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E se o prédio em que você mora virar patrimônio histórico?

Gestão, Gestão de Obras, Mercado da Construção 29 de novembro de 2017

Retrofit e pequenas reformas não são proibidos, mas aumenta a burocracia. Geralmente, os cuidados maiores são com a preservação da fachada 

Edifício Metropolitain: retrofit preservou a fachada do antigo Palácio Rosa, construído em 1936


Edifício Metropolitain: retrofit preservou a fachada do antigo Palácio Rosa, construído em 1936

Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo são as cidades com o maior número de prédios tombados pelo patrimônio histórico, em uma tendência que se espalha pelo Brasil. Recentemente, passou a crescer também a quantidade de construções residenciais com essas características. Neste caso, para quem mora no edifício tombado, o que fazer? A primeira informação relevante é saber que o prédio não fica impossibilitado de receber retrofit ou de passar por pequenas reformas. O que aumenta é a burocracia.

Além de o imóvel não poder ser demolido, as obras de manutenção, restauração e reforma devem ser previamente submetidas à análise e aprovação dos respectivos organismos de preservação. Boa parte dos edifícios residenciais tombados no Brasil foi construída entre a década de 1930 e 1950. As edificações costumam entrar para o patrimônio histórico depois que completam 50 anos de vida útil. Um exemplo é o condomínio Três Irmãos, prédio construído em 1946 no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro-RJ.

O projeto de restauração da fachada do edifício, que é tombado pelo patrimônio histórico, precisou atender exigências do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). O organismo aprovou o uso de equipamentos de pintura industrial para o retrofit de 1.700 metros lineares de fachada. “Levamos sete dias para cobrir a área, contra 30 dias se fizéssemos a pintura de forma manual, com rolo”, compara o arquiteto Diogo Caprio, responsável pela restauração. A opção por máquinas se deu por causa da precisão na pintura, o que ajudará a preservar o edifício.

Prédios tombados também precisam de uma administração diferenciada. Síndico do edifício Metropolitain, no Largo do Machado, no Rio, Levi Soares Vieira está à frente da construção que antigamente era conhecida como Palácio Rosa, de 1936, e que foi tombada em 1998. A edificação foi reconhecida pelo patrimônio histórico do Rio de Janeiro por causa de sua arquitetura art-déco carioca e a importância como marco na paisagem do bairro do Catete.

Até 1988, pouco se preservava

Levi Soares lembra que, em 2010, o prédio recebeu autorização para se transformar em um edifício comercial com 162 escritórios. Toda a infraestrutura hidráulica, elétrica e de telefonia foi refeita, mas a fachada precisou ser preservada. O retrofit teve a coordenação do Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. “Os condôminos também recebem orientações específicas, sobre como preservar o prédio, por causa do valor para a coletividade”, explica.

No Brasil, patrimônios tombados são relativamente novos. A preservação de edificações só se tornou lei a partir da constituição federal de 1988, que em seu artigo 216 trata “da proteção do patrimônio cultural brasileiro, constituído pelos bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. A constituição fortaleceu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que foi fundado em 1937, no primeiro governo de Getúlio Vargas, mas raramente cumpria sua função. A partir de 1988, os governos estaduais e municipais também passaram a criar seus organismos de preservação patrimonial.

Entrevistado
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Contato: comunicacao@iphan.gov.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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