Goiânia ajudou a "tropicalizar" concreto autoadensável

Goiânia ajudou a "tropicalizar" concreto autoadensável

Goiânia ajudou a "tropicalizar" concreto autoadensável 150 150 Cimento Itambé

Em 2004, graças a estudos desenvolvidos na Universidade Federal de Goiás, cidade foi pioneira no país a usar CAA na construção de edifícios

Por: Altair Santos

A literatura da engenharia civil brasileira traz registros de que a tecnologia do concreto autoadensável (CAA) chegou ao país nos anos 1980. No entanto, o produto só passou a fazer parte do cotidiano das obras a partir de 2004. A cidade de Goiânia tornou-se preponderante para que o CAA passasse a ser empreendido em construções.

André Geyer, da UFG: ele coordenou os estudos e aplicação prática do CAA nas construções.

Foi na capital de Goiás que construtoras, concreteiras, escolas de engenharia e entidades de classe dos engenheiros se uniram para estudar o material, adaptá-lo às condições técnicas e climáticas do Brasil e explorar seu potencial. “A inovação que se fez em Goiânia, a partir de 2004, foi a de se colocar em prática esta técnica na construção de edifícios, utilizando-a em larga escala e a custos compatíveis”, explica André Geyer, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) que na época coordenou os estudos em torno do CAA.

Os esforços para que o concreto autoadensável ganhasse a confiança do mercado se concentraram nos laboratórios do curso de engenharia civil da UFG. “A universidade foi fundamental, pois as pesquisas desenvolvidas tornaram possíveis mostrar que o Brasil já detinha o conhecimento necessário para por em prática o CAA na construção integral de edifícios, a custos, inclusive, menores do que os com estruturas com concretos convencionais. Porém, sem o apoio das empresas de concreto e construtoras que aceitaram este desafio, nada seria possível, o que lhes dá igual importância nesse processo”, revela André Geyer, citando que o CAA precisou ser adaptado para o bom uso no país. “Não havia métodos de dosagens e nem normas próprias para a aplicação deste concreto no Brasil. Foi necessária a tropicalização de métodos de dosagem, de insumos e aditivos, assim como de equipamentos, para tornar possível produzir, executar e controlar a qualidade do CAA”, completa.

O professor-doutor da UFG relembra ainda que um dos desafios para a aplicação em larga escala do concreto autoadensável foi adaptá-lo às condições climáticas de regiões mais quentes do país. “Trata-se de um concreto que utiliza aditivos superplastificantes de última geração, os quais sofrem grande influencia negativa de altas temperaturas ambientais, o que é muito comum em todo Brasil. Assim foi mais difícil adaptar-se à técnica e às condições locais. Mesmo assim, com a criatividade de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás isto foi possível e está devidamente registrado em inúmeras dissertações de mestrado geradas nos cursos da UFG”, diz André Geyer, relacionando as vantagens do concreto autoadensável:

· Redução do custo de aplicação por m³ de concreto
· Garantia de excelente acabamento em concreto aparente
· Permite bombeamento em grandes distâncias horizontais e verticais
· Otimização de mão de obra
· Maior rapidez de execução da obra
· Melhoria nas condições de segurança na obra
· Eliminação do ruído provocado pelo vibrador
· Significativa redução nas atividades de espalhamento e de vibração
· Permite a concretagem sem adensamento em regiões com grande densidade de armadura
· Aumento das possibilidades de trabalho com fôrmas de pequenas dimensões
· Redução do custo final da obra em comparação ao sistema de concretagem convencional
· Acelera o lançamento do concreto na estrutura, permitindo concretagens mais rápidas
· Redução da mão de obra no canteiro
· Melhoria do acabamento superficial
· Aumento da durabilidade devido à redução de defeitos de concretagem

Por causa da mobilização em Goiânia pelo uso do CAA, a cidade até hoje é considerada a “capital do concreto autoadensável“. Na cidade, sua aplicação em obras está em torno de 40%, enquanto em outras capitais varia em cerca de 10%. Geyer, no entanto, acredita que a escassez de mão de obra para a construção civil possa tornar o CAA mais “comum” nos canteiros de obras. “Em alguns casos, a execução do concreto autoadensável requer 70% menos mão de obra que na aplicação de um concreto convencional. Isso começa a fazer o CAA expandir seu mercado”, analisa. “Além disso, por se tratar de um concreto mais leve, ele expõe o trabalhador a menos esforços e é mais seguro, principalmente em obras de infraestrutura”, ressalta.

Entrevistado
André Geyer, professor-doutor da Universidade Federal de Goiás
Currículo

– Graduado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1986)
– Tem mestrado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995) e doutorado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2001)
– Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em materiais e componentes de construção, atuando principalmente nos seguintes temas: tecnologia do concreto, concreto de alto desempenho, concreto autoadensável e métodos de dosagem
Contato: andre.geyer@hotmail.com

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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