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Publicado por: Itambé Empresarial em 30 de setembro de 2009

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Engenharia social, o novo nome da espionagem industrial

Técnicas para burlar segurança e obter informações sigilosas ganham nova roupagem para favorecer a competição desleal entre empresas

Engenharia social. A nomenclatura inocente esconde técnicas de persuasão que dão a ela um novo conceito de espionagem industrial. Ao contrário de outros métodos para burlar sistemas de segurança, que utilizam a internet como a ferramenta principal, a Engenharia Social se abastece da ilusão e da exploração da confiança das pessoas. “O ambiente corporativo atual, onde há pressão por resultados, risco constante de desemprego e rivalidade entre os colaboradores, favorece o profissional desta área”, relata o especialista em segurança da informação Wanderson Castilho.

Wanderson Castilho

Wanderson Castilho

Normalmente, as pessoas mais vulneráveis à engenharia social dentro das empresas são as que atuam em funções como secretárias ou em departamentos de tecnologia da informação ou recursos humanos. “Quem utiliza esta técnica costuma se passar por outra pessoa, assumir outra personalidade ou fingir que é profissional de determinada área para entrar nas organizações. Tenho um case de uma pessoa que se passou por office boy do departamento de contabilidade de uma empresa e roubou toda a estratégia de preços para repassar para um concorrente”, exemplifica Wanderson Castilho.

O especialista ressalta que a engenharia social explora sofisticadamente as falhas de segurança humana, que por falta de treinamento para esses ataques podem ser facilmente manipuladas. Por isso, para se proteger, ou até evitar novos ataques, as empresas têm recorrido cada vez mais à preparação dos funcionários. Os profissionais contratados para orientar os colaboradores são, na maioria das vezes, engenheiros sociais que já estiveram do outro lado. “O método de proteção consiste em criar processos de checagem, delimitando acessos, horários e isolando departamentos estratégicos da empresa”, cita Wanderson Castilho.

O treinamento estabelece uma política de segurança da informação dentro da empresa, e baseia-se em educar os funcionários a sempre certificar-se de que a pessoa a quem vai fornecer as informações é realmente quem diz ser. Orienta-se ainda a tomar cuidado com papéis jogados no lixo e a se proteger do ambiente fora da empresa. Afinal, o elemento de maior vulnerabilidade em qualquer sistema é o ser humano.

Alguns traços comportamentais e psicológicos são mais susceptíveis à engenharia social. Entre eles, estão:

• Vontade de ser útil – O ser humano, comumente, procura agir com cortesia, bem como ajudar outros quando necessário.
• Busca por novas amizades – O ser humano costuma se agradar e sentir-se bem quando elogiado, ficando mais vulnerável e aberto a fornecer informações.
• Propagação de responsabilidade – Trata-se da situação na qual o ser humano considera que ele não é o único responsável por um conjunto de atividades.
• Persuasão - Compreende quase uma arte a capacidade de convencer pessoas, onde se busca obter respostas específicas. Isto é possível porque as pessoas têm características comportamentais que as tornam vulneráveis à manipulação.

Wanderson Castilho ressalta que, mesmo com treinamento, nenhuma empresa fica 100% protegida da engenharia social. O aspecto humano impede que isso ocorra. Porém, o que se consegue com eficiência é proteger os dados confidenciais da corporação. “Assim, se algo vazar, será uma informação menos relevante”, afirma. O treinamento prioriza seis etapas: plano de proteção física, continuidade dos negócios, análise de riscos, ações de engenharia, plano de contingência e plano de conscientização de todos os colaboradores, incluindo os terceirizados.

Do bem e do mal

Algumas empresas têm engenheiros sociais em seus quadros de funcionários. O objetivo deles é detectar colaboradores vulneráveis ao roubo de informações e dar-lhes assistência. Neste caso, os engenheiros sociais atuam em conjunto com os psicólogos das corporações, detectando quadros depressivos e de solidão, já que pessoas com esses sintomas são altamente sujeitas à aproximação de desconhecidos. Neste caso, a engenharia social é usada para o bem. 

No entanto, se utilizada para o mal, a engenharia social torna-se crime e pode ser enquadrada nos artigos 171 e 299 do Código Civil Penal. Trata-se de estelionato, com pena de reclusão de um a cinco anos, além de multa, e falsidade ideológica, com pena de reclusão de um a três anos, além de multa.

 

Entrevistado:

Wanderson Castilho é advogado e físico, com especialidade em segurança da informação. Ele atua como perito de crimes digitais e na implantação de políticas de segurança da informação e investigação forense. Cria soluções para empresas de todos os portes, como em casos de crimes eletrônicos, roubo de informações empresarias, tentativas de extorsão, sequestros, difamação, jogos fraudulentos e casos de pessoas desaparecidas.
E-mail: wanderson@e-netsecurity.com.br

 
Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Itambé Empresarial em 30 de setembro de 2009

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Estratégias de Preço

Conheça os erros mais comuns ao estabelecer o preço de um produto ou serviço

O preço ideal de um produto ou serviço é aquele que cobre os custos e consegue dar o retorno desejado. Mas por que é tão difícil chegar ao preço ideal?

Roberto Assef

Roberto Assef

Esse é um dos principais dilemas em uma empresa, independente do porte. Isso acontece porque o preço tem um papel estratégico, principalmente por ser componente fundamental da receita da empresa, que por sua vez é uma das principais responsáveis pelos resultados efetivos de uma organização, conforme explica Roberto Assef, diretor da Lucre Cursos e Treinamentos em Lucratividade, professor de pós-graduação e autor de diversos livros sobre o tema.

Estabelecer preços competitivos é uma tarefa que exige o conhecimento dos componentes que dão origem ao preço de venda. A falta de uma metodologia eficaz na estratégia de formação de preços pode levar a erros fatais para o negócio.

Fabiano Coelho

Fabiano Coelho

Para Fabiano Simões Coelho, coordenador dos cursos de MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria da Fundação Getulio Vargas (FGV), se a empresa souber precificar de maneira eficiente, conseguirá transparecer no valor de seus bens e serviços o que ela quer transmitir. “Isso permitirá que seu planejamento estratégico seja atingido, seu produto ou serviço fique destacado frente a seus concorrentes e consiga, ainda, melhor posicionamento em relação a seus clientes”.

Para Roberto Assef entre as principais dificuldades na formação de preço estão:
- Saber identificar o real valor percebido pelo consumidor, em relação aos itens comercializados;
- Fazer a correta identificação dos custos que devem, efetivamente, compor o preço;
- Analisar a questão tributária no Brasil, que é pouco conhecida e extremamente impactante nos preços.

