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Capital privado é importante para a infraestrutura

Gestão, Gestão de Obras 23 de janeiro de 2012

Especialista defende que, para tirar obras do imobilismo, governo precisa ser mais regulador e fiscalizador e menos investidor

Por: Altair Santos

Para a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) não há mais como o Brasil  recuar na questão do investimento em grandes obras. Em seu último boletim de análise de 2011, a entidade avaliou que o setor tem condições de ser a plataforma para a expansão do crescimento em 2012. No entanto, a Abdib ressalta que o poder público precisa potencializar a participação do capital privado na infraestrutura brasileira.

Adriano Pires: "O ditado, infraestrutura é dever do Estado, já não está valendo mais nos dias atuais”.

A linha de pensamento coincide com a de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “É preciso atrair mais recursos privados, mas para isso é necessário dar mais segurança regulatória e jurídica para os investidores. Infraestrutura requer investimentos de longo prazo e o Brasil não pode deixar passar essa oportunidade. Principalmente  quando estamos diante de eventos internacionais como Copa do Mundo e Olimpíadas”, diz.

Em 2011, o investimento total em infraestrutura somou  R$ 184 bilhões, entre recursos públicos e privados. Até 2016, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) projeta injetar mais R$  922 bilhões no setor. O problema, detecta Adriano Pires, é que quase metade deste valor (R$ 424 bilhões) irá para o segmento de petróleo e de gás, quando saneamento básico, estradas, portos e aeroportos também precisam receber igual volume de recursos. “O BNDES não é suficiente para resolver o problema. O governo precisa ter mecanismos para atrair investimentos que não sejam públicos”, avalia.

Segundo o diretor do CBIE a iniciativa privada está muito interessada em investir em obras de infraestrutura no país, mas o governo precisa sinalizar. “Infraestrutura no Brasil dá retorno suficiente para que o setor privado faça os investimentos. O que deveria acontecer é que o Estado deveria estar mais preocupado em ser regulador e fiscalizador e menos preocupado em ser investidor. Na medida que isso ocorrer, o setor privado vai ter segurança jurídica e econômica para investir”, analisa.

Hoje, continua Adriano Pires, o problema do Brasil não é falta de dinheiro. “Todo mundo quer colocar dinheiro no país. Apesar da crise internacional, ainda há uma grande liquidez lá fora. Os capitais europeus e americanos estão procurando mercado para colocar dinheiro. Este dinheiro só não está vindo em maior quantidade para o Brasil em função do risco regulatório.  O governo tem de entender que aquele ditado que prevaleceu nos anos 1950, de que infraestrutura é dever do Estado, já não está valendo mais nos dias atuais”, completa.

Construção civil

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura cita que a cadeia produtiva da construção civil deveria ajudar a influenciar o governo a rever sua política para tirar do imobilismo as obras de infraestrutura. “A construção civil vem crescendo muito em função do programa Minha Casa, Minha Vida. Se a infraestrutura avançar no mesmo ritmo do setor habitacional, o crescimento pode ser mais sustentável”, prevê, relacionando os setores mais carentes de investimento: “As estradas, os aeroportos e os portos brasileiros estão entre os piores do mundo. Tem que começar por aí”.

Entrevistado
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

Currículo
– Adriano Pires é graduado em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 1980. Tem mestrado em planejamento energético pela COPPE/UFRJ (1983) e doutorado em economia industrial pela Universidade Paris XIII (1987).
– É sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), uma empresa de consultoria nas áreas de petróleo, gás natural, energia elétrica e fontes alternativas de energia. – Atua há mais de 30 anos na área de energia. Sua última experiência no governo foi na Agência Nacional de Petróleo (ANP) como assessor do diretor-geral.
– Na UFRJ, exerceu a função de professor, pesquisador e consultor junto a empresas e entidades internacionais. Desenvolveu atividades de pesquisa e ensino nas áreas de economia da regulação; economia da infraestrutura; aspectos legais e institucionais da concessão dos serviços públicos e tarifas públicas.  
Contato: adriano@cbie.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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