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Canteiro de obras organizado ajuda construção a ficar até 8% mais barata

Gestão, Mercado da Construção 7 de novembro de 2011
Armazenamento de materiais a serem usados numa obra requer logística e planejamento. Cada etapa de um empreendimento exige um tipo de demanda do estoque
 
Por: Altair Santos

 Em seu livro, Projeto e Implantação do Canteiro, Ubiraci E. Lemes de Souza descreve que uma obra que tenha seu pátio de construção bem organizado pode evitar perdas financeiras que variam de 3% a 8% em seu orçamento geral. Segmentando por materiais, desde que o armazenamento e o transporte sejam corretos, o desperdício cai nas seguintes percentagens por insumo: cimento (56%), areia (44%), cal (30%), condutores (27%), tubos de PVC e eletrodutos (15%).

Há construtoras que, para planejar o canteiro de obras, montam até maquetes para definir a melhor logística

São números que mostram que um empreendimento jamais pode começar sem que não se tenha definido a estratégica logística para o canteiro de obras. “Cabe ao engenheiro ter uma boa visão das fases, planejar bem o cronograma, o famoso gráfico de Gantt, e pensar ao longo da obra para promover mudanças no canteiro aproveitando os espaços já construídos. Isso é que fará o trabalho se desenvolver sem atropelos”, explica Roberto Guidugli, especialista em elaboração e gerência de projetos.

Além da gestão dos insumos, a estratégia não pode também se esquecer da mão de obra. Para isso, há duas normas que regulamentam o canteiro. São a NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção) e NR-12284 (Áreas de Vivencia em Canteiros de Obra). “Elas trouxeram novos conceitos aos canteiros de obras e nos últimos dez anos dá para dizer que os pátios das construções estão razoavelmente mais bem organizados. A melhoria é significativa”, avalia Roberto Guidugli.

O especialista alerta, porém, que a construção civil no Brasil ainda precisa investir mais na mecanização do canteiro de obras. “Nós usamos poucos equipamentos para substituir mão de obra e também é reduzida a utilização de produtos semiacabados. No país usa-se muito pouco as gruas, por exemplo. Na Alemanha, você não constrói uma casa sem utilizar uma grua. Aqui, nos prédios até cinco pavimentos, raramente são utilizadas gruas. Também é raro ver esteiras para transportar materiais, assim como o uso de materiais paletizados”, diz.

Roberto Guidugli analisa também que o Brasil precisa avançar no planejamento e na racionalização da obra. “Isso é algo que precisa nascer com o projeto, o que raramente é feito”, afirma. O consultor sugere que os construtores promovam mais intercâmbios. “Eles precisam visitar canteiros de obras que funcionam com bons níveis de organização, participar de congressos e palestras sobre o assunto, ler o que está sendo publicado na área”, recomenda.

Just in time

Outra prática pouco utilizada ainda no Brasil é o processo Just in time, em que o construtor estabelece parcerias com os fornecedores e já recebe o material adequado à obra. “No Brasil, isso só ocorre com o concreto. Quanto aos outros materiais, ainda é muito pequena a demanda. O Just in time no país depende muito de um amadurecimento da gestão da construção civil e de toda a cadeia produtiva”, considera Roberto Guidugli.

Mais um aspecto abordado pelo consultor está relacionado à falta de engenheiros no mercado. Segundo ele, há profissionais atualmente respondendo por até quatro obras ao mesmo tempo. “Qual o tempo que ele vai ter para pensar na logística do canteiro de obras? O ideal é um engenheiro por obra, para que ele possa estudar e planejar todas as etapas da obra, mas não é o que acontece na prática”, finaliza.

Dicas de como armazenar materiais no canteiro de obras

Areia e brita
Terreno precisa estar pavimentado
Materiais devem ser separados por baias e cobertos por lona plástica

Cimento e cal
Material deve ser armazenado sobre estrados de madeiras e ficar em ambiente fechado e livre de umidade

Madeiras, telhas, tijolos ou blocos de concreto
Em local fechado ou coberto por lonas plásticas, para não ficar exposta ao tempo. O ideal é que sejam entregues em embalagens paletizadas

Louças sanitárias
O ideal é que cheguem à obra apenas quando os pavimentos estiverem erguidos, para que possam ser distribuídas nos locais onde serão instaladas. Devem ser mantidas na embalagem original até a instalação

Barras de ferro e tubos e conexões
Devem ser separados de acordo com a bitola e ficar em local coberto e seco

Tintas
Devem ficar em local coberto, seco e livre de altas temperaturas

Entrevistado
Roberto Rafael Guidugli Filho, consultor e especialista em elaboração e gerência de projetos, planejamento e controle de produção e capacitação de pessoal nos canteiros de obras
Currículo
– Graduado em engenharia civil pela Universidade Federal de Ouro Preto (1980)
– Possui especialização em engenharia econômica pela Fundação Dom Cabral (1995) e mestrado em engenharia de produção na área de gestão de qualidade, pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002)
– Já atuou em organismos governamentais como Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP), Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (URBEL) e Secretaria Municipal Regional de Serviços Urbanos (Belo Horizonte)
– Atualmente é consultor de empresas privadas e estatais e, como professor, ministra cursos de pós-graduação (Lato sensu) na UFMG, no Cefet-MG e na Fumec. Possui artigos publicados no Brasil e no exterior
Contato: robertoguidugli@luisborges.com.br /  guidugli@valoragregadoconsultoria.com.br 

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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