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Brasil coleta mais esgoto, mas falha no tratamento

Construção Sustentável, Gestão, Gestão de Obras, Infraestrutura, Responsabilidade Social e Ambiental, Sustentabilidade 8 de março de 2017

Nas 100 cidades mais populosas do país, 50% da população consegue ter acesso à coleta, mas só 42,7% das ligações recebem destinação adequada

Por: Altair Santos

Levantamento do Instituto Trata Brasil e da consultoria GO Associados revela que – pela primeira vez – mais de 50% da população do Brasil consegue ter acesso à coleta de esgoto. No entanto, o mesmo estudo mostra que, na outra ponta, o tratamento de esgoto ainda está precário. Só 42,7% recebem destinação adequada. Os dados, com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) (ano-base 2015), do ministério das Cidades, levam em conta números dos 100 municípios mais populosos do país.

Obra para tratamento de esgoto no Norte do Paraná: estado é o que tem melhor serviço de coleta e tratamento de esgoto

Obra para tratamento de esgoto no Norte do Paraná: estado é o que tem melhor serviço de coleta e tratamento de esgoto

O avanço detectado ainda não está no ritmo que permita ao Brasil cumprir as metas a que se propôs, quando lançou o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). A proposta era que a universalização dos serviços de saneamento básico fosse alcançada em 2033. Com o atual volume de investimento (R$ 13 bilhões por ano) a meta só será atingida em 2050. Para conseguir cumprir com o estabelecido no Plansab, a destinação de recursos para saneamento básico deveria ser de, pelo menos, R$ 19 bilhões até 2033.

Boa parte dos investimentos para coleta e tratamento de esgoto continua priorizando as capitais. As principais cidades de cada estado absorvem 63% dos recursos. Mesmo assim, há capitais que ainda não atingiram metas que deveriam ter sido alcançadas em 2011. “Essas 26 grandes cidades abrigam quase um quarto da população do país, então é esperado que tenham os maiores desafios para levar os serviços de água e esgoto à totalidade da população, mas é também certo que são as que têm mais condições de fazer projetos e levantar recursos para a solução. E isso não vem ocorrendo”, explica Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil.

Vazamentos
O Paraná surge como uma exceção neste cenário. O estado é destaque no ranking, com quatro cidades – Curitiba, Londrina, Maringá e Ponta Grossa – atingindo 100% da coleta de esgoto. Pelo quinto ano seguido, a capital paranaense é a primeira entre as capitais, ocupando o 11º lugar no ranking geral. Maringá foi classificada em 5º, Ponta Grossa em 7º, Cascavel em 8º e Londrina em 9º. Também aparecem bem posicionadas Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. “Temos 100% da população urbana atendida com água tratada e 71% com o serviço de coleta de esgoto. Do esgoto coletado, 100% é tratado”, afirma o presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche.

Nos números gerais do país, as deficiências que abrangem toda a cadeia do saneamento ainda deixam 35 milhões de brasileiros privados de coleta e tratamento de esgoto, e também de abastecimento de água. Neste quesito, de acordo com os dados do SNIS, o índice nacional de perda de água na distribuição chega a 36,7% no Brasil. Isso se deve a vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição. “É um absurdo. São volumes gigantescos de água que se perdem. A solução não é fácil, pois são quilômetros e quilômetros de tubulações para serem trocadas. Mas tem que fazer, porque, se não fizer, não vai ter recurso para investir no sistema”, alerta Édison Carlos.

Veja aqui o resumo dos dados revelados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.

Entrevistados
Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil (via assessoria de imprensa)
Mounir Chaowiche, presidente da Sanepar (via assessoria de imprensa)

Contatos
tratabrasil@tratabrasil.org.br
imprensa@sanepar.com.br

Crédito Foto: AEN

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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