“Aparentemente, é intuitivo que os custos operacionais devam ser repassados aos produtos de alguma forma. Esta metodologia de repasse, principalmente, dos custos e despesas fixas é que pode gerar preços mais ou menos competitivos” analisa Assef.

O que você acha dos preços praticados pela sua empresa?

Segundo Fabiano Coelho, um dos erros mais cometidos pelas empresas ao estabelecer o preço de um produto ou serviço é o famoso “eu acho”. “Eu acho que se baixarmos os preços, iremos vender mais”, “eu acho que, como o concorrente reduziu seus preços, teremos que dar uma resposta à altura”, “eu acho que meu cliente só olha o preço na hora de comprar” e “eu acho que meu produto é commodity e, portanto, o preço é a única coisa que é importante”.

“Isso, invariavelmente, faz com que o gestor mude o preço de seus produtos de forma errada” avalia o coordenador da FGV.

Confira outros erros comuns na formação de preços:

* Superestimar ou subestimar o seu produto ou serviço. Por isso é necessária uma avaliação formal da aceitação e a intenção de compra de seu produto ou serviço pelo seu público-alvo, antes de colocá-lo no mercado.
* Basear-se apenas na metodologia do percentual de mark-up. Essa metodologia consiste na aplicação de um percentual sobre o custo de produção ou operação e é geralmente aplicada sem um embasamento mais profundo, sem levar em consideração os clientes/demanda da empresa.
* Fixar o preço do seu produto com base nos preços praticados pelo mercado, dando uma menor atenção aos seus próprios custos. Os custos dos concorrentes podem ser menores que o da sua empresa, o que possibilita a eles oferecer um preço mais baixo. Se sua empresa tentar acompanhar esse patamar, poderá perder grande parte da margem de lucro e até ter prejuízo.
* A não mensuração apropriada da percepção do consumidor em relação aos atributos de um bem ou serviço.
* A alocação indevida de custos fixos aos preços, onerando itens que podem ser bastante interessantes, mas que não “suportam” absorver parcelas de custos estruturais.
* Não considerar que há outras coisas que influenciam o ato da compra além do preço, mesmo sendo ele tão decisor.
* Imaginar que, ao reduzir o preço, consequentemente a quantidade vendida aumentará. Em alguns casos, quando a empresa reduz o valor de seus produtos, transmite a ideia que esses produtos possuem qualidade inferior.
* Deixar de utilizar o preço como forma de influenciar a decisão de compra do consumidor. 
* Aplicar a mesma margem de lucro para todos os produtos. Ainda é comum encontrar empresas cujo modelo de precificação é o mesmo há 20 anos. Este deve ser adaptado frente à nova realidade encontrada ou nova estrutura de vendas de seu segmento.

Entrevistados:

Roberto Assef é Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É diretor da Lucre Cursos e Treinamentos em Lucratividade. Autor dos livros “Gerência de Preços”, “Guia Prático de Formação de Preços” e “Guia Prático de Administração Financeira”, além de ter desenvolvido o software “Preço Certo”. É professor dos cursos de Pós-Graduação na Fundação Getúlio Vargas, Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e COPPEAD – UFRJ, além de proferir palestras em entidades patronais e Universidades.

Fabiano Simões Coelho é coordenador dos cursos de MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria da Fundação Getulio Vargas (FGV). Além disso, é consultor de empresas, palestrante do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro (CRC-RJ) e autor do livro Formação Estratégica de Precificação da Editora Atlas. Site do livro: www.precificacao.com.br

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 30 de setembro de 2009

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Crise não afeta construção de shopping centers

Empreendimentos devem gerar cerca de 40 mil empregos diretos, que se somam aos mais de 721 mil já existentes no país
 
O mercado de shopping centers no Brasil sempre seguiu uma linha de constante crescimento. Desde 2007, ano que muitas empresas abriram capital e se associaram a grupos internacionais, a indústria vive um boom de inaugurações. Neste ano são esperados 17 novos shoppings, dos quais oito foram abertos no primeiro semestre. Além do desenvolvimento do mercado, esses lançamentos devem gerar em torno de 40 mil novos postos de empregos diretos, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que representa o setor no Brasil.
 
Segundo Luiz Fernando Veiga, presidente da Associação, essas inaugurações são o resultado da competência do empresariado brasileiro, empreendedores e lojistas, que entendem os anseios do consumidor e vão ao seu encontro. “São 17 inaugurações previstas para 2009, que se somam a outras 39, registradas entre 2006 e 2008. Mais 23 empreendimentos são esperados para 2010″, disse.
 
Entre as capitais que terão lançamentos destacam-se Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Manaus, Palmas e São Paulo, além de cidades do interior, como Santa Maria (RS), Maringá (PR), Mogi Mirim e Itupeva, em São Paulo, Caruaru e Cabo do Santo Agostinho, em Pernambuco. No que se refere a ABL – Área Bruta Locável – essas 17 inaugurações previstas para 2009 devem acrescentar cerca de 478 mil m2 de ABL  aos 8.930 milhões existentes.
 
Novos postos de emprego

A demanda de empregos diretos criada pelas inaugurações é um ponto que merece destaque. Ao fim de 2008, existiam 721 mil empregos, nos 377 shoppings em funcionamento. Esse número, acrescido dos 40 mil postos gerados em 2009 e dos 40 mil previstos para 2010, deve ultrapassar os 800 mil empregos na indústria de shopping centers.

O que é a Abrasce

A Associação Brasileira de Shopping Centers – Abrasce – é a entidade que representa o setor no Brasil. Com 33 anos de atuação, reúne entre seus associados os principais empreendedores, administradores, prestadores de serviços e lojistas do setor e tem por objetivo o fortalecimento dessa indústria em âmbito nacional. Realiza bienalmente o Congresso Internacional de Shopping Centers, em parceria com o International Council of Shopping Centers – ICSC, que ocorrerá em outubro de 2010.

 
Fonte: Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers)

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 30 de setembro de 2009

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Pesquisa aponta otimismo no mercado de concreto

Levantamento feito com os associados da BlocoBrasil, identifica macrotendências setoriais do mercado de pré-fabricados leves

A crise econômica mundial parece não ter abalado a indústria brasileira de concreto. Dados da pesquisa semestral realizada no início de agosto, pela Associação Nacional da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil), apontaram otimismo e grandes expectativas para a atividade econômica do setor no segundo semestre de 2009. O objetivo da pesquisa, feita com os associados da BlocoBrasil, foi identificar as macrotendências setoriais do mercado pré-fabricados leves (blocos e pisos) de concreto e a expectativa de crescimento dos fabricantes.

