Futuro tira engenheiro civil da “zona de conforto”

Engenheiros civis têm que dominar a administração, a Tecnologia de Informação (TI) e até a psicologia

Futuro tira engenheiro civil da “zona de conforto”

Futuro tira engenheiro civil da “zona de conforto” 909 615 Cimento Itambé

Pesquisa mostra que profissional precisa unificar conhecimentos contidos em outras atividades e investir na capacitação continuada

Por: Altair Santos

A engenharia civil se reinventa nos laboratórios de pesquisa, agregando inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressoras 3D e até biotecnologia. No entanto, ainda conta com uma grade curricular ultrapassada, sobretudo no Brasil. Segundo recente pesquisa divulgada no Fórum Econômico Mundial, denominada “O Futuro do Trabalho”, haverá a extinção de 5,1 milhões de empregos no mundo até 2021. No estudo, há um capítulo exclusivo que trata da engenharia e de profissões correlatas. A análise é que a formação da engenharia – sobretudo os cursos mais tradicionais, como a civil – terá que unificar ensinamentos contidos em outras profissões, além de adequar-se a uma nova realidade: a capacitação continuada.

Engenheiros civis têm que dominar a administração, a Tecnologia de Informação (TI) e até a psicologia

Engenheiros civis têm que dominar a administração, a Tecnologia de Informação (TI) e até a psicologia

A pesquisa avalia que, além das tecnologias, o cenário globalizado derrubou paradigmas e estabeleceu novos conceitos. Mesmo as empresas regionais já operam interligadas com outras partes do mundo. “Está em curso uma nova revolução industrial, que, consequentemente, impactará no conjunto de habilidades requeridas para prosperar neste novo panorama”, diz relatório que acompanha o estudo do Fórum Econômico Mundial. Essa revolução tem nome: Indústria 4.0. Ela representa a descontinuidade do modelo de produção vigente e deriva de novos produtos e processos ocorridos na fronteira da ciência, como a convergência entre info, nano, bio e neuro-cogno tecnologias.

Essas descobertas possuem aplicações em praticamente todas as áreas: da química à física, da biologia à medicina, da engenharia à computação. Não resta dúvida de que a “Quarta Revolução Industrial” abre um mundo de possibilidades, mas traz consigo grandes desafios aos profissionais, principalmente os que estão chegando agora no mercado de trabalho. “O tempo de ser especializado em uma única área do trabalho acabou”, indica o documento apresentado na 46ª edição do Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos (Suíça). Com essa análise, as grades curriculares dos cursos de engenharia – especialmente nas universidades brasileiras – estão colocadas em xeque.

Currículo defasado e evasão
A mais recente atualização curricular dos cursos de engenharia proposta pelo MEC (Ministério da Educação) ocorreu em 2002. Não há no horizonte nenhuma outra proposta de reforma, mesmo diante das insistentes indicações do mercado de trabalho. Para tentar qualificar minimamente seus graduados, as instituições de ensino superior têm feito ajustes pontuais na grade curricular. No entanto, sem diretrizes do governo federal, as escolas estão impedidas de implantar reformas profundas em seus cursos. No caso das universidades menos conceituadas, elas se restringem a oferecer apenas o conteúdo mínimo exigido pelo MEC. Isso criou uma disparidade entre cursos. Enquanto alguns chegam a ter 4.200 horas de carga horária, outros ofertam no máximo 3.600 horas ao longo de cinco anos de graduação.

Crítico do modelo de ensino das escolas de engenharia, o engenheiro civil Francis Bogossian, que já presidiu várias associações de classe, aponta que o Brasil caminha na contramão de outros países. Enquanto russos e chineses, por exemplo, investem maciçamente na formação de engenheiros, o país não consegue conter a evasão. ”De cada 172 alunos que ingressam nos cursos, apenas 95 os concluem. A formação de novos engenheiros também cresce muito abaixo das necessidades do país. Tem sido inferior à formação em Direito e Administração de empresas. Acrescente-se que os graduados em engenharia no Brasil são menos de 20% dos russos e de 8% dos chineses”, alerta, em artigo escrito recentemente, com o título Mais uma crise na nossa engenharia.

Veja a íntegra do documento do Fórum Econômico Mundial.

Entrevistado
Fórum Mundial do Trabalho (via assessoria de mídia)
Contato: contact@weforum.org

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
VEJA TAMBÉM NO MASSA CINZENTA

MANTENHA-SE ATUALIZADO COM O MERCADO

Cadastre-se no e receba o informativo semanal sobre o mercado da construção civil