é profissão do presente e do futuro

Também conhecida como Bioengenharia de Solo, profissão desembarca nas obras de infraestrutura e mexe no mercado de trabalho

Neste mês, a cidade de Copenhague, na Dinamarca, sedia a conferência sobre mudanças climáticas. As nações vão definir metas para conter o avanço do efeito estufa e criar estímulos para projetos que reduzam a interferência no meio ambiente. Dentro deste cenário, começa a se destacar um novo tipo de engenharia: a Engenharia Natural.

No Brasil, empresas envolvidas com obras de infraestrutura começam a se interessar por profissionais especialistas em Engenharia Natural. Os cursos no país são poucos e estão no nível da pós-graduação. Assim, quem se especializa é imediatamente requisitado.

Fabrício Jaques Sutili: o concreto faz parte das intervenções de Engenharia Natural.

Fabrício Jaques Sutili: o concreto faz parte das intervenções de Engenharia Natural.

Fabrício Jaques Sutili, professor-adjunto do Departamento de Engenharia Florestal do Centro de Educação Superior Norte-RS da Universidade Federal de Santa Maria, é uma das referências do país no assunto. Nesta entrevista, ele revela como a Engenharia Natural pode ser útil às obras que o Brasil planeja construir. Confira:

Qual a diferença entre Bioengenharia de Solos e Engenharia Natural?
Nenhuma. Existe uma profusão de sinônimos: Engenharia Naturalística, Engenharia Biofísica, Engenharia Verde… Os termos Bioengenharia de Solos e Engenharia Natural foram os que se consolidaram. No Brasil usam-se ambos. Em Portugal, consolidou-se o segundo, existindo inclusive a Associação Portuguesa de Engenharia Natural (APENA).  

Qual, então, a definição de Engenharia Natural?
Trata-se de uma área da engenharia que valoriza soluções que lancem mão das características técnicas da vegetação, associadas ou não a métodos e materiais tradicionais, para solucionar problemas que vão desde a erosão superficial do solo até a estabilização de encostas ou taludes artificiais. O mais importante é que a vegetação seja entendida como componente estrutural e não somente como acabamento estético.

No Brasil, a Engenharia Natural já encontra demanda ou ainda carece de um melhor entendimento do mercado?
Devo concordar que no Brasil ainda carecemos não só de uma maior compreensão sobre as potencialidades de aplicação, como também existe a necessidade de se buscar informações que subsidiem a aplicação das técnicas. Refiro-me especialmente a necessidade de pesquisas que apoiem com informações sobre as características biotécnicas da vegetação. Os modelos de intervenção podem ser, em parte, copiados de outros lugares, já as propriedades técnicas da nossa vegetação devem ser ainda investigadas.

Obras em ambiente fluvial e rodovias são as que melhor podem se aproveitar da Engenharia Natural?
A Engenharia Natural encontra sua maior aplicação na estabilização de taludes fluviais e de encostas, bem como na estabilização de taludes artificiais (sejam de corte ou aterro), como os provenientes da construção de estradas. Particularmente me dedico à aplicação das técnicas de Engenharia Natural em ambiente fluvial, no entanto, vejo sua utilização no ambiente rodoviário como bastante promissora do ponto de vista comercial.
 
No que a Engenharia Civil pode agregar a Engenharia Natural?
A Bioengenharia de Solos ou Engenharia Natural vale-se enormemente dos conceitos da Engenharia Civil. Estas obras, apesar de sua simplicidade, são obras de engenharia e devem respeitar os rigores de planejamento e intervenção próprios de qualquer intervenção deste tipo. O que difere as biotécnicas das técnicas tradicionais é o fato de utilizarem como componente estrutural, também, elementos vivos (plantas). Uma das grandes dificuldades hoje – não só no Brasil – é encontrar parâmetros para o cálculo de estabilidade destas obras. Está aí um grande desafio de engenharia.

Obras em concreto e obras com o conceito de Engenharia Natural podem coexistir no mesmo projeto?
Não só podem coexistir no mesmo projeto, como o concreto pode fazer parte das intervenções de Engenharia Natural. O conceito de Engenharia Natural dado por SCHIECHTL (uma das maiores autoridades na área) diz: “São técnicas (biotécnicas) em que plantas, ou partes destas, são utilizadas como material vivo de construção. Sozinhas, ou combinadas com materiais inertes, tais plantas devem proporcionar estabilidade às áreas em tratamento”. O concreto é um material inerte (assim como madeira, pedra, metal…) que pode ser combinado com materiais vivos. E aí está outro desafio de engenharia, para esse setor econômico.