Os resultados apontaram que 62% dos industriais do setor esperam que o desempenho da empresa cresça em até 20% nos próximos seis meses. Enquanto o restante estima que o desempenho fique acima dos 20% de crescimento, em relação a 2008. Dentre os fatores responsáveis por essa melhora na indústria de concreto,  o programa habitacional do governo, o aquecimento do mercado imobiliário pelas novas condições de financiamento e a economia aquecida foram os mais citados.

De acordo com a pesquisa, nenhum associado da BlocoBrasil prevê redução das atividades neste segundo semestre. Pelo contrário, caso seja necessário aplicar alguma mudança na empresa, será somente para acompanhar o aumento da demanda e o crescimento da indústria. As empresas apontam medidas positivas, tais como contratar mais funcionários e adquirir novos equipamentos. “O mercado brasileiro da construção civil continua em ritmo muito forte, confirmando a reação da economia brasileira após o abalo do último trimestre de 2008”, afirma o arquiteto Carlos Alberto Tauil, diretor executivo da BlocoBrasil.

 

Fonte: Mandarim Comunicação

 

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Publicado por: Itambé Empresarial em 30 de setembro de 2009

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Reforma do MEC vai unificar cursos de engenharia

Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo foram poupados, mas não escaparão de uma reestruturação curricular

Álvaro Cabrini Júnior, presidente do Crea-PR: reformulação vai melhorar a fiscalização dos profissionais

Álvaro Cabrini Júnior, presidente do Crea-PR

Os cursos de engenharia serão os primeiros a passar pela reformulação que o Ministério da Educação (MEC) está fazendo nas graduações universitárias. O objetivo é revisar projetos pedagógicos, o que vai resultar na fusão de alguns cursos e na extinção de outros. O Brasil conta, atualmente, com quase 26 mil graduações. O MEC quer reduzi-los a sete mil, no máximo.

No caso dos cursos de engenharia, são 258, que passarão a um total de 22. “A medida pretende orientar melhor os estudantes no momento de escolha de suas profissões, além de contribuir para que os setores de recursos humanos de empresas, órgãos públicos e terceiro setor tenham maior clareza na identificação da formação necessária aos seus quadros de pessoal”, explica Nair Rúbia Baptista, assessora de Comunicação Social do ministério.

As unificações devem se concretizar até o final do primeiro semestre de 2010. A proposta de revisão das diretrizes dos cursos foi disponibilizada em consulta pública e duas mil contribuições da sociedade civil foram recebidas. Atualmente, o MEC trabalha na compilação e na avaliação das propostas encaminhadas, para em seguida ser formulado o documento final.

Entre as engenharias, extraoficialmente já se sabe que os cursos de Engenharia de Automação e Sistemas, de Automação Empresarial, de Controle e Automação Industrial e de Instrumentação, Automação e Robótica passarão a ser chamados de Engenharia de Controle e Automação.

Pelo sombreamento curricular, ou seja, ter disciplinas coincidentes, cogitou-se unir os cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo, mas a forte resistência derrubou a ideia. “Foi só uma suposição. Nunca houve um documento sobre isso”, contesta Francisco José Teixeira Coelho Ladaga, assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR). No entanto, segundo o MEC, é “muito provável que Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo também passem por revisões curriculares”.

Polêmica à parte, a reformulação pedagógica em curso tem aprovação unânime. O próprio José Teixeira Coelho Ladaga apoia a medida. “Isso vem resguardar as profissões tradicionais e evitar a proliferação de subtítulos com pessoas menos capacitadas para exercer a função que elas realmente devem e são obrigadas a fazer. Eu acho que o MEC está correto nesta posição”, afirma.

Da mesma forma pensa o presidente do Crea-PR, Álvaro Cabrini Júnior. “Isso vai representar uma volta à nomenclatura básica que existia antigamente e vai evitar a criação indiscriminada de cursos. Até o conselho regional e o Confea (Confederação Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) vão ter melhores condições de exercer as suas funções, que é fiscalizar as profissões regulamentadas em defesa da sociedade”, afirmou.

Professor Mauro Lacerda, diretor do setor de tecnologia da UFPR: no futuro, uma revisão também na legislação que rege a profissão de engenheiro

Professor Mauro Lacerda, diretor do setor de tecnologia da UFPR

Na avaliação do diretor do setor de tecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda, a decisão do MEC vai permitir, no futuro, uma revisão também na legislação que rege a profissão de engenheiro. “Ela já se tornou obsoleta, uma vez que foi instituída em meados do século passado e não acompanhou a evolução da formação profissional dentro das peculiaridades de cada área, o que hoje exige grandes esforços para definir as atribuições profissionais e suas certificações”, avaliou.

Ainda segundo o professor Mauro Lacerda, a reforma não terá problemas de ser absorvida pelo mundo acadêmico, seja na área de graduação ou pós-graduação. “A mudança preconizada trará uma melhor organização curricular e isso vai facilitar a adaptação, tanto de docentes como balizar melhor a formação dos estudantes em cada área”, diz. A assessoria de comunicação do MEC confirma a avaliação do professor da UFPR. “Assim como os referenciais ajudarão na orientação aos alunos, os professores também serão beneficiados pela medida”, confirma Nair Rúbia Baptista.

Para conferir a lista dos cursos de engenharia que vão passar por reformulações clique no link abaixo:
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/convergencia_denominacao.pdf

 

Entrevistados:
Diretor do setor de tecnologia da UFPR: Mauro Lacerda: mauro@tecnologia.ufpr.br
Assessoria de Comunicação Social: rubia.baptista@mec.gov.br
Assessoria de Comunicação do Crea-PR: comunicacao@crea-pr.org.br

 

 

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Itambé Empresarial em 17 de setembro de 2009

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Um raio x da engenharia brasileira

Em entrevista exclusiva, Joseph Young, diretor editorial da Revista O Empreiteiro, fala sobre o ranking que lista as maiores empresas do país no setor

O ranking da engenharia brasileira já é, há décadas, a bíblia do setor

O ranking da engenharia brasileira já é, há décadas, a bíblia do setor

 

 

 

 

 

 

 

 

O tradicional ranking da engenharia brasileira trouxe no mês de julho sua 38.ª edição. Elaborada pela revista O Empreiteiro, a lista revela as 500 maiores empresas do país nos segmentos de construção, projeto e consultoria, montagem mecânica e elétrica e serviços especiais de engenharia.

