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CBIC mantém posição otimista sobre crescimento em 2011

Gestão, Gestão Estratégica, Mercado da Construção 16 de março de 2011

Presidente Paulo Safady Simão vê construção civil como protagonista nos avanços que o Brasil irá experimentar nos próximos anos

Por: Altair Santos

Mesmo com os ajustes anunciados pelo governo no programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, avalia que a construção civil confirmará as projeções para 2011, que colocam o setor como o que mais crescerá no país neste ano. A estimativa é de um avanço de 6,6%.

Paulo Safady Simão: construção civil é protagonista para que país atinja a infraestrutura adequada para crescer com sustentabilidade.

Paulo Safady Simão considera que a indústria da construção civil está investindo para confirmar a projeção e crê que o setor será protagonista no plano do Brasil de crescer de forma sustentável. Para contribuir, a CBIC apresentou ao governo o programa Sanear é Viver, que propõe investimento maciço para zerar o déficit em saneamento básico do país.

É sobre esse projeto, e o cenário da construção civil em 2011, que Paulo Safady Simão fala na entrevista a seguir. Confira:

Recentemente, a CBIC estimou que o PIB da construção civil pode crescer 6% em 2011 acima do projetado para o país. De onde vem esse otimismo?
Inicialmente, vale à pena esclarecer que a CBIC trabalha com as projeções oficiais de crescimento que são divulgadas no país. Assim, o Banco Central divulgou, em seu último Relatório de Inflação, que espera crescimento de 4,5% para a economia nacional em 2011, enquanto, para a construção civil a estimativa é de 6,6%. Acreditamos que esse número realmente é possível e isso se deve a fatores como a continuidade da expansão do crédito imobiliário, a segunda fase do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), às obras de infraestrutura (especialmente as de saneamento), aos investimentos necessários para a Copa do Mundo em 2014 e também para as Olimpíadas em 2016. Esses fatores, somados ao crescimento do mercado de trabalho formal e da renda da população, certamente contribuirão para a expansão das atividades do setor da construção. De toda forma, é bom ressaltar que estas são as primeiras estimativas para 2011 e elas podem ser alteradas de acordo com novos acontecimentos na área econômica.

Mesmo com os recentes cortes no programa Minha Casa, Minha Vida essa projeção se sustenta?
Conforme explicado anteriormente, estas são as primeiras estimativas para o ano e elas estão mantidas até agora. Somente podem ser modificadas (para mais ou para menos) de acordo com alteração no percurso da economia. Particularmente, em relação aos cortes no Programa Minha Casa, Minha Vida, o Ministério do Planejamento e das Cidades já esclareceram, através da publicação de nota conjunta, que os recursos destinados ao programa são suficientes para garantir o desembolso necessário para o andamento, neste ano, das obras já contratadas e o início da sua 2.ª etapa.  Ainda é bom ressaltar que a meta de construção de 2 milhões de unidades habitacionais até 2014 está  mantida, e isso é muito importante. Além disso, existe a perspectiva de iniciar o PMCMV 2 no mês de abril, quando é esperado que a Medida Provisória n.º 514, que cria a segunda etapa do programa, seja votada pelo Congresso. Por fim, é bom salientar que a nota divulgada pelos ministérios destaca que o orçamento global, para o PMCMV em 2011, era de R$ 36,7 bilhões. Com o ajuste anunciado, ele foi alterado para R$ 31,6 bilhões. Entretanto, neste valor ainda devem ser somados R$ 9,5 bilhões de restos a pagar, o que totaliza R$ 41,1 bilhões. Assim, o valor reduzido será compensado pelos restos a pagar e isso fará com que a liberação de recursos em 2011 inclusive seja maior do que no ano passado.

Em relação aos gargalos que precisam ser superados para um crescimento sustentável da construção civil no Brasil quais são os mais prementes a serem enfrentados?
A construção civil vislumbra um horizonte positivo para as suas atividades. Mas é claro que existem desafios a serem superados: encontrar novas fontes para o financiamento imobiliário no país, superar a falta de mão de obra qualificada, a forte competição do mercado, os juros altos, o elevado custo da mão de obra (leia-se altíssimos encargos sociais), a baixa taxa de investimento no país, a burocracia no licenciamento de empreendimentos e a infraestrutura precária são alguns deles.

O investimento em saneamento básico, através do programa Sanear é Viver, pode ser um dos propulsores do setor nos próximos anos?
O objetivo do programa “Sanear é Viver” é propor ao governo e à sociedade ações que melhorem o desempenho do saneamento do país e elevem o tema ao status de prioridade da agenda política.  Para isso, ele vai abordar quatro diferentes aspectos do tema: captação, tratamento e distribuição da água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem urbana e coleta e destinação de resíduos sólidos. É um projeto amplo para se repensar esta questão no país. Não é um projeto simplista que pensa para dentro do setor, ou seja, promover o seu desenvolvimento. Ele é amplo, holístico, pensa na qualidade de vida da população e é isso que contribuiu para o desenvolvimento do país. É uma contribuição do setor para que o Brasil consiga sedimentar seu crescimento sustentável. E não há como garantir esse crescimento enquanto milhares de brasileiros ainda não possuem sequer esgoto coletado e um número surpreendente de mortes é observado em função de infecções gastrintestinais, por exemplo. Algo inaceitável para um país que, segundo estimativas, já é a sétima maior economia mundial. Melhoria do saneamento significa menos doenças e isso se traduz em economia de recursos que podem ser investidos na melhoria dos serviços de saúde para a população.  Investimento em saneamento indica mais saúde, mais qualidade de vida para a população e também melhoria para o solo.  Saneamento é programa de saúde pública, é programa de desenvolvimento nacional e não setorial.  É a união de esforços que certamente levará o país a encontrar o caminho mais adequado para resolver esta questão essencial para a qualidade de vida da população.

