CRA-SC e IAB-SC lançam as bases para a construção sustentável

CRA-SC e IAB-SC lançam as bases para a construção sustentável

CRA-SC e IAB-SC lançam as bases para a construção sustentável 150 150 Cimento Itambé

A adoção de práticas sustentáveis diminui os custos em projeto e construção das edificações

Por: Michel Mello

Preocupado em estabelecer critérios sustentáveis nas construções o Instituto de Arquitetos do Brasil – Depto Santa Catarina – IAB-SC promoveu o Concurso Nacional de Arquitetura para escolha do anteprojeto de arquitetura utilizado na construção do edifício sede do Conselho Regional de Administração – CRA-SC. O custo para o empreendimento está estimado em R$ 1.000,00 por metro quadrado, sendo que o valor total não poderá ultrapassar R$ 6.500.000,00. Nesta estimativa estão inclusos todos os equipamentos e tratamentos fixos ligados à edificação.

O primeiro colocado no concurso, além da premiação em dinheiro no valor de R$ 30.000,00, contratará junto ao Conselho Regional de Administração, o desenvolvimento do projeto executivo de arquitetura, memorial descritivo, coordenação e elaboração dos projetos complementares, dentro das normas técnicas brasileiras e das legislações vigentes. Estão previstas também premiações para os segundo e terceiro lugares onde, respectivamente, eles receberão o prêmio de R$ 15.000,00 e o de R$ 5.000,00.

O concurso recebeu inscrições até o último dia 08 de outubro, com data limite para a entrega dos projetos em 06 de novembro. Ao total foram inscritos 75 projetos de equipes ou pessoas físicas. Para ingressar no concurso era necessário que os participantes tivessem atribuição em projeto de arquitetura, além das habilitações exigidas para o desenvolvimento dos projetos executivos dispostos na minuta do contrato. O resultado será divulgado em 03 de dezembro de 2010.

Projeto sustentável

João Carlos Domingues Carneiro

O presidente do CRA/SC, João Carlos Domingues Carneiro, diz que: “decidimos pelo lançamento do concurso por acreditarmos que, dessa forma, conseguiremos selecionar um projeto arquitetônico que atenderá integralmente às necessidades da entidade”.

Sobre a escolha de um projeto sustentável, o presidente do CRA/SC informou que: “ao mesmo tempo, não podemos ignorar o fato de que representamos uma categoria muito importante, que precisa estar na vanguarda das tendências da gestão. E hoje é inimaginável termos uma instituição que pense o futuro sem se preocupar com as questões ambientais. Daí o motivo da nossa opção por um prédio “verde”. Isso sem falar que a adoção de práticas sustentáveis comprovadamente diminui os custos futuros com o uso da edificação”.

Sergio Oliva

O arquiteto Sérgio Oliva, que é coordenador de concursos do IAB/SC e responsável pelo concurso do prédio sustentável do CRA/SC, respondeu ao Massa Cinzenta sobre a ideia que baliza o projeto do concurso e do prédio sustentável. Leia a entrevista abaixo:

Como surgiu o convite para realizar o concurso da nova sede do CRA-SC?
Sérgio Oliva: O IAB e o IAB/SC vêm buscando difundir a prática de concursos entre poder público e a iniciativa privada, como a melhor forma de contratação de projetos de arquitetura. O convite surgiu diretamente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina que tomou conhecimento dessa temática e buscou a parceria com o IAB/SC para realização dessa empreitada.

Como o IAB pensou essa proposta até chegar à idéia ou consenso desse concurso?
Sérgio Oliva: Ocorreram diversas discussões entre a equipe organizadora do concurso e a diretoria do CRA-SC, onde a organização detalhou diversos pontos importantes que poderiam nortear a proposta, como os critérios de sustentabilidade, por exemplo, que foram avaliados, inclusive no quesito custo, pelo CRA-SC, até se chegar no desenho final, que foi lançado.

O que seria, na opinião dos idealizadores, um prédio sustentável, que valores ele deve agregar?
Sérgio Oliva: Um prédio sustentável agrega valores relativos a diversas áreas, não só a ambiental, como é convencionado falar. A sustentabilidade passa por práticas de projeto, desde o lançamento da ideia, até o detalhamento e especificação dos materiais e técnicas construtivas a serem utilizados, incluindo:
– a flexibilização dos ambientes e reutilização de materiais;
– avaliações de resultados de consumo energético na edificação;
– iluminação, climatização, utilização da água;
– avaliações sociais, como a comunicabilidade com o entorno, stress causado aos usuários, impactos urbanos e paisagísticos (incluindo estacionamentos, impacto viário, de transporte público.
– aproveitamento das condições climáticas do local;
– diminuição do custo de operação do edifício;
– priorização da utilização de mão de obra e produtos locais ou regionais; e
– reciclagem da própria edificação ao término da sua vida útil.

O consumo consciente está subentendido na economia de materiais quando é definido um valor máximo a ser gasto por m². Pode falar mais sobre essa prática, o que o IABSC pretende?
Sérgio Oliva: O valor máximo a ser gasto passa, antes de tudo, pelo equilíbrio contábil do contratante do Concurso. É praxe nos concursos organizados pelo IAB/SC a utilização de um valor máximo da obra, especialmente pelo respeito que a entidade tem ao contratante e ao participante do concurso. Pois, entendemos que deixando o valor máximo livre, é possível que o projeto vencedor não possa ser executado pelo promotor. Isto causa um mal estar entre todos, e, principalmente, deixa a modalidade concursos desacreditada. Nós confiamos que os profissionais e empresas que se inscrevem para participar querem fazer e ver construído, e, para isto, utilizarão de seus conhecimentos e criatividade para se adequarem da melhor forma possível ao custo total da obra.

Podemos alcançar “sustentabilidade” na gestão e na execução de obras?
Sérgio Oliva:
Com certeza, inclusive existem várias certificações que se baseiam mais nos procedimentos de obra do que no projeto em si. Esta prática deveria sempre estar presente nos editais para contratação de obras, independente de certificações serem levadas a cabo.

Esse é o primeiro prédio sustentável de Santa Catarina? Existem iniciativas como essa no Brasil?
Sérgio Oliva: Em Santa Catarina já existem outras edificações com selos de sustentabilidade, porém, é o primeiro concurso que traz esta prerrogativa como diretriz principal no Estado. Em nível de Brasil, recentemente, foi realizado o concurso para a sede do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura/PR que também priorizou a sustentabilidade.
Para mais informações consulte o link: http://iab-sc.org.br

Entrevistados:
João Carlos Domingues Carneiro
– Possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSCar).
– Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UfSCar).
– Professor titular do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí (Univale).
– Membro de comissão avaliadora do Conselho Estadual de Educação (CEE/SC).
– Membro da Associação dos Administradores da Grande Florianópolis.
– Conselheiro e Presidente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina – CRA/SC.
Contato: carneiro@crasc.org.br

Sergio Oliva
– Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
– Pós-graduado em Gerenciamento de Obras pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-PR)
– Coordenador Estadual de Concurso do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/SC).
Contato: sergio@medeirosoliva.arq.br

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content
VEJA TAMBÉM NO MASSA CINZENTA

MANTENHA-SE ATUALIZADO COM O MERCADO

Cadastre-se no e receba o informativo semanal sobre o mercado da construção civil