Uso de celular fica proibido em canteiros de obras

Proibição de uso de aparelhos celulares em canteiros de obras do Distrito Federal vale até para quem usa os equipamentos como ferramenta de trabalho

Uso de celular fica proibido em canteiros de obras

Uso de celular fica proibido em canteiros de obras 1024 547 Cimento Itambé

Medida inédita foi tomada pelos sindicatos patronais e de trabalhadores da construção civil do Distrito Federal e tende a ser seguida em todo o Brasil

Por: Altair Santos

O uso de aparelhos celulares em canteiros de obras se transformou em uma preocupação para as construtoras. O problema está na falta de controle, o que acaba colocando em risco a segurança dos trabalhadores. Após vários debates, que resultaram na ausência de consenso, os sindicatos patronais e de trabalhadores da construção civil do Distrito Federal resolveram tomar uma atitude radical em relação aos equipamentos portáteis, como smartphones, tablets e dispositivos similares. A partir de setembro de 2014, os operários não poderão acessar a internet e as redes sociais nem responder mensagens instantâneas, como as de WhatsApp, nos canteiros de obras.

Proibição de uso de aparelhos celulares em canteiros de obras do Distrito Federal vale até para quem usa os equipamentos como ferramenta de trabalho

As ligações por celular serão permitidas, desde que autorizadas por um superior, e atendidas em um local delimitado pelo gestor. Nos intervalos, como o horário de almoço, o uso dos aparelhos fica liberado. Em caso de descumprimento da regra, os operários estarão sujeitos às mesmas sanções aplicadas a quem não usar o Equipamento de Proteção Individual (EPI) o que pode levar até a demissão por justa causa. O diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF, Izidio Santos Júnior, explica por que foi necessário tomar essa medida. “Ocorreram alguns acidentes causados pelo uso não só de aparelho de celular, mas de fone de ouvido também”, diz.

A proibição será acompanhada de um programa educativo durante 90 dias, para mostrar aos trabalhadores a importância dos novos procedimentos. “Nossa expectativa é de que tenha adesão plena. A gente trata deste assunto como quem trata do uso de um equipamento de segurança, como um cinto ou capacete. O operário que está trabalhando no 10º andar necessita do cinto de segurança para proteger a sua vida. É uma causa de acidentes que está sendo combatida”, comenta, assegurando que haverá locais determinados para quem precisa usar os aparelhos como instrumento de trabalho. “Se o profissional estiver em uma área onde existe risco, o uso está proibido”, completa.

Izidio Santos Júnior: outros SindusCons se interessaram por medidas tomadas no DF

Propagação pelo país

A medida, ao mesmo tempo que é polêmica, desperta interesse de outros SindusCons. “Os sindicatos nos questionam para ver a eficiência da medida e o porquê dela. Eles estão estudando o assunto, para adotar soluções similares”, afirma Izidio Santos Júnior, estimando que mais de dez sindicatos já procuraram o SindusCon-DF. No entanto, ele não acredita que isso possa se tornar lei municipal, por exemplo. No entender dele, ficará restrito a decisões setoriais, com o aval das convenções coletivas e das Delegacias Regionais do Trabalho. “A classificação do Ministério do Trabalho quanto à segurança vai de um a quatro. A construção civil é grau de risco três. É alto, mas estamos conseguindo diminuir consideravelmente. Esta é uma atitude setorial, independentemente de leis”, assegura.

No entender do SindusCon-DF, poderá haver ganho de produtividade com a decisão. “Isso virá junto. Hoje, por exemplo, tornou-se um vício esta troca de mensagens por aparelhos celulares. Não apenas na construção civil, mas nas ruas. Isso expõe as pessoas a situações de risco. Estamos atacando a causa de acidentes”, finaliza o diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF.

Entrevistado
Engenheiro civil Izidio Santos Júnior, diretor de política e relações trabalhistas do SindusCon-DF, vice-presidente do Seconci Brasil e vice-presidente do Clube de Engenharia de Brasília (CEnB)

Contato
sinduscondf@sinduscondf.org.br

Créditos Fotos: Agência Brasil/SindusCon-DF

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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