Industrialização dos sistemas construtivos

Industrialização dos sistemas construtivos

Industrialização dos sistemas construtivos 150 150 Cimento Itambé

A escolha do sistema construtivo ideal permite executar projetos mais ágeis, econômicos, sustentáveis e com qualidade

Os dados revelam que a construção civil está a todo vapor no Brasil. Um exemplo disso é que o brasileiro nunca financiou tanto imóvel como em 2009. No ano passado, 302,7 mil unidades foram financiadas com os depósitos da caderneta, em um total de R$ 34 bilhões. E a expectativa é que esse recorde seja ultrapassado em 2010.

Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP

Diversos fatores como a estabilização econômica, a redução de juros, a ampliação de crédito, entre outros alteraram a dinâmica do mercado imobiliário. De acordo com Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), se antes o fluxo de caixa das construtoras não permitia a realização de obras mais rápidas, atualmente, as empresas dependem de um sistema ágil para atender a demanda.

Além disso, ele ressalta que a abertura de capital das construtoras possibilitou que elas expandissem suas áreas de atuação, deixando atuar apenas regionalmente. “Com isso sentiu-se a necessidade de padronizar a construção e o desenvolvimento de produtos, para que as obras pudessem ser realizadas com os mesmos parâmetros em regiões distintas” explica. E para isso os fornecedores também tiveram que se adaptar. Percebeu-se que a produção industrializada, em escala, tornou-se mais do que uma alternativa, tornou-se uma necessidade de mercado. “E não é só isso, a demanda por qualidade também está maior. Os consumidores, inclusive das classes mais baixas, estão mais exigentes” garante.

Soluções em sistemas construtivos

Teoricamente, de acordo com Frigieri, existem três opções de sistemas:
* Sistemas tradicionais não racionalizados.
* Sistemas “tradicionais racionalizados”, ou seja, melhorados com pequenas/médias inovações.
* Sistemas “industrializados”.

Além das estruturas de concreto que, por muito tempo, foram a solução hegemônica das construções no país, a alvenaria estrutural tem se mostrado eficiente em habitações populares, como é o caso do Programa Minha Casa, Minha Vida. Neste tipo de estrutura, a alvenaria tem a finalidade de resistir ao carregamento da edificação, tendo as paredes função resistente, além da função de vedação. As lajes da edificação normalmente são em concreto armado ou protendido, podendo ser moldadas no local ou pré-fabricadas.

Dois outros sistemas, segundo Frigieri, também vêm se fortalecendo: a parede de concreto e os pré-fabricados de concreto. “Esses sistemas estão sendo implantados numa velocidade que chega a ser surpreendente para nós (da ABCP)” afirma.

Ele avalia que não tem um sistema construtivo que vá prevalecer. “Cada sistema deverá ocupar um nicho. O bloco cerâmico, por exemplo, tem dado espaço ao bloco de concreto” diz.

Para o gerente da ABCP, custo, qualidade e velocidade são os pilares que influenciam na decisão do sistema construtivo a ser empregado. Sendo assim, o construtor vai medir a viabilidade de cada sistema de acordo com o que ele quer ou necessita.

Caminhos para a regulamentação de novos sistemas construtivos

O Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), do PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat), foi criado para avaliar o desempenho de materiais e sistemas construtivos que ainda não possuem normas técnicas prescritivas específicas. Para Frigieri, “o Sinat é um caminho seguro para quem quer desenvolver um sistema inovador, pois estabelece critérios e metodologias de avaliação que validam o sistema antes de ser colocado em prática”. Este sistema funciona como uma espécie de garantia de que o produto ou sistema construtivo atende a requisitos de desempenho pré-determinados.

Sustentabilidade e racionalização

Os sistemas construtivos também contribuem para a sustentabilidade da construção ao minimizarem os desperdícios. “Com a industrialização é possível tornar a obra mais limpa, utilizando a quantidade exata de materiais” exemplifica Frigieri. “Sem falar na durabilidade do concreto, que aumenta o ciclo de vida da obra, sem a necessidade de reparos ou reconstrução em curtos espaços de tempo” complementa.

Um dos obstáculos para a implantação de sistemas construtivos inovadores é justamente a falta de uma cultura de racionalização. “Os profissionais do setor passaram muitos anos sem praticar a racionalização e agora estão tendo que se adaptar rapidamente” analisa.

Em relação aos custos, cada vez mais as construtoras estão adotando sistemas construtivos que minimizem erros e evitem refações. “Afinal tempo e material perdido com retrabalho, refletem em um custo a mais” garante.

Ações da ABCP

A ABCP há alguns anos vem trabalhando com diversos parceiros a fim de promover junto à cadeia da construção os sistemas construtivos à base de cimento/concreto. Em relação à alvenaria estrutural foram qualificadas empresas para a fabricação de blocos de concreto, garantindo a qualidade final do produto. A entidade também promoveu a capacitação de profissionais para a correta aplicação do sistema.

Equipes da ABCP, da Associação Brasileira de Serviços de Concretagem (Abesc) e do Instituto Brasileiro de Tela Soldada (IBTS) desenvolveram ações pioneiras para conhecer mais sobre as edificações feitas com paredes de concreto moldadas in loco.

Entre as diversas iniciativas, as associações lideraram um grupo de construtoras que, em comitiva técnica, visitaram obras em Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia), onde as paredes de concreto são amplamente utilizadas.

A ABCP também firmou um convênio com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) visando ao desenvolvimento do uso de elementos pré-fabricados de concreto.

Não perca!
Acompanhe nas próximas edições do Massa Cinzenta mais informações sobre os principais sistemas construtivos à base de cimento/concreto.

E-mail de contato: cristina03@lide.com.br (assessoria de imprensa)

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

24 de fevereiro de 2010

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