Cinza de cana-de-açúcar no CAA se limita à pesquisa

Equipe da UEM que coordenou o estudo: pesquisa usou o Cimento Portland CP II-F-32.

Cinza de cana-de-açúcar no CAA se limita à pesquisa

Cinza de cana-de-açúcar no CAA se limita à pesquisa 800 534 Cimento Itambé

Estudo realizado na Universidade Estadual de Maringá ganha prêmio acadêmico, mas precisa de mais desenvolvimento para chegar ao mercado

Por: Altair Santos

Não é de hoje que as escolas de engenharia e os centros de pesquisa têm buscado alternativas para melhorar a eficiência ambiental do concreto e também reduzir seu custo de produção. A mais recente iniciativa ocorreu na Universidade Estadual de Maringá, no interior do Paraná, onde um grupo conseguiu desenvolver concreto autoadensável (CAA) incorporando cinza do bagaço da cana-de-açúcar em substituição parcial à areia. Após oito meses de estudo, e 280 experimentos, a pesquisa apontou para um produto que conseguiu atender aos requisitos da ABNT NBR 15823 – Concreto autoadensável -, mas que ainda terá de percorrer um longo caminho até que possa chegar ao mercado.

Equipe da UEM que coordenou o estudo: pesquisa usou o Cimento Portland CP II-F-32.

De acordo com o professor-mestre Rafael Germano Dal Molin Filho, que coordenou o projeto junto ao programa de pós-graduação em engenharia urbana da UEM, como a cinza de bagaço de cana-de-açucar é um resíduo e não um subproduto, significa que ela ainda não tem as condições técnicas, como queima controlada, para que seja reproduzida em características comerciais e industriais. “O próximo passo da pesquisa é desenvolver todo o controle tecnológico para que se possa garantir o desenvolvimento de um material confiável ao mercado”, diz. O professor da UEM afirma que essa etapa será conseguida através de parcerias com concreteiras de Maringá, que também ajudarão a desenvolver o novo CAA.

A pesquisa realizada na UEM apontou que o concreto autoadensável que utiliza cinza de bagaço de cana-de-açúcar preenche de maneira bem adequada a fôrma, sem precisar de energia adicional. O material também apresentou mais facilidades no transporte. “Isso é um aspecto muito significativo quanto à quantificação de pessoas no canteiro de obra. Envolve diminuição de ruídos, envolve o lançamento mais rápido e uma projeção mais otimizada dos recursos disponíveis para a realização da obra”, afirma Rafael Germano Dal Molin Filho, para quem o produto apresentou um custo competitivo, haja vista que a cinza de cana-de-açúcar na região de Maringá tem alta oferta.

Bagaço da cana-de-açúcar passou por vários processos até chegar a um componente que se assemelhasse à areia.

Quanto à resistência, o produto desenvolvido na UEM apresentou características iguais ao CAA convencional. “A melhor comparação está nos traços que realizamos com cinzas e sem cinzas. Os resultados foram os mesmos. Então é possível desenvolver aspectos de resistência estrutural conciliada à perspectiva do uso desta tecnologia”, garante Rafael Germano Dal Molin Filho, que na pesquisa utilizou o Cimento Portland CP II-F-32 – um dos recomendados para a produção de concreto autoadensável. O professor também assegurou que o CAA alternativo pode ser aplicado em qualquer obra que necessite do material, ressaltando que os requisitos da ABNT NBR 15823 foram atendidos.

 

 

Concreto autoadensável com cinza de bagaço de cana-de-açúcar: maior fluidez do que o convencional.

Em relação às restrições que outras normas impõem ao uso de agregados alternativos no concreto, Rafael Germano Dal Molin Filho disse que acompanha com atenção a revisão da ABNT NBR 12655 – Concreto – Preparo, Controle e Recebimento. Com seu texto atual, essa norma impede o uso de cinzas de qualquer natureza como aglomerante do concreto, apesar de elas terem atividade pozolânica e serem usadas na fabricação do cimento. “Dependendo do que sair da revisão, ela vai estimular novas pesquisas, podendo dar projeção de novos agregados para a construção civil. Eu vejo isso como uma boa solução, pois tudo o que tem uma recomendação técnica nos ajuda, inclusive, a prospectar como será a utilização do resultado destas pesquisas”, analisa. O estudo feito na UEM rendeu à universidade o 1º lugar na 5ª edição do Prêmio Caixa de Projetos Inovadores com Aplicabilidade na Indústria Metalúrgica, Mecânica, Eletrônica, Materiais Elétricos e Construção Civil.

Saiba mais sobre a pesquisa de CAA com cinza de bagaço de cana-de-açúcar

 

Professor Rafael Germano Dal Molin Filho: coordenador do projeto.

Entrevistado
Rafael Germano Dal Molin Filho, professor-colaborador do departamento de engenharia de produção da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Currículo
– Rafael Germano Dal Molin Filho é graduado em engenharia de produção pela UEM (2005)
– Tem especialização em marketing (Instituto Paranaense de Ensino (2007) e MBA em gestão estratégica de empresas pela UEM (2010)
– É mestre em Engenharia Urbana pela UEM (2012)
– Desde fevereiro de 2012 atua como professor-colaborador no departamento de engenharia de produção da UEM, onde ministra as seguintes disciplinas: eletrotécnica e automação industrial (graduação), engenharia da qualidade I (graduação), planejamento e controle da produção I e II (graduação) e orientações na graduação e pós-graduação
Contatos: rgdmfilho2@uem.br / rafagermano@hotmail.com
Créditos fotos: Divulgação/UEM

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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