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Dicas para a análise de relatórios financeiros

Finanças, Gestão 28 de outubro de 2009

Como anda o controle financeiro da sua empresa?

Fábio Astrauskas: “Informações financeiras não confiáveis aumentam a chance de decisões erradas”

Fábio Astrauskas: “Informações financeiras não confiáveis aumentam a chance de decisões erradas”

Relatórios gerenciais são imprescindíveis para a gestão financeira eficiente de qualquer empresa, independentemente do seu porte ou ramo. Para o economista Fábio Astrauskas, da Siegen – empresa especializada em consultoria empresarial – um relatório financeiro é, sobretudo, um reflexo das atividades principais da empresa que são produzir (bens ou serviços) e vender. “O relatório financeiro deve ser capaz de indicar qual a influência positiva ou negativa que as atividades citadas têm sobre o resultado econômico-financeiro da empresa”.

De acordo com o economista, todo o processo decisório nasce de dois elementos: informação e raciocínio. Isso indica que a análise dos dados do relatório financeiro é fundamental para a tomada de decisões sobre o rumo da empresa. “A probabilidade de tomar decisões certas está diretamente relacionada com a qualidade da informação e do preparo do executivo. Informações não confiáveis aumentam a chance de decisões erradas, mesmo que o executivo seja bem preparado” avalia Astrauskas.

Além dos dados de natureza contábil, um bom relatório financeiro deve apresentar informações sobre:

* Gestão do endividamento da empresa (passivo financeiro e contingente);
* Gestão do fluxo de caixa (contas a pagar, receber, estoques e disponibilidades);
* Gestão financeira estratégica (projeções de caixa, resultado econômico, opções de captação de recursos de curto e longo prazo).
* Adicionalmente pode ser importante apresentar também um painel com dados macroeconômicos e setoriais.

Evite erros

O economista da Siegen explica que os erros em relação aos relatórios financeiros geralmente são reincidentes e necessitam uma postura mais ativa por parte da gerencia. “É o mesmo erro de continuar fumando, mesmo sabendo que isso faz mal à saúde” exemplifica. No caso, a principal prejudicada é a saúde financeira da empresa que corre o risco até mesmo de fechar caso não seja dada a devida atenção aos relatórios.

Dentre os principais erros estão:

Relatórios imprecisos: o empresário recebe relatórios que sabe que estão imprecisos, mas não cobra a correção e a exatidão dos mesmos junto aos responsáveis.

Falta de interpretação e ação corretiva: o empresário recebe informações corretas, mas continua agindo sem considerá-las.
Para evitar transtornos, Astrauskas recomenda que todo empresário tenha noções básicas de contabilidade e receba relatórios contábeis mensalmente e atualizados. “Descuidar disso acarretará provavelmente em dois caminhos: (1) estagnação da empresa num patamar pequeno ou (2) crescimento desordenado com problemas sérios de endividamento (tributário em geral)”.

Dicas

Análise das ações em curso e das projeções
A análise deve ser feita tomando-se como ponto de partida o desempenho passado da empresa. A partir daí observar se as ações em curso (gestão do fluxo de caixa) estão alterando o desempenho e se as projeções futuras (gestão financeira estratégica) irão corrigir desvios.

Periodicidade
A periodicidade de análise do relatório financeiro irá depender de uma série de fatores. No entanto, a atenção deve ser constante como explica Astrauskas. “Imagine você dirigindo um automóvel. À sua frente está a estrada. Você deve manter os olhos atentos na maior parte do tempo para saber o que ocorre na sua frente. Ocasionalmente olha pelo retrovisor lateral ou traseiro. Se estiver na cidade, provavelmente irá olhar para os retrovisores com mais frequência. Também com os relatórios funciona assim”.

Ele orienta que dados retrospectivos devem ter periodicidade maior, pois refletem o que já passou. “O comum é analisar mensalmente” sugere. Informações de fluxo de caixa e faturas ser analisadas com periodicidade bem menor, ou seja, com mais frequência. “Diariamente em alguns casos, como, por exemplo, contas a pagar e receber, saldos de bancos etc.”.

Para ele, o ambiente em que a empresa está (crise, expansão, estabilidade) também afeta a periodicidade dos relatórios.

Dados específicos
As necessidades específicas de cada empresa irão impor relatórios diferenciados. Confira o exemplo do economista: Sua empresa é exportadora ou importadora? Precisa se financiar para exportar/importar? Nesse caso, o relatório financeiro deve ter considerações sobre câmbio, operações de hedge, e várias outras informações desnecessárias para empresas não dependentes de mercado externo.

Benchmarking
Para Astrauskas, a comparação de dados é sempre uma ferramenta de análise importante. Seja uma comparação direta com dados da concorrência ou com outro parâmetro pré-definido. As empresas fazem isso através do que conhecemos como benchmarking. “Isso permite relativizar o desempenho da empresa. Você pode correr melhor que seus colegas, mas provavelmente irá perder para o jamaicano Usain Bolt. Observe que daí decorre uma constatação.

Você deve escolher bem a entidade a ser comparada. Isso vai depender da análise de seus pontos fortes e fracos e dos seus objetivos. Se você é atleta de fim de semana, não use o Usain Bolt como benchmark. E se você for atleta de alta performance, mas for maratonista, também deve escolher outro parâmetro”.

Com empresas também funciona assim: Sua empresa é pequena, média, grande? Exportadora ou voltada para o mercado interno? Alta tecnologia ou mão de obra intensiva? Tudo isso pode fazer diferença na escolha dos parâmetros de comparação.

Ajuda especializada
Caso haja dificuldades em interpretar as informações dos relatórios ou dúvidas sobre qual é a decisão correta a tomar, o ideal é buscar auxílio e treinamento especializado. Informações sobre Gestão Financeira de pequenas empresas, por exemplo, podem ser obtidas no Sebrae.

Indicação de leitura: Saiba Mais sobre Gestão Financeira Sebrae/SP.

Fábio Bartolozzi Astrauskas é engenheiro e economista, defendeu tese na Universidade de São Paulo (USP) tendo como tema a nova Lei de Falências e a importância da recuperação das empresas. Sócio da consultoria Siegen, com mais de 14 anos de experiência na recuperação de empresas em crise e em sucessão familiar, Fábio Bartolozzi Astrauskas é engenheiro de minas graduado pela Escola Politécnica da USP e economista graduado pela FEA-USP. Tem MBA Executivo Internacional pela USP e é Mestre em Administração pela FEA-USP. Foi Técnico do Tesouro Nacional e chefe do setor de informática da Divisão de Arrecadação da 8a SRF. Na área privada, trabalhou na BASF S.A., onde foi gerente de linha de produtos. Atuou como gestor ou principal executivo em diversos clientes, sendo também, em alguns casos, membro do Conselho Administrativo É membro do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Na área acadêmica, foi professor adjunto do Centro Universitário FMU na Faculdade de Economia entre 1993 e 1999.

Dados do contato
Assessoria de imprensa da Siegen: Ana Carolina Rodrigues – email: ana@estudiodecomunicacao.com.br

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Caroline Veiga DRT/PR 04882



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