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Construção civil gasta R$ 18 bilhões com burocracia

Gestão, Gestão de Obras, Mercado da Construção 9 de julho de 2014

Sobretaxas, trâmites em cartórios e lentidão do poder público elevam valor do imóvel em 12% e chegam a ocupar até 50% do ciclo da obra

Por: Altair Santos

O bom momento da construção civil entre 2008 e 2012 criou um efeito contrário aos negócios do setor: o aumento da burocracia. O custo do excesso de trâmites para viabilizar obras – principalmente nos principais centros urbanos do país – já equivale a R$ 18 bilhões ao ano. Por trás deste cenário que emperra a produtividade das empresas estão as prefeituras, os cartórios e a falta de uma normalização que padronize a burocracia sobre o segmento imobiliário no Brasil. Foi o que constatou estudo da consultoria Booz & Company, contratada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para avaliar o “custo da burocracia no imóvel”.

Diretoria da CBIC: empenho para desburocratizar processos na construção civil.

O levantamento foi praticamente o primeiro ato do novo presidente da CBIC, o engenheiro civil José Carlos Martins, que tomou posse no dia 1º de julho de 2014. “Somos responsáveis pelo processo de construção do imóvel e, com isso, assumimos a responsabilidade perante nossos clientes da entrega no prazo correto e com a qualidade necessária. No entanto, somos reféns, ao longo do processo, de um sistema arcaico incompatível com o momento em que vivemos. Isto é, as estruturas ficaram paradas no tempo, os conceitos estão envelhecidos e é nossa obrigação mostrar à sociedade como as coisas estão funcionando de forma excessivamente burocrática e ineficiente”, critica.

A pesquisa, que analisa os principais gargalos burocráticos que oneram e atrasam os empreendimentos imobiliários no país, também contou com o apoio da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) e do MBC (Movimento Brasil Competitivo). Nela, que teve abrangência nacional e apurou dados de construtoras que operam em todo o país, além de empresas com atuação regional, observou-se que, não fosse a burocracia, os imóveis no Brasil poderiam ser construídos mais rapidamente e com custo menor.

Lento e caro
Entre as principais constatações feitas pela consultoria, estão:
1) O excesso de burocracia para a construção e aquisição da casa própria no Brasil aumenta em até 12% o valor final do imóvel para o proprietário. Isso equivale a R$ 18 bilhões por ano, considerando-se os financiamentos com recursos do FGTS e da caderneta de poupança, com base na média de unidades novas entregues anualmente.
2) A burocracia também aumenta o prazo de entrega da casa própria. Dos cinco anos que um imóvel financiado pelo FGTS pode levar para sair do papel, ou seja, do projeto à entrega, dois anos são consumidos apenas pelos processos burocráticos.
3) Os principais problemas constatados pelo estudo são: atraso na aprovação dos projetos pelas prefeituras, falta de padronização dos cartórios, falta de clareza nas avaliações das licenças ambientais e mudanças na legislação que atingem obras já iniciadas, como alterações nos planos diretores e de zoneamento, por exemplo.

Para reverter esse quadro, o setor da construção civil propõe a redução destes custos burocráticos por meio de melhores práticas para análise e aprovação dos projetos imobiliários, assim como a padronização e a revisão das legislações municipais, estaduais e federais, além de investimento em informatização de processos que liberam financiamentos aos compradores. A conclusão é que se essas medidas forem implantadas elas poderão não só reduzir os custos como diminuir de 60 para 32 meses o prazo para entrega dos imóveis.

Clique aqui e confira o estudo completo.

Entrevistado
Engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção

Contato
comunica@cbic.org.br

Crédito Foto: Silvio Simões/CBIC

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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