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Geólogos se especializam em localizar fóssil em obras

Gestão, Gestão de Obras 29 de julho de 2015

Grupo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba, intensifica descobertas. A mais recente tem idade estimada de 80 milhões de anos

Por: Altair Santos

Cresce o volume de fósseis descobertos em canteiros de obras no Brasil. Os geólogos, os arqueólogos, os paleontólogos e os biólogos têm papel determinante neste novo cenário. Além de aprimorar a prospecção de áreas com chances de abrigar ossadas de milhões de anos e objetos de culturas antigas, eles criaram uma rede de informações capaz de apontar vestígios em praticamente todas as regiões do país. Ainda contribui para essa guinada histórica a mudança de comportamento das construtoras. Apesar de a maioria ainda esconder as descobertas, é crescente o número de empresas que se tornam parceiras da arqueologia.

Luiz Carlos Borges Ribeiro e Thiago Marinho: é mito acreditar que retirada de fóssil de canteiro de obras paralisa construção

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Mas em nenhuma outra região do Brasil a descoberta de fósseis em obras está tão aprimorada quanto no Triângulo Mineiro, sobretudo na cidade de Uberaba. Graças ao grupo que atua no Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, ligado à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), e que é formado por geólogos, paleontólogos e técnicos especializados na identificação e coleta de fósseis. “É um caso único no Brasil, já que em outras localidades o trabalho é realizado por paleontólogos engajados em consultorias ambientais esporádicas”, diz Thiago da Silva Marinho, paleontólogo e professor-adjunto da UFTM.

Liderado pelo geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, recentemente o centro de pesquisa da universidade descobriu em um canteiro de obras localizado na cidade de Uberaba aquilo que pode ser uma nova espécie de dinossauro, com aproximadamente 80 milhões de anos. O fóssil estava em uma área em que a Quanta Empreendimentos Imobiliários viabiliza um condomínio residencial. A empresa facilitou ao máximo as escavações. “A postura da construtora foi a melhor possível em relação à preservação do patrimônio paleontológico de Uberaba. Por isso, reforço: é mito acreditar que retirada de fóssil de canteiro de obras paralisa construções”, afirma Thiago da Silva Marinho.

Os acordos entre construtoras e paleontólogos são sempre bem-vindos, mas existem leis federais que consideram os fósseis como bens da União e, portanto, não podem ser comercializados ou destruídos. Assim, caso haja a presença de fósseis em uma escavação, eles devem ser coletados por uma equipe especializada e depositados em uma instituição de pesquisas paleontológicas com reconhecimento do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Uberaba, no entanto, é o único município em que a prefeitura local criou uma lei que obriga a avaliação paleontológica dos empreendimentos que venham a interferir em rochas fossilíferas.

Descoberta de vestígios de civilizações antigas na área do metrô do Rio: obras viram o centro das atenções da paleontologia

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Outra descoberta
Uberaba, no entanto, não é a única localidade fértil para a paleontologia. O Rio de Janeiro também tem se revelado riquíssimo em descobertas, principalmente no que se refere a vestígios de civilizações antigas. Recentemente, escavações na Linha 4 do Metrô, na região central da capital fluminense – mais especificamente no bairro Leopoldina -, trouxeram à tona restos de um sambaqui (resquícios de ocupações de povos primitivos). Os objetos encontrados no local têm entre três mil e quatro mil anos. São pelo menos 50 artefatos de pedra pertencentes a grupos nômades, e que estão em fase de catalogação pelo arqueólogo Claudio Prado de Mello.

Entre os itens encontrados no terreno do metrô estão pontas de lanças de caça, raspadores usados para cortar a carne do animal, machadinhas e batedores (que funcionavam como martelos primitivos). No mesmo local, onde já funcionaram uma estação de trem (Alfredo Maia) e o Matadouro Imperial, também foram encontrados materiais usados pela família imperial, como porcelanas, cachimbos e até uma escova de dente que teria pertencido ao imperador Dom Pedro II.

Entrevistado
Biólogo, geólogo e professor-adjunto da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Thiago da Silva Marinho. Também é supervisor do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, ligado à UFTM.
Contato: tsmarinho@gmail.com

Crédito Foto: Luís Adolfo/UFTM/Divulgação/Consórcio Linha 4 Sul

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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