A versão 2009 do ranking foi elaborada de acordo com o faturamento das empresas em 2008. No ano passado, as construtoras expandiram sua receita bruta em 49%, em média. Trata-se do melhor resultado desde 1995.

Apesar de não estarem nas primeiras posições da lista, as empresas do Sul do país também apresentaram crescimento. Na avaliação do diretor editorial da revista O Empreiteiro, Joseph Young, além do bom momento econômico do Brasil, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também foi responsável pela melhora significativa do nível de atividade das construtoras e das empresas de engenharia no geral. “Havia uma demanda reprimida desde os anos 80, que o programa ajudou a destravar, ainda que não completamente”, afirmou.

Joseph Young revela mais detalhes do ranking na entrevista a seguir.

Ao longo das 38 edições do ranking, se percebe muitas alterações entre as primeiras posições. Isso tem a ver com as empresas mais envolvidas com obras de infraestrutura?
A verdade é outra. No passado, a economia brasileira teve diversas crises econômicas, planos econômicos, novas moedas e inflação que chegou a 80% ao mês. Isso foi extremamente prejudicial para a capacidade de investimento dos governos e se refletiu em algumas construtoras tradicionais, que desapareceram por conta das crises. Boa parte delas trabalhava para o governo e não recebia. Ou, quando recebia, a inflação já tinha comido metade do valor da dívida. Um exemplo é a construtora Rabelo, que trabalhou na construção de Brasília, trabalhou na Argélia, construiu a universidade de Argel, e hoje não existe mais. Assim com a construtora CCDE, que também não existe mais. Estes são dois exemplos bastante eloquentes de como a crise dizimou grandes empresas e fez o ranking sofrer alterações ao longo destes anos. Hoje, se aparecem na lista algumas das mais antigas, é porque elas foram as sobreviventes. São aquelas que conseguiram driblar as crises sucessivas. São as grandes sobreviventes da engenharia brasileira.
 
Como nasceu a ideia do ranking da engenharia brasileira? 
O ranking não é uma ideia nova. Uma das maneiras de mensurar a competência de uma empresa, as condições do mercado, principalmente quando essas condições mudam, é aferir o quanto ele continua faturando. Usamos o critério do faturamento bruto, pois achamos que é o que espelha melhor a capacidade de geração de caixa de uma empresa. É claro que poderia ter outros critérios como lucro, etc. A ideia é reunir numa única fonte uma avaliação das empresas de engenharia do Brasil divididas em quatro categorias. Então, o ranking abrange construtoras, projetistas, empresas de montagem industrial, também chamada de construção mecânica e elétrica, e os prestadores de serviços especializados em construção.

O que a presença de uma empresa no ranking da engenharia brasileira muda em relação ao seu perfil e aos negócios que ela passa a atrair?
O ranking da engenharia brasileira já é, há décadas, a bíblia do setor. As empresas que estão no ranking sempre se referem a este fato como uma credencial a mais. Naturalmente, existem outros, como a ISO de qualidade a respeito das ações da empresa, que também é outra credencial. Então, existem vários outros parâmetros de natureza internacional, que as empresas já têm. Mas, especificamente sobre o ranking, o fato de uma empresa estar dentro dele há muitos anos é uma credencial no setor.

Em relação à região Sul, observa-se no ranking que as empresas estão em posição intermediária. Algumas vezes, elas estão atrás de empresas do Norte/Nordeste. Há algum diagnóstico para que isso aconteça?
Nestas ultimas três décadas foram criadas algumas novas fronteiras, como no Pará e no Maranhão. O projeto Ferro-Carajás da Vale, que era uma empresa estatal há pouco mais de 20 anos, abriu uma nova fronteira econômica. Criou-se toda uma cadeia de prestadores de serviços de fabricantes, que hoje já está consolidada na região. Então, isso significa que as construtoras que estão na região Norte também foram beneficiadas pelo surgimento desta nova fronteira. No Nordeste, um exemplo recente é o complexo industrial portuário de Suape, em Pernambuco, que também representa uma nova fronteira econômica. Naturalmente, as construtoras do Nordeste, os projetistas e os prestadores de serviços de uma forma geral estão se beneficiando destes polos de atividades regionais.

Com os recentes programas de incentivo à construção, como PAC, Minha Casa, Minha Vida e Copa 2014, deu para sentir mudanças no ranking, no sentido de que algumas empresas já cresceram apoiadas nestes projetos governamentais? 
Sem dúvida, o PAC, que já faz uns dois anos que o governo vem priorizando, a despeito de problemas de gerenciamento e lentidão de recursos financeiros, é o principal responsável pela melhora significativa do nível de atividade das construtoras e das empresas de engenharia no geral. Eu diria que os resultados de 2008 espelham este fato. O programa Minha Casa, Minha Vida só foi anunciado agora. Então os efeitos só vão se sentir ao longo de 2010 e 2011, assim como a Copa de 2014.

No ano passado a engenharia experimentou seu melhor momento após vários anos. Qual a perspectiva para este ano, que vai refletir no ranking de 2010? 
Este ano é, de certa forma, uma continuação de 2008. Só que a crise global impediu ou atrasou a assinatura de novos contratos e serviços em empreendimentos de porte, que sofreram paralisações ou foram reduzidos ou suspensos. Então, as entidades do setor hoje estão mais preocupadas com o que vai acontecer em 2010 e 2011. Porque eles vão sentir os empreendimentos que foram suspensos ou reprogramados este ano. Portanto, os efeitos da crise global vão se refletir no faturamento de 2010 e 2011.

Hoje qual é a grande obra no país que deve influenciar no ranking dos próximos anos?
Não tem uma grande obra, mas diversas obras de porte. Por exemplo, na área de hidroelétrica têm duas usinas do complexo do rio Madeira que, com certeza, vão influenciar positivamente em toda a cadeia de produção do setor, que começa no projetista, passa pela construtora, a empresa de montagem industrial, empresas prestadoras de serviços e até os fabricantes de insumos e equipamentos. Em transporte de massa, acho que as obras do metrô de São Paulo e de outras capitais, como Salvador e Fortaleza, também vão refletir. As futuras etapas de concessões rodoviárias a nível federal e estadual também são perspectivas de melhores resultados nos próximos anos. Sem falar nas melhorias urbanas e nos complexos esportivos que a Copa do Mundo de 2014 vão implicar nas cidades sedes. A perspectiva que o setor de engenharia e construção tem é muito positiva para os próximos anos.

