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EUA investem em engenheiros especialistas em concreto

Área Técnica, Comportamento e Carreira, Gestão, Qualificação Profissional, Sobre Concreto, Universidade e Pesquisa 10 de agosto de 2016

Objetivo da ACI (American Concrete Institute) é minimizar risco de retrabalho em estruturas e impedir prejuízo anual de 21 bilhões de dólares

Por: Altair Santos

Em 2015, estudo apresentado no World of Concrete – maior feira sobre concreto e derivados do mundo – chamou a atenção das autoridades dos Estados Unidos. Dizia que 25% dos reparos em estruturas de concreto feitos no país, no período entre 2013 e 2014, abrangiam construções novas com um ou dois anos de execução.

Rick Yelton, do World of Concrete: estruturas não estão atendendo às expectativas

Rick Yelton, do World of Concrete: estruturas não estão atendendo às expectativas

Não se trata, portanto, de anomalias decorrentes da idade do material, mas de erros na concepção do concreto. “Detectamos que as principais razões das falhas estão ligadas ao uso inadequado de materiais, falta de conhecimento sobre novas tecnologias aplicáveis ao reparo e pouco treinamento para os profissionais que atuam na área”, revelou Rick Yelton, um dos coordenadores do World of Concrete, e que recentemente esteve no Brasil para falar das medidas tomadas nos EUA para enfrentar esse problema.

Rick Yelton cita que erros como não-conformidade com a resistência exigida no projeto, agregados de baixa qualidade, especificações técnicas não condizentes com o que a obra exige e mão de obra não-qualificada para o manuseio do concreto acabam desencadeando retrabalho em várias obras, gerando um custo bilionário por ano em reparos. “Para nós foi constrangedor concluir que os gastos com reparos em concreto chegaram à casa de US$ 21 bilhões ao ano. Isso demonstrou que estruturas que deveriam durar entre 50 anos e 60 anos não estavam atendendo a expectativa”, analisou.

O especialista ressaltou ainda que algumas estruturas avaliadas no estudo apresentavam problemas com menos de um ano, desde a execução. “Retrabalho em estruturas novas não gera apenas custos elevados, mas pode afetar a credibilidade do concreto que, todos sabem, é o material mais confiável do mundo, quando produzido com qualidade”, disse.

Curso e revisão da ACI 546-14
Para minimizar esses riscos, a ACI (American Concrete Institute) passou a dar cursos online para engenheiros civis norte-americanos que queiram se especializar em produção e controle do concreto. Além disso, a ACI desenvolveu um código para a reparação de concreto, e que foi publicado em 2014. O documento serviu para atualizar a norma técnica ACI 546-14, da qual Rick Yelton, que também é fabricante de concreto nos EUA, integrou o comitê.

“A ACI 546-14 fornece orientação para a seleção de materiais, aplicação destes materiais e métodos para a reparação, proteção e reforço de estruturas de concreto, principalmente no que se refere ao cobrimento”, afirmou o especialista. “Há um capítulo específico sobre cobrimento, e de como se evitar ninhos, que são algumas das anomalias que mais detectamos em nosso estudo. A proteção das armaduras é fundamental”, completou Rick Yelton.

A ACI 546-14 traz em seu capítulo 9 as tecnologias e novos materiais usados para reparar concreto. Entre eles, resina epóxi, resina de uretano, argamassa plástica, selantes plásticos e de silicone, além de calda de cimento. “São técnicas de reparo que já comprovaram bons resultados e que ensinamos como manuseá-las no curso. Temos um objetivo claro de, até 2020, reduzir em 50% as anomalias que tanto dão prejuízo à construção civil nos Estados Unidos e, imagino, em outros países também”, finalizou Yelton.

Entrevistado
Rick Yelton é coordenador do World of Concrete e engenheiro de minas pela Universidade de Missouri-Rolla, além de MBA em negócios internacionais pela Universidade de St. Louis
Contato
ryelton@hanleywood.com

Crédito Foto: Divulgação/Construction Summit

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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