Já há cursos no Brasil, ou apenas a Universidade Federal de Santa Maria está investindo nesta área?
Não existe nem no Brasil ou em outro país um curso superior que trate somente da Engenharia Natural. O que existe são cursos superiores que valorizam (com maior ou menor ênfase) em seu currículo esse campo de conhecimento. Em algumas universidades da Europa existem institutos de pesquisa exclusivos ao tema. No Brasil já existem universidades se interessando por essa área. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) a Bioengenharia de Solos é uma linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, bem como o conteúdo é tratado dentro da disciplina de Manejo de Bacias Hidrográficas que é obrigatória do curso de graduação em Engenharia Florestal e é oferecida como disciplina optativa para outros cursos da universidade. A Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem se interessando pelo tema e, juntamente com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da mesma instituição, vem promovendo palestras e cursos para seus alunos de graduação e pós. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia através dos seus programas de pós-graduação vem se envolvendo com o tema. Tenho conhecimento de monografias sobre o tema escritas em cursos de geografia, arquitetura, engenharia civil e engenharia florestal de diferentes universidades. Essas últimas, normalmente, são iniciativas que partem do interesse particular do acadêmico, não quer dizer que o tema seja diretamente tratado durante o curso de graduação.

Como está o processo de utilização da Engenharia Natural em outros países? Em qual deles ela está mais avançada?
Estas técnicas consolidaram-se e encontram-se mais difundidas na Europa central, em países como Áustria, Alemanha, França, Suíça e no norte da Itália; bem como na America do Norte. Ultimamente vem ganhando bastante aplicação no ambiente mediterrânico. Com apoio de instituições (universidades) europeias começam a existir alguns exemplos na América do Sul. Duas universidades se destacam como difusoras na America Latina: a Universität für Bodenkultur, de Viena, na Áustria, com seu convênio com o Departamento de Engenharia Florestal do Centro de Educação Superior Norte da Universidade Federal de Santa Maria, e a Università degli Studi di Firenze, pelos trabalhos realizados especialmente na Nicarágua e também pelo contato que possui com a UFSM.

O brasileiro que quiser se especializar em Engenharia Natural tem de sair do país para estudar?
Não necessariamente. Claro que estudar em um instituto que se dedique integralmente ao tema, e já tenha tradição, é um diferencial. No entanto, já existem cursos de graduação que possuem o tema eu seus currículos e cursos de pós-graduação que já desenvolvem dissertações e teses na área.

Há muitos profissionais especializados hoje no Brasil?
Acredito que não. Mesmo na UFSM o tema foi incluído há pouco tempo no currículo e a linha de pesquisa na pós-graduação é uma das mais recentes de todas.

Os profissionais existentes no Brasil hoje, que entendem de Engenharia Natural, estão trabalhando em que tipo de empresa ou a maioria está atuando em pesquisa e educação?
A maioria ainda está atuando na pesquisa e educação (como é a lógica normal). Profissionais em empresas ou autônomos que ofereçam projetos de Engenharia Natural ainda são poucos. Com o tempo teremos profissionais saindo dos cursos de engenharia (das diferentes modalidades) com esse conhecimento.

Esses profissionais são bastante requisitados para projetos?
Sim. Os professores e pesquisadores dedicados ao tema não tem falta de trabalho e são constantemente requisitados a opinar e colaborar em diferentes níveis, desde a realização de cursos técnicos extra-universitários até a participação em projetos. A situação se agrava por ainda serem poucos os técnicos formados já com condições de atuarem nesse ramo de mercado.

Existe no país atualmente um projeto que seja um case de Engenharia Natural?
Sim. Na região Sul temos várias obras implantadas pela UFSM e por empresas; além de um programa de investigação das características biotécnicas da vegetação que se desenvolve desde o ano de 2001. Apesar de serem poucas, na região central do país, existem empresas capacitadas e, por que não dizer, já com tradição em Engenharia Natural.

 

 
Entrevistado:
Fabrício Jaques Sutili, professor-adjunto do Departamento de Engenharia Florestal do Centro de Educação Superior Norte-RS da Universidade Federal de Santa Maria:  fjsutili@gmail.com 
 

 

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 24 de novembro de 2009

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Tire já sua empresa da zona de conforto

Especialistas alertam: é preciso ficar atento, mesmo quando tudo parece estar indo bem

Sua empresa tem obtido lucro, há sempre dinheiro em caixa, os resultados vão além das expectativas. Para você, falar ou até mesmo pensar em mudanças diante de um cenário desses está fora de cogitação? Então é melhor ficar atento, sua empresa pode estar na chamada zona de conforto e os especialistas garantem: isso não é tão bom quanto parece.