No que os entraves burocráticos atrapalham no desempenho da engenharia no Brasil?
Burocracia é aquilo que o Luiz Fernando Santos Reis, presidente do SINICON (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), resume no Tribunal de Contas da União (TCU) e nos órgãos ambientais do governo. Estas duas áreas são as que hoje mais interrompem obras e atrasam licenciamentos.  Quer dizer, uma obra que poderia ser concluída em cinco anos acaba levando sete, oito anos.
 
Por que grandes multinacionais da engenharia não investem no mercado brasileiro? 
Esta é uma história antiga, mas basicamente porque o mercado de engenharia brasileira é fechado. Ele tem uma série de barreiras oficiais e técnicas que desestimula, pelo menos em grande número, as empresas estrangeiras. Isso não impediu, entretanto, que empresas multinacionais que souberam se adaptar às condições brasileiras ingressassem aqui. Um exemplo é a Impregilo, uma construtora italiana que há muitos anos está instalada no país. Outro exemplo é a Skanska, empresa de montagem industrial que pertence a um grupo sueco, e que também está aqui há mais de uma década.
 
Por outro lado, há empresas brasileiras da engenharia que já são multinacionais. O ranking leva em consideração o desempenho destas empresas fora do país? 
Não leva porque normalmente o faturamento no exterior destas empresas acaba consolidado numa subsidiária no exterior. Nos critérios que usamos, de certa forma os resultados das empresas brasileiras já embutem resultados e projetos no exterior.

 

Entrevistado: Joseph Young, diretor editorial da revista O Empreiteiro: josephyoung@terra.com.br

 
Texto complementar

Ranking do ranking

Confira as empresas do Sul do Brasil posicionadas entre as 500 melhores, de acordo com o segmento de atuação.

Construtoras
C.R. Almeida-PR (16.º)
Toniolo, Busnello-RS (37.º)
Cesbe-PR (45.º)
Grupo Thá-PR (54.º)
Plaenge-PR (55.º)
Goldsztein-RS (60.º)
Conpasul-RS (61.º)
Goldsztein Cyrela-RS (66.º)
J. Malucelli-PR (70.º)
Ivai-PR (74.º)
Gel Engenharia-PR (82.º)
A. Yoshi-PR (89.º)
Brasília Guaíba –RS (95.º)
Sultepa-RS (105.º)
Castilho-PR (108.º)
Pedrasul-RS (110.º)
Viero-RS (113.º)
FMM Engenharia-PR (114.º)
Stein-SC (124.º)
Lavitta-PR (131.º)
Premold-RS (134.º)
Zita-SC (135.º)
Vanguard Home (139.º)
Ernesto Woebcke-RS (143.º)
Pelotense-RS (144.º)
Sulcon-RS (151.º)
Andrade Ribeiro-PR (158.º)
Melnick-RS (160.º)
Bortoncello-RS (169.º)

Construção mecânica e elétrica
Intecnial-RS (9.º)
Elco-PR (34.º)
Emisa Plaenge-PR (44.º)

Projeto e Consultoria
Interterchne-PR (19.º)
Prosul-SC (24.º)
STE-RS (34.º)
Ecoplan-RS (35.º)
Magna-RS (36.º)
Veja Engenharia-PR (46.º)
JPPA-RS (70.º)
Dalcon-PR (79.º)
Beck de Souza-RS (84.º)
MPB Saneamento-SC (85.º)
Simon-RS (95.º)
Unidec-PR (102.º)
Andrade&Rezende-PR (103.º)

Serviços especiais de engenharia
Medabil-RS (3.º)
Brafer-PR (8.º)
Esteio-PR (37.º)
Manoel Marchetti-SC (38.º)
Engefoto-PR (46.º)
Aeroimagem-PR (62.º)
Ispersul-RS (77.º)
Aeromapa-PR (78.º)

 

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Itambé Empresarial em 17 de setembro de 2009

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Geração Y, seja bem-vinda

Empresas estão cada vez mais preparadas para mostrar aos nascidos a partir de 1980 que há, sim, espaço para eles desenvolverem suas virtudes nas corporações

Sílvia Branquinho: Coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Cimento Itambé

Sílvia Branquinho: Coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Cimento Itambé

Multidisciplinar, mas também impaciente, ansiosa e egoísta. Em tese, esta é a definição que o mundo corporativo dá à chamada geração Y. Mas será que na prática é assim mesmo que se comportam os profissionais nascidos depois de 1980? Para a Coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Cimento Itambé, Sílvia Branquinho, esses são conceitos que ajudam o gestor a decodificar as características de uma geração que chega ao mercado, mas não significa necessariamente que todos tenham comportamentos iguais.  “Assim como as empresas, cada indivíduo tem a sua particularidade. Então, o importante é saber como extrair o melhor do colaborador. E isso se dá através de treinamento e desenvolvimento de competências e liderança”, afirma.

Sidnei Oliveira

Sidnei Oliveira

Autor do livro Geração Y, Era das Conexões – Tempo dos Relacionamentos, o consultor em gestão empresarial Sidnei Oliveira destaca que a principal característica da geração Y é a conectividade. “É o jovem que vê conexões em coisas do cotidiano que aparentemente não têm ligação nenhuma, que soam abstratas para outras gerações. Por exemplo, ele pode conectar uma experiência de trabalho com uma experiência de lazer, o que é inconcebível para gerações anteriores. Expressões como “primeiro o trabalho, depois o lazer” não fazem sentido para ele”, explica. “Isto tem a ver com o fato de a internet pertencer a esta geração, o que tornou a comunicação dela mais rápida e a faz ser mais flexível também”, completa Sílvia Branquinho.

Os conceitos de geração Y já levam alguns setores, sobretudo o financeiro e o tecnológico, a dar preferência aos nascidos após 1980. São empresas que buscam profissionais que atendam às demandas rápidas do mercado e que também têm um perfil inovador. No entanto, não significa que a geração Y não encontre espaço em corporações mais tradicionais. Neste caso, prevalece a velha máxima: a pessoa certa no lugar certo. “O importante é aliar a capacidade técnica com a comportamental e mostrar que uma empresa se dá a partir de diferenças pessoais. É o que a gente chama de unidade na diversidade. Para isso, a negociação é o melhor caminho para que eles se adaptem ao nosso ambiente de trabalho”, define Sílvia Branquinho.