No ano passado, o setor da construção civil atingiu a marca de 2,6 milhões de empregados com carteira assinada. Neste ano a previsão segue a mesma tendência?

Em 2010, a construção nacional cresceu 11,6%, a maior alta em mais de duas décadas. Para se ter uma ideia, a última vez que o setor cresceu acima de dois dígitos foi em 1986 (17,84%). E claro, o maior dinamismo de atividades refletiu diretamente no mercado de trabalho. Para 2011, conforme já destacamos anteriormente, a perspectiva é que o crescimento continue. Assim, a tendência é de que esse número de trabalhadores com carteira assinada continue crescendo para suprir o desenvolvimento das atividades do setor.

E quanto à escassez e qualificação da mão de obra, qual o prognóstico que a CBIC faz?

Em relação à dificuldade em qualificação/capacitação da mão de obra, sempre é bom ressaltar que é reflexo da estagnação e do tímido crescimento observado no segmento por cerca de duas décadas. Além disso, deve-se ressaltar que este desafio adquire uma magnitude ainda maior diante da recente industrialização do processo construtivo. Mas merecem destaque os investimentos do setor em programas de capacitação. As empresas têm ampliado seus processos de qualificação até mesmo dentro dos canteiros de obras. O setor tem buscado intensificar a qualificação dos trabalhadores nos cursos do Senai, nos canteiros de obras e em parcerias com universidades, e assim tem procurado avançar em suas atividades.

A indústria da construção civil trabalhou em 2010 com uma capacidade instalada de 87%. Isso não preocupa? A margem não deveria ser maior para não ocorrer risco de demanda maior do que a oferta?
Inicialmente, é bom esclarecermos as informações para que se possa compreender melhor o que elas representam, bem como os seus impactos. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) realiza, mensalmente, pesquisa onde informa o nível atual de utilização da capacidade instalada das indústrias de materiais de construção. Em 2010, por oito meses, este número foi de 87%, finalizando dezembro com 86%. Portanto, os números sinalizam estabilidade neste indicador e não incremento. Além disso, a mesma pesquisa realizada pela Abramat também revela que, em dezembro de 2010, 72% das indústrias de materiais de construção pretendiam investir nos próximos 12 meses, enquanto, em dezembro de 2009, esse número era de 67%. Portanto, os números a princípio garantem que os investimentos estão atendendo o crescimento da demanda no setor e a perspectiva é de que eles continuem atendendo.

Questões como inflação e necessidade de ajuste fiscal podem influenciar nos números de 2011?

A estabilidade macroeconômica é essencial para o crescimento do país. Nesse contexto, a inflação sob controle (dentro da meta) sem dúvida exerce papel fundamental. Foi esse controle que ajudou, nos últimos anos, especialmente após o Plano Real, o Brasil a sedimentar seu crescimento.  Sabemos que os aumentos dos preços no país atualmente podem ser justificados por fatores externos (commodities agrícolas apresentam elevação, problemas climáticos em importantes produtores e exportadores mundiais e aumento de renda (consumo) dos países em desenvolvimento) e também por fatores internos (pressão de preços administrados, preços alimentos in natura, preços dos serviços e também pelo aquecimento da economia). Entretanto, no que depende dos fatores internos, e que está ao alcance do país resolver, acreditamos que podemos equacionar particularmente se o governo racionalizar seus gastos, ou seja, passar a aumentar seus investimentos, passar a gastar com mais eficácia. A partir deste comportamento, a política de juros poderá ser revista e o investimento poderá ser reforçado. Em relação a ajustes fiscais, o governo já ressaltou, por várias vezes, que os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no PMCMV serão mantidos. Isso também é um fator estimulante para o setor, que precisa continuar se desenvolvendo. Afinal, o país ainda precisa de uma infraestrutura adequada para que possa sustentar o seu crescimento. E, nesse aspecto, a construção civil exerce papel de protagonista.

Entrevistado
Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
Currículo

– Engenheiro civil formado no ano de 1971, pela Escola de Engenharia da UFMG.
– Especializou-se em Administração de Empresas na Fundação João Pinheiro, em conjunto com a Graduate School of Business da Columbia University de New York.
– Foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais-Sinduscon/MG, no período de 1986 a 1992
– Vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais-FIEMG, de 1989 a 1995
– Membro do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS), de 1989 a 1993
– Presidente da Empresa Mineira de Turismo (Turminas), de 1995 a 1998
– Membro do Conselho Fiscal da Sociedade Mineira dos Engenheiros (SME), de 2002 a 2005
– Atualmente, além de presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), gestões 2003/2005, 2005/2008 e 2008/2011, é, também, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República desde 2003, sendo reeleito anualmente
– Vice-presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), gestão 2003/2011
– Vice-presidente da Confederação das Associações Internacionais de Empreiteiras de Construção (CICA), gestão 2010/2012, e diretor presidente da Wady Simão-Construções e Incorporações LTDA.
Contato: jornalista@cbic.org.br / www.cbic.org.br

Crédito: Divulgação/CBIC

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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