Como diagnosticar a zona de conforto

Mario Persona – “Saber quando se está numa zona de conforto é tão difícil quanto saber quando algo se tornou um vício”

Mario Persona

“Saber quando se está numa zona de conforto é tão difícil quanto saber quando algo se tornou um vício: o viciado sempre acha que está no total controle da situação” compara o consultor de empresas, Mario Persona. Na prática, quando a situação aparente é de tranquilidade, realmente é difícil achar que está se correndo algum risco.  

Mario Persona faz um alerta em relação aos perigos da acomodação e da aversão a mudanças. “Se existirem numa empresa áreas, pessoas, produtos, metas ou qualquer coisa que esteja indo muito bem, mas que traga a etiqueta “Intocável”, é bastante provável que tenhamos diante de nós uma área ou toda uma empresa perigosamente confortável”.

Roberto Adami Tranjan

Roberto Adami Tranjan

Para Roberto Adami Tranjan, sócio-fundador da Cempre – Educação nos Negócios, em geral, lucro e dinheiro em caixa são os principais indicadores de sucesso de uma empresa. “É aí que reside o grande perigo de ingressar em uma zona de conforto sem perceber, porque tudo realmente parece estar bem ao redor” avalia. A zona de conforto não combina com o mercado, que está em contínua mudança. Também não combina com as necessidades e expectativas crescentes dos clientes. “O sucesso empresarial advém, portanto, de uma constante adaptação aos movimentos” sugere Tranjan. 

Segundo ele, para detectar a zona de conforto em uma organização é preciso estar atento aos seguintes indicadores:
* As pessoas evitam riscos e é justamente disso que resulta o seu sucesso funcional;
* Os resultados vão além das expectativas, em vez das expectativas superarem os resultados;
* Existe dinheiro em caixa e esse é o grande paradoxo: a zona de conforto é um dos sintomas da crise da prosperidade;
* Tudo é proibido, a menos que seja permitido;
* Oportunidades são consideradas problemas;
* Há intenso controle sobre as pessoas;
* Falta brilho nos olhos do pessoal, que em geral adota uma atitude também apagada.

Para evitar a zona de conforto, Tranjan recomenda ter cuidado com a estabilidade, a aristocracia e a burocracia.

Características da estabilidade: 
* Irregularidade nas reuniões das lideranças, e, quando são agendadas, as pautas se concentram mais nos fatores internos do que nos externos. 
* As queixas dos clientes são consideradas inoportunas. 
* Acredita-se que o melhor é não balançar o barco, para evitar marolas, com o intuito claro de deixar as coisas como estão. 
* Procrastinação e complacência são as regras.

Características da aristocracia:
* A prosperidade que financia a zona de conforto é traduzida em privilégios pelos quais os clientes jamais pagariam. Por exemplos: a alta liderança faz as refeições em uma área separada; da mesma forma, viaja de primeira classe e quase sempre mais para turismo do que para os negócios; passa ser importante virar capa de revista de economia, acumular prêmios etc. Aparecer é mais importante do que ser.

Características da burocracia:
* O sistema técnico domina o sistema humano.
* Nada deve ser feito sem que esteja devidamente sacramentado em normas, sistemas e contemplado pelo orçamento. * Os meios prevalecem sobre os fins.

O que fazer para sair da zona de conforto
Se após ler as considerações feitas até aqui, você acredita que sua empresa realmente está numa zona de conforto, o importante é estar preparado para mudar e saber administrar essa mudança com agilidade e inteligência. De acordo com Mario Persona, o fato de tudo estar bem pode ou não ser uma indicação de perigo. “Muitas empresas vivem situações assim, mas são capazes de mudar rapidamente o que precisa ser mudado ao mais leve sopro de que aquela acomodação seja o caminho da estagnação, cuja etapa final é a morte por degradação”.

Para Roberto Tranjan a zona de conforto sempre existiu e deve ser vista como uma doença que deve ser combatida. “Isso não é modismo. É doença organizacional. E deve, sim, ser curada”. Ele complementa que a zona de conforto é uma cultura que se avizinha ou que já está instalada. “Isso tudo acontece ou aconteceu porque as pessoas da empresa, principalmente os líderes, acreditaram nessa cultura. Vivem em função dela. Então o que precisa mudar é o modelo mental dessas pessoas, principalmente dos líderes. Só a educação pode fazer isso”.