A fim de evitar os chamados conflitos de gerações – sobretudo entre as X (nascidos entre 1965 e 1979) e Y -, o papel do gestor é cada vez mais importante para harmonizar estilos e personalidades de cada um. De certa forma, coube às lideranças empresariais esta função de buscar entender a geração Y, já que as escolas acordaram tarde para o tema. Só a partir da segunda metade dos anos 90 é que disciplinas como relação interpessoal e liderança passaram a integrar os currículos de alguns cursos, principalmente os da área técnica. “Hoje o desafio está justamente em mostrar a eles que a experiência e a vivência dos mais velhos são válidas e importantes para seu desenvolvimento, e que isso não vai impedi-los de deixar sua marca no projeto que estão vivendo”, destaca Sidnei Oliveira.

O ponto de equilíbrio, ressalta o consultor, é fazer a geração Y entender que o momento de ela liderar está se aproximando, mas ainda não chegou. “Esse é o papel dos atuais líderes tradicionais e experientes. Eles têm de descobrir que precisam desenvolver novos líderes em uma geração de profissionais que são questionadores por natureza, muito bem formados e informados, ambiciosos, focados em resultados de curto prazo e motivados por desafios e reconhecimento”, diz Sidnei Oliveira. “Um aspecto fundamental para esta formação é o foco de equipe, até mesmo pela característica de certa “impaciência”, esta competência pode ficar relegada, o que de certa forma pode impactar nos resultados globais. Isto precisa ser trabalhado, finaliza Sílvia Branquinho.

 

Site do entrevistado: Sidnei Oliveira: http://www.sidneioliveira.com.br

 
Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Itambé Empresarial em 17 de setembro de 2009

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Empreendedorismo no Brasil

Pesquisas revelam a alta capacidade de empreendedorismo do brasileiro, mas em termos de educação empreendedora ainda há muito chão pela frente

“Acredito muito no Brasil e boa parte dos nossos problemas só será resolvida com muita educação e empreendedorismo”

Jerônimo Mendes

Por que tantas empresas brasileiras fecham antes de completarem cinco anos? Quais são as maiores dificuldades? O que é preciso fazer para que o empreendimento dê certo? Essas são algumas questões que vem à mente quando se fala em empreendedorismo no Brasil. Para o administrador e consultor de empresas, Jerônimo Mendes, é preciso considerar os dois tipos de empreendedores: o que abre o negócio por necessidade e o que abre por iniciativa. Geralmente quem empreende por necessidade toma uma atitude precipitada quando a pressão financeira vem. E nesse caso, a falta de planejamento e de estratégias contribui para aumentar ainda mais o índice de mortalidade das empresas. 

No entanto, nesta entrevista o consultor organizacional diz que com apoio, incentivo e crédito por parte do governo e com planejamento, foco, determinação e persistência por parte dos empreendedores, o Brasil tem tudo para se tornar o país do empreendedorismo.

O Brasil é, de fato, o país do empreendedorismo?
Ainda não, mas tem tudo para se transformar no maior de todos. Temos tecnologia, demanda, força de vontade, escolas, gente para trabalhar. O que falta é apoio, incentivo e acesso ao crédito. A Lei das Micro, Pequenas e Médias Empresas, conhecida como Super Simples, reduziu em parte a burocracia, mas não facilitou o acesso ao crédito, conforme anunciado com toda pompa pelo Governo. O crédito continua restrito e, assim como nos Estados Unidos, creio que menos de 3% dos interessados consegue dinheiro para empreender. Você pode ter um bom plano de negócio, mas, como empreendedor iniciante, ainda não tem credibilidade e isso só se conquista depois de não precisar mais do crédito. É meio contraditório. Contudo, acredito muito no Brasil e boa parte dos nossos problemas só será resolvida com muita educação e empreendedorismo.
 
Há uma cultura, que é a do empregado, que se vê demitido e então decide usar seus recursos em um empreendimento, mas sem muito planejamento. Essa é a regra geral do empreendedor brasileiro ou isso está mudando?
Isso ainda existe, em menor proporção, entretanto, de uma forma ou de outra, ex-empregados continuam tentados a empenhar todos os recursos no seu negócio, muitas vezes sem o mínimo de planejamento. O fato é que planejamento demanda tempo, dinheiro e dedicação e, como regra geral, o brasileiro prefere arriscar sem planejar, imaginando que a experiência é suficiente para decolar no empreendimento e pode eliminar essa etapa. Não há nada que sobreviva sem planejamento, foco, determinação e persistência. Esses são pressupostos básicos para quem deseja empreender.
 
A informalidade pode ser vista como uma forma de empreendedorismo? Qual a diferença?
As pesquisas conduzidas pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), coordenador mundial sobre a questão do empreendedorismo no mundo, consideram a informalidade também, dividindo os negócios em empreendedorismo por iniciativa e empreendedorismo por necessidade. Particularmente, como defendi no meu livro, considero empreendedor todo aquele cidadão que, independentemente das condições, tomou a iniciativa e empreendeu por conta própria e risco. A única diferença está na classificação. Empreender por iniciativa demonstra vontade de empreender e de seguir o próprio caminho, de maneira formal ou informal, e empreender por necessidade significa que você faz o que faz por uma questão de sobrevivência.
 
Em termos de números, a crise atual afetou o empreendedorismo no Brasil ou ela causou efeito contrário, e estimulou o empreendedorismo no país?
Os números do empreendedorismo variam de acordo com a situação econômica de cada país. Em tempos de crise, as pessoas tendem a empreender mais, pois a oferta de empregos no mercado formal de trabalho diminui. De acordo com as pesquisas do GEM, iniciadas em 1999, a relação entre iniciativa e necessidade vem se equilibrando, ou seja, as pessoas já estão empreendendo mais por iniciativa, diferente dos números obtidos no início da pesquisa quando os empreendimentos surgiam muito mais por necessidade. Nesse sentido, devemos reconhecer o trabalho do SEBRAE que tem contribuído muito para melhorar essa estatística. Acredito que existe uma consciência mundial em torno da importância do empreendedorismo e os governos sabem que não existe outra saída. Penso que ainda voltaremos aos índices anteriores da Revolução Industrial onde mais de 80% das pessoas atuavam como empreendedores nas profissões passadas de pai para filho: ferreiros, escultores, pintores, marceneiros etc. Daí a importância cada vez maior da especialização.
 
