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Estádio de Brasília é inspirado em Niemeyer

Área Técnica, Construção Sustentável, Gestão, Inovação, Mercado da Construção, Obras Inovadoras, Sobre Concreto, Sustentabilidade 13 de julho de 2010

Sede brasiliense da Copa é uma das mais cotadas para sediar a abertura dos jogos.

Por: Lilian Júlio

 

Estádio Nacional de Brasília terá capacidade para 71 mil pessoas.

Dando continuidade à nossa série sobre a Copa do Mundo de 2014, o Massa Cinzenta traz a você o projeto para o Estádio Nacional de Brasília, na capital federal do país. Hoje chamado de Estádio Mané Garrincha, a sede brasiliense para a Copa de 2014 será totalmente reformada e foi projetada pela Castro Mello Arquitetos – que há três gerações está envolvida em construções esportivas.

Analisado como um dos estádios mais caros da Copa de 2014, o Estádio Nacional de Brasília será executado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Via Engenharia, que venceram a licitação com o preço de R$ 696 milhões. Com capacidade para 71 mil pessoas, é um forte candidato a sediar a abertura da Copa do Mundo.

Nossa proposta para o estádio traduz a filosofia de Oscar Niemeyer e respeita a imagem de Brasília"

O Estádio Mané Garrincha foi projetado em 1974 por Ícaro de Castro Mello e sua reformulação e transformação em Estádio Nacional de Brasília está a cargo do filho do arquiteto original, Eduardo de Castro Mello. Sua localização fica junto ao Eixo Monumental de Brasília, no espaço denominado como Centro Esportivo Ayrton Senna. “Nossa proposta para o novo estádio traduz a filosofia arquitetônica e respeita a imagem já consolidada de Brasília, que foi projetada por Niemeyer”, explica o arquiteto.

A preocupação dos arquitetos com um projeto visualmente agradável se justifica pela vizinhança: além de Brasília ter sido projetada pelo ícone da arquitetura, Oscar Niemeyer, o Eixo Monumental é onde se concentram as obras mais importantes do arquiteto. “Nós devemos apresentar uma solução que dialogasse com as obras de arte vizinhas”, afirma.

Mudanças estruturais

O projeto da Castro Mello envolve o rebaixamento do campo e a modernização de todo o espaço. “No novo estádio, a pista de atletismo desaparece, o campo de jogo é rebaixado em 4,50 metros e a arquibancada inferior se aproxima das linhas laterais e de fundo de campo”, revela Castro Mello.

Visão da arquibancada do Estádio Nacional de Brasília.

Outra preocupação dos projetistas é a iluminação natural: a porcentagem de vidro é maior nas partes mais internas da cobertura, permitindo uma maior iluminação solar diretamente no gramado. Por mais que os espectadores estejam na sombra, os raios solares podem atrapalhar a visão do jogo. Para evitar este problema, a cobertura possui uma segunda membrana semitransparente, que difunde os raios solares mantendo a claridade sem incidência direta.

O Estádio Nacional de Brasília não foi projetado apenas para a Copa de 2014. “Existe uma proposta de cobertura retrátil para a parte central do estádio, que terá grande utilidade para a realização de shows artísticos”, afirma o arquiteto. “Afinal o desejo é que seja uma arena multiuso, mesmo após a Copa”. Apesar da retirada da pista de atletismo, o Estádio de Brasília será utilizado para shows e outros eventos, como as Olimpíadas de 2016.

Seguindo o conceito de EcoArena – que todos os estádios da Copa no Brasil devem seguir – o Estádio de Brasília irá reaproveitar a água da chuva para irrigar o campo e também utilizará energia solar fotovoltaica. “Ao se instalarem 13 mil metros quadrados de painéis fotovoltaicos o estádio poderá ser a primeira Arena Energia-Zero do mundo”, revela Castro Mello.

Conheça melhor o projeto

Depois de certa demora no processo de licitação, o Estádio Nacional de Brasília já está sendo erguido no lugar do Mané Garrincha. A previsão de conclusão é em dezembro de 2012, para que esteja apto a receber a Copa das Confederações em 2013. “Com esta estrutura, Brasília pretende sediar o jogo de abertura da Copa de 2014 e também participar da Copa das Confederações. Para isso, é necessário que o estádio esteja finalizado, no máximo, em dezembro de 2012”, explica Castro Mello.

Para agilizar o processo de construção, parte do estádio será erguida com estruturas pré-moldadas. “Os painéis de sustentação e o anel de compressão da cobertura serão em concreto moldado in loco. Já as arquibancadas e lajes serão pré-moldadas, pois são os sistemas mais indicados e representam o melhor custo-benefício”. Eduardo Castro Mello justifica ainda o uso do pré-moldado pelas características do projeto: em um estádio as peças se repetem com regularidade. Além disso, existe um prazo máximo para a conclusão da obra e o concreto pré-moldado ajuda a diminuir o tempo da construção.

Durante a obra serão utilizados:

– 129.279 m³ de concreto (sendo 69.219 m³ para as arquibancadas e 60.150 m³ para as estruturas da esplanada, rampas, pontes e colunas e anel de compressão);

– 14.627.080 kg de aço CA-50 para concreto armado;

– 431.375 m² de formas de compensado;

– 1.300.000 m³ de cimbramentos metálicos tubulares;

– 24.660 tirantes e

– 416.573 kg de aço para estruturas metálicas secundárias.

Entrevistado:
Eduardo de Castro Mello

Currículo:
Arquiteto e consultor em arquitetura esportiva. Desde 1970 projeta construções esportivas no Brasil e no exterior. É membro da Associação Internacional para Instalações Desportivas e Recreativas (IAKS), com sede em Colônia, na Alemanha, e, hoje, está à frente do escritório Castro Mello Arquitetura Esportiva.

Email/site:
castromello@castromello.com.br / www.castromello.com.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content


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