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Engenheiros sem Fronteiras leva obras às comunidades carentes

Inovação, Qualificação Profissional, Tendências construtivas, Teoria e Prática, Universidade e Pesquisa 22 de junho de 2011

Versão brasileira do Engineer Without Borders atrai estudantes em busca de experiência profissional e intercâmbio com outros países

Por: Altair Santos

Fundada em 2002, a organização Engineer Without Borders já atua em 47 países. No Brasil, ela é representada desde 2009 pelo grupo Engenheiros Sem Fronteiras (ESF). O projeto é voltado para atender comunidades carentes ou atingidas por catástrofes. Obras de saneamento, construções de pontes e estradas e viabilização de infraestrutura para levar iluminação e eletricidade às localidades mais necessitadas estão entre as missões do ESF. “O objetivo principal é desenvolver projetos em comunidades socialmente frágeis. A perspectiva do grupo é o de transcender a proposta assistencialista ou de assessoria técnica, transferindo conhecimento da área técnica para as comunidades. Assim, elas podem reproduzir e ampliar as ações desenvolvidas”, explica Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil.

Equipe do Engenheiros Sem Fronteiras do núcleo de Viçosa, em Minas Gerais: grupo se expande pelo país, atendendo comunidades socialmente frágeis.

Depois de uma tentativa frustrada de se criar um núcleo do ESF na Universidade de São Paulo (USP), em 2007, o grupo se consolidou em Viçosa, em Minas Gerais, com o apoio da universidade local e do Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (SENGE-MG). Hoje, o Engenheiros Sem Fronteiras trabalha para implantar núcleos por todo o país. Para isso, conta com a participação de organizações já consolidadas em outros países. Em agosto de 2011, integrantes da Engineer Without Borders de Maryland, nos Estados Unidos, estarão no Brasil para uma ação na Ilha das Peças, no litoral paranaense. Além de prestar ajuda à comunidade local, o plano é dar os primeiros passos para que o ESF se consolide também no Paraná. “Esse intercâmbio é importante para a organização ganhar corpo no Brasil”, diz Idamar Sidnei Cobianchi Nigro.

O ESF conta com engenheiros graduados, que atuam voluntariamente como orientadores, e têm atraído muitos estudantes de engenharia. A maioria pertence aos cursos de Engenharia Civil, de Produção, Agrícola, Ambiental e Elétrica. “Esta característica de voluntariado é muito nova no Brasil e demanda uma mudança cultural, mas estamos conseguindo expandir o projeto”, comemora o coordenador da ESF. Segundo Idamar Nigro, os estudantes que aderem ao projeto têm a oportunidade de colocar em prática o conhecimento aprendido durante o curso. “Além disso, há a valorização da profissão de engenharia, o crescimento pessoal através do trabalho em equipe, do contato com realidades diferentes e do convívio pela igualdade dentro da organização, já que todos os membros têm voz e participação na entidade e nos projetos”, completa.

Atualmente, o ESF, por meio do Núcleo Viçosa, já finalizou dois projetos na cidade mineira. Um de análise do setor de emergência de um hospital público e outro de implantação da metodologia do 5S (leia texto complementar abaixo) numa casa de caridade a idosos. Além disso, o grupo desenvolve projetos de aquecedores solares de baixo custo. O Engenheiros Sem Fronteiras também se encarrega da construção de um abrigo para crianças em risco de morte, que buscam tratamento no hospital público de Viçosa. Por conta dessas ações, a organização recebe o apoio de uma incubadora formada por empresas de base tecnológica, que oferece cursos e treinamento aos engenheiros e estudantes do ESF.

Os profissionais e estudantes envolvidos se dedicam ao Engenheiros Sem Fronteiras em horários alternativos. Não há remuneração e a ESF opera como uma organização não-governamental. A captação de recursos para as atividades do grupo vem de uma política de parcerias, como a que atualmente existe com a Universidade Federal de Viçosa, além de entidades de classe, CREAs, empresas privadas e outras ONGs.
Texto complementar

O que é o 5S
O 5S é uma ferramenta de trabalho que permite melhorar a eficiência e a produtividade através de organização e limpeza. Por isso, o 5S é considerado o primórdio dos programas de qualidade. Criado no Japão, o método se baseia em cinco palavras japonesas:
Seiri (Senso de utilização): refere-se à prática de verificar todas as ferramentas, materiais, etc. na área de trabalho e manter somente os itens essenciais para o trabalho que está sendo realizado.
Seiton (Senso de ordenação): enfoca a necessidade de um espaço organizado. A organização, neste sentido, refere-se à disposição das ferramentas e equipamentos em uma ordem que permita o fluxo do trabalho.
Seisō (Senso de limpeza): designa a necessidade de manter o mais limpo possível o espaço de trabalho. A limpeza, nas empresas japonesas, é uma atividade diária. Ao fim de cada dia de trabalho, o ambiente é limpo e tudo é recolocado em seus lugares, tornando fácil saber o que vai aonde, e saber onde está aquilo o que é essencial.
Seiketsu (Senso de higiene): em Japonês, Seiketsu traduz-se por higiene, no sentido filosófico de “higienismo”, ou seja, no sentido do cuidar da higiene própria em todos os niveis, diferenciando-se, assim, de Seiso.
Shitsuke (Senso de autodisciplina): refere-se à manutenção e revisão dos padrões. Uma vez que os 4S’s anteriores tenham sido estabelecidos, transformam-se numa nova maneira de trabalhar, não permitindo um regresso às antigas práticas.

Entrevistado
Idamar Sidnei Cobianchi Nigro, coordenador do Engenheiros Sem Fronteiras no Brasil
Currículo

– Graduado em Engenharia de Produção pela União Educacional Minas Gerais (Uniminas)
– Atualmente é professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Contato: idamar.nigro@ufv.br / http://www.esf-brasil.org/index.php / http://www.ewb-international.org/members.htm

Crédito Foto: Divulgação/ESF

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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