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Embalagens: problema ou solução?

Responsabilidade Social e Ambiental, Sustentabilidade 21 de dezembro de 2009

Toda a cadeia de produção e consumo deve se unir para tornar o uso das embalagens cada vez mais sustentável

Você já parou para pensar em como seria o mundo sem embalagens? Basta olhar ao redor para perceber que as embalagens nos proporcionam tantos benefícios que é praticamente impossível imaginar nosso dia a dia sem elas.

Guilherme de Castilho Queiroz: “A embalagem é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de um país”

Guilherme de Castilho Queiroz

Guilherme de Castilho Queiroz, pesquisador do Centro de Tecnologia de Embalagem – CETEA, do Instituto de Tecnologia de Alimentos, órgão ligado ao governo do Estado de São Paulo, explica que, devido ao rápido crescimento da população, à industrialização e à urbanização, surgiu a necessidade de se criar embalagens capazes de dar uma vida útil maior aos produtos, prezando pela sua qualidade e facilitando o seu transporte e distribuição.

Luciana Pellegrino: O mais importante é saber o destino que será dado à embalagem e não o material do qual ela é feita.

Luciana Pellegrino

Para Luciana Pellegrino, diretora da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), as embalagens são essenciais para sustentar o modo como a sociedade está organizada. Segundo ela, as embalagens possuem diversas funções econômicas, sociais e ambientais. “A função primordial é a de proteger o produto” diz. Mas além da proteção, Luciana ressalta que as embalagens são importantes, pois ampliam o prazo de validade; garantem a qualidade do produto até o consumo; viabilizam a distribuição; funcionam como canal de comunicação, pois levam ao consumidor informações sobre componentes, modo de consumo e restrições do produto; reduzem o desperdício; entre tantos outros aspectos.

Embalagens degradáveis ou embalagens inertes. Qual a melhor opção?
Para o pesquisador do CETEA o foco na embalagem como vilã contra o meio ambiente não é justificável. “Mas como ela é o que sobra nas mãos do consumidor ao final da cadeia produtiva, a impressão que fica muitas vezes é esta”.
A atual polêmica acerca das sacolas plásticas abriu espaço para discussões sobre o uso sustentável das embalagens. “Criou-se uma ilusão, por parte do consumidor, de que ele deve sempre optar por embalagens degradáveis (bio, oxi ou fotodegradáveis)” diz Guilherme Queiroz. Essas pessoas acreditam que, ao retornarem à natureza, estas embalagens serão menos prejudiciais ao meio ambiente em relação às embalagens inertes (plástico, vidro, borracha, etc.). Mas isso, de acordo com Guilherme, não é uma verdade absoluta. Ele explica que, ao se decompor, esse material degradável pode causar muitos males como a poluição do ar, do solo e dos rios.

“Como se costuma dizer, é preciso pensar do berço ao túmulo. É bom lembrar que, para ser produzida, a embalagem passou por todo um processo de industrialização que envolveu o uso de recursos naturais, de matérias-primas, de energia, transporte, enfim, passou por diversas etapas que, de alguma maneira, afetaram o meio ambiente. E, portanto essa embalagem deve ser descartada corretamente/seletivamente e nunca pensar na opção de jogar no meio ambiente para ser degradada” diz o pesquisador. Por isso, embalagens duráveis, ou inertes, que podem ser recicladas e reutilizadas, ou que tenham seu uso prolongado, são mais benéficas. “Em geral, quanto mais durável for, melhor”.

Para Luciana Pellegrino o mais importante não é saber de que material é feita a embalagem, pois cada uma deve ser produzida para atender da melhor maneira possível às necessidades do produto e do próprio consumidor. “O principal é saber o destino que será dado a esta embalagem, sendo ela degradável ou não”.

Guilherme concorda que não há uma embalagem melhor ou pior, “é preciso considerar toda a cadeia produtiva para se chegar a uma conclusão de qual embalagem é a mais adequada ao fim a que se destina”. Para ele, a embalagem ideal é aquela que minimiza o desperdício (de matéria-prima, de energia, de recursos naturais, de resíduos etc.), protege o produto, e leva qualidade ao consumidor.

Segundo o pesquisador, a embalagem deve ser vista mais como uma solução do que como um problema: “se não tivéssemos as embalagens que utilizamos hoje, aí sim o desperdício seria insustentável para o planeta. Ela é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de um país”. Para ele a busca constante pela otimização de todo o processo, desde a utilização dos recursos naturais até a reciclagem etc., é a melhor forma de tornar o uso das embalagens cada vez mais sustentável.

Em meio a essa discussão, os especialistas afirmam que a coleta seletiva e a reciclagem do material pós-consumo continuam sendo as melhores opções, pois mantém as matérias primas como a bauxita do alumínio, o minério de ferro do aço, a areia do vidro, o petróleo dos plásticos etc. por mais tempo à disposição da sociedade e, por isso, ser durável e não degradável é uma opção mais sustentável, inclusive em materiais renováveis como os celulósicos, pois a reciclagem como os 80% das caixas de papelão ondulado além de preservarem recursos naturais, energia etc. ainda evitam o efeito estufa devido à biodegradação em aterros que transformam a celulose em dióxido de carbono e metano.

Inovações nas embalagens
Novos hábitos exigem novos produtos e, consequentemente, novas embalagens. Quesitos como praticidade, sustentabilidade, conservação do produto e design estão em alta e a inovação desses itens é cada vez mais exigida pelos consumidores.

De acordo com a diretora da Abre, prazo de validade estendido e sistemas de abertura mais eficientes estão entre os temas mais pesquisados em relação às embalagens. “As propriedades físicas e químicas da embalagem também são alvos de várias pesquisas”. O objetivo é tornar as embalagens mais práticas e resistentes, impedindo o contato do produto com o meio e evitando os impactos durante a estocagem e transporte.

Os materiais utilizados atualmente, como vidro, aço, alumínio, papel, polietileno, são considerados nobres e, de acordo com os especialistas, vêm cumprindo muito bem a função a que se destinam. Mas como a busca por melhorias em todo o processo deve ser contínua, o pesquisador do CETEA cita algumas tendências:

– Utilização de matérias-primas renováveis em lugar das fontes não renováveis (como o uso da cana em substituição ao petróleo, como os plásticos de cana-de-açúcar inertes – não biodegradáveis – que ainda fixam carbono contribuindo contra o efeito estufa).

– Uso em menor quantidade de matérias-primas, sem que para isso se perca a qualidade da embalagem. Por exemplo, as latinhas de alumínio que estão cada vez mais finas.

– Uso de embalagens flexíveis, ou seja, que utilizam mais de um componente em sua produção, aproveitando as diferentes propriedades de cada material.

“Há que se ressaltar que sustentabilidade tem tudo a ver com economia, e não só com preservação ambiental. Pois, otimizando os processos, se gasta menos com energia, consomem-se menos recursos etc.” avalia Guilherme Queiroz.

Governo, indústria e consumidor devem fazer sua parte
Há mais de 15 anos o país discute uma legislação que defina os papéis de cada um em relação ao destino das embalagens. Enquanto isso “está claro que o consumidor deve continuar fazendo o seu papel de consumir com responsabilidade e separar o que é reciclável. Os municípios fazendo a coleta seletiva. E a indústria investindo em melhorias no processo de fabricação e reciclagem das embalagens” avalia Queiroz.

Mais informações:
www.cetea.ital.sp.gov.br
www.abre.org.br

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330



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