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Brasil busca modelo de industrialização do concreto

Gestão, Mercado da Construção 3 de dezembro de 2015

Na Austrália, comitiva atuou em seminários e em visitas técnicas, a fim de encontrar modelos que incentivem a construção pré-fabricada no país

Por: Altair Santos

A cidade de Melbourne, na Austrália, reuniu entre o final de agosto e começo de setembro de 2015 a elite da comunidade mundial dedicada à pesquisa e à disseminação da construção industrializada do concreto. Durante o Concrete Australia, ocorreram dois importantes encontros: o fib Presidium e a reunião da C6 (Comissão de pré-fabricados da fib). Uma comitiva brasileira esteve nas duas conferências para absorver novos conceitos e tecnologias, a fim de buscar modelos que incentivem a construção industrializada no país.

Total Precast, tecnologia muito usada na Bélgica, é um conceito que o Brasil pode importar para o setor habitacional

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Houve também visitas técnicas a canteiros de obras inovadores. Entre eles, prédios com múltiplos pavimentos construídos com painéis e pilares pré-fabricados. O evento, realizado pelo Instituto Australiano de Concreto, em conjunto com o RILEM (União Internacional de Laboratórios e experts em matérias de construção e sistemas estruturais), serviu para mostrar, por exemplo, o quanto o país da Oceania está avançado na utilização de concreto de ultra-alta performance (UHPC) para a fabricação de peças pré-fabricadas para pontes.

A tecnologia permite construir ou substituir estruturas antigas utilizando o processo conhecido como ABC (Accelerated Bridge Construction) [Construção Acelerada de Pontes]. Os benefícios deste modelo incluem interrupção mínima do tráfego de veículos, reduzida manutenção, redução do tamanho das articulações e complexidades, maior durabilidade, velocidade de construção, eliminação de pós-tensão e tempo de uso prolongado das pontes. O UHPC apresenta, entre suas principais características, resistência à compressão seis a oito vezes superiores ao concreto convencional, além de vedação perfeita e capacidade de moldar os mais diversos elencos.

O material foi utilizado também na construção do Mucem (Museu das Civilizações Europeias e Mediterrânicas), em Marselha, na França. A enorme passarela que leva ao prédio e a fachada que envolve o museu foram todas construídas com UHPC. O concreto de ultra-alta performance foi a solução encontrada para que o edifício do Mucem não ficasse exposto à maresia com alta densidade de sal que se verifica na região em que foi construído. Erguido em 2003, o edifício foi um dos bons exemplos de como a construção industrializada oferece alternativas à engenharia civil.

Mucem, em Marselha, na França: fachada e passarela construídas com concreto de ultra-alta performance.

Mucem, em Marselha, na França: fachada e passarela construídas com concreto de ultra-alta performance.

Bons exemplos

Essa constatação é compartilhada pela engenheira Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto), e que representou o Brasil nas conferências ocorridas na Austrália. “Cada país possui sua cultura em relação às tipologias possíveis de uso das estruturas pré-fabricadas de concreto, que são inúmeras. Desde o total precast, presente nas estruturas em esqueleto dos edifícios da Bélgica, passando pelos edifícios altos com painéis portantes na Holanda, e chegando ao mix destas tipologias nos países nórdicos, que possuem entre 80% e 90% de estruturas pré-fabricadas nas construções, como a Dinamarca e a Finlândia. Na Índia, pelas necessidades locais de habitações e espaço urbano, são adotados os painéis em edifícios habitacionais de alturas mais elevadas. Já na Austrália, este modelo que visitamos mostra que a indústria é fornecedora de componentes, já que faz parte do dia a dia das construtoras trabalharem com a industrialização e terem canteiros de obras altamente mecanizados”, comenta.

Em sua visão, o Brasil tem inúmeras possibilidades de crescimento na indústria das estruturas pré-fabricadas de concreto. Uma delas é “crescer para cima”. “Hoje, a ABCIC, que conhece modelos de desenvolvimento nos mais diversos países, tem estudado especialmente a adoção do sistema no mercado imobiliário, além da habitação social, em edifícios residenciais e comerciais. Não apenas no que tange ao projeto, que é uma fase importante, mas desde a cultura para este desenvolvimento, passando por questões de logística, pois os canteiros no país ainda são pouco mecanizados, até os sistemas de produção e manutenção”, finaliza.

Baixe as apresentações realizadas no Concrete Australia.
http://www.rilem.org/docs/2015145617_concrete-2015-protege.pdf

Entrevistada
Engenheira civil Íria Lícia Oliva Doniak, presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto)
Contato: abcic@abcic.org.br

Créditos Fotos: Divulgação e Clement Mahoudeau/IP3 Press/MAXPPP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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