Procurar ajuda especializada é recomendável para se obter uma análise isenta dos processos. “É importante ressaltar que tudo depende de empresa para empresa, de situação para situação, de mercado para mercado. É impossível criar uma lista de coisas a serem feitas em situações assim sem todo um trabalho de consultoria específica para conhecer as particularidades da empresa, de sua equipe e do mercado onde atua” completa Persona.

 

Entrevistados:
Mario Persona
– Consultor, Escritor, Palestrante e Estrategista.
E-mail: contato@mariopersona.com.br
www.mariopersona.com.br
Roberto Adami Tranjan – Escritor, educador, consultor e conferencista.
Sócio-fundador da Cempre – Educação nos Negócios.
E-mail: roberto.tranjan@cempre.net
http://www.cempre.net/

 
Vogg Branded Content – Jornalista responsável Caroline Veiga DRT/PR 04882

Publicado por: Itambé Empresarial em 24 de novembro de 2009

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Desafio faz bem às empresas

Superar metas motiva quase 87% dos profissionais. Departamento de manutenção mecânica da Itambé comprova pesquisa

Ao contrário do que se possa imaginar, não é a possibilidade de acumular dinheiro o item que encabeça a lista de motivações dos profissionais das grandes empresas brasileiras. Segundo recente pesquisa da Catho Online, com 16.207 entrevistados, os desafios a vencer é que lideram as prioridades dos recursos humanos das corporações. Para 86,9% dos profissionais, superar metas, ultrapassar barreiras e sentir-se desafiado é o que os faz crescer nas empresas.

A pesquisa conclui que oferecer desafios é o que faz bem às empresas e é o que mantém os níveis motivacionais das corporações. “Obter altos índices de satisfação no trabalho resulta em retenção de talentos, maior produção e clima organizacional favorável, entre uma série de outros benefícios”, diz Adriano Meirinho, diretor de marketing da Catho Online.

Daniela Fernandes: a fórmula para a boa oferta de desafios de uma empresa passa pelas suas lideranças

Daniela Fernandes - Catho Online

Daniela Fernandes, coordenadora de Recursos Humanos da Catho Online, alerta que a fórmula para a boa oferta de desafios de uma empresa passa pelas suas lideranças.  “O líder deve procurar reconhecer em cada integrante aquilo com que ele mais se identifica e sente prazer em realizar. Assim ele poderá delegar desafios que levem ao desenvolvimento de competências”, afirma, completando que o colaborador deve estar sempre antenado com a busca de resultados da empresa: “Ele não deve entrar na zona de conforto com o pensamento de que sabe tudo. É importante que sempre se mantenha atualizado.”

O departamento de manutenção mecânica da Cimento Itambé comprova que a avaliação da Catho Online está correta. Integrado por 49 profissionais, o setor já investiu, só este ano, em 2.183 horas de treinamento. O objetivo, além do aperfeiçoamento tecnológico, é aprimorar a responsabilidade e o compromisso dos colaboradores. “Nossa missão é árdua, pois a fábrica da Itambé funciona 24 horas por dia e 365 dias por ano. Assim, nossos desafios são constantes, mas eles estão amplamente voltados para o planejamento e a manutenção preventiva”, explica Celso José de Carvalho, gerente de mecânica da Itambé.

O comprometimento com os desafios fez com que o departamento de manutenção mecânica adotasse uma filosofia de trabalho que se propagou no Japão na década de 1980 e no Brasil a partir de 1990. Trata-se da Manutenção Produtiva Total, da sigla em inglês TPM, cujos pilares são:

A) Atividades que aumentam a eficiência do equipamento;
B) Estabelecimento de um sistema de manutenção autônomo pelos operadores;
C) Estabelecimento de um sistema planejado de manutenção;
D) Estabelecimento de um sistema de treinamento objetivando aumentar as habilidades técnicas da pessoa;
E) Estabelecimento de um sistema de gerenciamento do equipamento.

Esse trabalho fez com que a equipe obtivesse de alguns equipamentos da fábrica um desempenho e uma vida útil até 50% superiores. “Nosso conceito é não dar espaço para as improvisações. Os desafios são planejados e isso coloca a Itambé entre as cimenteiras mais eficientes em manutenção de equipamentos. Acho que esse é o desafio que mais motiva nossa equipe: transmitir confiança aos outros departamentos da empresa”, define Celso José de Carvalho.

