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Brasil descobre a engenharia de confiabilidade

Comportamento e Carreira, Teoria e Prática 31 de março de 2010

Especialização começa a chamar a atenção das empresas e de algumas das principais universidades do país

A engenharia da confiabilidade tem como foco a otimização de produtos ou processos que proporcionem o melhor desempenho com o menor custo. O grande desafio é fazer as companhias perceberem sua importância na redução de impactos ao meio ambiente, por exemplo. A confiabilidade é bastante flexível e pode ser aplicada em diversas áreas, como engenharia e desenvolvimento de produtos, qualidade, pós-vendas, manutenção e linhas de produção.

Denis Mazzei: “Na engenharia civil, uma aplicação que vem ganhando muito know-how é a Confiabilidade Estrutural.”

Para difundir o tema, ocorrerá um simpósio em São Paulo em maio deste ano para falar de confiabilidade. O evento tem entre os protagonistas o consultor sênior da ReliaSoft, Denis Mazzei. Trata-se de um dos principais especialistas do Brasil no assunto. Na entrevista a seguir, ele revela a aplicabilidade da Engenharia de Confiabilidade, principalmente no setor da construção civil. Confira:

No Brasil, o que deve fazer quem quiser se especializar em engenharia de confiabilidade?
Dependendo do nível que se deseja de especialização no tema, posso citar dois caminhos conhecidos do público industrial: as pós-graduações Lato-Sensu e Stricto-Sensu. Esta última, com direito a título, se dá quando o engenheiro, por exemplo, defende uma tese segundo um projeto desenvolvido voltado à engenharia de confiabilidade e suas aplicações. Já em São Paulo, a especialização Lato-Sensu é trabalhada por algumas universidades de ponta e vem ganhando muito terreno no segmento da manutenção. Desde já recomendo que se avalie bem o conteúdo técnico programático oferecido pela entidade educadora para que não se tenha surpresas ao final da especialização, já que neste nível torna-se mais abrangente no tema quando comparado ao anterior. Em qualquer uma delas, a região Sudeste surge no pódio destas qualificações, com bons investimentos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além destes, posso citar os treinamentos rápidos que encontramos no mercado — geralmente ditados por consultorias e assessorias — que nivelam o profissional ao uso da metodologia com foco na análise e interpretação da Engenharia de Confiabilidade Aplicada.

Quais escolas já ministram o curso?
As melhores pós-graduações Lato ou Stricto-Sensu estão na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), na USP (Universidade de São Paulo), que possuem currículos nos dois graus, e na UNICAMP (Universidade de Campinas), que trabalha o tema também em uma pós-graduação focada à gestão de ativos para o nível Lato-Sensu e que vale destacar. No Rio de Janeiro, a UFRJ (Universidade federal do Rio de Janeiro) tem bons programas no tema, e, em Florianópolis, a UFSC (Universidade federal de Santa Catarina) possui cadeiras em ambas as qualidades. Em Minas Gerais, a PUC (Pontifícia Universidade Católica) inicia neste ano uma pós-graduação em confiabilidade também em nível Lato-Sensu.

A especialização em engenharia de confiabilidade exige que o profissional tenha uma formação em engenharia?
Depende do nível de especialização desejada pelo profissional. A graduação de engenharia é muito solicitada pelas pós-graduações quando no tema da Confiabilidade. Isto se explica facilmente, pois o assunto envolve conceitos e definições que constroem o ciclo básico de formação de todo engenheiro. Se o nível de especialização buscado é para o uso da metodologia, com interpretações para o convívio operacional, objetivando aplicações práticas e rápidas sem o mérito docente, as já mencionadas consultorias são uma excelente opção para os técnicos e outras áreas de ciências exatas.

A requisição deste profissional já é perceptível no mercado brasileiro?
Sem compararmos com outras categorias, o mercado ainda é muito restrito, industrialmente falando. Posso dizer que em anos de exercício profissional, esta categoria teve sua taxa média de profissionais triplicada. Ou seja, passou a ser um interessante diferencial possuir esta habilidade ou competência no mercado, porém com restrições nas grandes empresas ou aquelas que acompanham a tecnologia e as novas tendências. O site CRP – https://www.reliasoft.org/crp/crps.aspx – é um importante veículo internacional no qual encontramos os profissionais mais dedicados do mercado profissional no tema confiabilidade aplicada.

Em quais países a engenharia de confiabilidade está bem difundida?
Sem dúvida alguma, os Estados Unidos são referência na condução, aplicação e tratamento quando nos referimos ao tema. Embora de natureza sueca, seu mais famoso artigo foi apresentado em 1951 nos Estados Unidos: a “A Statistical Distribution Function of Wide Applicability ”, honrado com medalhas de ouro pela ASME (American Society of Mechanical Engineers) em 1972. O artigo apresentava estudos de casos com a distribuição de Weibull que é de longe, a função estatística mais utilizada entre os engenheiros de confiabilidade. O engenheiro Waloddi Weibull conduziu seus estudos de Fratura, Fadiga e Confiabilidade, que tiveram ampla aplicação na engenharia de projeto durante mais de trinta anos e, historicamente, um requisito nato da sociedade americana ainda hoje.

