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Cobogós remodelados

Área Técnica, Inovação, Novas Tecnologias, Pesquisas, Por dentro do Mercado, Sobre Concreto, Teoria e Prática, Universidade e Pesquisa 15 de setembro de 2010

Pesquisa aponta novas possibilidades para o elemento vazado como isolamento acústico

Por: Michel Mello

Blocos utilizam materiais simples para possibilitar produção em grande escala.

Um dos componentes bastante conhecidos da construção civil, o elemento vazado, ganha uma nova versão. É o que apresenta o estudo da arquiteta Bianca Carla Dantas de Araújo que oferece novas propriedades e possibilidades para o uso do elemento vazado. A pesquisa foi realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade do Estado de São Paulo (USP), e teve a orientação do professor Sylvio R. Bistafa, da USP.

Para Bianca, “a proposta foi o desenvolvimento de um elemento vazado acústico como componente aliado à acústica arquitetônica para projetos em climas quentes e úmidos”, explica a pesquisadora. Os elementos vazados, também conhecidos popularmente como “cobogós”, são blocos feitos a partir de diferentes materiais como argamassa de concreto, argamassa de cimento e areia, cerâmica, madeira ou vidro. São usados para iluminar e ventilar ambientes fechados. Seu uso é mais difundido em locais de clima quente e no Brasil é bastante comum na região nordeste.

Bianca Dantas: “A pesquisa apresenta uma nova discussão sobre a dicotomia do conforto acústico e aberturas na arquitetura”.

O que a pesquisa da arquiteta Bianca introduziu foram mudanças na forma dos blocos. Foi essa alteração que permitiu um maior isolamento acústico. Para Bianca, “a pesquisa apresenta uma nova discussão sobre a dicotomia do conforto acústico e aberturas na arquitetura, pois revela uma porcentagem significativa de área aberta (12%) em uma fachada com atenuação acústica em algumas frequências (37 dB em 800 Hz)”. O resultado em termos de isolamento foi semelhante àquele proporcionado por paredes de alvenaria. O detalhe é que o material utilizado é o mesmo dos elementos vazados comuns, argamassa de cimento e areia, na medida de 1:5 partes.

Cobogó

“Esse produto alia questões técnicas, culturais e econômicas que foram preservadas da referência já existente, incluindo o controle dos ruídos como mais uma propriedade, além da minoração da radiação solar, iluminação e ventilação natural”, complementa Bianca.

O nome comercial dos elementos vazados que tem origem nas iniciais dos sobrenomes dos engenheiros que desenvolveram essa inovação: Coimbra, Boeckmann e Góis. Também pode ser encontrado com o nome de Combogó em algumas regiões do país.

Os “cobogós” são elementos vazados, normalmente produzidos na forma de blocos e com tamanho de 15 x 20 centímetros. Podem ter forma regular ou não. Apresentam uma grande diversidade de modelos e materiais em sua composição.

A inovação

A inovação consta de uma modificação na forma do desenho dos blocos, o que dificulta a passagem de ondas sonoras e cria isolamento acústico. Os blocos tiveram seu formato alterado, foram criados pequenos desvios para a passagem do ar, de modo a dificultar a propagação das ondas sonoras.

Para essa pesquisa, os cobogós que foram testados são produzidos em argamassa de cimento e areia. Essa composição foi a que apresentou melhor desempenho identificado para as médias e altas faixas sonoras. Quando submetido a uma faixa sonora de 800 hertz, o bloco vazado registrou uma redução máxima de 37 decibéis.

Produção

A produção do elemento vazado procurou utilizar os materiais mais simples disponíveis no mercado. Com isso, se reduziu os custos dos testes, o que facilita sua futura utilização e produção em escala industrial. Essa pesquisa deve prosseguir a partir do emprego de novos materiais na produção dos elementos vazados. A pesquisadora enfatiza que “a pesquisa irá avançar no sentido de aprimorar a atenuação em baixas frequências, e a permeabilidade à ventilação natural, além da iluminação natural”.

Existe a possibilidade de produzir blocos de elementos vazados a partir de outros materiais. O novo modelo de elemento está em fase de registro de patente, depois do qual será analisada a viabilização da produção em escala industrial.

 “A metodologia utilizada foi baseada na norma internacional ISO (ISO 140-5), a qual determina, através de medições in situ, o cálculo da Diferença Padronizada de Nível. Além da simulação de desempenho de ventilação natural em Computational Fluid Dynamics (CFD) que revelou uma aceleração dentro do bloco e a manutenção da característica de elemento vazado”.

Entrevistada:
Bianca Carla Dantas de Araújo
>> Currículo
– Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
– Mestra em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP).
– Doutoranda do programa de pós-graduação em tecnologia da arquitetura da FAUUSP.
– Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Conforto Ambiental, além de licenciamento ambiental de empreendimentos, atuando principalmente nos seguintes temas: conforto ambiental, tratamento acústico, meio ambiente.
Contato: dantasbianca@gmail.com

Jornalista responsável: Silvia Elmor – MTB 4417/18/57 – Vogg Branded Content


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