Em recente artigo seu, o empreendedor do futuro, o senhor afirma: o grande desafio será o empreendedorismo sustentável, integrado ao ritmo da natureza, incapaz de comprometer a sobrevivência das próximas gerações. Como conseguir isso?
Não imagino que seja possível obter essa consciência coletiva na nossa geração. Como eu sempre digo, acredito mais nos netos dos meus netos. Apesar do esforço das ONG’s e de alguns países, é difícil criar uma consciência em torno da necessidade de preservação. O desequilíbrio entre consumo e a necessidade de preservação é grande. Enquanto uma minoria trabalha para estimular o consumo consciente, a grande maioria trabalha para vender mais aparelhos de TV, carros, telefones celulares, computadores etc., portanto, a única alternativa é a educação pelo exemplo que vem de casa. Se os pais não derem o exemplo, dificilmente livrarão os filhos da influência da mídia e a mídia é impiedosa, ela precisa desse desequilíbrio para sobreviver. Infelizmente, ela tem mais influência sobre o meio do que nós, entretanto, não se deve perder a esperança. Por mínimo que seja, cada um deve fazer a sua parte. E o empreendedor não pode se furtar a isso.
 
Qual o perfil do empreendedor brasileiro?
De acordo com o último relatório do GEM (2008), a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) foi de 12,02%. Isso significa que, de cada 100 brasileiros, 12 realizavam alguma atividade empreendedora, pelo menos até o momento da pesquisa. Dentre os 43 países pesquisados, o Brasil ficou em 13º lugar no ranking de empreendedorismo, com aproximadamente 15 milhões de empreendedores. Isso confirma a alta capacidade de empreendedorismo do brasileiro, entretanto, apesar de apresentar características positivas para empreender, como força de vontade, iniciativa, ousadia, predisposição para o risco moderado e persistência, o brasileiro atua muito na informalidade, pensa que não precisa pagar impostos, oscila muito entre a vontade de empreender e a vontade de ser empregado, continua avesso à tecnologia e não aceita ou não entende o planejamento como ferramenta de crescimento e de sustentabilidade. Em termos de educação empreendedora, temos ainda muito chão pela frente.

Há quem defenda a tese de que nossas escolas não preparam as novas gerações para o empreendedorismo, ou seja, prega-se ainda a cultura do emprego. É isso mesmo, o que precisa mudar?
De fato, não preparam. Existem poucas iniciativas nesse sentido. Somos filhos da Revolução Industrial e ainda carregamos a sina de que o emprego formal e a carteira profissional assinada são sinônimos de segurança. Os dois lados têm vantagens e desvantagens, portanto, o que importa é o foco de atuação. Ser empregado exige postura diferente de ser empreendedor. O fato é que não dá para ser empregado pensando o tempo todo em ser empreendedor e vice-versa. Primeiro, decida o que você quer, depois, empenhe toda a sua energia para fazer bem feito aquilo que, com muito trabalho e persistência, lhe dará dinheiro algum dia. Dependendo do seu posicionamento, você consegue ser feliz em qualquer um dos lados, mas precisa decidir corretamente o que quer para evitar desperdício de energia. Se dependesse de mim, o empreendedorismo seria difundido nas escolas desde a idade pré-escolar.
 
Quando é que o empreendedor percebe que fez a opção certa?
Não existe opção certa, existe aquela que dá certo. O tempo dirá se a opção foi correta ou não, entretanto, quanto mais o empreendimento estiver alinhado com a sua profissão, experiência e, principalmente, vocação, maior a chance de prosperar. Tudo na vida é uma questão de escolhas e quanto mais acertada a escolha, menor a dor. Por essas e outras razões é que somente 60% das empresas sobrevivem ao primeiro ano de funcionamento. Empreender e prosperar é coisa para pessoas fortes de espírito, cujo único lema é “vencer ou vencer”.

Qual a avaliação que o senhor faz do empreendedor que monta um negócio com a seguinte ideia: abrir um empreendimento, trabalhar por 10 anos, ganhar dinheiro, passar o negócio para frente e ir curtir a vida?
Não é tão simples assim. Qualquer negócio exige, no mínimo, de 10 a 20 anos para se consolidar. O tempo médio de vida das empresas ao redor do mundo é de 40 anos. Conta-se nos dedos quantas empresas têm mais de 40 anos. Se isto for possível e esse for o desejo do empreendedor, não vejo nada de mais. Como disse anteriormente, tudo é uma questão de escolha. Aliás, essa é a opção de muitos executivos que conheço, entretanto, quando pensam em curtir a vida, a energia não é mais a mesma e eles acabam voltando para a ativa. A essência do ser humano está no trabalho, na contribuição, na valorização e no reconhecimento. O segredo está no equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Existe uma receita de sucesso para quem deseja empreender?
Penso que sim. No meu livro – MANUAL DO EMPREENDEDOR (Atlas) – explorei o conhecimento de alguns pesquisadores sobre o assunto e também me baseei na minha própria pesquisa realizada com pequenos e médios empreendedores da Região Metropolitana de Curitiba e batizei de A Receita de Sucesso nos Negócios. Antes de empreender, a leitura deve ajudar na decisão, portanto, divido aqui a experiência sobre o assunto:

* Desenvolva uma estratégia convincente e clara.
* Comunique a essência da visão e da missão; não perca o principal objetivo de vista; mantenha o foco.
* Crie um diferencial nos seus produtos e serviços; é a sua vantagem competitiva.
* Não há segredos; somente o trabalho duro dará resultados.
* Nada é mais importante do que um fluxo de caixa positivo.
* Se você ensina uma pessoa a trabalhar para outras, você a alimenta por um ano; se você a estimula a ser empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras, durante toda a vida.
* Um negócio bem-sucedido, antes de ser técnico ou financeiro, é fundamentalmente um processo humano; as pessoas são importantes.
* Realizar com o sentido de contribuir é mais importante do que ganhar dinheiro.
* A sorte favorece os que são persistentes; enquanto a sorte não vem, continue caminhando.
* A felicidade é um fluxo de caixa positivo.

Entrevistado: Jerônimo Mendes: jeronimo.mendes@consult.com.br
Administrador, Consultor e Professor Universitário
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE – Curitiba/PR
Autor dos livros:
* Manual do Empreendedor: como construir um empreendimento de sucesso
* Oh, Mundo Cãoporativo! Lições e Reflexões
* Benditas Muletas

 

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Caroline Veiga DRT/PR 04882

Publicado por: Itambé Empresarial em 17 de setembro de 2009

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Copa 2014 deve gerar 3,5 milhões de empregos na construção civil

Previsão da Associação Brasileira de Engenharia Industrial é que a cada R$ 1 milhão de investimentos no setor serão criadas 58 vagas

A Copa do Mundo no Brasil pode mudar a vida de muitos brasileiros. Para os fanáticos por futebol, é a chance de assistir aos jogos da seleção. Já para outros, será a oportunidade de conseguir emprego. Isso porque em alguns setores, como o da construção, haverá grande demanda.