Com quais ferramentas o engenheiro de confiabilidade trabalha?
Eu costumo utilizar o termo “ferramentas” para softwares e/ou sistemas que facilitam e dinamizam a vida profissional do engenheiro ou técnico. E, assim sendo, posso garantir que diante de uma infinidade de metodologias e técnicas que um engenheiro precisa compreender e utilizar, a aplicação da engenharia de confiabilidade pede o uso de softwares dedicados e práticos quanto à interpretação dos resultados analisados. As metodologias e teorias fundamentais do tema vão desde análises quantitativas como a LDA (Life Data Analysis), a SRA (System Reliability Analysis), a RGA (Reliability Growth Analysis), a FTA (Fault Tree Analysis) dentre outras e também análises qualitativas como a FMEA (Failure Mode and Effects Analysis) e o FRACAS (Failure Reporting Corrective Actions System), por exemplo.

O simpósio que o ReliaSoft promove está relacionado ao desenvolvimento sustentável. Dentro deste conceito, qual a aplicação da engenharia de confiabilidade na construção civil?
O tema é neutro e isto significa que, seja qual for a segmentação do mercado profissional, a sua aplicação é viável e sempre rentável quando afirmamos seus benefícios. No caso da construção civil, e dentro do conceito do desenvolvimento sustentável, com certeza o desperdício de materiais e a segurança operacional do usuário final são questões mais precisamente tratadas. O 8.º Simpósio Internacional de Confiabilidade, que será realizado em maio de 2010, em São Paulo, trará mais de trinta excelentes materiais que aplicam o tema confiabilidade e este ano mostrarão os benefícios gerados também para o mundo sustentável.

Na construção civil, a engenharia de confiabilidade poderia ser aplicada também na escolha dos materiais, valorizando durabilidade da obra, custo e sustentabilidade?
A engenharia de confiabilidade é também utilizada para seleção e especificação de materiais. Estuda o comportamento de vida e, com isso, a durabilidade do elemento de estudo com todas as métricas que acompanham este ciclo. Define com mais exatidão analítica os custos envolvidos tanto no projeto como na operação e manutenção, o que acaba definindo uma gestão mais apurada e linearmente precisa na tomada decisória das melhorias realmente necessárias. A sustentabilidade é uma tendência mundial que traz um conceito social, em minha opinião, extremamente importante por que lida com a questão do esgotamento dos recursos naturais do qual nos foi concebido. A engenharia de confiabilidade tem total parceria neste sentido.

Na engenharia civil há algum case que possa ser citado?
Na engenharia civil uma aplicação que vem ganhando muito know-how é a Confiabilidade Estrutural. Tal teoria avalia variáveis que validam uma estrutura segundo os aspectos, como o cisalhamento e resistência que são muito importantes para o segmento. Existem já muitas aplicações em estruturas de torres quanto aos extremos esforços que surgem com grandes tornados e ventos sobre elas. Na USP de São Carlos, o professor André Beck é um pioneiro brasileiro que ministra esta teoria e possui vários “cases” experimentais.

A engenharia de confiabilidade envolve equipamentos e projetos ou ela trata também do aspecto humano, podendo ajudar na montagem de uma equipe de profissionais, por exemplo?
Sem dúvida, o tema se mostra aplicável em quaisquer cenários que se deseja encontrar o comportamento de vida funcional de um objeto. O objeto humano é passível de falha e, portanto, estudar seu comportamento traz inúmeros benefícios. A profissão das Estatísticas ministra a “Análise de Sobrevivência” que, por teoria, acompanha a metodologia da confiabilidade e muito tem se aplicado desde a diagnose ao tratamento e pesquisa no campo da medicina. Escolher uma equipe de profissionais, por exemplo, envolve conhecer aspectos comportamentais cujas variáveis são estudadas pela Confiabilidade Humana. O tema já existe e se trabalha justamente nesta direção, a fim de buscar as melhorias mais atrativas e a melhor harmonia profissional — seja numa equipe de trabalho, seja em toda a organização. Vale destacar o volume 10 da coleção do professor Doutor Carlos Amadeu Pallerosi, que relata exatamente a teoria e prática já conhecida deste tema.

Quem é o entrevistado
O engenheiro mecânico Denis Mazzei, formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), atua há nove anos como consultor da ReliaSoft. Mazzei iniciou sua atuação em confiabilidade como engenheiro da EMBRAER, onde realizou análises de confiabilidade e disponibilidade para o mercado de defesa (área militar).
Como consultor de confiabilidade da ReliaSoft, Mazzei atuou na implementação da metodologia na Petrobras e também ministra treinamentos em todos os países da América do Sul para empresas como Mineração Rio do Norte, RECAP (Refinaria de Capuava), Johnson&Johnson, MWM International, Scania, Mectrom, TV Globo, Pan America, PDVSA, entre outras.
Contato com Denis Mazzei – Carolina Mendes: carolina.mendes@2pro.com.br (assessoria de imprensa)

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330



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