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“Esqueleto de concreto” preserva torre medieval

Área Técnica, Gestão, Gestão de Obras, Inovação, Obras Inovadoras, Sobre Concreto 8 de março de 2017

Obra construída no século XIV desafiou a engenharia moderna para que parte de sua estrutura, que desabou em 2006, fosse recuperada

Por: Altair Santos

Estrutura de concreto integrada à parede que foi reconstruída, e que se apoia em escada interna

Estrutura de concreto integrada à parede que foi reconstruída, e que se apoia em escada interna

A Tour des Pucelles (Torre das Donzelas) foi umas das principais masmorras europeias no período da Idade Média. Construída na Bélgica, há mais de 550 anos, a obra histórica já sobreviveu a grandes catástrofes. Desde ataques espanhóis em 1578, durante as Cruzadas, passando por um devastador terremoto em 1580 e um grande incêndio que atingiu a cidade de Zichem, em 1599. Mas foi em 2006 que o monumento realmente correu o risco de desabar. Parte de sua estrutura de pedra ruiu, o que desencadeou a mobilização da engenharia belga para salvá-la. A solução foi criar um “esqueleto de concreto” em seu interior, a fim de sustentar o que restou da torre.

Em 1962, a Tour des Pucelles foi declarada patrimônio da Bélgica, mas nunca passou por manutenção. Originalmente, a construção tinha 26 metros de altura, 15 metros de diâmetro e paredes com 4,2 metros de espessura. O concreto usado na obra é o terceiro na escala de evolução do material: o concreto medieval, usado entre 1200 d.C e 1800 d.C. Ele sucede o concreto antigo (5000 a.C e 100 d.C) e o concreto romano (100 a.C e 400 d.C). Em seu estudo “Evolução histórica da utilização do concreto como material de construção”, de 2002, o professor Paulo Helene escreve que o concreto medieval marcou a volta do uso do material depois de mais de 800 anos.

Prossegue Paulo Helene: “Depois da queda do Império Romano, as construções de concreto na Europa tiveram um grande declínio. Somente 800 anos mais tarde, por volta do ano 1200 d.C. os construtores reabilitaram o concreto como material de construção, utilizando-o em fundações e estruturas”. Vale lembrar que o concreto medieval hoje se aproximaria mais de um tipo de argamassa do que do material atualmente usado para moldar estruturas. Na Idade Média, ele era composto por uma mistura de gipsita, calcário, areia e água e usado para assentar as pedras. Assim foi construída a Tour des Pucelles, que em 2006 apresentava total degradação do material que dava sustentação às paredes.

Concreto autoadensável

Imagem da torre em 1981, antes do desabamento de parte de sua estrutura, em 2006

Imagem da torre em 1981, antes do desabamento de parte de sua estrutura, em 2006

Para recuperar o que restou da torre, a equipe de restauradores – liderada pelos arquitetos Marc Vanderauwera, Henk De Smet e Paul Vermeulen – contratou a empresa belga de engenharia Norbert Provoost. O primeiro passo foi restaurar a argamassa que unia os tijolos das paredes da torre, injetando concreto ultrafino nas partes que tinham vãos, e que chegavam a 40% da área construída. A etapa seguinte consistiu na reconstrução da parede que havia desabado. A solução encontrada pelos projetistas foi recriar a estrutura apoiada em uma escada interna, e a partir dela partiram as demais peças de concreto que passaram a sustentar a torre.

Para o reforço, usou-se 1.440 m³ de concreto autoadensável. Na nova parede da torre, foram colocados tijolos de vidro translúcido para melhorar a iluminação interna do monumento. No topo da Tour des Pucelles foi construído um mirante com estrutura metálica, o qual sustenta um telhado que protege a construção medieval. O objetivo é preservá-la melhor da chuva e, principalmente, do acúmulo de neve no inverno belga. A expectativa dos restauradores é de que, com manutenções periódicas, a estrutura se mantenha em pé por mais alguns séculos. A recuperação começou em 2008 e foi concluída em 2014.

 

 

Entrevistados
– Studio Roma, do arquiteto Marc Vanderauwera (via assessoria de imprensa)
– HDSPV Architects, dos arquitetos Henk De Smet e Paul Vermeulen (via assessoria de imprensa)

Contatos
info@studioroma.be
info@hdspv.be

Crédito Fotos: Agentschap Onroerend Erfgoed/ Norbert Provoost/ Febelcem

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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