Burocracia paralisa reforma do edifício Copan

Patrimônio histórico de São Paulo, prédio teve obra na fachada interrompida pela justiça por causa do pastilhamento

Burocracia paralisa reforma do edifício Copan

Burocracia paralisa reforma do edifício Copan 1024 576 Cimento Itambé
Edifício Copan: reforma que sairia R$ 7 milhões vai custar R$ 30 milhões por causa da burocracia. Crédito: Divulgação

Edifício Copan: reforma que sairia R$ 7 milhões vai custar R$ 30 milhões por causa da burocracia. Crédito: Divulgação

Com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, o edifício Copan, na cidade de São Paulo-SP, teve sua construção concluída em 1966. Em 2012, a edificação foi tombada como patrimônio da capital paulista. Dois anos depois, em 2014, o prédio começou a passar por um retrofit em sua fachada. O revestimento original, de 50 anos atrás, era em pastilha cerâmica e o condomínio optou por trocá-lo por pastilha de vidro, para que a reforma coubesse dentro do orçamento. No entanto, a reforma acabou embargada. Foi exigido o uso de pastilhas cerâmicas do mesmo fornecedor dos anos 1960.

Acontece que o fabricante não produz mais aquele modelo de revestimento e já não possui mais as fôrmas originais para fabricar o material. Resultado: a reforma, que depende da compra de 46 mil m2 de pastilhas brancas e acinzentadas – cores originais do edifício – está paralisada desde 2017, expondo a fachada do histórico edifício ao risco de patologias. Segundo o síndico do prédio, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, há pareceres de engenheiros civis que afirmam que o material de vidro ou cerâmico não interfere tecnicamente na obra. Pelo contrário, o vidro tornaria a fachada mais impermeável e, portanto, mais resistente a infiltrações.

Se tiver que atender a exigência por pastilhas cerâmicas, o condomínio do Copan terá que contratar uma fabricação artesanal, o que elevará o custo do metro quadrado do revestimento de 40 reais para 180 reais, no mínimo. O caso está nas mãos da promotoria pública do meio ambiente do estado de São Paulo, que avalizou a interdição da obra pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico). Diante da decisão judicial, o condomínio do Copan terá que abrir concorrência pública para cotar a compra das pastilhas cerâmicas, o que fará com que a reforma, estimada em 7 milhões de reais, custe 30 milhões.

Maior prédio residencial em concreto armado do Brasil vive em constante manutenção

O impasse, que começou em 2017, deve se estender até 2019, apesar da reforma não ser por questão estética ou para testar a burocracia que envolve obras em patrimônios históricos. O motivo é estrutural. O revestimento antigo começou um processo de desplacamento por causa de reações álcali-agregados. A queda de pedaços da fachada chegou a atingir alguns veículos nas ruas do entorno do prédio, o que obrigou o retrofit. Vale lembrar que, com 115 metros de altura, 32 andares e 120 mil m² de área construída, o Copan é o maior prédio residencial do Brasil em concreto armado – cerca de 400 quilos por metro cúbico.

Em seus seis blocos, há 1.160 apartamentos que variam de 20 m2 a 350 m2. Neles residem mais de 5 mil condôminos. Porém, por causa das 80 lojas que operam no térreo, o edifício recebe uma população flutuante diária que varia entre 15 mil e 20 mil pessoas. Isso gera números impressionantes. O prédio consome 460 mil litros de água por dia e gera até 3 toneladas de lixo por dia. Já a manutenção é constante. Por isso, o condomínio criou uma escola de formação de mão de obra. O prédio também conta com oficinas próprias de serralheria, marcenaria, hidráulica, elétrica e pintura, empregando 104 funcionários. Não é à toa que o síndico do Copan, que administra toda essa estrutura, tem o apelido de “prefeito”.

Conheça um pouco mais do Copan:

Entrevistado
Condomínio Copan e publicações na imprensa de São Paulo-SP
Contato: sindico@copansp.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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