No caso da construção, a Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial) estima que o setor seja responsável pela criação de 3,5 milhões de empregos. Especialistas preveem ainda que, a cada R$ 1 milhão de investimentos na construção civil, serão criadas 58 vagas de emprego, sendo 33 diretas e 25 indiretas.

Na opinião do diretor-presidente da Abemi, Carlos Maurício Lima de Paula Barros, as áreas da construção que mais devem empregar são as empresas de projeto, consultorias, edificações e construção industrial.

Investimentos

A preparação do país para a Copa do Mundo em 2014 deve transformar o Brasil, assim será muito fácil percorrer as cidades e encontrar obras e mais obras. Essa expectativa permite ao setor fazer planos para reiniciar a trajetória de crescimento interrompida por conta da crise econômica mundial. Com isso, as contratações irão aumentar para atender toda essa demanda.

Engana-se quem pensa que essa procura por profissionais do setor de construção só ocorrerá nas 12 cidades-sede que irão sediar os jogos da Copa e que, por isso, deverão se adequar às exigências da Fifa. “Tais melhorias deverão acontecer também em cerca de 200 municípios vizinhos que receberão seleções e, principalmente, turistas”, ressalta Barros.

Na avaliação de especialistas no setor, a construção civil deverá ganhar maior participação no PIB (Produto Interno Bruto) a partir do ano que vem. “A Copa do Mundo de 2014 vai aumentar os investimentos em infraestrutura pelo menos até o ano da sua realização, aquecendo a construção civil em diversos segmentos”, diz Barros.

O otimismo das empresas é impulsionado pelo volume de investimentos prometidos para o setor, que variam de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões.

 
Fonte: Folha de Londrina

 

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Itambé Empresarial em 17 de setembro de 2009

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Procuram-se engenheiros. De novo

Recuperação da construção civil volta a expor carência de profissionais no país. Déficit só deve ser suprido daqui a três anos

Mal começou a recuperação econômica e o setor de construção civil já se depara com a disputa por engenheiros. O setor foi um dos menos atingidos pela crise econômica e um dos que mais rapidamente voltou a crescer, graças à resistência do mercado interno e a estímulos como o pacote habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, lançado em março.

No primeiro semestre de 2009, foram criadas 3,1 mil vagas para profissionais com diploma universitário na construção civil, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número ainda está longe dos 7 mil postos criados no mesmo período de 2008, ano considerado excepcional, mas já está próximo das 3,5 mil vagas criadas nos primeiros seis meses de 2007.
 
De acordo com o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, mesmo com um ritmo menor de abertura de postos de trabalho, o reaquecimento já trouxe de volta a disputa por engenheiros. “Ainda temos um déficit grande de profissionais que só vai ser suprido daqui a dois ou três anos”, diz. Um dos retratos desse déficit é a relação entre profissionais registrados no Confea e a abertura de vagas, que até outubro de 2008 se manteve abaixo das vagas abertas no mercado formal.
 
Melo diz que o aquecimento do mercado começou há três anos, como um reflexo do investimento em infraestrutura. “Em 2009, teremos um mercado puxado principalmente pela construção civil, que está fortemente aquecida, em todos os Estados”, diz.
 
No ano passado, a disputa por engenheiros elevou os salários pagos no setor. De acordo com o presidente do Confea, o salário de um profissional sênior, que era de cerca de R$ 6 mil reais saltou para até R$ 18 mil em alguns casos. “Havia uma disputa brutal no primeiro trimestre do ano passado”, diz.
 
Após a crise, no entanto, algumas empresas estão mais cautelosas em relação à oferta de maiores salários. “Temos visto empresas que oferecem outras formas de atrativo, como cursos e planos de carreira para os profissionais”, diz o gerente da divisão de engenharia da consultoria de recrutamento Robert Half, Roberto Britto.
 
Na consultoria, que tem presença internacional, o Brasil foi um dos países que mais se manteve aquecido durante a crise. A área de engenharia, uma exclusividade do País, é a que tem o melhor desempenho.
 
As incorporadoras Gafisa e Tenda, pertencentes ao mesmo grupo, adotaram essa linha de estímulos para atrair os profissionais. Em 20 de julho, as empresas abriram as inscrições para o programa Comece Bem, que pretende contratar jovens engenheiros civis e de Produção no segundo semestre. “Vamos fornecer para o profissional um período formação profissional”, diz Rodrigo Pádua, diretor de Recursos Humanos da Gafisa. Segundo ele, o grupo pretende se fortalecer para um crescimento que virá no curto e médio prazo.
 
Outro atrativo da empresa, de acordo com Pádua, é a solidez econômica, um atributo que passou a ser relevante após a crise. “Agora, o profissional está mais seletivo, principalmente porque, após a crise, muitas empresas que pareciam que iriam virar grandes se tornaram pouco representativas.”
 
Além do programa para novos profissionais a Gafisa já tem um programa de desenvolvimento de lideranças estruturado. “Atualmente, cerca de 70% dos nossos cargos de gestão são formados internamente”, diz Pádua. Graças a essa possibilidade de ascensão, Pádua diz que a incorporadora não enfrentou problemas no ano passado, quando a disputa por profissionais foi mais intensa.
 
A possibilidade de evolução na carreira foi o principal motivo que levou o engenheiro civil Tiago de Oliveira Evangelista, de 27 anos, a mudar de emprego. Ele trabalhava num escritório especializado em grandes edifícios e há uma semana começou a trabalhar na construtora Homex do Brasil, que trabalha com a habitação popular. “Percebi que teria maior oportunidade de desenvolvimento profissional nessa área”, diz.
 
Para as construtoras menores, a procura fica mais difícil. “Tive de contratar uma pessoa especializada para buscar um engenheiro em Santos”, diz o sócio-diretor da Etemp Engenharia, José Carlos Molina. Britto, da Robert Half, diz que, após a crise, os profissionais passaram a exigir um salário maior para mudar de emprego. “Muitos têm medo da mudança e, para trocar de emprego, pedem agora um salário mais alto”, afirma ele.
 
Para o presidente do Confea, a carência de profissionais só vai acabar quando se construir um plano nacional para a formação de engenheiros planejado pelo Ministério da Educação. “Hoje, a falta de engenheiros é um dos gargalos do Brasil, responsável, por exemplo, pelo atraso no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, diz.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo

 

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

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