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Como preparar o Brasil para o crescimento?

Construindo Melhor, Gestão, Gestão Estratégica 25 de janeiro de 2011

Infraestrutura: a necessidade de um olhar a longo prazo

Por: Guilherme Sell

Ano após ano o Brasil é apontado como o país do futuro. Sua posição de destaque no BRIC – Bloco de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China – e o seu crescimento contínuo frente a média mundial fazem do Brasil um país no rumo certo. Para que isso aconteça de fato, o país precisa investir em um ponto ainda frágil para o seu desenvolvimento sustentável social e econômico: a infraestrutura.

O ano de 2011 começa com novos governantes à frente dos governos federal e estaduais, além de novos parlamentares no Congresso Nacional. E mais: o país está as vésperas de grandes eventos como a Copa e Olimpíadas, em que os olhos do mundo se voltam para o Brasil. Esse é o momento ideal para voltar a atenção e discutir sobre este assunto fundamental para o país.

O Brasil não vai pra frente sem investimento e planejamento.

O economista Paulo Godoy, Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB, revela que entre 2003 e 2009, os investimentos, em números atualizados, aumentaram de R$ 58 bilhões para R$ 121 bilhões. Mas o Brasil precisa de muito mais. “O crescimento dos investimentos não foi suficiente para, ao mesmo tempo, atender ao crescimento da economia e reduzir os gargalos acumulados ao longo de décadas. A demanda cresceu muito”, completa Godoy. De outubro de 2009 a outubro de 2010, a movimentação nas estradas cresceu 7,2%, o fluxo de passageiros nos aeroportos aumentou 22%, a demanda por energia elétrica subiu em 8,0% e o consumo de gás natural registrou expansão de 21,4%. O volume de cargas transportadas aumentou 12,2% via aérea, 13,2% pelas ferrovias e 16,9% pelos portos.

A seguir sua entrevista para o Massa Cinzenta:

Como está o desenvolvimento da infraestrutura do Brasil em comparativo a outros países?

Os diagnósticos mundiais mostram que o Brasil tem muito a fazer para melhorar. A última versão de um estudo do Banco Mundial sobre competitividade revela que, entre 139 nações, o país está entre os 20 piores quando o tema é eficiência do sistema portuário, entre os 40 piores na qualidade das estradas e entre os piores 50 sistemas aeroportuários do mundo. Mesmo na oferta de telefonia e de energia elétrica, o estudo lista o Brasil numa escala intermediária, respectivamente nas 61ª e 55ª colocações.

O que está sendo feito para mudar esse quadro?
O pacote de medidas anunciadas recentemente pelo governo federal já é um primeiro passo, pois estimula a participação do setor privado na oferta de crédito para os projetos de longo prazo na infraestrutura. As medidas são compostas de duas frentes. Na primeira, há a redução ou a isenção de impostos para aplicações de pessoas físicas, jurídicas e estrangeiros em títulos emitidos por empresas investidoras em áreas de infraestrutura. Na segunda frente, foram criados fundos e mecanismos para estimular o surgimento de um mercado secundário que ofereça liquidez para esses títulos de empresas de infraestrutura.

Quais são as perspectivas para o desenvolvimento da infraestrutura no país?
O Brasil, em dez anos, pode dar um salto qualitativo enorme se apostar no investimento de infraestrutura e confiar boa parte do desafio ao capital privado. Nenhuma nação alcançou o desenvolvimento econômico e social sustentável sem pesados investimentos em infraestrutura por anos seguidos. Não existe solução mágica, instantânea ou momentânea. O planejamento e o investimento precisam mirar o longo prazo, de forma perene e ininterrupta.

Podemos transformar pretensões em realidade?
A tarefa não é nem tão fácil que possa ser feito em algumas simples canetadas nem tão difícil que tenha de demorar séculos. De modo geral, passa por algumas diretrizes: melhoria da gestão dos recursos públicos, cumprimento irrestrito de contratos, boa administração da economia e leilões de concessão para atrair pesados investimentos privados. “O Brasil está entrando em um processo de crescimento econômico sustentável, com estabilidade econômica, inserção social e distribuição de renda. Os investimentos, principalmente na infraestrutura, são essenciais para essa decolagem não ser interrompida. Para transformar projetos em canteiros de obras, a receita é complexa e deve ser perseguida sempre: melhorar o ambiente de negócios, com custo financeiro competitivo, mão de obra especializada, bons projetos e menor burocracia.”

Entrevistado
Paulo Godoy
Currículo
– Graduado em administração de empresas pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
– Presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB – entidade cuja missão principal é o desenvolvimento do mercado brasileiro de infraestrutura e indústrias de base.
– Diretor Presidente e membro do Conselho de Administração da Alupar Investimento S.A.

>> Contato: jcasadei@abdib.org.br

Jornalista Responsável: Guilherme Sell – DRT 8447 – Redirect Digital Marketing


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