 

Entrevistados:
Celso José de Carvalho, gerente de mecânica da Itambé: celso@cimentoitambe.com.br
Daniela Fernandes, coordenadora de Recursos Humanos da Catho Online: imprensa@catho.com.br

 

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 11 de novembro de 2009

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PEC da redução da jornada de trabalho desestimula produtividade

Projeto tramita há 14 anos no Congresso e se mostra desconexo com momento atual da economia brasileira

Tramitando há 14 anos no Congresso Nacional, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95 conseguiu avançar este ano na Câmara, quando foi aprovada por uma comissão especial, mas nem por isso significa que possa vir a ter apoio maciço dos parlamentares. Polêmica, ela trata da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Surgiu com o conceito básico de que poderia gerar mais empregos, mas hoje se mostra desconectada com a realidade do país.

Cláudio Elias Conz: “Não é o melhor momento para essa PEC virar lei”

Cláudio Elias Conz

Cada vez mais inserido na economia global, o Brasil atualmente fala em mais produtividade e mais competitividade. Caso a PEC da jornada de trabalho venha virar lei, o setor empresarial teme que ela cause efeito contrário, ou seja, amplie o desemprego, aumente a informalidade e onere ainda mais as empresas que tentarem se adequar a ela. “De imediato, as empresas terão um aumento de custos com o pessoal em torno dos 10%. Com o aumento das despesas, os produtos terão menor competitividade e a margem de lucro das empresas ficará menor ou mesmo nula ou negativa”, avalia Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção).

Amassir Pansolin: “Acho que ela deveria ser retirada da pauta da agenda nacional.”

Amassir Pansolin

Para o economista e consultor independente Amassir Pansolin, ex-presidente nacional do IBEF (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças), a redução da jornada de trabalho já demonstrou ter efeito inócuo quando foi tentada em outros países. “Nações mais avançadas, e com legislações trabalhistas mais modernas do que as nossas já tentaram a redução da jornada de trabalho e os resultados foram pífios. Na prática, ela não consegue ampliar substancialmente o número de vagas e ainda diminui o ganho do trabalhador. E isso afeta toda a cadeia da economia”, explica.

Cláudio Elias Conz lembra que o país já experimentou os efeitos pouco positivos da redução da jornada de trabalho, quando a Constituição de 1988 diminuiu a carga horária semanal de 48 horas para 44 horas. “O que aconteceu a partir de 1988? A informalidade disparou e hoje engloba mais de 50% da população economicamente ativa do país. As micro, pequenas e médias empresas são as que sofrem mais e sentem mais o aumento da informalidade. Isto é danoso para a economia”, alerta.

Redução da jornada de trabalho gera dados e opiniões divergentes

O debate torna-se acalorado quando se confrontam opiniões e dados do setor empresarial com o de organismos representativos dos trabalhadores. Números do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), por exemplo, avaliam que a redução da jornada pode gerar até dois milhões de novos postos de trabalho em todo país.

Envolta em divergências, e enfraquecida pela retomada do crescimento econômico no país, a PEC da redução da jornada de trabalho parece condenada a permanecer tramitando no Congresso. Para que se torne lei, ela precisa percorrer o seguinte caminho: ir ao plenário da Câmara e ser aprovada por, pelo menos, 308 deputados em 1.º e 2.º turnos. Após conseguir avançar na Câmara, será debatida no Senado, podendo voltar à Câmara caso o projeto sofra modificações. “É um debate em que não há consenso. Por isso ela tramita há tanto tempo no Congresso. Eu, particularmente, acho que ela deveria ser retirada da pauta da agenda nacional”, avalia Amassir Pansolin.

Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco, alerta que a realidade do mercado praticamente já regulou a jornada de trabalho no Brasil. “Apesar de a atual legislação determinar 44 horas, na prática, hoje, a jornada média de trabalho no Brasil é de 41,4 horas semanais, inferior a de muitos países que competem com o Brasil no mercado internacional e pouco superior a de países que contam com alto nível de automação, produtividade e qualificação de mão-de-obra. Acho que temos é que gerar mais emprego, mas não diminuição de trabalho. Agora que estamos passando por um momento de recuperação econômica e de geração de empregos formais, não é o melhor momento para essa PEC virar lei”, afirma.

 

 

Entrevistados:
Amassir Pansolin, ex-presidente nacional do IBEF (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças): amassir@onda.com.br
Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco: imprensa@anamaco.com.br 

 

  

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