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Controle de qualidade de estacas: como proceder?

Área Técnica, Gestão, Gestão de Obras, Sobre Concreto 27 de agosto de 2014

Peças utilizadas na etapa de fundação precisam atender requisitos técnicos, caso contrário podem comprometer a obra e custar caro ao construtor

Por: Altair Santos

O percentual das fundações no custo de uma obra é relativamente baixo. Varia de 3% a 4%. Porém, quando ocorrem patologias as consequências podem ser extremamente danosas, sem contar os problemas judiciais que acarretam. Por isso, o planejamento e o controle de qualidade são fundamentais. O ensinamento parte de um especialista: o professor de Fundações da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo, Ivan de Oliveira Joppert Jr., que palestrou no 16º seminário de Tecnologia de Estruturas, promovido recentemente pelo SindusCon-SP.

Ivan de Oliveira Joppert Júnior: fissuras maiores que 0,5 mm em estacas pré-fabricadas de concreto dão problema

Joppert destacou que o primeiro passo para manter o controle de qualidade na instalação de fundações, sejam elas em forma de estacas ou radier, é realizar o estudo do solo. “Saber a homogeneidade do solo influencia no projeto, no modelo da sapata, no tipo de armação, na tecnologia da concretagem e nas escolhas das estacas, pré-moldadas em concreto, aço ou pré-moldadas in loco. Por isso, é preciso que estudos sejam promovidos por um engenheiro de solo”, destaca, lembrando que tais recomendações devem ser ainda mais ressaltadas quando o empreendimento a ser erguido for em alvenaria estrutural.

O especialista lembra que, em termos de controle de qualidade, as estacas pré-fabricadas são o que ele define como o “sonho de consumo dos construtores”. “Além de o produto ser fabricado dentro dos parâmetros e normas técnicas recomendáveis, a cravação fornece todos os sinais em relação ao solo”, diz. No entanto, há empecilhos. “Um deles é a vibração causada no ato da cravação. Em áreas residenciais, o procedimento pode causar danos. Alguns municípios já possuem leis que proíbem o bate-estaca próximo de residências. Outro problema é a logística, pois tratam-se de peças longas que exigem transporte por caminhões e, se a obra estiver em um centro urbano, dependendo do local pode inviabilizar a chegada ao canteiro”, afirma Ivan de Oliveira Joppert Jr.

Estaca raiz: usada em obras de infraestrutura e na recuperação de estádios, como Maracanã e Mineirão

Cuidado com as fissuras
Uma estaca pré-moldada tem, em média, de 4 m a 12 m de comprimento. Os elementos podem ser emendados por luvas. No recebimento das peças, o professor da Mackenzie orienta que devem ser verificadas eventuais fissurações. “Fissuras de 0,1 milímetro a 0,5 milímetros são aceitas, desde que elas estejam na alça de içamento ou no centro da peça. No entanto, se as trincas forem longitudinais ou verticais, a estaca deve ser rejeitada, pois vai dar problema”, avisa Joppert Jr. Ele também destaca que, no caso das estacas pré-fabricadas de concreto ou pré-moldadas in loco, elas deverão ter corpo de prova, como recomenda a ABNT NBR 16258 (Estacas pré-fabricadas de concreto – Requisitos). “É preciso ter um histórico da fundação, para o caso de retrofit do prédio”, explica.

Entre as estacas de concreto mais utilizadas no mercado atualmente está a estaca raiz. Fabricada no local, ela se destaca pela elevada capacidade de carga e pela resistência ao atrito lateral do terreno. Sua aplicação se dá em fundações de pontes e viadutos, contenção de encostas e perfurações de solos com matacões e rochas.

Entrevistado
Engenheiro civil Ivan de Oliveira Joppert Júnior, professor da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie e diretor-presidente da Infraestrutura Engenharia Ltda

Contato
infras@infras.eng.br

Créditos Fotos: Divulgação – Cia. de Cimento Itambé e Roca

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 



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