Engenharia de materiais ganha espaço na cadeia produtiva da construção civil

Engenharia de materiais ganha espaço na cadeia produtiva da construção civil

Engenharia de materiais ganha espaço na cadeia produtiva da construção civil 150 150 Cimento Itambé

Profissional atua na pesquisa de matérias primas, que resultem no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, tecnologia e sustentabilidade

Por: Altair Santos

Pesquisas para o desenvolvimento de cimentos especiais, estudos de viabilidade técnica para a aplicação de aditivos em concreto e testes de materiais para revestimentos cerâmicos são algumas das possibilidades dentro da cadeia produtiva da construção civil que têm sido abertas aos profissionais da engenharia de materiais. O especialista na área tem sido cada vez mais requisitado pelo setor. A ponto de atualmente a situação de quem deixa os cursos de graduação é de quase pleno emprego.

Adilson Luis Chinelatto, coordenador do curso de Engenharia de Materiais da UEPG: área cimentícia é um dos setores onde o engenheiro de materiais tem condições de atuar.

A busca de produtos que causem menor impacto ambiental também se reflete no mercado de trabalho do engenheiro de materiais. “Hoje a engenharia de materiais é interligada com práticas sustentáveis e voltadas a soluções para o meio ambiente. No nosso curso, a grade curricular foi alterada para acrescentar disciplinas que ensinem os alunos a pensar em produtos menos agressivos ao ambiente”, explica Adílson Luiz Chinelatto, coordenador do curso de engenharia de materiais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

A universidade no interior do Paraná tem seu curso de graduação de engenharia de materiais, assim como o de pós-graduação, entre os reconhecidos e recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Fundado nos anos 1990, trata-se do terceiro mais antigo do país em funcionamento, perdendo apenas para o da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), fundado nos anos 1970, e da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), fundado nos anos 1980.

A engenharia de materiais atua em três grandes áreas: pesquisa, desenvolvimento e formação. Até a metade da década passada, boa parte dos cursos de graduação (a Capes recomenda 27 deles) se concentrava em formar profissionais especialistas em transformar materiais cerâmicos, metálicos e poliméricos (plásticos). Com o crescimento de oportunidades na área da construção civil, as universidades estão revendo seus conceitos. “Há uma demanda forte no setor para a descoberta de componentes para os materiais já existentes”, explica Adílson Luiz Chinelatto.

A maioria dos cursos de engenharia de materiais existentes hoje no Brasil nasceu como apêndice dos cursos de engenharia civil das universidades. Na UEPG não foi diferente. “Quando o curso foi criado havia um debate forte no Paraná de que a indústria de transformação de matérias primas era estratégica para o estado. Em função disso, os professores do departamento de engenharia civil da universidade decidiram implantar o curso de engenharia de materiais e, com isso, contaram com a ajuda de professores que já haviam implantado no curso na UFSCar”, revela o coordenador.

Na Europa e nos Estados Unidos, os engenheiros de materiais estão muito ligados às inovações. Equipamentos como trens magnéticos (Maglev – Magnetic levitation transport) e monitores de LCD estão entre produtos que só foram possíveis ser desenvolvidos graças à participação destes profissionais em seus projetos. “O que permite isso é que o curso tem uma forte formação científica voltada para a pesquisa de novas tecnologias”, avalia o professor da UEPG.

Tanto na universidade paranaense quanto nas outras 26 indicadas pela Capes, o curso tem duração de cinco anos. Nos quatro primeiros semestres, as disciplinas são as que compõem a formação básica de todas as engenharias. A especialização começa a partir do terceiro ano e pode ser empregada nas seguintes áreas:

Mineralogia
Tratamento de Minérios
Termodinâmica dos Sólidos
Resistência de Materiais
Cálculo
Física
Química
Ciência dos Materiais Cerâmicos
Siderurgia

Curso de engenharia de materiais da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa): entre os mais antigos do país e reconhecido nacionalmente.


Entrevistado
Adilson Luis Chinelatto, coordenador do curso de Engenharia de Materiais da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa)
Currículo

– Possui graduação em Física (bacharelado) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989) e em Física (licenciatura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1989)
– Tem mestrado em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (1992) e doutorado em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (2002)
– Atualmente é professor adjunto e coordenador do curso de Engenharia de Materiais na Universidade Estadual de Ponta Grossa.
– Tem experiência na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, com ênfase em Cerâmicos, atuando principalmente nos seguintes temas: microestrutura, propriedades mecânicas, zircônia, terras raras e porcelanas triaxiais.
– É bolsista de produtividade da Fundação Araucária
Contato: adilson@uepg.br / ascom@uepg.br

Créditos Fotos: Divulgação/UEPG

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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