Concreto é material inspirador para obras de arte

Monumento aos 80 anos da migração japonesa, em São Paulo: concreto moldou a obra de Tomie Ohtake

Concreto é material inspirador para obras de arte

Concreto é material inspirador para obras de arte 1024 688 Cimento Itambé

De Pablo Picasso à centenária Tomie Ohtake, artistas plásticos e arquitetos viabilizam peças e monumentos combinando cimento, areia, brita e água

Por: Altair Santos

A artista plástica Tomie Ohtake, que em 2013 comemorou seu centenário, fez do concreto um de seus materiais preferidos. Mas não é a única. Nomes como o de Pablo Picasso (1881-1973) e outros tantos artistas – mundo afora e no Brasil – também se utilizaram e ainda utilizam da combinação cimento, areia, brita e água para converter suas inspirações em obras de arte. Isso se estende aos arquitetos, inclusive Ruy Ohtake – filho de Tomie Ohtake. Porém, nenhum é mais representativo do que Oscar Niemeyer (1907-2012). Não apenas pela construção de Brasília, mas pelos monumentos que projetou.

Monumento aos 80 anos da migração japonesa, em São Paulo: concreto moldou a obra de Tomie Ohtake

Com Niemeyer, a densidade do concreto tornou-se leve. É o que se pode constatar no conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, ou nos verdadeiros palácios que projetou em Brasília. Do Alvorada ao Planalto, passando pelo Congresso Nacional, pelo prédio do Supremo Tribunal Federal ou pela catedral do Distrito Federal, é possível ver um Niemeyer comprometido com sua paixão pelas curvas e com a funcionalidade dos prédios que idealizou. Essa característica própria do arquiteto o fez espalhar obras por todos os continentes. Calcula-se que cerca de quinhentas, assinadas por ele, estejam hoje em algum lugar do mundo.

Tomie Ohtake, uma das principais representantes do movimento estético conhecido como abstracionismo, hoje é referência em uso de concreto em obras de arte. Em sua biografia, disponível no site do Instituto Tomie Ohtake (www.institutotomieohtake.org.br) consta que ela começou a utilizar o material como inspiração há 19 anos. “Desde a 23ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1995, Tomie passou a investir em formas tridimensionais. Hoje, 27 obras públicas de sua autoria fazem parte da paisagem urbana de algumas cidades brasileiras. Em São Paulo, parte delas se tornaram marcos paulistanos, como a escultura em concreto armado na avenida 23 de maio, em homenagem aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil.”

Complexo governamental em Oslo, na Noruega: painéis de Picasso esculpidos no concreto

Fora do país, o concreto também é inspirador. Pablo Picasso tem nos prédios do Regjeringskvartale (Quarteirão do Governo), em Oslo, na Noruega, um de seus mais conhecidos painéis esculpidos no material. Trata-se da primeira incursão do artista espanhol no concreto. Os murais variam em tamanho. Vão do “The Fisherman”, uma imagem de 12 metros de largura que ocupa uma parede inteira, a “The Beach”, gravada na parede interior de outro prédio. Essas obras, no entanto, estão sob risco. Em 2011, um atentado terrorista com carro-bomba afetou parte do complexo de edificações e o governo norueguês estuda demolir os prédios, já que restaurá-los envolve a quantia de US$ 70 milhões (cerca de R$ 166 milhões).

Na engenharia civil, pontes, túneis e viadutos construídos em concreto também podem ser definidos como obras-primas quando atingem o chamado “estado da arte”. Por vezes, não é nem o empreendimento em si que merece esse adjetivo, mas o trabalho intelectual desenvolvido por um projetista ou por um engenheiro. Como define o pesquisador Luciano Décourt, até um canteiro de obras é digno do conceito. “Se a infraestrutura para se construir uma edificação levar em conta aspectos ambientais e sócio-econômicos, além de utilizar práticas recomendadas sob o ponto de vista tecnológico, e conseguir mitigar ações de natureza gerencial, as chances de a obra atingir o estado da arte são bem maiores”, explica.

Fontes
Instituto Tomie Ohtake, Instituto Pablo Picasso, Instituto Oscar Niemeyer

Contatos
www.institutotomieohtake.org.br
www.instituto-picasso.com
www.niemeyer.org.br

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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