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Escassez de água transforma construção civil em SP

Construção Sustentável, Gestão, Gestão de Obras, Sustentabilidade 10 de setembro de 2014

Principal estado da União enfrenta maior estiagem em 70 anos e obriga setor a se reequipar, a buscar alternativas e a realinhar projetos

Por: Altair Santos

O Estado de São Paulo enfrenta a maior estiagem em 70 anos. Se há um setor diretamente afetado pela escassez de água, este é o da construção civil. A necessidade de economizar tem feito o segmento se mover em três direções. Em uma delas, busca se reequipar com máquinas projetadas para demandar menos água ou promover o reúso do líquido. Noutra, investe em tecnologia, principalmente para a produção de concreto. Numa terceira via, procura colaborar com a preservação dos recursos naturais ao projetar edificações que poupam o uso de água.

Blocos de concreto: máquinas que economizam água têm a preferência dos fabricantes

Como os outros estados não estão livres de ter de enfrentar problemas de escassez, a perspectiva é de que as medidas tomadas em São Paulo se propaguem por todo o país. Além disso, está em processo de revisão a norma técnica que trata do uso de água na fabricação de concreto, e que deve contribuir para mudar procedimentos da construção civil em relação ao consumo de recursos hídricos. A norma em questão é a ABNT NBR 15900:2009 – Água para amassamento do concreto, partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11.

Na linha de equipamentos que economizam água, alguns estiveram entre os mais requisitados na recente edição do Concrete Show, realizado no final de agosto de 2014 em São Paulo. Destaque para as máquinas que produzem blocos de concreto para alvenaria estrutural e para paredes de vedação. Segundo os fabricantes, os novos modelos podem economizar entre 20% e 30% de água. As betoneiras com novas tecnologias embarcadas também são mais precisas no controle da água liberada para o balão onde fica o concreto.

Em países com grande escassez de água, como determinadas regiões do continente australiano, os procedimentos para a redução do desperdício de água na produção de concreto fazem parte da rotina das centrais de concreto e fábricas de pré-moldados. Lavagens de caminhões e bombas de concreto são bastante reduzidas e o que não pode ser evitado é totalmente reutilizado na produção de outros volumes.

Aditivos substituem água

Maurício Garcia: ambiente propício para o mercado de aditivos

Mas nada parece mais importante, no momento, do que a tecnologia dos aditivos para a fabricação de concreto. Alguns produtos prometem substituir até 40% da água necessária para a produção do material. É o caso da linha MasterGlenium, da BASF. À base de policarboxilato, o produto substitui a água para dar plasticidade ao concreto. “A vantagem é que ele pode se adequar à exigência do cliente. Foi o que fizemos ao empregá-lo no concreto produzido para erguer a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. Adaptamos o aditivo, levando em consideração os agregados usados para produzir o concreto”, revela Maurício Garcia, coordenador técnico de desenvolvimento de químicos para construção da BASF.

Nestes casos de substituição de parte da água de amassamento pelo uso de aditivos, devemos tomar o cuidado de considerar um volume mínimo de água necessário para hidratar toda a quantidade de cimento. Caso contrário, poderemos ter no concreto, parte do cimento sem hidratar, o que prejudicaria a resistência final.

No entender do especialista, aditivos devem ganhar mercado para substituir a água na produção de concreto, e em outras atividades da construção civil. “Já existem aditivos que podem ser usados na lavagem do caminhão-betoneira. O produto requer quantidade menor de água e o produto da lavagem pode ser reservado por até três dias para ser usado em nova produção de concreto”, diz o engenheiro civil.

A construção civil também tem sido parceira na economia de água, principalmente ao planejar edificações cada vez mais sustentáveis. Já não são raros os prédios que promovem o reúso da água. Da mesma forma, cresce o número de produtos permeáveis, que ajudam o meio ambiente a reabsorver melhor a chuva. “Essa preocupação com a Pegada Hídrica será cada vez mais relevante para a construção civil”, avalia o professor-doutor da Escola Politécnica da USP, Vanderlei John. São Paulo que o diga.

Entrevistados
Engenheiro civil Maurício Garcia, coordenador técnico de desenvolvimento de químicos para construção da BASF
Engenheiro civil Vanderley M. John, professor-doutor do departamento de engenharia civil da Escola Politécnica da USP, coordenador do Comitê Técnico de Materiais do CBCS e coordenador do Programa ACV Modular

Contato: comunicacao.corporativa@basf.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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