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Fabricar artefatos ou moldar concreto, eis a questão

Área Técnica, Gestão, Gestão de Obras, Industrialização, Sobre Concreto 13 de outubro de 2016

Case que ocorreu durante as obras para os Jogos Olímpicos começa a mudar conceitos dentro do mercado de elementos à base de cimento

Por: Altair Santos

Durante a preparação das Olimpíadas Rio 2016, o comitê organizador se deparou com um problema: não conseguia achar pedestais que sustentassem as grades móveis de proteção que iriam cercar os equipamentos esportivos. Foi tentado um artefato de plástico que não resistia a ventos de baixo impacto. O cronograma estava quase estrangulado quando houve a decisão de recorrer a um fabricante de artefatos de cimento. A peça nunca havia sido feita antes, mas se chegou a uma solução que resolveu o problema do comitê: um suporte maciço, com um encaixe sob medida para sustentar as barras metálicas das grades.

Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida

Base em concreto, que sustentou grades na Rio 2016: peça inédita, fabricada sob medida

A partir deste case, fabricantes do setor passaram a entender que são as demandas do mercado que definem o portfólio de produtos. Esse posicionamento tem aberto novas frentes de negócio, com base no seguinte conceito: não basta fabricar artefatos, é preciso moldar o concreto de acordo com as necessidades do cliente. “Esse exemplo mostra o quanto o setor de artefatos está mudando com uma velocidade espantosa. Atrevo-me a dizer que daqui a dez anos ele não será mais como o conhecemos hoje”, afirma o economista e engenheiro Filipe Honorato, que integra a equipe de planejamento do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP.

O consultor avalia que, hoje, o fabricante focado no mercado produz 80% de paver e bloco de concreto, mas precisa ter em seu portfólio 20% de produtos diferenciados. “Paver e bloco são commodities. Isto todo mundo faz, e com relativa qualidade. Mas o mercado quer também a inovação. Isso se consegue com infraestrutura comercial. O departamento comercial da fábrica não pode apenas tirar pedido. Ele precisa pesquisar o que o mercado busca. Um exemplo: os escritórios de arquitetura valorizam muito fábricas inovadoras, e que apresentam em seus portfólios soluções para paisagismo e calçamento”, completa Filipe Honorato.

Conhecimento e inovação
O case que garantiu a segurança dos Jogos Olímpicos foi desenvolvido pela BrasiBloco, do Rio de Janeiro. A empresa se modernizou a partir da gestão do engenheiro civil e administrador de empresas Paulo Sérgio Martins. “Quando assumi, a mentalidade do negócio era muito precária. A fábrica parecia um acampamento do Vietnã. Aos poucos fomos operando mudanças, como maquinário, treinamento de mão de obra e participação em muitas missões nacionais e internacionais. Ao agregar conhecimento, nos sentimos capacitados para apresentar soluções em artefatos de concreto para nossos clientes, e não apenas fabricar peças”, explica Martins.

Hoje consultor, Paulo Martins afirma que atualmente uma fábrica de artefatos não pode ser concebida sem laboratório e sem controle dos agregados. Isso passa pela incorporação de conceitos de sustentabilidade. “Se eu produzo lixo, isso vai impactar no ambiente. O mercado busca qualidade e durabilidade, mas também quer ser surpreendido. Foi assim que conseguimos elaborar um produto exclusivo para as Olimpíadas. Foram produzidas 20 mil bases de concreto para os pedestais das grades. A inovação abriu novos mercados e o segmento de shows e eventos também passou a consumir nossos produtos”, revela Paulo Martins.

Entrevistados
– Economista e engenheiro de planejamento Filipe Honorato, consultor do PDE (Programa de Desenvolvimento Empresarial) da ABCP
– Administrador e engenheiro civil Paulo Sérgio Martins, diretor-executivo da BrasiBloco

Contatos
brasibloco97@yahoo.com.br
selo.artefatos@abcp.org.br
eduardo.davila@abcp.org.br

Crédito Foto: Divulgação/Rio 2016

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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