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Economia desafia venda de materiais de construção

Gestão, Gestão de Obras, Mercado da Construção, Mercado Imobiliário 3 de julho de 2012

Presidente da Abramat, Walter Cover, avalia que estímulo às obras públicas será importante para compensar quedas no setor imobiliário

Por: Altair Lopes

É consenso entre os vários setores da indústria nacional de que, em função da conjuntura mundial, o Brasil deverá experimentar uma desaceleração da economia. Também é unanimidade de que estão nas mãos do governo federal as ferramentas que possam reduzir esse impacto. No caso do segmento voltado à venda de materiais de construção, a reivindicação é que seja dada mais celeridade às obras públicas.

Walter Cover, presidente da Abramat: "Continuamos em busca da diminuição do impacto do custo Brasil”.

Segundo o presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) Walter Cover, além de depender da retomada dos projetos de infraestrutura, o setor também precisa obter do governo federal redução de tributos e do custo da energia elétrica. Se isso não ocorrer, a Abramat estima que o crescimento projetado para 2012 não irá se concretizar. É o que Cover revela na entrevista a seguir. Confira:

A desaceleração da economia vai impor desafios ao setor de materiais de construção? Caso sim, quais podem vir a ser esses desafios?
Acredito que o setor passa por um momento de travessia. O que eu quero dizer com isso? Nós temos uma situação de crédito travado na economia, com juros em negociação de queda, mas que ainda não caíram. Isso afeta muito o mercado do varejo, que é 55% do material de construção, impulsionado pelo mercado de reformas e pelo mercado de ampliações. Nós também estamos passando por um momento em que as obras públicas estão com um desempenho abaixo do que o próprio governo gostaria. Tem também a expectativa de que a área imobiliária, que ainda está aquecida este ano, sofra uma retração em 2013.  Por quê? Está baixo o índice de lançamentos e de vendas este ano, que vão afetar as vendas de apartamentos e de imóveis comerciais no ano que  vem. Além disso, o setor precisa que o governo o ajude a ter mais competitividade. Somos competitivos no chão de fábrica, mas é preciso encontrar maneiras de reduzir tributos, reduzir custos de energia e custo da infraestrutura, ou seja, é uma batalha mais institucional do que do próprio setor.

Dia 5 de junho de 2012 houve a reunião anual da Abramat. Diante destes cenários, qual foi a mensagem passada aos associados?
A mensagem foi de atenção. Naquele dia, reduzimos a nossa intenção de crescimento de 4,5% para 3,4% em 2012. Atualmente, estamos com 2,7%, ou seja, a gente tentou mostrar estes fatores que eu mencionei e, por isso, a expectativa é de crescimento menor do que prevíamos no início do ano.

O governo tem tomado medidas para estimular o consumo. Especificamente para o material de construção, quais deveriam ser essas medidas?
Nós acreditamos que devem ter novas linhas de fomento, principalmente para reformas e ampliações. Há também uma pressão permanente para a redução de juros nos bancos privados e também um fortalecimento das compras governamentais para indústria nacional.

Não estaria na hora de, em vez de medidas paliativas, o governo começar a promover as reformas que limitam o crescimento sustentável?
O país tem um sistema de governo que, com base em alianças de diferentes visões sobre crescimento e desenvolvimento, acaba dificultando a promoção de reformas tributárias, previdenciárias e políticas. Elas são desejáveis, mas sabemos que é muito difícil fazer isso na situação atual de governabilidade do Brasil. Então, continuamos em busca de desoneração tributária, de redução no custo da energia, enfim, da diminuição do impacto do custo Brasil. São reformas menores, mas é o que é possível fazer.

Há a expectativa de que no segundo semestre haja a recuperação das vendas e a previsão de crescimento seja revista para cima?
Fizemos uma revisão para baixo, mas a intenção é obter um crescimento de 3,4% . Para isso, no segundo semestre será preciso crescer 5%. É um desafio bastante grande, que depende basicamente de um fator. Qual? O governo incrementar os investimentos públicos e destravar as obras que estão travadas.

Entre as várias cadeias que compõem a Abramat, quais se ressentem menos da desaceleração econômica?
Neste momento, quem está sofrendo menos são fabricantes de produtos de acabamento. O setor imobiliário está construindo todos aqueles lançamentos e vendas que foram feitas entre 2010 e 2011, então esse setor está aquecido, diferentemente dos setores de base.

Quem hoje consome mais material de construção: o varejo, o setor imobiliário ou a área de infraestrutura?
O varejo é responsável por 55% das vendas da indústria, incluindo aí produtos de base e de acabamento. Os outros setores são responsáveis pelos outros 45%. Então, o varejo é isoladamente o que mais consome.

Programas como PAC e Minha Casa, Minha Vida são fundamentais para as vendas de materiais de construção?
Bastante. Primeiro porque eles demandam grande quantidade de produtos por si só; segundo, por que os investimentos públicos são indutores de confiança do setor privado, que com isso também aumenta investimentos e cria uma demanda maior para os seus produtos.

Hoje não haveria uma centralização demasiada de projetos de infraestrutura nas mãos do governo federal, ou seja, se eles fossem estadualizados ou municipalizados não poderia ocorrer um incremento na venda de materiais de construção?
Acho que sim, porque os investimentos no plano dos estados e municípios são mais visíveis e mais pressionados pela população. Porém, para que isso aconteça, é preciso que haja um desenvolvimento de marcos regulatórios, de licenças e de aprovações. Não que eles não existam. Mas é importante que eles sejam aperfeiçoados, assim  como o sistema tributário. Hoje há sistemas complexos nos diferentes estados da União.

Diante do cenário atual, já dá para fazer uma projeção para 2013?
É muito cedo, mas a expectativa é que o incremento das obras públicas compense as perdas previstas para o setor imobiliário, já que os lançamentos em 2012 têm sido menores. Também acredita-se que os mercados de reformas e ampliações mantenham um viés de alta no ano que vem.

Entrevistado
Walter Cover, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Currículo
– Walter Cover é graduado em engenharia agronômica pela UNESP- MS e em economia agrícola pela University of California.
– É Ph.D em economia agrícola pela Michigan State University e cursou gestão empresarial avançada no INSEAD, da França.
– Foi CEO, diretor e conselheiro em empresas de grande e médio porte, como Vale, Bunge, Lilly/Elanco, Teba Têxtil e CTM Citrus.
– Atuou na Casa Civil da Presidência da República, coordenando uma estrutura multiministerial que apoiou a viabilização de projetos de investimentos privados e de parcerias público-privadas (PPP).
– Como superintendente geral da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) conduziu um extenso programa de reestruturação e modernização da gestão.
Contato:secretaria@abramat.org.br

Créditos foto: Divulgação/Abramat

Jornalista responsável: Altair Lopes – MTB 2330


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