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Cura Interna

Sobre Concreto 4 de agosto de 2009

Conheça outra forma de realizar a cura e evitar fissuras no concreto

Créditos: Engª. Naguisa Tokudome – Assessora Técnico Comercial Itambé

Através da evolução de alguns materiais, é possível reduzir a relação água/cimento e, desta forma melhorar várias características do concreto.
Os resultados são vários como melhora da resistência, baixa permeabilidade, peças mais densas e duráveis.

Porém, estes concretos estão suscetíveis à retração autógena em função da baixa relação a/c. Segundo Adam Neville a retração autógena ocorre em consequência da remoção da água dos poros capilares pela hidratação do cimento.

Esta ocorrência está diretamente relacionada com a disponibilidade de água no interior da massa de concreto. Sem uma quantidade mínima, o cimento não alcança a hidratação máxima e pode promover o surgimento de microfissuras, principalmente nas primeiras idades. Quanto menor a relação, maior a chance de ocorrer retração. Segundo artigo publicado pelo ACI (American Concrete Institute), a cura externa deixa de ser eficaz para relação a/c menor ou igual a 0.35.

Uma proposta para mitigar este fenômeno é a realização da cura interna através da substituição de uma pequena parte do agregado miúdo comum por agregado leve saturado com água (saturado superfície seca). A melhora da hidratação do material cimentício se deve à disponibilidade da água contida nos poros (absorvida durante a saturação) que é liberada lentamente.

O agregado leve funciona como um reservatório e a água absorvida é puxada por capilaridade do agregado para o espaço formado pela água de amassamento consumida na hidratação. No Guia de Agregado Leve para Concreto Estrutural do ACI, esta água não é considerada como parte da mistura (a/c). Para melhorar o desempenho, o agregado leve deve ter alto grau de absorção e capacidade de liberação rápida. A distribuição granulométrica deve ser similar à areia que foi substituída.

Uma vez conhecido o grau de saturação, é possível estimar a massa do agregado leve seco para promover a cura interna adequada. Dois pesquisadores (Zhutovsky e Bentz) sugeriram equações semelhantes que levam em consideração:
* Massa do material cimentício
* Retração química. O índice de retração varia conforme mistura de materiais cimentícios (ex: sílica ativa, metacaulim e cinza pozolânica)
* Grau de hidratação máxima esperada
* Capacidade de absorção do agregado leve (kg de água por kg de agregado leve seco)
* Relação a/c

Um exemplo de aplicação da cura interna foi a construção de um pavimento de concreto em Hutchins no Texas, cujo consumo foi de 190.000 m3 de concreto. Análises em campo revelaram uma quantidade mínima de fissuras no pavimento e ensaios indicaram que a resistência à flexão por tração, com 7 dias, alcançou 90% do valor esperado para 28 dias – resultado atribuído à melhor hidratação do cimento.

Apesar de várias pesquisas comprovarem os benefícios da cura interna em laboratório e em campo, os estudos para determinar o prolongamento da vida útil através deste processo ainda continuam.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação



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