Brasil atrai escritórios internacionais de engenharia

Arena da Amazônia: porta de entrada para que a alemã GMP (Gerkan, Mark und Partner) se instalasse no Brasil

Brasil atrai escritórios internacionais de engenharia

Brasil atrai escritórios internacionais de engenharia 1020 480 Cimento Itambé

Projeção obtida pelo país lá fora, por causa de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, desperta interesse global; ABECE alerta para qualidade dos projetos

Por: Altair Santos

A projeção internacional obtida pelo Brasil com eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas atraiu alguns dos principais escritórios de engenharia e consultoria do mundo. Estima-se que atualmente pelo menos 40 empresas tenham aberto filiais no país ou estejam atuando em parceria com outras companhias nacionais especializadas em engenharia estrutural, consultoria e projetos. São principalmente norte-americanos, ingleses, alemães e espanhóis, que estão envolvidos não apenas na construção de equipamentos esportivos, mas em obras de infraestrutura, aeroportuárias e de alto padrão no setor de habitação e escritórios.

Arena da Amazônia: porta de entrada para que a alemã GMP (Gerkan, Mark und Partner) se instalasse no Brasil

O auge da chegada de escritórios multinacionais de engenharia aconteceu entre 2008 e 2012. Hoje, as empresas consolidadas no país têm se dedicado a prospectar novos mercados na América Latina. É o caso da inglesa Arup, conhecida mundialmente por projetar obras como a Sydney Opera House (Austrália), o trem bala Londres-Paris High Speed 1 (Inglaterra), o centro aquático Cubo D´água (China) e as arenas esportivas Ninho do Pássaro (China) e a Allianz Arena (Alemanha). “Desejamos expandir nossas atividades por aqui e por todo o Mercosul. Contamos com um escritório em São Paulo desde 2012 e há cerca de três meses abrimos outro no Rio de Janeiro”, diz o diretor da empresa no Brasil, Ricardo Pittella.

O CEO da Arup no país explica o porquê de as empresas estarem conseguindo ampliar suas carteiras no Brasil. “Existem poucas empresas de engenharia de projetos que atendam a praticamente todos os segmentos e ofereçam soluções multidisciplinares. Além disso, a cooperação e troca de conhecimentos globais entre os escritórios é muito intensa”, completa. Foi isso que atraiu também as alemãs GMP (Gerkan, Marg und Partner) e a norte-americana Populous, que desembarcaram no Brasil assinando os projetos de reforma do Maracanã e da nova Arena das Dunas, em Natal – ambos prontos para receber jogos da Copa do Mundo.

Outro grupo consolidado no Brasil é o espanhol Sener. Instalada desde 2009, a empresa tem atualmente 300 profissionais entre engenheiros, projetistas e arquitetos trabalhando no país. A divisão brasileira desenvolve projetos nos setores de energia e processos, engenharia civil e arquitetura, aeroespacial e naval. Petrobras, BR Distribuidora, Construtora Norberto Odebrecht, Embraer e o estaleiro STX, em Niterói-RJ, estão entre os clientes da companhia espanhola.

João Alberto de Abreu Vendramini: será que precisamos desta mão de obra?

A concorrência internacional estimulou escritórios brasileiros a se associarem com parceiros de fora, mas, no entender da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutura) essa abertura deve ser vista com senso crítico. “Nosso mercado não é tão grande e tão abrangente assim, e não há falta de profissionais no país”, avalia João Alberto de Abreu Vendramini, vice-presidente de marketing da ABECE, completando que esse movimento pode prejudicar a formação de novos engenheiros estruturais no Brasil, já que a maioria destes escritórios traz profissionais de fora. “Esse é um setor estratégico para o país, que precisaria de reserva de mercado. Será que precisamos desta mão de obra estrangeira?”, questiona.

 

Entrevistados
Engenheiros civis Alberto de Abreu Vendramini, vice-presidente de marketing da ABECE, e
Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil
Contatos
americas@arup.com
abece@abece.com.br

Créditos Fotos: Divulgação/Secopa-AM/ABECE

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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